Terra oca

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Terra oca é uma hipótese onde considera-se que o planeta Terra possui um interior vazio e habitável.[1]

Histórias[editar | editar código-fonte]

Várias tribos nativas norte-americanas tinham tradições de que, ao se por, o Sol entrava em um buraco na Terra, se escondia em seu interior durante a noite, e saía do outro lado em um buraco oposto. O povo vivia, inicialmente, em baixo da terra, até que um jovem aventureiro escalou o buraco e, vendo que a superfície era rica e habitável, trouxe seu povo para habitá-la. Por influência dos índios, vários escritores dos Estados Unidos propuseram teorias de terra oca.[1]

John Cleves Symmes propôs, em 10 de abril de 1818, em Saint Louis que a Terra era oca e habitável em seu interior, sendo formada por várias conchas esféricas concêntricas, com uma abertura no Polo de 12 ou 18 graus. Ele se dispôs a explorar esta abertura, mas não teve sucesso, nas duas vezes que pediu apoio ao Congresso dos Estados Unidos, em 1822 e 1823. Ele morreu em 1829, e em seu túmulo foi gravada uma imagem da terra oca, com a inscrição "Ele defendeu que a Terra é oca e habitável em seu interior".[1]

Em 1826, James McBride, usando o pseudônimo de Cidadão dos Estados Unidos, publicou o livro The Symmes Theory of Concentric Spheres, expondo a teoria de Symmes, com teses e provas. Todos os corpos celestes, desde o Sol até o menor dos meteoros, seriam compostos de esferas, relativamente sólidas e concêntricas, e abertas em seus polos. Cada esfera seria separada da seguinte por fluidos aéreos elásticos, e a iteração entre as esferas e os fluidos seria a causa da gravitação. A Terra seria formada por, pelo menos, cinco esferas, todas com uma atmosfera, abertas nos polos e habitáveis em ambas faces. As esferas interiores seriam iluminadas e teriam calor suficiente para permitir a vida animal e vegetal. A razão da Terra ser oca seria que quase todas estruturas naturais são ocas, desde as sementes de trigo, as penas das aves, os ossos dos animais, e os cabelos da cabeça. A evidência da abertura no Polo Norte seriam os testemunhos de baleeiros e pescadores, que avistam a migração de aves, animais e peixes vindos da zona polar norte; estes estariam vindo de uma região quente e habitável no interior da Terra.[1]

Em 1870, Cyrus Reed Teed propôs sua teoria, chamada de Koreshan Cosmology. A superfície habitável da Terra, onde nós vivemos, não seria o exterior de uma esfera, mas seu interior. Todo o universo teria um diâmetro de 13.000 km [Nota 1] A concha da Terra, formada por metais e minerais, teria 160 km [Nota 2] de espessura. No centro desta esfera ficaria o "Sol Central", em torno do qual todo o universo roda, em um período de 24 horas. A concha da esfera teria sete camadas metálicas, cinco minerais e cinco de estratos geológicos. A última camada seria de ouro, e além dela haveria o nada. Dentro da esfera, haveria três atmosferas, a primeira de oxigênio e nitrogênio, a segunda de hidrogênio e a terceira de "aboran". Dentro desta, ficariam a esfera solar, a depois o núcleo estrelado. A Lua e os planetas seriam reflexos do Sol, através de discos de mercúrio na superfície da Terra. Os cometas seriam pequenos pedaços quebrados da esfera solar central. O Sol teria um diâmetro de 160 km, distante 1600 km da superície.[Nota 3] Por esta teoria, energia é gerada pela destruição da matéria, e matéria pela destruição da energia.[Nota 4] O dia e a noite seriam causados pelas três atmosferas.[1]

Marshall B. Gardner, em 1913, escreveu A Journey to the Earth's Interior, or Have the Poles Really Been Discovered. Por esta teoria, a Terra é uma concha esférica de 1300 km [Nota 5] de espessura, com seu centro de gravidade. No interior e no exterior desta esfera há terra e água, sendo a distribuição interior provavelmente o reverso da exterior. Aos oceanos da superfície, como o Atlântico e o Pacífico, correspondem enormes massas terrestres, talvez os continentes perdidos de Atlântida, Lemúria, Pan e Mu. Em cada eixo polar há aberturas de 2300 km [Nota 6] de diâmetro, pelas quais a água flui nas duas direções, e pelas quais seria possível marinheiros flutuar ou aviadores voar. Gardner cita versões dos exploradores da região Norte, que relatam fenômenos inexplicáveis. No interior da Terra haveria um segundo Sol, de 1000 km [Nota 7] de diâmetro, que teria sido produzido como o centro do redemoinho que formou a Terra pela hipótese nebular. Os demais planetas também seriam ocos, como Marte, e que umas luzes misterioras que os astrônomos observaram a milhões de km do planeta seriam a luz do sol interior deste planeta. As auroras boreal e austral também seriam a luz do sol interior da Terra, refletida na atmosfera. No interior da Terra haveria um tesouro biológico, com as várias espécies da flora e da fauna, inclusive raça primitivas do homem, que migraram nos milhões de anos.[1]

Notas e referências

Notas

  1. No original, 8000 milhas.
  2. No original, 100 milhas.
  3. No original, 1000 milhas
  4. A ideia da equivalência entre matéria e energia costuma ser atribuída a Albert Einstein, pela famosa equação E = m c2.
  5. No original, 800 milhas.
  6. No original, 1400 milhas.
  7. No original, 600 milhas.

Referências

  1. a b c d e f Edna Kenton, The Book of Earths (1928), Earth a Hollow Sphere [em linha]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Seaborn, Captain Adam. Symzonia; Voyage of Discovery. J. Seymour, 1820.
  • Kafton-Minkel, Walter. Subterranean Worlds. Loompanics Unlimited, 1989.
  • Standish, David. Hollow Earth. Da Capo Press, 2006.
  • Lugares Místicos - Mistérios do Desconhecido (Um Mundo Interior) - Abril Livros (1991) / Time-Life (1987) - Rio de Janeiro
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