Terreiro Bate Folha

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Religiões afro-brasileiras
Ile opo afonja.jpg
(mudar foto)

Terreiro Bate Folha

Mansu Banduquenqué

Candomblé


Princípios Básicos

Deus

Ketu | Olorum | Orixás

Jeje | Mawu | Vodun

Bantu | Nzambi | Nkisi


Templos afro-brasileiros

Babaçuê | Batuque | Cabula

Candomblé | Culto de Ifá

Culto aos Egungun | Quimbanda

Macumba | Omoloko

Tambor-de-Mina Terecô | Umbanda

Xambá | Xangô do Nordeste

Sincretismo | Confraria


Literatura afro-brasileira

Terminologia

Sacerdotes

Hierarquia


Religiões semelhantes

Religiões Africanas Santeria Palo Arará Lukumi Regla de Ocha Abakuá Obeah


Terreiro Bate Folha, Mansu Banduquenqué, ou Sociedade Beneficente Santa Bárbara do Bate Folha, é um terreiro de candomblé localizado em Salvador, Bahia. Foi fundado em 1916 pelo Tata Manoel Bernardino da Paixão e é atualmente presidido por Tata Mulandure, Edualino Cipriano de Souza. O terreiro possui a maior área urbana remanescente da Mata Atlântica, aproximadamente 15,5 hectares. Foi tombado pelo IPHAN em 10 de outubro de 2003.

Origem do Bate Folha da Bahia[editar | editar código-fonte]

No ano de 1881, Salvador, Bahia, nasceu Manoel Bernardino da Paixão. Quando já contava 38 anos de idade, Bernardino foi iniciado na Nação do Congo pelo Muxikongo (designação dos naturais do Kongo), por Manoel Nkosi, sacerdote iniciado na África, recebendo então, a dijína de Ampumandezu.

Depois da morte de Manoel Nkosi, Bernardino transferiu-se para a casa de sua amiga inseparável Maria Genoveva do Bonfim - Mam´etu Tuhenda Nzambi, mais conhecida como Maria Nenem, mãe do Angola na Bahia, onde tirou a Maku-a-Mvumbi (Mão do Morto).

Maria Nenem era filha de santo de Roberto Barros Reis, escravo angolano, de propriedade da família Barros Reis, que lhe emprestou o nome pelo qual era conhecido.

A cerimônia de Maku-a-Mvumbi, à qual Bernardino se submeteu em 13 de junho de 1910, coincidiu com a iniciação de Manoel Ciriáco de Jesus, nascido em 8 de agosto de 1892, também na Bahia, o que ocasionou a ligação estabelecida entre Bernardino e Ciriáco que, anos mais tarde, com o falecimento de seu irmão de santo mais velho, Manoel Kambambi, que na época tinha casa aberta na Bahia, Ciriáco sucedeu kambambi, no terreiro que hoje é conhecido por Tumba Junsara.

Com o passar do tempo, Bernardino já muito famoso, fundou o Candomblé Bate-Folha, situado na Mata Escura do Retiro, em Salvador, Bahia. O terreno onde está estabelecido o Candomblé, na Travessa de São Jorge, 65, é cercado de árvores centenárias e considerado o maior terreiro do Brasil que, na época, foi presenteado à Bamburusema, seu segundo mukixi, já que o primeiro era Lemba.

Desta forma fica claro que, pelas origens de Manoel Nkosi, o Bate-Folha é Congo e, mantém o Angola, por parte de Maria Nenem.

Foi no dia 4 de dezembro de 1929 que Bernardino tirou seu primeiro barco, cujo Rianga (1º Filho da casa) foi João Correia de Mello, que também era de Lemba.

Raíz do Bate Folha da Bahia[editar | editar código-fonte]

O Bate-Folha do Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1930, João Correia de Mello, já então conhecido como João Lessengue (Lesenge), mudou-se para o Rio de Janeiro.

Ao chegar, Lesenge foi morar na Rua Navarro, no Catumbi, havendo trazido em sua companhia alguns irmãos de santo, dentre os quais, se destaca por sua atuação Mãe Ngukui, componente do terceiro barco de Bernardino.

Ngukui seria então o braço direito de Joao Lessengue na sua nova empreitada no Rio de Janeiro. Aqui, João Lessengue conheceu outras pessoas de santo em sua maioria oriunda da Bahia, passando então a participar dos rituais das diversas casas de candomblé já existentes na cidade.

Diversas personalidades importantes do candomblé faziam parte de seu círculo de amizades, como Ebomi Dila, Mãe Agripina do Opo Afonjá, Mãe Teté, Mãe Bida de Iemanjá, Joana Cruz, Joana Obasi, Mãe Andreza, Guiomar de Ogun, Mãe Damiana, Tata Fomotinho, Vicente Bankolê, Ciriáco, América, Adalgisa, Marieta, Tia Marota, Obaladê, Nair de Oxalá, Marina de Ossãin, Nino de Ogun, Mundinho de Formigas, Otávio da Ilha Amarela, Ogan Caboclo, Álvaro do Pé-Grande, Mãe Teodora de Yemanjá, etc.

No início dos anos 40, Lesenge comprou um terreno com aproximadamente 5.000 metros quadrados, no bairro Anchieta, fundando ali, o Bate-Folha do Rio de Janeiro.

Ao longo dos anos João Lessengue tirou doze barcos, sendo o primeiro em 26 de novembro de 1944, e o último em 8 de novembro de 1969.

No dia 29 de setembro de 1970, às 23:40hs., morre João Lesenge, o senhor do Bonfim de Anchieta.

Após o falecimento de Tata Lesenge em 1970, a roça atravessou um prolongado luto.

Foi somente em 1972, em ocasião de Luvalu (cerimônia de sucessão), que o Bate-Folha do Rio de janeiro reabriu, sendo ali investida no cargo como Mam´etu riá Nkisi (sacerdote chefe), sua sobrinha e filha de santo, Mabeji - Floripes Correia da Silva Gomes, tornando-se, herdeira de seu tio Lesenge em todo o sentido da palavra.

Mam´etu Mabeji, baiana do bairro da Liberdade, chegou ao Rio de Janeiro para residir com o Sr. João Lesenge em 19 de outubro de 1946 e, iniciou-se no candomblé em 20 de abril de 1947. A partir desta data, Mabeji começa a fazer parte da história do Bate-Folha.

Por volta dos anos 50, em companhia de um índio Irapuru, chega ao Bate-Folha o Sr. José Milagres.

Com o passar do tempo, Milagres casa-se com Mabeji e posteriormente, se confirma na casa como Pokó (sacrificador de animais) passando então a ser conhecido como Tata Nguzu-a-Nzambi, sua dijina. Dai em diante, Tata Nguzu tem sido um guerreiro incansável na preservação da roça em Anchieta.

Em virtude da grande obra que está sendo feita, o Bate-Folha não vem proporcionando ao público suas maravilhosas festas, realizando apenas, às obrigações internas. Ressaltando, para que fique explícito às muitas pessoas que, por não terem mais notícias das famosas festas em Anchieta, comentam que o Bate-Folha acabou.

Ressaltando ainda, que em abril do ano de (1997), o bate-Folha reabriu suas portas para a grande festa do século, ocasião em que foi comemorado os 50 anos de santo de Mam´etu Mabeji, mãe do Kongo/Angola no Rio de Janeiro.

  • A direção do Painel Cultural parabeniza antecipadamente Mam´etu Mabeji pela dedicação de 50 anos de religiosidade, como também, parabeniza tata Nguzu-a-Nzambi que, ao lado de sua esposa, vem mantendo a autêntica tradição Kongo-Angola, legada por aqueles que se foram. Que Lemba e Nsumbo nos dêem força!
  • O Terreiro Bate Folha continua hoje sob a direção de Mam'etu Mabeji.
  • Em 2005, o Bate Folha lançou um cd, chamado Cantigas de Angola, produzido pela Fundação Universidade de Brasília e pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), com o apoio do Museu da República e da Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura.

Sacerdotes do Terreiro Bate-Folha no Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

  • Tat'etu Lesenge (João Correia de Mello)
  • Mam´etu Mabeji - até a presente data

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre patrimônio histórico no Brasil é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
Ícone de esboço Este artigo sobre candomblé é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.