Tesouro de Nagyszentmiklós

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Parte do tesouro de Nagyszentmiklós.
Outra parte do tesouro.

O Tesouro de Nagyszentmiklós (Tesouro de Sânnicolau Mare) é um importante tesouro de 23 vasos de ouro medievais precoces, no total de 9.945 kg, encontrado em 1799 próximo da cidade então conhecida como Nagyszentmiklós[1] ou Groß-Sankt-Niklaus[2] (em romeno: Sânnicolau Mare) no norte do Banato (então parte do Condado de Torontál, dentro do Reino da Hungria no Império Habsburgo, hoje em Timiş na Romênia ocidental, próximo da fronteira com a Hungria). Após a escavação, o tesouro foi transferido para Viena, a capital do império. Desde então, tem estado em exposição no Kunsthistorisches Museum, onde está em exposição permanente. Uma ampla gama de pontos de vista continuam a ser mantidos quanto a data e as origens dos estilos das peças, e o contexto em que elas foram feitas, o que pode variar entre elas. Excepcionalmente, as inscrições em algumas peças aumentaram a complexidade dos argumentos ao invés de reduzi-los. Recentemente, oficiais romenos pediram ao governo austríaco por seu repatriamento.[3] [4]

Descrição[editar | editar código-fonte]

O tesouro, que consiste em 23 vasos de ouro variadamente datados entre os século VI-X, foi encontrado em 3 de julho de 1799 por Neru Vuin, um fazendeiro sérvio, nas proximidades de Nagyszentmiklós.[5] A figura do "Príncipe Vitorioso" arrastando um prisioneiro por seu cabelo e a cena mitológica na parte de trás de um pote de ouro, bem como o projeto de outros objetos ornamentais, mostra afinidades com os achados de Novi Pazar, na Bulgária, e Sarkel, na Rússia. Estilisticamente, influências asiática central, sassânida e bizantina são predominantes.[6]

Inscrição[editar | editar código-fonte]

Em um dos vasos no tesouro há uma inscrição escrita no alfabeto grego onde se lê:

ΒΟΥΗΛΑ.ΖΟΑΠΑΝ.ΤΕΣΗ.ΔΥΓΕΤΟΙΓΗ.ΒΟΥΤΑΟΥΛ.ΖΩΑΠΑΝ.ΤΑΓΡΟΓΗ.ΗΤΖΙΓΗ.ΤΑΙΣΗ[7]
Tradução:bouēla zoapan tesē dygetoigē boutaoul zōapan tagrogē ētzigē taisē[8]

A língua da inscrição é provavelmente turcomana. Enquanto não há consenso para seu significado, várias traduções tem sido sugeridas e há consenso geral que Buyla e Butaul são nomes ou títulos turcos, e que eles estão associados com o título de jupã. Há outra inscrição em grego e várias outras inscrições muito pequenas em um manuscrito runiforme e também é provável que esteja em uma língua turcomana, mas estes são muito breves e também não foram decifrados.[9]

Contexto cultural[editar | editar código-fonte]

Guerreiro vitorioso exibindo um cativo na jarra do tesouro.

O ambiente cultural em que os objetos no tesouro foram criados, montados e depositados permanece controverso, com o debate frequentemente afetado por concepções nacionalistas. Segundo alguns estudiosos o tesouro possui conectaram com o Caganato Ávaro.[10] [11] De acordo com a interpretação da inscrição de um dos vasos, esta inscrição foi escrita por um povo cujos líderes locais tinham nomes turcos e títulos eslavos (ou seja, jupã).[12] [13]

Como notado acima, afinidades foram reconhecidas entre o material de Nagyszentmiklós e os achados em Novi Pazar e na Cazária. Arqueólogos tanto da Hungria como da Bulgária consideram estas afinidades para apoiar teorias de antigas migrações entre regiões. Ambos foram aliados com os cazares por um período. O tesouro dá alguma ideia dar artes praticadas dentro do Primeiro Império Búlgaro, Reino da Hungria e Cazária. De acordo com o professor Nykola Mavrodinov (baseado em Vilhelm Thomsen), o escrito no vaso número 21 está em búlgaro, escrito com letras gregas, ao redor de uma cruz, e diz, "Boyla Zoapan fez este vaso. Buaul Zoapan pretendia-se para beber."[14] Uma escola de arqueólogos húngaros sustenta que os trabalhos de ourivesaria do século X são cazares.[15]

Acredita-se que a arte da Cazária teria sido modelada nos padrões artísticos sassânidas. O arqueólogo soviético O. H. Bader enfatizou o papel dos cazares na disseminação do estilo de cerâmica de prata sassânida em direção ao norte.[16] Alguns destes trabalhos podem ter sido re-exportados pelos cazares, fiel ao papel deles de intermediadores; outros foram imitações feitos em oficinas cazares - as ruínas que foram rastreadas próximo da antiga fortaleza cazar de Sarkel. O arqueólogo sueco T. J. Arne menciona placas ornamentais, fechos e fivelas encontradas tão longe quanto a Suécia, de inspiração sassânida e bizantina, manufaturados na Cazária ou territórios sob influência deles.[17] Assim, os cazares, magiares e búlgaros poderiam ter sido intermediários na disseminação da arte sassânida na Europa Oriental.[18]

Vários elementos do Tesouro de Nagyszentmiklós tem contrapartes da Ásia Central. Um é a cena do pássaro divino Garuda levantando um corpo humano. Este motivo pode ser encontrado em toda a Ásia Central, Índia e Sibéria. O motivo de um animal bebendo do copo também ocorrem em toda a Eurásia da China, através da Sibéria, para a Hungria. A imagem da concha do náutilo no conjunto pode relacionar-se coma Índia, onde o animal é nativo do oceano Índico. Esta relação remonta ao Império Heftalita, o Estado dos hunos brancos que governaram durante os século IV-V em Gujarate e Rajastão.[19]

Galeria de fotos[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Arne, T. J.. La Su de et l'Orient. Uppsala: [s.n.], 1914. vol. 8..
  • Bader, O. H.. Studies of the Kama Archaeological Expedition. [S.l.: s.n.], 1953..
  • Bálint, Cs.. (2004). "A nagyszentmiklósi kincs. (Treasure of Nagyszentmiklos)". Varia Archaeologica Hungarica XVIa.
  • Bálint, Cs.. . "Der Schatz von Nagyszentmiklós in der Bulgarischen Archäologischen Forschung". Acta Archaeologica Academiae Hungaricae 51.
  • Centro italiano di studi sull'alto Medioevo. Popoli delle steppe: unni, avari, ungari, 23-29 aprile 1987, Том 2. [S.l.]: Presso la sede del centro, 1988..
  • Dunlop, D. M.. Enc. Judaica. [S.l.: s.n.], 1971-1972. Capítulo: Khazars. .
  • Entwistle, C.; N Adams. Byzantine goldsmithwork. Londres: British Museum Press, 2009..
  • Haefs, Hanswilhelm. Das goldene Reich der Pamir-Bulgaren an Donau und Wardar: Skyten-Gold. [S.l.]: BoD – Books on Demand, 2009..
  • Kovács, T.. The Gold of the Avars. The Nagyszentmiklós Treasure. Budapeste: [s.n.], 2002..
  • László, Gyula; István Rácz. The Treasure of Nagyszentmiklós. [S.l.]: Corvina, 1984..
  • Moravcsik, Gyula. Byzantinoturcica: Sprachreste der Türkvölker in den byzantinischen Quellen. [S.l.: s.n.], 1983..
  • Róna-Tas, András. Hungarians and Europe in the early Middle Ages. [S.l.]: Central European University Press, 1999. ISBN 963-9116-48-3.
  • Ungewitter, Franz Heinrich. Europe, past and present: a comprehensive manual of European geography and history. [S.l.: s.n.], 1850..