Testes cutâneo-alérgicos

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Os testes cutâneos-alérgicos de sensibilidade imediata são procedimentos médicos codificados pela tabela da Associação Médica Brasileira sob número 19.010.11-7 e são rotineiramente utilizados como procedimento diagnóstico nos serviços de Alergia e Imunologia. Seu uso no diagnóstico da alergia respiratória, da alergia a fármacos e da alergia alimentar está bem estabelecido[1] [2]

Testes de alergia


INTERPRETAÇÃO[editar | editar código-fonte]

A análise da reatividade se faz por planimetria da pápula palpável resultante. Considera-se o tamanho em milímetros do maior diâmetro da pápula palpável somado ao diâmetro de sua perpendicular, posteriormente dividido por dois. Obtem-se assim o diâmetro papular médio (DPM).[3] O eritema formado ao redor também pode ser considerado.

HISTÓRICO[editar | editar código-fonte]

O primeiro teste cutâneo concebido como uma ferramenta no diagnóstico alergológico foi relatado em 1873 por Charles Blackley que escarificou (“de maneira similar a da vacinação”) uma área de uma polegada em seu próprio antebraço para correlacionar seus sintoma nasais com o pólen do Lolium italicum.[4] Ele colocou o pólen sobre um pedaço de algodão úmido, cobriu-o com “gutta perch” e a fixou com fita adesiva sobre a área escarificada. Usou um controle negativo sem pólen no braço contralateral. Apesar do aparecimento de dermografismo nos dois lados, ele relata o aparecimento de um “tumor” no tecido subcutâneo ao redor da área com pólen. Desde então, os testes cutâneos evoluíram muito, tornando o seu método original injustificável. Em 1906 Clemens von Pirquet cunhou o termo “alergia” e em 1907, para substituir as chaves de fenda utilizadas nos testes de escarificação, criou um dispositivo rotator para o teste cutâneo de tuberculose.[5] Em 1912 Oscar Schloss utilizou o dispositivo de Von Pirquet para realizar testes de escarificação e publicou um trabalho notável relatando o diagnóstico e tratamento de um paciente com alergia grave a alimentos comuns. [6] Deste então, a possibilidade de reproduzir na pele uma reação de hipersensibilidade (que pudesse acusar e responsabilizar determinadas substâncias como agentes desencadeantes de sintomas de natureza imunológica) tem revolucionado a Medicina Ocidental, a ponto de gerar uma nova especialidade: a Alergologia, que tem nos testes cutâneos um de seus principais apoios propedêuticos.[7] Em um século, muitas técnicas e dispositivos diferentes foram utilizados e descritos, assim como diversas padronizações de antígenos e soluções foram propostas. Apesar dos inúmeros avanços, não existe ainda uma técnica de teste cutâneo que seja indiscutivelmente o “padrão ouro” para diagnóstico das doenças alérgicas, e a história clínica realizada pelo alergologista experiente, continua sendo o principal elemento diagnóstico e o elo crítico entre os testes (cutâneos ou sanguíneos) e a doença alérgica.[8]
O teste cutâneo-alérgico de leitura imediata geralmente é realizado em adultos na face volar do antebraço e nas costas de bebês. Uma reação com diâmetro ≥ 3 mm, mensurada 15 minutos após a aplicação do puntor sobre a solução testada e após subtração da reação correspondente do controle negativo é requerida para positividade. A realização de testes cutâneo-alérgicos é o passo mais importante na indicação da dessensibilização ou imunoterapia dessensibilizante. Existem várias técnicas descritas para execução dos testes cutâneo-alérgicos de leitura imediata. O teste de escarificação como foi descrita originalmente, por ser muito traumática, raramente é utilizada. O teste pode ser realizado por injeção intradérmica, mas além de ser uma técnica dolorosa, apresenta o risco de reações anafilática. O teste de puntura consiste em perfurar a pele com uma agulha ou um dispositivo perfurante descartável (um para cada alérgeno) através de uma gota da solução de antígeno sobre a pele. Traz um discreto desconforto e pode ser dolorido em crianças. O teste cutâneo-alérgico de raspagem (skin scrape test) foi introduzido recentemente e é uma técnica indolor e mais econômica que o teste de punctura, com a mesma acurácia diagnóstica.[9]

Referências

  1. Verstege A, Mehl A, Rolinck-Werninghaus C, Staden U, Nocon M, Beyer K, et al. The predictive value of the skin prick test weal size for the outcome of oral food challenges. Clin Exp Allergy 2005; 35:1220-6.
  2. Costa AJF, Sarinho ESC, Motta MEFA, Gomes PN, Melo SMO, Silva GAP. Allergy to cow’s milk proteins: what contribution does hypersensitivity in skin tests have to this diagnosis? Pediatric Allergy and Immunology 2011; 22:e133-e8.
  3. Bernstein IL, Li JT, Bernstein DI, Hamilton R, Spector SL, Tan R, et al. Allergy diagnostic testing: an updated practice parameter. Ann Allergy Asthma Immunol 2008; 100:S1-148.
  4. Blackley CH. Experimental researches on the causes and nature of catarrhus æstivus - Oxford University; 1873.
  5. Cohen SG, King JR. Skin Tests A Historic Trail. Immunol Allergy Clin North Am 2001; 21:191 - 249.
  6. Schloss OM. A Case of Allergy to Common Foods. Am J Dis Child 1912; III:341-62.
  7. Nelson HS, Kolehmainen C, Lahr J, Murphy J, Buchmeier A. A comparison of multiheaded devices for allergy skin testing. J Allergy Clin Immunol 2004; 113:1218-9.
  8. Bernstein IL, Li JT, Bernstein DI, Hamilton R, Spector SL, Tan R, et al. Allergy diagnostic testing: an updated practice parameter. Ann Allergy Asthma Immunol 2008; 100:S1-148.
  9. Olivier CE, Argentão DGP, Santos RAPG, Silva MD, Lima RPS, Zollner RL. Skin Scrape Test: An Inexpensive and Painless Skin Test for Recognition of Immediate Hypersensitivity in Children and Adults. The Open Allergy Journal 2013; 6:9-17. OAJ