Thatcherismo

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Ronald Reagan e Margaret Thatcher na Casa Branca, 1988.

Thatcherismo (em inglês:Thatcherism) designa a ideologia e as políticas defendidas pelo Partido Conservador britânico, desde que Margaret Thatcher foi eleita líder do partido, em 1975, e, posteriormente, o estilo do governo Thatcher, no período em que foi primeira-ministra (1979-1990). Thatcher destacou-se dentre os primeiro-ministros britânicos conservadores por ser uma ferrenha defensora do liberalismo econômico.

Conta-se que certa vez, numa reunião do "Gabinete Paralelo" (Shadow Cabinet), atirou sobre a mesa um exemplar do livro The Constitution of Liberty de Friedrich Hayek, dizendo: "É nisso que acredito."

Promoveu a desestatização da economia da Grã-Bretanha, com as privatizações, servindo de modelo para os governos de várias economias latino-americanas na década de 1990, inclusive do Brasil, sob influência do Consenso de Washington e adotando um discurso político de defesa da modernidade.

Características[editar | editar código-fonte]

O "Thatcherismo" se caracteriza pela redução da intervenção do Estado na economia, pela exaltação das virtudes do livre-mercado e dos méritos da "ordem espontânea", tal como defendida por Hayek, de quem Thatcher era grande admiradora; por uma política econômica monetarista, nos moldes da Escola de Chicago; pela defesa das privatizações de empresas estatais; pela redução dos impostos diretos (ou progressivos, como o imposto sobre a renda e os impostos sobre as propriedades) e pelo aumento dos impostos indiretos (ou regressivos, como os impostos sobre o consumo); pelo combate aos sindicatos de trabalhadores; pela eliminação do salário mínimo e pela redução do Estado do bem-estar social.

O "Thatcherismo" se alinha à Reaganomics dos Estados Unidos, à Rogernomics na Nova Zelândia[1] e ao "Racionalismo Econômico" da Austrália. Thatcher defendia a supremacia do individualismo sobre o coletivismo, tendo a auto-ajuda como seu mantra.

Entre os pensadores ligados ao "Thatcherismo" incluem-se, entre outros, Keith Joseph, Enoch Powell, Friedrich Hayek e Milton Friedman.[2]

Friedman observou certa vez que "uma coisa que as pessoas não reconhecem é que Margaret Thatcher não é, em termos de crença, uma política do Partido Conservador Britânico. Ela é uma liberal do século XIX." [3]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Os críticos de Margaret Thatcher mencionam que os sucessos de sua política econômica só foram obtidos graças ao pagamento de pesados custos sociais pela maioria da população britânica. A produção industrial caiu severamente durante seu governo, provocando um significativo aumento do desemprego, que triplicou no período, atingindo a marca de 3 milhões de pessoas [4] . Quando Thacther foi derrotada em 1990 durante os tumultos [5] provocados pela criação do imposto regressivo [6] , chamado poll tax (impostos regressivos são concebidos de forma que as pessoas com renda mais baixa pagam proporcionalmente mais do que as de renda mais alta), 28% das crianças da Grã-Bretanha estavam abaixo da linha de pobreza, número que continuou aumentando até atingir um pico de 30%, no governo conservador de John Major, que sucedeu.[7] [8]

Embora lhe seja atribuído o mérito de ter reativado a economia britânica, Thatcher também é considerada responsável pela duplicação da taxa de pobreza no país. A pobreza das crianças britânicas, em 1997, era a maior da Europa.[8] [9]

Durante o governo Thatcher a renda dos que estavam no decil superior cresceu pelo menos cinco vezes mais do que a renda dos que estavam no decil inferior: a desigualdade cresceu em um terço [10] . Em consequência, o Coeficiente de Gini da Grã-Bretanha deteriorou-se substancial e continuamente, passando de 0,25 em 1979 para 0,34 em 1990. Esta significativa "piora" no coeficiente de Gini não pôde ainda ser corrigida pelos governos que a sucederam.[11]

Alguns também consideram que as idéias de Thatcher eram mais ideológicas do que propriamente econômicas, e que suas ações marcaram uma virada na política econômica que foi determinada mais por interesses políticos do que por razões de ordem econômica.[12]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Andrew Gamble, The Free Economy and the Strong State: The Politics of Thatcherism (Palgrave Macmillan, 1994).
  • Sir Ian Gilmour, Dancing with Dogma: Thatcherite Britain in the Eighties (Simon & Schuster, 1992).
  • Stuart Hall and Martin Jacques (1983), The Politics of Thatcherism (London: Lawrence and Wishart).
  • Bob Jessop et al (1988), Thatcherism: A Tale of Two Nations (Cambridge: Polity).
  • Dennis Kavanagh, Thatcherism and British Politics: The End of Consensus? (Oxford University Press, 1990).
  • Shirley Robin Letwin, The Anatomy of Thatcherism (Flamingo, 1992).
  • Kenneth Minogue and Michael Biddiss, Thatcherism: Personality and Politics (Palgrave Macmillan, 1987).
  • Robert Skidelsky (ed.), Thatcherism (Blackwell, 1989).
  • Peter Hennessy, 'The Prime Minister: The Job and Its Holders Since 1945' (Penguin Books, 2000)

Ver também[editar | editar código-fonte]