O Novo Mundo

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The New World
O Novo Mundo (PT/BR)
Pôster de divulgação
 Estados Unidos
 Reino Unido

2005 • cor • 135 min 
Direção Terrence Malick
Produção Sarah Green
Terrence Malick
Roteiro Terrence Malick
Elenco Colin Farrell
Q'Orianka Kilcher
Christopher Plummer
Christian Bale
Género Drama
Romance
Idioma Inglês
Música James Horner
Cinematografia Emmanuel Lubezki
Edição Richard Chew
Hank Corwin
Saar Klein
Mark Yoshikawa
Distribuição New Line Cinema
Lançamento 25 de dezembro de 2005
Orçamento US$ 30 milhões
Receita US$ 30.536.013[1]
Site oficial
Página no IMDb (em inglês)

The New World (br/pt: O Novo Mundo) é um filme americano-britânico de 2005 escrito e dirigido por Terrence Malick. O filme é uma aventura histórica que conta a fundação de Jamestown, Virgínia e inspirado pelas figuras históricas do capitão John Smith e Pocahontas. É o quarto filme da carreira de Malick, e seu elenco inclui Colin Farrell, Q'Orianka Kilcher, Christopher Plummer, Christian Bale, August Schellenberg, Wes Studi, David Thewlis e Yorick van Wageningen.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

O filme abre com uma jovem mulher nativa americana oferecendo uma oração à Mãe Terra. Apesar de seu nome nunca ser falado, é entendido que ela é Pocahontas. A mulher e outros de sua tribo presenciam a chegada de três navios. É Virgínia, 1607, e os navios são parte da Expedição Jamestown, enviada pelos ingleses para fundar uma colônia no Novo Mundo. Abordo de um dos navios há um homem, mais tarde identificado como sendo o capitão John Smith, nos deques inferiores, acorrentado. Inicialmente sentenciado à morte por enforcamento, devido a insinuações de motim, uma vez em terra. Smith é perdoado pelo capitão Christopher Newport, o líder da expedição.

Enquanto as perspectivas de colonização são inicialmente boas, doenças, má disciplina, poucos suprimentos e tensões com os nativos colocam a expedição em perigo. Smith leva um pequeno grupo de homens pelo rio à procura de oportunidades de troca, enquanto Newport retorna a Inglaterra para pegar suprimentos. Enquanto estava na missão, Smith é capturado por nativos e levado até seu chefe, Powhatan. Depois de ser interrogado, o capitão é quase executado. Ele é poupado quando uma das filhas do chefe, a mesma garota vista na abertura, intervém e salva sua vida.

Vivendo entre os nativos como prisioneiro por um longo período, Smith é tratado bem e ganha a amizade e respeito do resto da tribo. Admirando seu novo modo de vida, ele se apaixona perdidamente por Pocahontas. Ela fica intrigada pelo inglês e seus costumes. Lentamente, Smith começa a questionar a validade de sua vida anterior. O chefe retorna Smith a Jamestown compreendendo que os ingleses planejam ir embora na primavera, quando seus barcos chegarem. Ao retornar, Smith encontra a colônia em turbilhão. Pressionado a aceitar o governo, ele percebe que a paz que ele tinha com os nativos foi substituída por privação, morte e as difíceis responsabilidades de seu novo cargo. Smith deseja retornar para seu amor, porém resiste a ideia. Ele acha que seu período com os nativos foi "um sonho" que ele havia acordado. O número de colonizadores diminui no inverno brutal, e o resto é apenas salvo quando Pocahontas e um grupo de socorro chega com comida, roupas e suprimentos.

Quando chega a primavera, Powhatan percebe que os ingleses não planejam sair. Descobrindo as ações de sua filha, ele ordena um ataque a Jamestown e exília Pocahontas. Rechaçando o ataque, os colonizadores descobrem o banimento de Pocahontas. Eles organizam uma troca para fazer com que a garota seja usada como garantia para que nenhum novo ataque ocorra. Quando Smith se opõe ao plano, ele é removido do cardo de governador. Depois de Pocahontas ser trazida a Jamestown, ela e Smith renovam sua relação. O retorno do Capitão Newport cria complicações. Newport diz a Smith que o rei ofereceu a ele o comando de uma expedição para tentar encontrar uma nova rota para as Índias Orientais Dividido entre seu amor e uma promissora carreira, ele decide voltar a Inglaterra. Antes de ir embora, ele deixa uma carta com intruções para um colonizador de confiança. Esse colonizador, mais tarde, diz a Pocahontas que Smith morreu na travessia.

Devastada, Pocahontas entra em depressão. Continuando a viver em Jamestown, ela acaba sendo confortada por um novo colonizador, John Rolfe. Ele a ajuda a se adaptar ao estilo de vida inglês. Ela é batizada, recebe educação e eventualmente se casa com Rolfe e dá à luz um filho. Enquanto ela está feliz com sua nova vida, ela descobre que Smith ainda está vivo. Percebendo que ainda ama Smith, ela sofre com seu marido. Rolfe e sua família a recebem a chance de ir a Inglaterra. Ao chegar em Londres e depois de falar com o rei e a rainha, Pocahontas fica sobrecarregada com as maravilhas do "Novo Mundo". Enquanto ela está lá, ela tem um encontro a sós com Smith. Rolfe apoia o encontro, acreditando que sua esposa ainda ama Smith e não vai ficar em paz até vê-lo novamente.

A reunião se mostra desconfortável em alguns momentos. O estado de suas vidas atuais mostra o quanto eles mudaram. Smith admite que ele pode ter cometido um erro ao escolher sua carreira em detrimento de seu amor por Pocahontas. Ele diz que aquilo que ele viveu na Virgínia não foi um sonho, más "a única verdade". Quando perguntado se ele encontrou suas Índias, ele responde "Talvez eu tenha passado por elas". Os dois vão embora, para nunca mais se verem. Percebendo que Rolfe era um homem muito maior que ela achava, Pocahontas finalmente o aceita como seu marido e amante. Pocahontas e Rolfe fazem preparativos para retornar a Virgínia. No caminho de volta, ela adoece e morre.

O filme termina com imagens de Pocahontas brincando com seu filho no jardim da casa deles na Inglaterra. Rolfe, em narração, lê uma carta, destinada ao filho sobre a mãe falecida. Nos momentos finais, Pocahontas diz, "Mãe, agora eu sei onde você vive". Como ela encontrou paz através de suas forças para cicatrizar suas feridas do passado, o filme termina com imagens da natureza.

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Elenco[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Malick começou a trabalhar no roteiro de The New World no final da década de 1970.[2] Depois de The Thin Red Line, Malick trabalhou em um filme sobre Che Guevara e sua tentativa de revolução na Bolívia. Enquanto esperava a aprovação do financiamento, Malick recebeu a chance de dirigir The New World, deixando o projeto de Che Guevara em março de 2004.[3] A produção do filme começou em julho do mesmo ano.

Filmagens[editar | editar código-fonte]

O filme é notável por sua enfâse em autenticidade, desde locações para cenários e figurinos, até o uso de atores e figurantes nativo americanos treinados por Blair Rudes, professora de linguística da University of North Carolina at Charlotte, para falar uma forma da extinta língua powhatan, recriada para o filme.[4]

O filme foi filmado em locação no Rio Chickahominy, uma afluente do Rio James, não muito longe do local dos eventos históricos e outra localidades. A equipe criou reconstruções da colônia Jamestown e da vila powhatan, baseados em evidências arqueológicas e a consultoria de historiadores. Eles usaram ferramentas e materiais relacionadas ao ambiente geográfico e tecnológico do cenário. A equipe de produção estava tão preocupada com autenticidade que eles procuraram variedades históricas de milho e tabaco, ao invés de usar as versões atuais.

As cenas na Inglaterra foram filmadas na Hampton Court Palace e na Hatfield House, perto de Londres, e do lado de fora da Biblioteca Bodleiana, na Universidade de Oxford.

The New World foi o primeiro filme de estúdio em nove anos a ser, pelo menos, parcialmente filmado em 65 mm (para as cenas sem efeitos visuais). O último filme havia sido Hamlet (1996), de Kenneth Branagh, que foi filmado inteiramente em 65 mm.

Edição e atrasos[editar | editar código-fonte]

O filme foi originalmente marcado para estreiar em novembro de 2005, porém seu lançamento foi adiado. Malick ainda estava editando as cenas que ele havia filmado. Ele é famoso por editar seus filmes até o último minuto,[5] frequentemente aparando seus filmes e deixando personagens inteiros fora do corte final, como aconteceu em The Thin Red Line. No início de dezembro, uma versão de 150 minutos foi exibida para críticos para consideração na temporada de prêmios. Foi lançado na semana do Natal e do Ano Novo e dois cinemas em Los Angeles e Nova York para qualificá-lo para o Oscar.

Para o lançamento nacional, que começou em 20 de janeiro de 2006, Malick reeditou o filme novamente, cortando-o para 135 minutos, porém ele também adicionou cenas não incluídas no primeiro lançamento. Ele alterou algumas da extensivas narrações do filme para esclarecer o enredo. Mudanças substanciais foram feitas nas primeiras meia hora de filme, aparentemente para acelerar a trama.[6] Essa é a versão lançada em DVD mundialmente. A versão de 150 minutos foi lançada apenas na Itália, em uma versão com dois discos contendo a versão "curta" e a versão "longa".

Uma versão de 172 minutos, chamada de "O Corte Estendido", foi lançada pela New Line Cinema em DVD em outubro de 2008.[7]

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

O efeito dos inúmeros cortes de Malick resultaram na parcial rejeição da trilha sonora feita por James Horner. Horner escreveu e reescreveu sua trilha para as cenas que foram alteradas, massivamente reeditadas ou descartadas do filme completamente. Sua trilha não se encaixava com o filme nem fazia sentido cronológico. Para a versão final, Malick combinou partes da música de Horner com o prelúdio de Das Rheingold de Wagner, o Concerto de Piano Nº 23 de Mozart e outras peças para criar a trilha do filme. A maior parte da música de Horner, escrita para o filme, pode ser ouvida no CD oficial.

Exatidão histórica[editar | editar código-fonte]

O filme de Malick seletivamente mistura história real com folclore popular. Segue amplamente a vida documentada de Pocahontas, desde sua juventude na vila powhatan, o período passado com os colonos em Jamestown, seu casamento com John Rolfe, sua jornada até Londres e morte. Porém, Malick diverge das evidências disponíveis em favor das tradições literárias, que mostram Pocahontas se apaixonando por John Smith.

Há outras manipulações na história documentada. O filme mostra Smith deixando Jamestown seguindo ordens do Rei; ele faz colonos dizerem a Pocahontas que ele morreu afogado. Na realidade, Smith deixou Jamestown em 1609 depois de machucar sua perna em uma explosão de pólvora. Mais tarde é dito a Pocahontas que ele morreu na viagem de volta para Londres. No filme, é mostrado que Pocahontas foi sequestrada pelos colonos enquanto Smith ainda estava em Jamestown. Ela, na realidade, foi sequestrada em 1613, quatro anos depois da partida de Smith.

Wingfield é mostrado sendo baleado pelos colonos, porém na realidade ele viveu até 1630, escrevendo vários livros sobre Jamestown. Em uma cena, é mostrado tatuagens no ombro e no peito de Farrell. Isso é incorreto. A prática de tatuagens morreu na Europa depois de tribos pagãs terem sido convertidas ao Cristianismo. O ocidente não re-adotou a prática até exploradores britânicos terem encontrados polinésios tatuados no século XVIII. É provável que o Smith histórico não possuisse nenhuma tatuagem, e que ninguém se importou em cobrir as tatuagens próprias de Farrell. Entretanto, se Smith conseguiu suas tatuagens dos nativos, isso seria historicamente correto; soldados franceses, por exemplo, frequentemente faziam tatuagens com tribos locais aliadas para reforçar os laços de amizade.

Crítica[editar | editar código-fonte]

The New World recebeu críticas geralmente favoráveis. No site Rotten Tomatoes o filme possui um indíce de aprovação de 60%, baseado em 169 resenhas, com uma média de 6,6/10. O consenso é "Apesar de belos visuais e fortes performances, The New World sofre de uma narrativa sem foco que vai desafiar a atenção dos espectadores em suas mais de 2 horas e meia".[8] No agregador Metacritic o filme possui uma aprovação de 69/100, baseado em 28 resenhas, indicando "críticas geralmente favoráveis".[9]

Referências

  1. The New World (2005). Box Office Mojo.
  2. Sterritt, David (julho de 2006). Film, Philosophy and Terrence Malick. Undercurrent.
  3. Tartaglione, Nancy (10 de março de 2004). Malick's Che decision deals morale-denting blow to indie sector. Screen Daily.
  4. Boyle, Alan (21 de janeiro de 2006). How a linguist revived ‘New World’ language. MSNBC.
  5. Dial 'D' for disaster: The fall of New Line Cinema. The Independent (16 de abril de 2008).
  6. The New World. Real Alternative Site.
  7. DVD Review: The New World (2005). The Hollywood News (6 de outubro de 2008).
  8. The New World (2005). Rotten Tomatoes.
  9. The New World. Metacritic.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]