Thema Armeníaco

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Ásia Menor por volta de 717, mostrando o Thema Armeníaco na costa do mar Negro, à direita (nº 12).

O Thema Armeníaco (em grego: Άρμενιακόν [θέμα]; transl.: [thema] Armeniakon), chamado também de Thema dos armeníacos, foi um thema (uma província civil-militar) bizantino localizado na parte nordeste da Ásia Menor.

História[editar | editar código-fonte]

O Thema Armeníaco era um dos quatro themata originais fundados no século VII. Ainda que uma menção de um tal "Jorge, turmarca dos armeníacos" em 629, durante as campanhas persas do imperador Heráclio (r. 610–641),[1] possa sugerir a existência do thema nesta data, a primeira referência inequívoca a ele nas fontes ocorre durante a revolta de seu general, Sabório, em 667-668.[2] Ele aparece novamente num selo de 717-718.[nt 1] Juntamente com os outros themata, ele foi criado com os restos de um dos exércitos do antigo Império Romano do Oriente após as desastrosas derrotas sofridas durante a primeira onde de conquistas muçulmanas, um processo que provavelmente já estava completo na década de 640.[3] Por isso, o exército do mestre dos soldados da Armênia (magister militum per Armeniaem; os "armeníacos") recuou e se assentou nas regiões do Ponto, Paflagônia e Capadócia e acabou emprestando seu nome à região.[4]

A capital do thema era Amaseia e ele era governado por um estratego, que tinha uma dignidade, juntamente com o os estrategos do Thema Anatólico e do Thema Tracesiano, no primeiro escalão dos estrategos, com um salário anual de aproximadamente 20 quilos de ouro. No século IX, ele comandava aproximadamente 9 000 homens e controlava 17 fortalezas. Seu tamanho e importância estratégica para a fronteira nordeste do Império Bizantino frente aos muçulmanos fizeram de seu governador uma figura muito influente, com as forças do thema participando de diversas revoltas no século VIII.[2] Consequentemente, no século IX, ele foi subdividido: as províncias menores de Carsiano e Capadócia foram formadas, primeiro como cleisuras (distritos) e, posteriormente, como themas, ao longo das fronteiras sul e leste, enquanto que por volta de 819, os temas costeiros da Paflagônia e da Cáldia foram também divididos, seguidos depois pela divisão da área de Coloneia (primeiro sob um duque e, em 863, de um estratego), deixando um minguado Thema Armeníaco abarcando apenas o Ponto ocidental.[5] [6]

O thema permaneceu sob controle bizantino até o final do século XI. Em 1073, após a desastrosa Batalha de Manziquerta, mercenários francos sob Roussel de Bailleul tomaram o controle da região, governando-a por diversos meses até que a autoridade bizantina fosse restaurada pelo general Aleixo Comneno.[7] Logo depois, porém, a região toda foi invadida pelos turcos seljúcidas, com apenas uns poucos fortes costeiros resistindo. Os imperadores comnenos conseguiram recuperar as regiões fronteiras para o Império, mas o thema Armeníaco estava perdido para sempre.

Notas

  1. Ragia 2009, p. 217. Ragia, na nota de rodapé #78 cita Nesbitt 2001, No. 65.1, 74.4, 22.27

Referências

  1. Haldon 1999, p. 315
  2. a b Kazhdan 1991, p. 177
  3. Haldon 1997, p. 214–216
  4. Haldon 1999, p. 73, 112
  5. Kazhdan 1991, p. 177, 1138, 1579
  6. Treadgold 1995, p. 31
  7. Haldon 1999, p. 91–92, 269

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Haldon, John F.. Byzantium in the Seventh Century: The Transformation of a Culture. Cambridge: Cambridge University Press, 1990. ISBN 978-0-521-31917-1.
  • Haldon, John F.. Warfare, State and Society in the Byzantine World, 565-1204. Londres: University College London Press, 1999. ISBN 1-85728-495-X.
  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8.
  • Pertusi, A.. Constantino Porfirogenito: De Thematibus. [S.l.]: Biblioteca Apostolica Vaticana, 1952.
  • Treadgold, Warren. Byzantium and Its Army (284-1081). Stanford (Califórnia): Stanford University Press, 1995. ISBN 0-8047-3163-2.