Thema da Anatólia

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Ásia Menor por volta de 717, mostrando o Thema Anatólico à direita (nº 10)

O Thema Anatólico (em grego: Άνατολικόν [θέμα]; transl.: Anatolikon [thema]), também conhecido como Thema dos Anatólicos (θέμα Άνατολικῶν; thema Anatolikōn), foi um thema (província militar-civil) do Império Bizantino, na região central da Ásia Menor (atual Turquia). A partir da separação do Thema Opsiciano ca. 750, passou a ser o mais importante thema do Império.

História[editar | editar código-fonte]

A data exata da criação do thema é desconhecida. Juntamente com outros themata (themas) mais antigos, foi criado em algum momento após a década de 640 como uma área de acampamento militar para o que restava do Exército Romano do Leste, dizimado pelas conquistas árabes. O Thema Anatólico recebeu o seu nome do exército da Dioecesis Orientis (Diocese do Oriente; em grego: Άνατολῆ; Anatolē)[1] [2] [3] devido à sua localização a leste.[4] A menção mais antiga ao thema é de 669, mas o nome de Exercitus Orientalis só surge nas fontes históricas em 687.[3] [4] [5]

Diretamente voltado para as forças do Califado durante o primeiro século da sua existência, e beneficiando seu apoio aos imperadores isáuricos, o Thema Anatólico era o mais poderoso e mais prestigiado dos themas (ver abaixo).[6] [7] O seu poder era enorme, todavia também significava que era uma eventual ameaça para o imperador: a primeira revolta regista-se em 681 e em 714 o seu comandante, o Leão, o Isáurio, conseguiu estabelecer-se como imperador (Leão III). Outro estratego, Bardanes, o Turco, rebelou-se em 803.[8] Por outro lado, em 742, o imperador Constantino V encontrou refúgio e apoio no Thema Anatólico contra o usurpador Artabasdo.[8]

A última aparição do Thema Anatólico nas fontes históricas é em 1077, quando o estratego Nicéforo Botaniates se proclamou imperador (como Nicéforo III Botaniates).[8] Logo depois, a região foi invadida pelos turcos seljúcidas.

Geografia e administração[editar | editar código-fonte]

Os themata bizantinos da Ásia Menor cerca de 842, mostrando a fragmentação dos grandes themas em circunscrições menores

Na sua extensão "clássica", durante os séculos VIII e IX, o thema abrangia sobre as antigas regiões da Licónia, Pisídia, Isáuria, bem como a maior parte da Frígia e partes da Galatia Salutaris.[9] [6] Inicialmente, o Thema Anatólico estendia-se até aos limites oeste e sul da Ásia Menor, mas cerca de 720 foi dividido para formar os themata Tracesiano e Cibirreota.[10] [8] Segundo o imperador Teófilo (r. 829–842), as partes leste e sudeste, em frente à zona de fronteira árabe e incluindo as fortalezas que guardavam a entrada norte dos chamados Portões Cilícios, foram retirados ao thema para formar dois novos distritos fronteiriços (cleisura): o da Capadócia (originalmente uma turma dos Anatólicos) e a da Selêucia.[11] .[12] O Imperador Leão VI, o Sábio entregou a região oeste do lago Tuz (os bandoss de Eudócia, Santo Agapeto e Afrazeia) à Capadócia.[8] [12]

A capital do thema foi Amório, na Frígia, pelo menos até ser saqueada pelos árabes em 838.[13] [14] Depois disso, provavelmente a capital foi transferida para a fortaleza vizinha de Políboto, na atual província turca de Afyonkarahisar.[15] As estruturas urbanas da Antiguidade tardia sofreram consideravelmente com os ataques árabes e com o declínio da urbanização, mas muitas das cidades do interior do thema, na Frígia e na Pisídia, sobreviveram numa forma reduzida. As cidades orientais da região da Capadócia (antiga província da Capadócia Secunda), que faziam fronteira com o Califado, foram praticamente destruídas, o mesmo acontecendo com Antioquia da Pisídia.[16]

Segundo os geógrafos árabes Qudama ibn Ja'far e ibn al-Faqih, o Thema Anatólico, "a maior das províncias dos romanos", tinha 15 000 soldados e 34 fortalezas no século IX.[6] O thema e o seu governador e estratego, mencionados pela primeira vez em 690, ocupavam o lugar mais alto da hierarquia entre os themas e os seus governadores. O estratego dos Anatólicos era um dos poucos cargos que estavam especialmente interditos aos eunucos da corte imperial. Os detentores do cargo recebiam um salário anual de 40 libras de ouro e eram detentores dos títulos de antípato e protoespatário, os mais elevados entre os patrícios. Além disso, foram os únicos que foram nomeados monoestratego (literalmente: "único general"), ou seja, comandante supremo de todos os themas asiáticos.[7] [17] [18]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Pertusi, A.. Constantino Porfirogenito: De Thematibus (em <código de língua não-reconhecido>). Roma: Biblioteca Apostolica Vaticana, 1952.