Thema da Capadócia

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Themata da Anatólia ca. 842. O Thema da Capadócia aparece bem no centro, à volta do lago Tuz ("lago de Sal").

O Thema da Capadócia (em grego: θέμα Καππαδοκίας), chamado também de Thema Capadócio, foi um thema (uma província civil-militar) bizantino que englobava a região sul da Capadócia a partir do século IX até o século XI.

Localização[editar | editar código-fonte]

O território do thema englobava a maior parte da antiga província romana de Capadócia Secunda e partes da Capadócia Prima. No início do século X, ele fazia fronteira a noroeste com o thema Bucelário ao longo da linha ligando a margem do lago de Sal e Mocissus; ao norte, com o Thema Armeníaco e, posteriormente, Carsiano, cruzando o rio Hális e, para o noroeste, com Cesareia e a fortaleza de Rodentos; ao sul, com os montes Tauro, com as terras do Califado Abássida e com a zona fronteiriça (al-Thughur) na Cilícia; finalmente, a leste, com o Thema Anatólico, através da Licônia de Heracleia Cibistra até o lago de Sal.[1] [2] [3]

História[editar | editar código-fonte]

Localizado imediatamente ao norte das Portas da Cilícia, a principal rota de invasão utilizada pelos árabes na Ásia Menor, a região da Capadócia sofreu muito com repetidos raides, com cidades e fortalezas repetidamente saqueadas e a zonal rural, devastada e despopulada.[1] [4] As cidades de Tiana, Heracleia Cibistra e Faustinópolis foram todas arrasadas pelos árabes no início do século IX e, embora Cibistra tenha sido reconstruída, as populações das outras duas cidades fugiram para as fortelezas de Nigde e Loulon respectivamente.[5]

Inicialmente, o Thema da Capadócia era uma turma (divisão) do Thema Anatólico. Para conter a ameaça árabe, ele foi separado como uma marca de fronteira (uma cleisura) e, eventualmente, se tornou um thema. Ele aparece pela primeira vez como tal em 830.[6] [7] De acordo com os geógrafos muçulmanos Ibn Khordadbeh e Ibn al-Faqih, a província tinha diversas fortificações com mais de vinte cidades e fortalezas e uma guarnição de 4 000 soldados no século IX.[1] [8] [9] O thema abrigava também três aplectos, grandes acampamentos que serviam como ponto de encontro para os exércitos dos themata durante uma campanha: Coloneia, Cesareia e Bathys Ryax.[10] Seu estratego, cuja capital era provavelmente a fortaleza de Koron (atual Çömlekçi[11] ), e, talvez, Tiana no período final, tinha um salário de dez quilos de ouro e geralmente tinha a posição de protoespatário, com uns poucos chegando à prestigiosa posição de patrício.[12] [13]

Os raides árabes foram muito frequentes no século IX e uma invasão ocupou Loulon, uma das principais fortalezas guardando a saída setentrional das Portas da Cilícia, em 833-879. A partir da grande vitória bizantina na Batalha de Lalacão em 863 e a destruição do estado pauliciano em Tefrique em 872 (ou 878) a segurança da região melhorou consideravelmente, mas a área continuou sendo alvo dos árabes. Em 897, um raide saqueou até mesmo a capital, Koron.[14]

Sob o imperador bizantino Leão VI, o Sábio (r. 886–912), a parte oriental do território, o bando de Nissa, no qual estava Cesareia e também a turma de Kase, foi cedida para o tema de Carsiano. Em troca, o Thema da Capadócia foi ampliado para noroeste até a área do lago de Sal tomando partes dos themata Anatólico e Bucelário, formando os sete bandos da nova turma de Comata.[1] [15] [16]

A queda de Melitene em 934 e as conquistas de João Curcuas eliminaram de vez as ameaças mais imediatas ao thema. no século X, a região despopulada foi colonizada pelos armênios e cristãos sírios. A Capadócia como um todo se tornou uma importante base para a aristocracia militar anatólica - em particular das famílias Focas e Maleinos - cujas grandes propriedades, enorme riqueza e prestígio militar apresentavam um sério desafio ao governo imperial e levaram a sucessivas revoltas na segunda metade do século X. O poder dos magnatas só foi quebrado com o confisco de suas terras pelo imperador Basílio II Bulgaróctone (r. 976–1025).[1]

Uma extensiva colonização armênia ocorreu na segunda metade do século XI e os primeiros raides dos turcos seljúcidas na região começaram por volta de 1050 e se intensificaram nas duas décadas seguintes. Após a Batalha de Manziquerta, a maior parte da região foi perdida para eles. Um "toparca da Capadócia e Choma", porém, aparece ainda em 1081, implicando ou um controle bizantino em partes da Capadócia ocidental ou simplesmente a sobrevivência do título.[1]

Referências

  1. a b c d e f Kazhdan 1991, p. 378–379
  2. Pertusi 1952, p. 121
  3. Gyftopoulou 2003, cap 2
  4. Treadgold 1995, p. 209
  5. Gyftopoulou 2003, cap. 4.2
  6. Nesbitt 2001, p. 116
  7. Treadgold 1995, p. 32, 65
  8. Pertusi 1952, p. 120–121
  9. Treadgold 1995, p. 67, 130, 134
  10. Gyftopoulou 2003, cap. 4.1
  11. Places: 619193 ([Koron)] (em inglês). Página visitada em 05-06-2014.
  12. Pertusi 1952, p. 122
  13. Gyftopoulou 2003, cap. 3
  14. Gyftopoulou 2003, cap 4.2; 5
  15. Treadgold 1995, p. 77
  16. Gyftopoulou 2003, cap 4.3

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8
  • Pertusi, A.. Constantino Porfirogenito: De Thematibus (em italiano). [S.l.]: Biblioteca Apostolica Vaticana, 1952.
  • Treadgold, Warren. Byzantium and Its Army (284-1081). Stanford (Califórnia): Stanford University Press, 1995. ISBN 0-8047-3163-2