Thema Cibirreota

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Themata bizantinos em 950, mostrando o Thema Cibirreota em verde na parte sul da Anatólia.

O Thema Cibirreota, mais corretamente chamado de Thema dos Cibirreotas (em grego: θέμα Κιβυρραιωτῶν; transl.: Théma Kivyrraiotón) foi um thema (província civil-militar) bizantina que abrangia a costa sul da Ásia Menor a partir do século VIII até o final do século XII. Como o primeiro e mais importante thema naval do Império Bizantino, sua função principal era prover navios e tripulações para a marinha bizantina.

História[editar | editar código-fonte]

Os cibirreotas (em grego: - "homens de Cibirra") derivam seu nome da cidade de Cibira (é incerto se seria Cibira Maior na Cária ou a Cibira Menor na Panfília). O comando aparece pela primeira vez na expedição contra Cartago em 698, quando um "drungário dos cibirreotas" liderou os homens de Korycos: Apsimar, que à frente de uma revolta da frota, se tornaria o imperador bizantino Tibério III (r. 698-705). Na época, os cibirreotas eram subordinados ao grande corpo naval dos carabisianos.[1] [2] [3] [4]

Quando os carabisianos foram dispersados (a data exata é disputada, tendo ocorrido entre ca. 719-20 e ca. 727), os cibirreotas foram organizados como um thema regular, com seu estratego atestado pela primeira vez em 731-32.[1] [3] [5] [6] Até o século IX, quando os themas do Mar Egeu e o Samos foram elevados do nível de comando de drungário para estratego, o Thema Cibirreota foi o único thema unicamente naval do Império.[7] [8]

Abrangência e organização[editar | editar código-fonte]

O thema abrangia a costa sul da Ásia Menor a partir do sul de Mileto (que pertencia ao Thema Tracesiano) até os confins da fronteira com os árabes na Cilícia, incluindo as antigas províncias romanas da Cária, Lícia, Panfília e partes da região da Isáuria, além da moderna região do Dodecaneso[2] [9] [10] Sua posição geográfica o transformou na "linha de frente" para enfrentar as frotas árabes do Levante e do Egito e, consequentemente, os cibirreotas tiveram um importante papel nas batalhas navais das guerras bizantino-árabes.[11] Já os territórios, conhecidos por sua fertilidade,[1] sofreram com frequentes e devastadores raides árabes, que praticamente despopularam a região, com exceção das cidades fortificadas e as bases navais.[2]

A capital do estratego era provavelmente Antália.[10] [12] Ele tinha um salário anual de cinco quilos de ouro e sua posição geral na hierarquia imperial era relativamente baixa, mas ainda sênior em relação aos demais comandantes navais: vigésima-quinta no Taktikon Uspensky de 842-43, caindo para quinquagésimo-quinto no Escorial Taktikon de 971-75[2] [13] Assim como seus contrapartes, o Thema Cibirreota era dividido em drungos e turmas e possuía toda a gama de posições administrativas típicas. Entre os mais importantes subordinados do estratego estava o ek prosopou imperial em Syllaion, os drungários de Antália e Kos e o catepano que comandava os mardaítas do thema.[2] [14] Eles eram os descendentes dos milhares de prisioneiros transplantados do Líbano e assentados na região por Justiniano II (r. 685-695 e 705-711) na década de 680 para prover tripulações e fuzileiros para a frota.[15] No início do século IX, a frota do cibirreotas tinha 70 navios.[16] e na expedição contra o Emirado de Creta de 911, o thema enviou 31 naus - 15 grandes dromons e 16 pamphyloi de tamanho médio - com 6 000 remadores e 760 soldados.[17]

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Por volta da metade do século XI, conforme a ameaça naval muçulmana diminuía, as frotas provinciais bizantinas iniciaram um forte declínio:[18] a frota dos cibirreotas foi mencionada pela última vez na defesa contra um raide dos rus' em 1043 e o thema se tornou uma província puramente civil, governada por um krites e, posteriormente, por um duque[2] [19] A maior parte do território foi perdida para os turcos seljúcidas após a derrota na Batalha de Manziquerta (1071), mas recuperado parcialmente sob Aleixo I Comneno (r. 1081–1118). O já combalido thema foi finalmente abolido por Manuel I Comneno (r. 1143-1180) e o território remanescente na Cária foi subordinado ao Thema de Milasa e Melanúdio.[20] [21]

Referências

  1. a b c Nesbitt 1994, p. 151
  2. a b c d e f Kazhdan 1991, p. 1127
  3. a b Pertusi 1952, p. 149
  4. Pryor 2006, p. 28
  5. Ahrweiler 1966, p. 26, 50–51
  6. Pryor 2006, p. 32
  7. Ahrweiler 1966, p. 64; 81; 83; 109
  8. Pryor 2006, p. 267
  9. Ahrweiler 1966, p. 80, 135
  10. a b Pertusi 1952, p. 150
  11. Pryor 2006, p. 46ff
  12. Ahrweiler 1966, p. 82
  13. Pryor 2006, p. 390–391
  14. Ahrweiler 1966, p. 82–83
  15. Ahrweiler 1966, p. 399
  16. Ahrweiler 1966, p. 91–92
  17. Pryor 2006, p. 549
  18. Pryor 2006, p. 88
  19. Ahrweiler 1966, p. 131–135
  20. Kazhdan 1991, p. 1127; 2048
  21. Ahrweiler 1966, p. 273

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ahrweiler, Hélène. Byzance et la Mer: La Marine de Guerre, la Politique et les Institutiones Maritimes de Byzance aux VIIe–XVe Siècles (em francês). Paris: Presses universitaires de France, 1966.
  • Pertusi, A.. Constantino Porfirogenito: De Thematibus (em italiano). Roma: Biblioteca Apostolica Vaticana, 1952.
  • Pryor, John H.; Elizabeth M. Jeffreys. The Age of the ΔΡΟΜΩΝ: The Byzantine Navy ca. 500–1204 (em inglês). Leiden e Boston: Brill Academic Publishers, 2006. ISBN 978-90-04-15197-0