Thema de Quérson

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Mapa das divisões administrativas do Império Bizantino por volta de 1025. O Thema de Quérson aparece no alto, no à direta do centro, na região da Crimeia.

O Thema de Quérson (em grego: θέμα Χερσῶνος; transl.: thema Chersōnos), originalmente - e formalmente - chamado de Klimata (em grego: τὰ Κλίματα), foi um thema (uma província civil-militar) bizantino localizado ao sul da Crimeia. Sua capital era Quérson.

Ele foi oficialmente fundado no início da década de 830 e foi um importante centro comercial da região do Mar Negro. A despeito da destruição da cidade de Quérson na década de 890, o thema se recuperou e prosperou, sobrevivendo até se tornar parte do Império de Trebizonda após a Quarta Cruzada e a dissolução do Império Bizantino em 1204.

História[editar | editar código-fonte]

A região esteve sob controle bizantino desde o início do século VIII, mas passou para o controle dos cazares a partir daí. A autoridade bizantina foi restabelecida pelo imperador Teófilo (r. 829-842), que demonstrou interesse no literal norte do Mar Negro e, especialmente, nas relações com os cazares. Tradicionalmente, os estudiosos datam o estabelecimento de Quérson como capital do thema por volta de 833-834[1] [2] [3] , mas pesquisadores mais recentes ligaram o evento com a missão bizantina para construir uma nova capital cazar em Sarkel em 839 e identificam Petronas Kamateros, o arquiteto de Sarkel, como o primeiro estratego do thema em 840-841[4] . A nova província foi chamada primeiramente de ta Klimata ("as regiões/distritos"), mas, por conta da proeminência da capital Quérson, por volta de 860 o thema já era referido nos documentos oficiais como "Thema de Quérson"[1] [4] [5] .

A província teve um importante papel nas relações dos bizantinos com os cazares e, depois do colapso do Caganato Cazar, com os pechenegues e os rus'. Ele funcionava como um centro para a diplomacia bizantina ao invés de, como era tradicional nos demais themata, uma província militar, até por que a guarnição local parece ter sido pequena e formada majoritariamente por milícias alistadas localmente. Sua fraqueza é reforçada e atestada pela cláusula, que aparece nos tratados bizantinos com os rus' em 945 e 971, de que os rus' seriam responsáveis por defender a região contra os búlgaros do Volga[6] .

Quérson foi muito próspero entre os séculos IX e XI como um centro comercial no Mar Negro, mesmo com a destruição da cidade por Vladimir I de Kiev em 988-989[1] [2] . A cidade se recuperou rapidamente: as fortificações foram resturadas e expandidas para cobrir o porto no início do século XI. Ao mesmo tempo, possivelmente depois da derrota de Jorge Tzul em 1016, o thema se expandiu para o leste da Crimeia também, como é evidente no título de um tal Leão Aliates como sendo "estratego de Quérson e Sougdaia" em 1059. A região, porém, foi perdida novamente no final do século XI para os cumanos[7] . Quase nada se sabe sobre Quérson no século XII, o que é uma indicação de um período de paz. A cidade e a província toda permaneceram sob o domínio bizantino até a dissolução do Império pela Quarta Cruzada em 1204, quando passaram para o controle do estado-herdeiro de Trebizonda (vide Perateia)[2] [7] .

Administração[editar | editar código-fonte]

O Thema de Quérson parece ter sido organizado de maneira típica, com a gama completa de oficiais imperiais, dos quais um turmarca de Gothia é conhecido na virada do século XI, assim como os oficiais fiscais e alfandegários conhecidos como kommerkiarioi.[8] . As cidades do thema, porém, parecem ter mantido uma considerável autonomia de governo, como exemplificado pela própria capital, Quérson, que era administrada pelos magnatas locais (arcontes) sob um proteuon ("o primeiro")[1] [2] [4] . Quérson também manteve o direito de cunhar suas próprias moedas a partir do governo do imperador Miguel III, o Ébrio (r. 842-867) e foi, por um longo tempo, a única casa da moeda provincial fora de Constantinopla[1] [8] . Essa autonomia também é evidenciada pelo fato de que o governo imperial pagava subsídios anuais (pakta) para os líderes da cidade, algo reservado para os governantes aliados. Aconselhado pelo imperador Constantino VII Porfirogênito (r. 913-959), em sua De Administrando Imperio, os estratego locais deveriam, quando ameaçados por revoltas na cidade, cessar o pagamento destes subsídios e realocá-los para outras cidades no mesmo thema[8] .

No final do século XI, o thema era governado por um catepano[7] .

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]