Theo van Gogh (cineasta)

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Theo Van Gogh
Theo Van Gogh
Nascimento 23 de Julho de 1957
Nacionalidade Holanda
Morte 2 de novembro de 2004 (47 anos)
Ocupação Cineasta
Monumento De Schreeuw (O grito, em português) por Jeroen Hanneman em memória de Theo van Gogh, erigido no Oosterpark (espaço público), em Amsterdã, próximo ao local onde ele foi assassinado.

Theodorus (Theo) van Gogh (Haia, 23 de Julho de 1957Amsterdão, 2 de Novembro de 2004) foi um realizador de cinema, um polêmico autor e actor dos Países Baixos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Theodorus Van Gogh nasceu na Haia. O seu bisavô tinha sido Theo van Gogh, o comerciante de arte, irmão do famoso pintor holandês Vincent van Gogh. Depois de abandonar o curso de direito, tornou-se encenador. Ele debutou como realizador com o filme Luger (1981). Pelos filmes Blind Date e In het belang van de staat ("No interesse do Estado", 1997) ele recebeu um Gouden Kalf (o equivalente holandês do Oscar). Como um actor, ele apareceu na produção De noorderlingen (1992). Depois disso ele trabalhou na televisão e escreveu colunas frequentemente provocadoras para o jornal Metro, entre outros.

Postura crítica e instigadora[editar | editar código-fonte]

Van Gogh tornou-se famoso pelas polémicas em que se envolveu frequentemente. Era especialmente crítico face à religião. Chamou por exemplo a Jesus Cristo "um pescador preguiçoso de Nazaré", o que lhe fez ser considerado um ser demoníaco.

Theo van Gogh escreveu também artigos num jornal diário holandês em que retratava Maomé como pedófilo (Maomé se casou com Aicha, uma menina de nove anos).

O seu último livro (2003) foi Allah weet het beter ("Allah sabe melhor") no qual ele, fazendo uso do seu estilo irônico e cínico, comum aos jornalistas holandeses, apresentava as suas visões do Islão.

Ele era membro da sociedade republicana holandesa Republikeins Genootschap (antimonárquica), e apoiava a nomeação da política nascida na Somália, Ayaan Hirsi Ali para o parlamento holandês. Ela foi eleita para o parlamento holandês em 2003, representando o VVD (Partido Liberal).

Assassinato[editar | editar código-fonte]

Mohammed Bouyeri assassinou Van Gogh enquanto andava de bicicleta para o trabalho na manhã de 2 de novembro de 2004. O assassino atirou em Gogh oito vezes com uma pistola HS 2000, o assassino também tentou decapitar Gogh com uma faca e o esfaqueou com outra faca no peito. As duas facas foram deixadas implantadas; uma deixava um recado no corpo. O recado também fez referências a ideologia da organização egípcia Takfir Wal-Hijra. O terrorista, Mohammed Bouyeri, de 26 anos neerlandês-marroquino, foi apreendido pela polícia após uma perseguição e ser atingido por um tiro na perna. Bouyeri tem ligações terroristas com Hofstad Network. Ele foi acusado de tentativa de assassinato de diversos policiais e espectadores, foi também acusado de posse ilegal de arma e conspiração para assassinato de outros, incluindo Hirsi Ali. Ele foi condenado em 26 de julho de 2005, sentenciado a prisão perpetua sem liberdade condicional.

Submission - o filme[editar | editar código-fonte]

Juntamente com Hirsi Ali, van Gogh foi o autor do filme com o título "Submissão" (uma referência inequívoca ao Islão, que significa literalmente submissão a Alá). É um filme sobre a situação da mulher nas sociedades islâmicas, abordando temas como os casamentos arranjados, a violência doméstica ou o incesto. Após a estreia do filme, Van Gogh e Hirsi Ali receberam ameaças de morte. O filme foi exibido na televisão holandesa em 2004.

Van Gogh foi assassinado na manhã de terça-feira, 2 de Novembro de 2004, em Amsterdã, na esquina entre as ruas Linnaeusstraat e Mauritskade, uma zona de Amsterdã onde vivem muitos imigrantes. Foi esfaqueado e alvejado a tiro (7 tiros) e faleceu imediatamente. O alegado assassino foi detido pela polícia após perseguição e após ter sido alvejado numa perna. Era um jovem de 26 anos, de dupla nacionalidade (holandesa e marroquina), muçulmano.[1]

Na altura em que foi assassinado, Van Gogh trabalhava num filme chamado (0605) acerca do assassínio do político holandês Pim Fortuyn. Aliás, van Gogh foi assassinado a caminho do seu escritório, a fim de trabalhar na produção desse filme. Tal como Pim Fortuyn, van Gogh não era protegido por guarda-costas, apesar das ameaças de morte.

Em Julho de 2005, um tribunal holandês condenou Mohammed Bouyeri, o assassino de Van Gogh, a cadeia perpetua. Durante as sessões do julgamento, Bouyeri acabou por confessar a autoria do crime, afirmando que agiu em nome da sua religião e que voltaria a repetir o acto.[2]

Segundo o autor e colunista holandês Leon de Winter, o caso de Theo van Gogh é um resultado trágico do confronto cultural entre culturas com diferentes culturais extremamente marcantes, motivados por extremismos das duas partes. De um lado, o extremismo religioso, que leva a resultados cada vez mais trágicos e comuns no mundo todo. Do outro, um extremismo ignorante, quase preconceituoso e motivado por mágoas pessoais, sem razão aparente.

Van Gogh como escritor[editar | editar código-fonte]

Van Gogh contribuiu para vários jornais e revistas, tendo tido várias disputas e demissões.

Foi autor dos seguintes livros:

  • Engel (1990)
  • Er gebeurt nooit iets (1993)
  • Sla ik mijn vrouw wel hard genoeg? (1996)
  • Allah weet het beter (2003)

Filmografia[editar | editar código-fonte]

  • Luger (1982)
  • Een dagje naar het strand (1984)
  • Charley (1986)
  • Terug naar Oegstgeest (1987)
  • Loos (1989)
  • Vals licht (1993)
  • Ilse verandert de geschiedenis (1993)
  • 06 (1994)
  • Reunie (1994)
  • Eva (1994)
  • Een galerij: De wanhoop van de sirene (1994)
  • De Eenzame Oorlog Van Koos Tak (1995)
  • Blind Date (1996)
  • Hoe ik mijn moeder vermoordde (1996)
  • In het belang van de staat (1997)
  • Au (1997)
  • De Pijnbank (1998)
  • Baby Blue (2001)
  • De nacht van Aalbers (2001)
  • Najib en Julia (2002)
  • Interview (2003)
  • Zien (2004)
  • Submission (2004)
  • Cool (2004)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]