Thomas Jefferson

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Thomas Jefferson
3º presidente dos Estados Unidos Estados Unidos
Período de governo 4 de março de 1801
a 4 de março de 1809
Vice-presidente Aaron Burr (1801–1805)
George Clinton (1805–1809)
Antecessor(a) John Adams
Sucessor(a) James Madison
2º vice-presidente dos Estados Unidos Estados Unidos
Período de governo 4 de março de 1797
a 4 de março de 1801
Antecessor(a) John Adams
Sucessor(a) Aaron Burr
1º Secretário de Estado dos Estados Unidos
Período de governo 22 de março de 1790
a 31 de dezembro de 1793
Sucessor(a) Edmund Randolph
2º governador da Virgínia
Período de governo 1 de junho de 1779
a 3 de junho de 1781
Antecessor(a) Patrick Henry
Sucessor(a) William Fleming
Vida
Nascimento 13 de abril de 1743
Shadwell, Colônia da Virgínia
Morte 4 de julho de 1826 (83 anos)
Charlottesville, Virgínia,
US flag 24 stars.svg Estados Unidos
Dados pessoais
Alma mater College of William & Mary
Cônjuge Martha Wayles (1772–1782)
Partido Democrata-Republicano
Religião Deísmo
Profissão Advogado
Assinatura Assinatura de Thomas Jefferson

Thomas Jefferson (Shadwell, 13 de abril de 1743Charlottesville, 4 de julho de 1826)[1] foi o terceiro presidente dos Estados Unidos (1801-1809), e o principal autor da declaração de independência (1776) daquele país. Jefferson foi um dos mais influentes Founding Fathers (os "Pais Fundadores" da nação), conhecido pela sua promoção dos ideais do republicanismo nos Estados Unidos. Visualizava o país como a força por trás de um grande "Império de Liberdade"[2] que promoveria o republicanismo e poderia combater o imperialismo do Império Britânico.

Entre os eventos de destaque da história americana que ocorreram durante sua presidência estão a Compra da Louisiana (1803) e a Expedição de Lewis e Clark (1804-1806), bem como a escalada das tensões entre a Grã-Bretanha e a França que levaram à guerra com o Império Britânico em 1812, ano que deixou o cargo.

Como filósofo político Jefferson foi um homem do Iluminismo, que conheceu diversos dos grandes líderes intelectuais da Grã-Bretanha e França de seu tempo. Idealizou o fazendeiro yeoman como um exemplo das virtudes republicanas, alimentava uma desconfiança de cidades e financeiros, enquanto privilegiava os direitos dos estados e um governo federal rigorosamente controlado. Apoiava a separação entre Igreja e Estado[3] e foi o autor do Estatuto da Virgínia para Liberdade Religiosa (1779, 1786). Epônimo da democracia jeffersoniana, foi co-fundador e líder do Partido Democrata-Republicano, que dominou a política dos Estados Unidos por 25 anos. Jefferson serviu como governador da Virgínia durante um período de guerra (1779-1781), foi o primeiro secretário de Estado dos Estados Unidos (1789-1793) e segundo vice-presidente dos Estados Unidos (1797-1801).

Um polímata, Jefferson se destacou, entre outras coisas, como horticultor, líder político, arquiteto, arqueólogo, paleontólogo, músico, inventor e fundador da Universidade da Virgínia. Quando o presidente John F. Kennedy recebeu 49 vencedores do Prêmio Nobel à Casa Branca, em 1962, declarou: "acredito que esta é a mais extraordinária reunião de talento e conhecimento humano que já foi reunida na Casa Branca – com a possível exceção de quando Thomas Jefferson jantava aqui sozinho."[4] Até o presente, Jefferson é o único presidente americano a ter servido dois mandatos completos no cargo sem ter vetado um único projeto de lei do Congresso. Jefferson foi regularmente classificado pelo meio acadêmico como um dos maiores presidentes americanos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Os seus pais foram Peter Jefferson (29 de Março de 1708 - 17 de Agosto de 1757) e Jane Randolph (20 de Fevereiro de 1720 - 31 de Março de 1776), ambos de famílias de colonos estabelecidos na Virgínia há várias gerações. Ele frequentou o College of William & Mary, tendo depois tentado instituir aí reformas, antes de finalmente vir a fundar a sua própria visão de ensino superior com a Universidade da Virgínia.

Foi o principal autor da Declaração da Independência Americana, e uma fonte de muitas outras contribuições para a cultura americana. A lista de sucessos da sua presidência inclui a compra da Louisiana e a expedição de Lewis e Clark.

A sua casa, em Virgínia, que ele próprio desenhou, foi em Monticello, perto de Charlottesville, tendo sido equipada com portas automáticas e outros dispositivos convenientes inventados pelo próprio Jefferson.

Os interesses de Jefferson incluem a arqueologia, uma disciplina que estava então na sua infância. Ele foi por vezes chamado de "pai da arqueologia", em reconhecimento pelo seu papel no desenvolvimento de técnicas de escavação. Quando explorava um túmulo índio na sua propriedade na Virginia em 1748, Jefferson evitou a prática comum de cavar de cima para baixo até que algo aparecesse. Em vez disso, ele cortou uma cunha do túmulo por forma a que se pudesse caminhar para dentro, observar as camadas de ocupação e tirar conclusões delas.

Thomas Jefferson era também um ávido apreciador de vinho e um gastrônomo. Embaixador na França (1784-1789), envolveu-se entusiasticamente nos primeiros acontecimento da Revolução Francesa, nos quais ainda não se conhece ao certo a real dimensão da sua intervenção. Realizou inúmeras reuniões políticas na sua casa, trocou numerosa correspondência com vários dos protagonistas políticos e elaborou projectos de propostas políticas, como seja a de uma «Declaração dos direitos do cidadão».

Fez longas viagens pela França e outras regiões vinícolas européias, e enviava os melhores vinhos para a Casa Branca. É conhecido pela sua arrojada declaração: "Nós poderíamos, nos Estados Unidos, produzir variedades de vinho tão boas como aquelas feitas na Europa, não exatamente dos mesmos tipos, mas sem dúvida da mesma qualidade".

Apesar de a vinha ter sido extensamente plantada em Monticello, uma porção significativa era V. vinífera, que não sobreviveu às muitas doenças nativas das Américas. Por isso, Jefferson nunca conseguiu produzir vinho tão bom quanto o europeu.

A visão de Jefferson para os Estados Unidos era a de uma nação agrícola de pequenos proprietários lavradores, que acreditava serem o povo eleito de Deus, e associa as grandes cidades às pragas de um corpo humano[5] , visão que o levou a pegar em armas contra a Inglaterra, que julgava ser um instrumento de Satanás, pelo fato de obrigar a América a abandonar o paraíso da agricultura para se dedicar à manufatura[6] .

Tal visão não era compartilhada por Alexander Hamilton, que desejava uma nação de comércio e da manufatura.

Jefferson era um grande crente na singularidade e do enorme potencial dos Estados Unidos, sendo frequentemente citado como um precursor do excepcionalismo americano.

Como muitos donos de terra do seu tempo, Jefferson possuía escravos. Um tema de considerável controvérsia desde o próprio tempo de Jefferson é saber se Jefferson era o pai de alguma das crianças da sua escrava Sally Hemings. Uma perspectiva moderna sobre esta relação encontra-se no livro "As crianças de Jefferson" de Shannon Fair.

Por outro lado, sugeriu a aquisição de negros recém nascidos para entregá-los à tutela do Estado, que os submeteria ao trabalho o mais cedo possível para viabilizar economicamente sua deportação para Santo Domingo no momento oportuno, ainda que reconhecesse que tal proposta, por ensejar a separação das crianças de suas mães, poderia gerar escrúpulos humanitários, mas dizia não ser necessária tamanha sensibilidade[7] .

A eleição presidencial americana de 1800 resultou num empate entre Jefferson e seu oponente Aaron Burr, membro fundador do Partido Democrata-Republicano no estado de Nova Iorque. Foi resolvida a 17 de fevereiro de 1801, quando Jefferson foi eleito presidente e Burr vice-presidente pela câmara dos representantes. Jefferson foi o único vice-presidente americano a ser eleito para a presidência e servido dois mandatos plenos.

Tal disputa gerou ressentimento nos adversários, que apelidaram Jefferson de "presidente negro" [8] , de fato sua vitória se deve ao peculiar Compromisso dos Três Quintos, segundo o qual, para efeito de determinação do números de representantes dos Estados no Colégio Eleitoral que elegia o presidente, levava-se em conta a população de escravos, que não eram eleitores, reduzida a três quintos[1], tal claúsula favorecia os estados do sul e em particular a Virgínia onde residiam 40% dos escravos nos Estados Unidos[9] ,

O retrato de Jefferson aparece na nota de 2 dólares e na moeda de 5 cêntimos (ou nickel). Thomas Jefferson foi enterrado na sua propriedade, em Monticello.

No epitáfio, escrito pelo próprio Jefferson, com a insistência que apenas as suas palavras e nem uma palavra mais sejam inscritas, lê-se: "Aqui jaz Thomas Jefferson, autor da declaração da independência americana, da lei da liberdade religiosa da Virgínia e pai da Universidade da Virgínia"

Morte[editar | editar código-fonte]

Monticello em 1825.

Thomas Jefferson teria passado seus últimos anos de vida em Monticello onde morreu aos 83 anos em 1826.

Jefferson possuía uma grande biblioteca particular, onde acumulou diversos livros durante 50 anos. Sua biblioteca foi considerada uma das melhores dos Estados Unidos. Mais tarde ele vendeu sua coleção de 6487 livros para a Biblioteca do Congresso

Thomas Jefferson e John Adams (também ex-presidente, participante da Declaração da Independência e amigo) morreram no mesmo dia, 4 de Julho de 1826, coincidentemente, nesse dia eram comemorados os 50 anos da independência dos Estados Unidos, independência essa que os dois ajudaram a conquistar.

Foi sepultado em Monticello.[10]

Jefferson e a América Latina[editar | editar código-fonte]

Em 1786, na França, alguns estudantes brasileiros (inconfidentes) chegaram a tratar com Jefferson a respeito da possibilidade da independência política do Brasil. [11]

Em outra ocasião, ele chegou a expressar que estava perfeitamente seguro de que os países da América Latina acabariam por repelir o jugo da Espanha e de Portugal, mas era decididamente cético quanto à sua capacidade de se auto-governarem.[12]

Jefferson compartilhava do tradicional pensamento protestante, de que os católicos são “papistas”, que não agem com liberdade de consciência, mas sempre em obediência ao Papa. Com isso, não poderiam aceitar com sinceridade as liberdades comuns e as obrigações correlativas e que, ao contrário, tanto a Igreja Católica quanto seus fiéis poderiam nutrir secretamente o pensamento de trabalhar pelo aniquilamento de uma constituição democrática, o que poderia ser colocado em prática no momento em que tivessem oportunidade para isso.[13] [14]

Por isso, Jefferson temia que o seu futuro fosse constituído de uma sucessão de despotismos militares, durante longo tempo. Para ele, a América Latina não tinha a tradição anglo-saxônica de liberdades, nem mesmo a concorrência de denominações religiosas que impediram o estabelecimento por parte do Estado de alguma Igreja, e que, portanto, trabalhou em prol da liberdade religiosa, e, consequentemente, em nome da democracia.[15] Conforme ele, a “diferença de opinião é vantajosa em religião. Os diversos segmentos desempenham a função de um Censor morum (“censor de costumes”) um sobre os outros” (“difference of opinion is advantageous in religion. The several sects perform the office of a Censor morum over each other”).[16]

Com o passar dos anos, Jefferson demonstrou estar correto em suas opiniões. A América Latina passou e ainda passa por uma série de despotismos, tendo uma democracia frágil, e muitos intelectuais católicos importantes declararam ao longo da história, em especial no Brasil, que a Igreja tinha o dever de trabalhar contra a República.[17]

Influências[editar | editar código-fonte]

Jefferson foi fortemente influenciado pelas idéias da igreja dos irmãos polacos.[carece de fontes?]

O inglês John Bidle tinha traduzido duas obras de Przypkowski: o catecismo racoviano e uma obra de J. Stegmann, um "irmão polaco" da Alemanha.[carece de fontes?]

Os seguidores de Bidle tinham relações próximas com a família polaca sociniana de Crellius (conhecido como Spinowski).[carece de fontes?]

Subseqüentemente, a ramificação unitária do Cristianismo foi continuada, sobretudo com Joseph Priestley, que tinha emigrado para os EUA e era amigo de James Madison e Thomas Jefferson.[carece de fontes?]

Digno de nota salientar que Jefferson publicou: The life and morals of Jesus. Uma selecção de todos os ensinamentos e eventos essenciais da vida de Jesus expurgada de todas as menções sobrenaturais ou de qualquer modo ligados ao dogma religioso, (ser o rei, o filho de deus, exorcismos, milagres).

Os princípios políticos de Jefferson foram também fortemente influenciados por John Locke, particularmente em relação ao princípio da inalienabilidade dos direitos, da soberania popular e em especial, da limitação do poder do Estado e da divisão tripartida do poder.

Referências

  1. O nascimento e a morte de Jefferson estão citados de acordo com o calendário gregoriano. No entanto, ele nasceu quando a Grã-Bretanha e suas colônias ainda utilizavam o calendário juliano, portanto as fontes contemporâneas registraram seu nascimento (bem como a sua lápide) como 2 de abril de 1743. As medidas tomadas através do Calendar (New Style) Act de 1750, implementadas em 1752, alteraram o método oficial de datação no país para o calendário gregoriano, começando a partir de 1 de janeiro daquele ano.
  2. Robert W. Tucker e David C. Hendrickson, Empire of Liberty: The Statecraft of Thomas Jefferson (1990)
  3. Thomas Jefferson (1 de janeiro de 1802). Jefferson's Wall of Separation Letter (em inglês) ed. online da Constituição dos Estados Unidos. Visitado em 13-4-2008.
  4. Simpson's Contemporary Quotations, 1988, de Public Papers of the Presidents of the United States: John F. Kennedy, 1962, p. 347.
  5. Wrintings” (org.) Merryl D. Peterson, Library of America, New York, 1984, p. 290 apud Losurdo, Domenico in Contra-História do Liberalismo, 2006, p. 75
  6. Wrintings” (org.) Merryl D. Peterson, Library of America, New York, 1984, cap VIII § 16 apud Losurdo, Domenico in Contra-História do Liberalismo, 2006, p. 75
  7. "Wrintings" (org.) Merryl D. Peterson, Library of America, New York, 1984, p. 1.450 e 1.485-87 (Carta a A. Gallantin em 26 de dezembro de 1820) apud Losurdo, Domenico in Contra-História do Liberalismo, 2006, p. 96
  8. Wills, Garry "Negro President": Jefferson and the Slave Power, Houghton Mifflin, Boston, 2003, apud Losurdo, Domenico in Contra-História do Liberalismo, 2006, p. 96
  9. Losurdo, Domenico in Contra-História do Liberalismo, 2006, p. 24
  10. Thomas Jefferson (em inglês) no Find a Grave.
  11. VIANNA, Hélio. A Educação no Brasil Colonial. In: Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 6, n. 18: dezembro de 1945, p. 388.
  12. DEWEY, John. O Pensamento Vivo de Jefferson. Trad. Lêda Boechat Rodrigues. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1954, p. 31.
  13. JANUS (DÖLLINGER, Johann Joseph Ignaz von). O Papa e o Concílio. Versão e Introdução de Ruy Barbosa. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1930, p. 365.
  14. RABKIN, Jeremy. Na América, Igreja separada do Estado. In: KRISTOL, Irving et al. A Ordem Constitucional Americana 1787/1987. Trad. José Lívio Dantas. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1987, p. 206.
  15. DEWEY, John. O Pensamento Vivo de Jefferson. Trad. Lêda Boechat Rodrigues. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1954, p. 31-32.
  16. JEFFERSON, Thomas. Notes on the State of Virginia. Query xvii (1781, 1782). Disponível em http://teachingamericanhistory.org/library/index.asp?document=291 Acesso em 07 de novembro de 2009.
  17. ATHAYDE, Tristão de. Palavras aos Companheiros. A Ordem, Rio de Janeiro, ano 10, n. 9, p. 97-102, out. 1930.

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