Tiago, o Justo

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São Tiago, o Justo
Ícone de Tiago
Patriarca de Jerusalém,
Apóstolo, Mártir e Adelphotheos
Nascimento  ? em ?
Morte c. 62 d.C. em Jerusalém
Veneração por Toda cristandade
Festa litúrgica 3 de maio na Igreja Católica;
1 de maio na Comunhão Anglicana;
23 de outubro na Igreja Luterana;
Atribuições cajado de tintureiro; segurando um livro
Polêmicas Tiago é por vezes identificado como sendo ora Tiago, filho de Alfeu, ora Tiago Menor. Não há consenso sobre a sua relação exata com Jesus Cristo.
Gloriole.svg Portal dos Santos

São Tiago, o Justo (em hebraico: יעקב; em grego: Iάκωβος), morto em 62 d.C., também conhecido como Tiago de Jerusalém, Tiago Adelfo (de Tiago Adelphoteos) ou ainda Tiago, irmão do Senhor, foi uma importante figura nos primeiros anos do Cristianismo. A Enciclopédia Católica conclui que, baseado no relato de Hegésipo, Tiago, o Justo, é o mesmo que o apóstolo conhecido por Tiago Menor, e, em linha com a maior parte dos interpretes católicos, é também Tiago, filho de Alfeu e o Tiago, filho de Maria de Cleofas[1] . Ele não deve ser confundido, porém, com o também apóstolo conhecido por Tiago Maior[1] .

Tiago, o Justo, era o líder do movimento cristão em Jerusalém nas décadas seguintes à morte de Jesus, embora informação sobre a sua vida seja escassa e ambígua. Diversas fontes primitivas citam-no como sendo irmão de Jesus. Historiadores já interpretaram isto de diversas maneiras, como sendo irmão num "sentido espiritual", ou literalmente, significando que Tiago era mesmo um familiar de Jesus - meio-irmão, irmão de criação, primo, outro parente e mesmo irmão de sangue. A mais antiga liturgia cristã sobrevivente, a chamada Liturgia de São Tiago , o chama de "irmão de Deus" (Adelphotheos)[2] .

Com exceção de um punhado de referências nos Evangelhos, as principais fontes de sua vida são os Atos dos Apóstolos, as Epístolas paulinas, o historiador Flávio Josefo e o autor cristão Hegésipo. Acredita-se que ele seja o autor da Epístola de Tiago no Novo Testamento, o primeiro dos Setenta Apóstolos e o autor do Decreto Apostólico de Atos 15:1. Na Epístola aos Gálatas, Paulo de Tarso o descreve em sua visita a Jerusalém, onde ele encontrou com Tiago e esteve com Simão Pedro.

Sua festa é junto com a do apóstolo Filipe.

Nome[editar | editar código-fonte]

Tiago é chamado de "o Justo" por causa de sua retidão e religiosidade[3] [4] . O nome também nos ajuda a distingui-lo de outras importantes figuras da igreja antiga de mesmo nome, como Tiago, filho de Zebedeu.

Ele é por vezes chamado, no Cristianismo oriental, como Tiago Adelphotheos, ou seja, Tiago, o irmão de Deus (em grego: Iάκωβος ο Αδελφόθεος), baseado na referência da Liturgia de São Tiago e no Novo Testamento, embora diferentes interpretações sobre a sua relação precisa com o Jesus se desenvolveram com base nas crenças cristãs sobre Maria, que foi designada Theotokos ("Mãe de Deus") em 431 d.C. no Concílio de Éfeso. Portanto, ele pode simplesmente ter sido o primo de Jesus e ter sido chamado como "o irmão de nosso Senhor".

Vida[editar | editar código-fonte]

Os escritos canônicos do Novo Testamento, assim como outras fontes da Igreja antiga nos dão algumas evidências sobre a vida de Tiago e seu papel. Jerónimo, em seu De Viris Illustribus argumentou que Tiago não era irmão de Jesus, mas seu primo, filho de Maria de Cleofas, a "irmã da mãe de nosso Senhor e que João menciona em seu livro".[5] . Após a Paixão, Jerónimo escreveu, os apóstolos selecionaram Tiago como bispo de Jerusalém. Ao descrever seu modo de vida ascético, De Viris Illustribus cita o relato de Hegésipo sobre Tiago a partir do quinto livro da obra "Comentários", hoje perdida:

Após os apóstolos, Tiago, irmão do Senhor, chamado o Justo, foi feito líder da igreja de Jerusalém. Muitos de fato são chamados de Tiago. Este era sagrado desde o útero de sua mãe. Ele não bebia vinho ou bebida alcoólica, não comia carne e nunca se barbeava ou se ungia com cremes ou se banhava. Ele apenas teve o privilégio de entrar no Santo dos Santos, pois ele de fato não vestia roupas de algodão, apenas de linho, e entrou sozinho no templo e orou tanto por seu povo que seus joelhos têm a fama de terem adquirido a aspereza dos de um camelo.
 
De Viris Illustribus, Jerónimo, citando Hegésipo[5] .

Como era ilegal para qualquer um exceto o sumo-sacerdote do templo adentrar o Santo dos Santos e, mesmo assim, uma vez por ano durante o Yom Kippur, a citação de Hegésipo por Jerónimo indica que Tiago era considerado um sumo-sacerdote. A obra "Reconhecimentos", de Pseudo-Clemente, também sugere assim[6] .

Jerónimo cita também o deuterocanônico Evangelho dos Hebreus assim:

"'Eis que o Senhor, após ter dado suas roupas ao servente do sacerdote, apareceu para Tiago, pois Tiago havia jurado que nunca mais comeria o pão daquele momento em que bebeu do cálice do Senhor até que ele pudesse vê-lo, renascido dos mortos'. Um pouco depois, o Senhor disse, 'traga uma mesa e pão'. E imediatamente ele acrescentou, 'Ele tomou o pão e o abençoou e o partiu e o entregou a Tiago, o Justo, e disse-lhe, "Meu irmão, coma seu pão, pois o Filho do Homem renasceu dos mortos"'". E assim ele liderou a igreja de Jerusalém por trinta anos, ou seja, até o sétimo ano de Nero.
 
De Viris Illustribus, Jerónimo, citando o Evangelho dos Hebreus[5] .

Paulo descreveu Tiago como sendo uma das pessoas para que Cristo ressuscitado apareceu (I Coríntios 15:3-8). Em seguida, na mesma epístola, cita Tiago de uma forma que parece indicar que ele já teria sido casado (9:5). Em Gálatas, Paulo lista Tiago com Cefas (Simão Pedro) e João como sendo os três "pilares" da Igreja (Gálatas 2:9 e que irão ministrar aos "circuncidados" em Jerusalém, enquanto Paulo e seus companheiros irão ministrar para os não-circuncidados (2:12). Estes termos são geralmente interpretados como significando judeus e gregos, que eram a maioria. Porém, isto é uma simplificação, uma vez que na província romana da Judeia já existiam alguns judeus que não eram circuncidados e alguns gregos, chamados de prosélitos ou judaizantes, e outros povos, como os egípcios, os etíopes e os árabes que o faziam.

Quando Pedro, tendo escapado milagrosamente da prisão, precisa fugir de Jerusalém por causa da perseguição de Herodes Agripa II, ele pede que Tiago seja informado (Atos 12:17). Quando Paulo chegou a Jerusalém para entregar o dinheiro que ele levantou para o fiéis, foi com Tiago que ele conversou, e foi Tiago que insistiu que ele se purificasse ritualmente no Templo de Herodes para provar sua fé e negar rumores de que estivesse pregando a rebelião contra a Torá (Atos 21:18 e seguintes), a acusação de antinomianismo.

Concílio de Jerusalém[editar | editar código-fonte]

Enquanto os cristãos de Antioquia estavam preocupados se o cristãos gentios precisariam ou não ser circuncidados para se salvarem, eles enviaram Paulo e Barnabé para se encontrar com a igreja de Jerusalém. Tiago tomou um papel proeminente na formação da decisão do Concílio (Atos 15:13 e seguintes). Tiago, dentre os que sabemos o nome, foi o último a falar, após Pedro, Paulo e Barnabé. Ele então proferiu o que chamou de sua "decisão" (15:19) - o sentido original se aproxima mais de "opinião"[7] . Ele apoiou todos ao ser contra o requisito e sugeriu proibições sobre consumo de sangue assim como carne utilizada em sacrifícios e também à fornicação. Esta se tornou a regra do Concílio, acordada por todos os apóstolos e anciãos e enviada para todas as igrejas por carta.

Primazia de Pedro[editar | editar código-fonte]

A tradição, apoiada em inferências das escrituras, defende que Tiago liderou o grupo de Jerusalém como seu primeiro bispo ou patriarca. Este não é necessariamente um ponto contra a primazia de Pedro na igreja antiga e, subsequentemente, no Catolicismo romano. Embora Tiago, e não Pedro, tenha sido o primeiro bispo daquele grupo, os católicos romanos acreditam que o bispo de Jerusalém não seria, por isso, a liderança da igreja cristã, uma vez que esta estava com Pedro como a "Rocha" (Kepha) e "Pastor Líder"[8] . São João Crisóstomo opinou sobre o assunto: "Se alguém deve dizer, 'Por que então foi Tiago quem recebeu a de Jerusalém?' Eu responderia que Ele [Cristo] fez de Pedro o professor não daquela Sé, mas do mundo todo."[9] . Já se sugeriu, por exemplo, que Pedro teria confiado a comunidade de Jerusalém para Tiago quando ele foi forçado a fugir da cidade [10] . De acordo com Eusébio de Cesareia, Clemente de Alexandria, no final do século II d.C., afirmou o seguinte sobre a ascensão de Tiago ao episcopado de Jerusalém: "Pois eles disseram que Pedro e Tiago e João, após a ascensão do nosso Salvador, como se também preferisse assim o Senhor, não lutaram por honras e escolheram Tiago, o Justo, como bispo de Jerusalém [5] [11] .

Morte[editar | editar código-fonte]

Segundo uma passagem nas Antiguidades Judaicas, de Flávio Josefo, "o irmão de Jesus, que era chamado de Cristo, cujo nome era Tiago" encontrou a morte após a do procurador Porcius Festus, antes que Lucceius Albinus fosse empossado[12] - cuja data é 62 d.C. O sumo-sacerdote Ananus ben Ananus tirou vantagem desta falta de controle imperial para reunir o Sinédrio que condenou Tiago "sob acusação de ter violado a Lei" e logo o executou por apedrejamento. Josefo relata ainda que o ato de Ananus foi amplamente considerado como um assassinato judicial e teria ofendido muitos dos "que eram consideradas as pessoas mais justas da cidade, e estritas na observância da Lei", que chegaram a se encontrar com o procurador Albinus para pedir-lhe que interferisse no assunto. Como resultado, o rei Agrippa trocou Ananus por Jesus, filho de Damneus.

George Albert Wells contesta a identificação de Tiago que foi executado por Ananus ben Ananus com Tiago, o Justo, considerando as palavras "que era chamado Cristo" como sendo uma interpolação posterior.

Eusébio de Cesareia, citando o relato de Josefo, preservou o registro de passagens das hoje perdidas obras de Hegésipo e Clemente de Alexandria[13] . O relato de Hegésipo é um pouco diferente do de Josefo e pode ter sido uma tentativa de reconciliá-los combinando-os. De acordo com Hegésipo, os escribas e os fariseus foram até Tiago em busca de ajuda para eliminar as crenças cristãs. O relato diz:

Ele vieram, portanto, em grupo até Tiago e disseram: "Nós te suplicamos, contenha o povo: pois eles se desviaram em suas opiniões sobre Jesus, como se ele fosse o Cristo. Nós te suplicamos, convença todos que vieram aqui para o dia da Páscoa, sobre Jesus. Pois nós todos ouvimos sua persuasão; pois nós também, assim como todo o povo, somos testemunhas que tu és justo e não mostras preferência por ninguém. Convence portanto o povo a não entreter opiniões errôneas sobre Jesus: pois todo o povo, e nós também, ouvimos a sua persuasão. Tome uma posição firme, então, no alto do templo, de modo que possas ser visto claramente por todos, e tuas palavras possam ser claramente ouvidas por todos. Pois, para comemorar a Páscoa, todas as tribos vieram para cá e também alguns gentios[14] .

Para desgosto dos escribas e os fariseus, Tiago corajosamente testemunhou que Cristo "sentava-se no céu do lado direito Grande Poder e retornará nas nuvens celestiais". Então eles confabularam entre si "Erramos ao procurar seu testemunho sobre Jesus. Vamos então subir e jogá-lo de lá, para que eles tenham medo e não acreditem nele.

 
Fragmentos dos "Atos da Igreja" sobre o Martírio de Tiago, o irmão do Senhor.

Assim, os escribas e os fariseus:

...lançaram abaixo o homem justo... [e] começaram a apedrejá-lo, uma vez que ele não morrera na queda; Mas ele virou e se ajoelhou e disse: "Eu imploro-te, Senhor Deus nosso Pai, perdoa-os pois eles não sabem o que fazem."

E, enquanto eles estava apedrejando-o até a morte, um dos sacerdotes, dos filhos de Recab, o filho de Rechabim, de quem testemunhou Jeremias, o profeta, começou a gritar, dizendo: "Parem, o que estão fazendo? O homem justo está rezando por nós.". Mas um dentre eles, um dos tintureiros, tomou seu cajado com o qual ele estava acostumado a manipular as vestes que tingia, e atirou na cabeça do homem justo.
E assim ele sofreu o martírio; e eles o enterraram ali mesmo, e o pilar que foi erguido em sua memória ainda está lá, perto do templo. Este homem foi uma testemunha verdadeira tanto para os judeus quanto gregos de que Jesus é Cristo.

 
Fragmentos dos "Atos da Igreja" sobre o Martírio de Tiago, o irmão do Senhor [14] .

Por conta do certo e posterior captura de Jerusalém pelo imperador Vespasiano atrasou a escolha de Simeão de Jerusalém para suceder Tiago.

De acordo com Schaff, em 1904, este relato por "Hegésipo já foi citado muitas vezes por historiadores como tendo atribuído a data do martírio em 69 d.C.", embora ele conteste a afirmação de que Hegésipo tenha dado qualquer indicação sobre uma data[15] .

Influência[editar | editar código-fonte]

A Epístola de Tiago é tradicionalmente atribuída a Tiago, o Justo.[editar | editar código-fonte]

Historiadores modernos sobre a Igreja antiga tendem a colocar Tiago inserido nas tradições do Cristianismo Judaico. Enquanto Paulo enfatizava a fé sobre a observação da Lei, que ele considerava um fardo, uma disposição antinomiana, Tiago parece ter desposado de um posição oposta, que já foi negativamente chamada de judaizante. Um corpus (conjunto de obras) geralmente citado como prova disto são Reconhecimentos e as Homilias de Clemente (também conhecidas como Literatura clementina), versões de uma novela que já foi datada como sendo do início do século II d.C., onde Tiago aparece como uma figura santa que é atacada por um inimigo sem-nome que alguns críticos modernos acreditam ser Paulo. O estudioso James D. G. Dunn propôs que Pedro seria o "homem-ponte" (ou seja, o pontifex maximus) entre as duas "proeminentes lideranças": Paulo e Tiago[16] .

Os teólogos cristãos tradicionais defendem também que os dois tinham crenças similares; os evangélicos afirmam que as afirmações de Tiago sobre "obras" se referem às obras que Deus produz nos cristãos, enquanto que teólogos ortodoxos e católicos afirmam que Paulo não diminuía a importância das obras (citando passagens como Romanos 6 e 8) e que Tiago não estava se referindo às obras cerimoniais da Torá (citando o fato de que no Concílio de Jerusalém, Tiago declarou que apenas uma pequena porção da Torá serviria aos gentios convertidos).

Alguns Evangelhos apócrifos são testemunha da reverência dos seguidores judeus de Jesus (como os Ebionitas) tinham por Tiago. O "Evangelho dos Hebreus", fragmento 21, relata a aparição do Jesus ressuscitado à Tiago. O "Evangelho de Tomé" (uma das obras encontradas na Biblioteca de Nag Hammadi), dito 12, relata que os discípulos perguntaram à Jesus: "Os discípulos perguntaram a Jesus: Sabemos que nos vais deixar. E quem será então nosso chefe? Respondeu Jesus: No ponto onde estais, ireis ter com Tiago, que está a par das coisas do céu e da terra.[17] .

O fragmento X de Pápias faz referência à "Tiago, o bispo e apóstolo". O Panarion (29.4), de Epifânio de Salamina, descreve Tiago como tendo sido um Nazireu.

A obra pseudepígrafe "Primeiro Apocalipse de Tiago", associada com o nome de Tiago, menciona em muitos detalhes, alguns dos quais podem refletir tradições muito antigas: diz-se que ele teria autoridade sobre os doze apóstolos e sobre a igreja antiga. Esta obra também acrescenta, misteriosamente, que Tiago teria deixado Jerusalém e fugido para Pela antes do cerco romano na cidade em 70 d.C. Ben Witherington sugere que o que se pretende com essa afirmação é que os ossos de Tiago teriam sido levados da cidade por cristãos em fuga.

O Apócrifo de Tiago, cuja única cópia também foi encontrada em Nag Hammadi, e que parece ter sido escrita no Egito no século III d.C.[18] reconta uma aparição pós-ressurreição de Cristo à Tiago e Pedro. No diálogo, Pedro fala duas vezes(3:12; 9:1), mas não compreende mal Jesus. Apenas Tiago é citado nominalmente (6:20) e Tiago é a figura dominante.

O Proto-Evangelho de Tiago, uma obra do século II d.C., também se apresenta como escrita por Tiago - um sinal de que assim sendo, ela teria autoridade - e também o fazem diversas obras encontradas na Biblioteca de Nag Hammadi.

Fontes do Novo Testamento[editar | editar código-fonte]

As mais antigas fontes no Novo Testamento sobre Tiago e quem chegaram até nossos dias foram as Epístolas paulinas, que são datadas na sexta década da era cristã, descrevendo eventos que ocorreram, grosso modo, entre 35 e 55 d.C. Os Atos dos Apóstolos, escritos entre 70 e 100 d.C., descrevem o mesmo período. Os Evangelhos, com uma data em disputa entre 70 e 110 d.C., descreve o período do ministério de Jesus, por volta do ano 30 d.C. Nestas fontes, há mais de uma pessoa chamada Tiago [1] e diferentes títulos são utilizados para distingui-las:

Tiago, o irmão de Jesus[editar | editar código-fonte]

Se Tiago, o Justo, deve ser identificado como Tiago, o irmão de Jesus, então as Epístolas paulinas e os Evangelhos de Mateus e Marcos são as fontes primárias.

Epístolas[editar | editar código-fonte]

  • Paulo cita ter encontrado brevemente "Tiago, o irmão do Senhor" em Gálatas 1:18-20.
  • A segunda vez que Paulo escreve sobre ter encontrado Tiago foi anos depois, durante uma disputa sobre a aceitação dos gentios na Igreja antiga - possivelmente o mesmo incidente citado nos Atos dos Apóstolos no Concílio de Jerusalém. É notável como Paulo cita Tiago antes de Pedro (Cefas) em Gálatas 2:9-10.
  • A terceira menção de Tiago em Gálatas está dentro do chamado "incidente em Antioquia". De acordo com Paulo, Pedro não só temia Tiago como já tinha se curvado à sua vontade, Gálatas 2:11-12.
  • Um Tiago é mencionado na Primeira Epístola aos Coríntios de Paulo, como um dos que encontraram Jesus após a ressurreição. Notável é como Paulo cita apenas Pedro e Tiago entre os discípulos e outros que viram Jesus, I Coríntios 15:3-7. Isto em geral é uma indicação de que este Tiago é o mesmo Tiago irmão caçula de Jesus[1] . Baseado nesta identificação, Paulo também pode estar se referindo ao Tiago que aparece anteriormente em sua epístola, em I Coríntios 9:5.

Atos[editar | editar código-fonte]

  • Há um Tiago mencionado nos Atos, que a Enciclopédia Católica identifica com Tiago, irmão de Jesus[1] , em Atos 12:17.
  • Tiago também é uma autoridade na igreja antiga no Concílio de Jerusalém, como pode ser visto em Atos 15:13-21, onde ele cita Amós 9:11-12.
  • Depois desta, há apenas mais uma menção à Tiago nos Atos, encontrando-se com Paulo logo antes de sua prisão (Atos 21:17-18).

Evangelhos[editar | editar código-fonte]

Pedro, João e Tiago[editar | editar código-fonte]

Os Evangelhos sinóticos, de maneira similar à epístola de Paulo aos Gálatas, reconhece um grupo central de três discípulos tendo os mesmos nomes que foram dados por Paulo. Porém, os Evangelhos sempre listam Pedro primeiro e deixam a exata identidade de Tiago indecisa.

Em Lucas:

«Tendo chegado à casa, não permitiu que ninguém entrasse com ele, senão Pedro, João, Tiago e o pai e a mãe da menina.» (Lucas 8:51).

«Cerca de oito dias depois de haver assim falado, levou consigo a Pedro, a João e a Tiago e subiu ao monte para orar.» (Lucas 9:28)

Em Marcos:

«Não permitiu que ninguém o acompanhasse, senão Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago.» (Marcos 5:37)

«Seis dias depois tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a João, e levou-os à parte sós a um alto monte...» (Marcos 9:2)

Em Mateus:

«Seis dias depois tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos, Tiago e João, e levou-os a sós a um alto monte.» (Mateus 17:1)

Note como Tiago é sempre mencionado em segundo por Marcos, mas como último dos três por Lucas. Note também, que o Evangelho de Mateus define o Tiago aqui como sendo o Tiago irmão de João, presumivelmente um Tiago diferente.

Dois discípulos chamados Tiago[editar | editar código-fonte]

Na lista dos discípulos encontrada nos Evangelhos, dois discípulos chamados Tiago são mencionados na lista dos doze apóstolos. Em Mateus 10:2-4 temos " Tiago e João, filhos de Zebedeu;" e "Tiago, filho de Alfeu". Tiago, filho de Zebedeu é também conhecido como Tiago Maior e claramente não se confunde com Tiago, o Justo[1] . Já Tiago, filho de Alfeu é geralmente identificado como sendo Tiago Menor. Em Atos 1:13, aparece apenas "Tiago" e "Tiago, filho de Alfeu".

Tiago, filho de Maria[editar | editar código-fonte]

Uma Maria é também mencionada depois como sendo a mãe de Tiago, tanto no Evangelho de Marcos quanto no de Mateus. A interpretação católica geralmente defende que este Tiago deve ser identificado como sendo Tiago, filho de Alfeu, e com Tiago, irmão de Jesus, como sendo todos a mesma pessoa[1] . Maria aparece em Marcos 15:40, Marcos 16:1 e Mateus 27:56.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Tiago, o Justo
(até 62 d.C.)
Precedido por: PatriarchsCross.svg
Lista sucessória dos patriarcas de Jerusalém
Sucedido por:
Fundação 1.º Simeão


Referências

  1. a b c d e f g h Wikisource-logo.svg "Saint James the Less" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.
  2. Philip Schaff. History of the Christian Church: James the Brother of the Lord (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4 § 27. , - "And in the Liturgy of St. James, the brother of Jesus is raised to the dignity of "the brother of the very God" - "E na Liturgia de São Tiago, o irmão de Jesus é alçado à dignidade de "irmão do próprio Deus".
  3. Eisenman, R.. James the Brother of Jesus (em inglês). [S.l.]: Viking, 1996. ISBN 0-670-86932-5
  4. No Evangelho de Tomé, 12, "E os discípulos disseram a Jesus, 'Nós sabemos que irás nos deixar. Quem será nosso líder?' Jesus disse a eles, 'Não importa onde estiverdes, estareis com Tiago o Justo, por quem o céu e a terra vieram a ser.'", em Miller, Robert J., ed.. The Complete Gospels (em inglês). [S.l.]: Polebridge Press, 1994. ISBN 0-06-065587-9
  5. a b c d Wikisource-logo.svg "De Viris Illustribus - James, the brother of our Lord", em inglês.
  6. Tiago Padre na Wheaton University (em inglês)
  7. Theological Dictionary of the New Testament (em inglês). Grand Rapids: Eerdmans, 1993. vol. 3.. Veja também [Strong's G2919 Título não preenchido, favor adicionar] (em inglês)
  8. Mckenzie, John L.. The Dictionary of the Bible.: Peter (Roman Catholic) (em inglês). [S.l.: s.n.].
  9. Ryland, Ray.. (outubro 1996). "Peter and the Orthodox: A Reprise" (em inglês). This Rock 7 (10).
  10. Bíblia Navarra, notas de rodapé
  11. Eusébio de Cesareia. História Eclesiástica: The Course pursued by the Apostles after the Ascension of Christ. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1.3. , vol. II.
  12. Flávio Josefo. Antiguidades Judaicas. [S.l.: s.n.]. Capítulo: XX.9. ,
  13. Eusébio de Cesareia. História Eclesiástica: The Martyrdom of James, who was called the Brother of the Lord. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 23. , vol. II.
  14. a b Fragmentos dos "Atos da Igreja" sobre o Martírio de Tiago, o irmão do Senhor, livro 5.
  15. Schaff, Philip. "A Select library of Nicene and post-Nicene fathers of the Christian church" (em inglês). [S.l.]: BiblioBazaar, 1904. ISBN 1-110-37346-5
  16. Dunn, James D. G.. The Canon Debate. [S.l.]: McDonald & Sanders editors, 2002. Capítulo: 32. , 577 pp. - "Pois Pedro seria na realidade e de fato o homem-ponte (pontifex maximus!) que fez mais que ninguém para manter coesa a diversidade do cristianismo no primeiro século. Tiago, o irmão de Jesus, e Paulo, as duas proeminentes lideranças do cristianismo no primeiro século, estavam por demais relacionados aos dois "ramos" do Cristianismo, pelo menos para os cristãos que estavam nos cantos opostos do espectro. Mas Pedro, como demonstrado principalmente no episódio de Antioquia em Gal 2, tinha tanto o cuidado de manter firme a sua herança judaica, que Paulo não tinha, e uma abertura às demandas do Cristianismo em desenvolvimento, que Tiago não tinha. João pode ter servido como a figura central que mantém junto os extremos, mas se os escritos ligados ao seu nome forem uma indicação de sua opinião, ele parece ter sido por demais individualista para ser este ponto de encontro. Outros conseguiram ligar a nova religião em desenvolvimento com mais firmeza aos seus eventos fundadores e a Jesus. Mas nenhum deles, incluindo os outros doze, parece ter tido um papel de contínua importância para toda gama do Cristianismo - embora Tiago, o irmão de João, poderia ter se mostrado uma exceção se tivesse sobrevivido." [Itálico no original]
  17. Evangelho de Tomé (em português)
  18. Robinson, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Apocryphon of James (Trad. por Francis E. Williams) (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990.  ISBN 0-06-066929-2
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