Tibério Semprônio Graco (cônsul em 215 a.C.)

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Tibério Semprônio Graco
Morte 212 a.C.

Tibério Semprônio Graco (em latim, Tiberius Sempronius Gracchus) foi um general romano que participou na Segunda Guerra Púnica.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Mestre da cavalaria[editar | editar código-fonte]

Em 216 a.C. foi edil curul, e pouco depois da batalha de Canas foi designado mestre da cavalaria (magister equitum) do ditador, Marco Júnio Pera, que teve de formar um novo exército para enfrentar a Aníbal.

Enquanto se encontrava no acampamento romano perto de Casilino, ao estar o ditador obrigado a regressar a Roma, confiou a Graco o comando do exército, mas sob o mandato do ditador, de se abster de entrar em combate com o inimigo, embora se apresentassem oportunidades favoráveis, e apesar de os habitantes de Casilino, sitiados por Aníbal, sofrerem fome.

Como único modo de fornecer os sitiados sem lutar contra o inimigo, Graco conseguiu, em três noites sucessivas, fazer descender pelo rio Volturno, que cruzava a cidade, tonéis cheios de provisões, que foram recolhidos com entusiasmo pelos habitantes.

Porém, à quarta noite, os barris foram levados a terra pelo vento e as ondas, e portanto descobertos pelo inimigo, que aumentando a vigilância, impediram a introdução de mais fornecimentos em Casilino. A fome na cidade chegou a tal grau, que povo e a guarnição começaram a alimentar-se com couro, ratos e quaisquer ervas que podiam conseguir, e finalmente renderam-se.

À guarnição permitiu sair com a condição de pagar uma determinada quantidade por cada homem. Dos 570 homens, mais da metade morreram de fome, e os demais, com o seu comandante, M. Anício, foram a Preneste. Pouco depois destes fatos, Graco acompanhou o ditador a Roma, para informá-lo sobre o estado das coisas, e das medidas a adotar no futuro.

Primeiro consulado[editar | editar código-fonte]

O ditador mostrou-se satisfeito com o comportamento de Graco, e recomendou-o para o consulado, ao qual foi eleito por volta de 215 a.C., junto com L. Postúmio Albino. Era a época de um dos maiores desastres de Roma, mas Graco não perdeu a sua coragem, e inspirou confiança ao Senado.

Ele tomou o comando dos voluntários e aliados, marchando através do rio Volturno, plantando o seu acampamento no bairro de Liternum. Ele treinara e disciplinara as suas tropas para se enfrentar ao inimigo. Ao ouvir que os campanos estavam prestes a celebrar uma grande reunião em Hamae, marchou até Cumas, onde acamparam, e desde onde fez um ataque inesperado sobre a assembleia dos campanos. Estes foram derrotados depressa, e 2000 deles, com o seu comandante, Mário Álfio, cairam no confronto.

Após tomar posse do seu acampamento, Graco regressou depressa a Cumas, onde Aníbal estava acampado a pouca distância. Este último, ao ficar a saber o ocorrido em Hamae, apressou-se por ir ali, mas chegou tarde, e encontrou apenas cadáveres, com o qual ele também regressou ao seu acampamento sobre o Tifata; porém, imediatamente depois Aníbal cercou Cumas, pois estava ansioso de obter a posse de uma cidade marítima.

Assim, Graco foi cercado por Aníbal, e como não podia confiar plenamente nas suas tropas viu-se obrigado a esperar pela ajuda dos aliados romanos. Realizou uma saída para tentar levantar o cerco, a saída foi um sucesso, pois os cartagineses, tomados por surpresa, perderam um grande número de homens, e antes que puderam reagir, Graco ordenou às suas tropas a retirar-se dentro dos muros de Cumas. Aníbal esperava uma batalha regular, mas, como Graco se manteve dentro da cidade, finalmente levantou o cerco e voltou a Tifata. Pouco depois Graco marchou com as suas tropas de Cumas até Lucéria, na Apúlia.

Graco, procônsul[editar | editar código-fonte]

Por volta de 214 a.C. o seu imperium prolongou-se, e, com as suas duas legiões de voluntários, ordenou-lhe efetuar operações na Apúlia, mas o ditador, Quinto Fábio Máximo, mandou ir a Benevento.

No momento mesmo em que chegou ali, Hanão, com um grande exército, chegava de Brúcia, mas tarde demais, pois o local fora já ocupado por Graco. Quando este soube que Hanão instalara o seu acampamento no rio Cator, e assolava a comarca, marchou sobre ele, e alojou-se numa curta distância do inimigo.

À manhã seguinte, ao amanhecer, a sua demanda foi cumprida. Hanão aceitou o combate. A denominada Batalha de Benevento foi muito intensa, e prolongou-se durante várias horas, mas a perda dos cartagineses foi tão grande que Hanão, com a sua cavalaria, viu-se obrigado a fugir.

Depois da batalha, Graco regressou com o seu exército a Benevento, onde os seus cidadãos os receberam com entusiasmo. Graco realizou depois uma pintura destas alegres cenas, e a dedicou no templo de Libertas no Aventino, que fora construído pelo seu pai.

Segundo consulado e morte[editar | editar código-fonte]

No final do ano foi eleito cônsul em ausência pela segunda vez por volta de 213 a.C., com Quinto Fábio Máximo. Teve de levar a guerra na Lucânia, onde lutou em vários compromissos de menor importância, e tomou algumas das cidades menos importantes do país, mas como parecia conveniente que os cônsules deixassem o comando dos seus exércitos, Graco recebeu a ordem de nomear um ditador para celebrar os comícios. Nomeou a C. Cláudio Cento.

Em 212 a.C. os cônsules ordenaram-lhe deixar a Lucania (Basilicata), e estabelecer novamente o seu acampamento em Benevento. No entanto, antes que isto ocorresse Graco foi atraiçoado por Flávio, um lucano, e morto nas mãos do cartaginês Magão.

Segundo a maioria dos relatos, caiu em combate com Magão, em Campi Veteres, na Basilicata, e o seu corpo foi enviado a Aníbal, que o honrou com um enterro magnífico. Tito Lívio registra diferentes versões a respeito da sua morte e enterro, mas acrescenta a observação de que nenhuma merece crédito.[1]

Referências

  1. Liv. xxii. 57, xxiii. 19, 24, 25, 30, 32, 35-37, 48, xxiv. 10, 14-16, 43, xxv. 1, 3, 15-17; Apiano, Annib. 35. ix; Zonar. ix. 3, & c.; Oros. iv. 16; Eutrópio iii. 4, que confunde o nome de Tib. Semprônio Longo com Tib. Semprônio Graco, Cic. Tusc. i. 37; Gelio, ii. 2.
Precedido por:
Caio Terêncio Varrão e
Lúcio Emílio Paulo
Cônsul da República Romana
com
Lúcio Postúmio Albino,
Marco Cláudio Marcelo (sufecto) e
Quinto Fábio Máximo (sufecto)

215 a.C.
Sucedido por:
Quinto Fábio Máximo e
Marco Cláudio Marcelo
Precedido por:
Quinto Fábio Máximo e
Marco Cláudio Marcelo
Cônsul da República Romana
com
Quinto Fábio Máximo

213 a.C.
Sucedido por:
Quinto Fúlvio Flaco e
Ápio Cláudio Pulcro