Tinta em pó
A tinta em pó é um tipo de revestimento de pintura que é aplicado a uma peça sob a forma de um pó seco e fluidizado através de ar comprimido. A diferença principal entre uma tinta líquida convencional e a pintura a pó, é que esta última não requer um meio solvente para manter os seus componentes (Ligante, pigmento, etc) numa suspensão em meio líquido. A pintura a pó é aplicada electroestaticamente e curada sob acção do calor que a irá fluidificar e endurecer, formando uma pele.
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Vantagens e desvantagens das Tintas em Pó [editar]
A pintura a pó caracteriza-se por ter um acabamento mais duro e resistente que a pintura líquida convencional. Ela é usada principalmente no recobrimento de metais, como aço e alumínio (tanto para indústria automóvel como para linhas brancas e arquitectura), bicicletas. Tecnologias mais recentes permitem usar este tipo de tinta sobre MDF.
As vantagens da pintura a pó são as seguintes:
- 1.- A pintura a pó emite 0 ou quase 0 de Compostos orgânicos Voláteis (COV);
- 2.- Permitem a aplicação de camadas mais espessas de tinta sem haver lugar a escorridos;
- 3.- A quantidade não usada de tinta em pó poder ser reutilizada e por isso é possível chegar aos 97-98% de utilização da tinta;
- 4.- As linha de pintura a pó produzem uma menor quantidade de resíduos perigosos que as instalações de pintura líquida convencional;
- 5.- Os custos de capital e de operação associados a uma linha de pintura a pó são inferiores a uma linha de pintura líquida;
- 6.- A diferença entre a aparência de objectos pintados horizontalmente dos pintados verticalmente é menos pronunciada que em pintura líquida;
- 7. A pintura a pó permite uma maior gama de efeitos especiais que são impossíveis de obter em pintura líquida.
No entanto, as tintas em pó possuem também as seguintes desvantagens:
- 1.- É difícil aplicar camadas finas de tinta que 50 µm de espessura, pois ao ser constituído por partículas entre 30 e 50 µm, o defeito casca de laranja torna-se inaceitável;
- 2.- Certas tintas em pó degradam-se quando expostas entre 5 e 10 anos aos raios Ultravioleta;
- 3.- Como o investimento numa linha de pintura a pó é elevado, em pintura de pequenas série, o seu custo será superior.
- 4.- Em pintura de peças à cor da carroçaria do automóvel, a pintura em pó não consegue reproduzir fielmente a cor da pintura líquida.
Tipos de Tintas em Pó [editar]
Existem duas categorias principais de tintas em pó: Pós termoendurecíveis e Pós termoplásticos. Os primeiros durante o seu processo de cura ocorrem reacções de reticulação entre grupos químicos distintos que, aumentam o seu peso molecular, melhorando as suas propriedades.
Os pós termoendurecíveis, após terminar o tempo de cura, não voltam a sofrer alterações quando submetidos às mesmas temperaturas.
Os pós termoplásticos não sofrem qualquer alteração química durante a cura, Esta apenas se limita a fundir o pó e a fluir até à sua forma final As tintas em pó são constituídos por polímeros tais como Poliéster, Poliuretano, epoxy poliéster, epóxy e acrílicos.
Produção de tinta em pó [editar]
- 1.- Os componentes da tinta em pó (Polímero, endurecedor, pigmentos, etc.) são misturados num misturador;
- 2.- A mistura é aquecida até fundir;
- 3.- A mistura é extrudida através de uma fieira grossa;
- 4.- Após sair da extrusora a tinta é depositada num tapete rolante onde arrefece;
- 5.- À saída do tapete rolante, a tinta é partida em pequenos estilhaços;
- 6.- Os estilhaços são moídos até se obter um pó fino.
Processo de Pintura com Tinta em Pó = [editar]
O processo de pintura com tintas em pó é realizado em instalações de pintura automáticas através de uma linha de produção contínua ou não envolvendo três processos: Pré-tratamento da superfície, Aplicação do pó e cura.
Pré-tratamento da superfície [editar]
Em qualquer operação de pintura é fundamental a remoção integral de óleos, gorduras, sujidade e óxidos que se encontram na superfície a pintar. Este objectivo pode ser alcançado através de uma variedade de métodos químicos e mecânicos. A selecção do método mais apropriado depende da forma, do tamanho, do tipo de material a pintar, da própria tinta em pó que irá ser aplicada e dos requisitos de resistência que se esperam obter do material pintado.
O processo começa com um, ou vários estágios de lavagem e desengorduramento, seguidos de desoxidação da superfície e do estágio de tratamento anticorrosivo, o qual pode ser de cromatação para materiais em alumínio ou de fosfatação para material em aço. Para além de protegerem o metal estes tratamentos também aumentam a aderência da tinta ao substrato.
Recentemente foram desenvolvidos novos processos à base de Zircónio e Silanos que visam eliminar a utilização de crómio heavalente (Químico muito tóxico) usado na cromatação. Desde 2007 que a indústria automóvel europeia proíbe a utilização de Crómio Hexavalente no tratamento de superfícies dos componentes automóveis.
Outro método alternativo para o pré-tratamento de peças a pintar é a decapagem com jacto abrasivo, viável para peças metálicas grandes, com espessura de chapa acima de 3 mm
Aplicação de Tinta em pó [editar]
Pistola Electrostática [editar]
O método mais comum de aplicação é através de pistolas electroestáticas. A pistola, através de um eléctrodo carrega positivamente o pó, o qual é projectado por ar comprimido da pistola para a peça, a qual se encontra ligada à terra, fazendo com que o pó adira à superfície e, devido à electrostática, haja relativamente pouca tinta que não aderiu à peça, quando comparado com métodos de pintura líquida não electrostática.
Pistola Tribo [editar]
Outro método de aplicação de tinta em pó é através de uma pistola Tribo, a qual electriza a tinta através de fricção triboelectrica. Neste método, a tinta em pó é electrizada positivamente enquanto roça ao longo de um tubo de Teflon que existe dentro do cano da pistola sendo depois enviada para a peça ligada à terra. Este tipo de aplicação necessita de um pó com características diferentes dos pós aplicados com pistolas electroestáticas.
Leito Fluidizado [editar]
Neste método a peça é pré-aquecida e imersa num leito de tinta em pó fluidizado através de ar comprimido. O pó adere à peça e funde devido ao calor. Para terminar o processo de cura, a peça é novamente aquecida dentro de um forno. Este processo é usado para obter espessuras de filme superiores a 300 µm, tais como os carros para máquinas de lavar-louça.
Leito fluidizado electrostático [editar]
Usa o mesmo princípio que o leito fluidizado, mas com muito menos tinta em pó. Neste método e dentro do leito existe um meio de carga electrostática., que carga as partículas de pó no seu movimento ascensional, formando uma nuvem de partículas de tinta em pó carregadas positivamente. A peça ligada à terra, que neste processo não é pré-aquecida, ao passar pela nuvem atrai as partículas de tinta
Cura [editar]
Após a peça ter recebido a tinta em pó, ela entra dentro de um forno onde permanece durante o período de cura. Genericamente a cura de uma tinta em pó é feita através do aquecimento da peça a 180 °C durante 20 min ou 200 °C durante 10 min. Este período de tempo é necessário para o polímero fundir e realizar a reacção de reticulação.
O processo de aquecimento é feito através de fornos de convecção de ar quente ou de luzes de infra-vermelhos.
Remoção da tinta em pó [editar]
O Diclorometano é o decapante químico mais eficaz para a remoção de tinta em pó. As maiorias dos solventes orgânicos (Acetona, diluentes, etc.) são totalmente ineficazes.
Devido ao facto de o Diclorometano ser tóxico para além de recentes suspeitas de ser potencialmente cancerígeno,1 ele começa a ser substituído pelo Álcool Benzílico com grande sucesso.