Tintim

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Tintim
Personagem de Les Aventures de Tintin
Tintim e seu cachorro Milu
Nome original Tintin
Morada 26, rue du Labrador
Château de Moulinsart
Origem Bruxelas, Bélgica belga
Sexo Masculino
Espécie Humana
Cabelo Ruivo
Olhos Pretos
Características Poupa e calças de golfe
Actividade(s) Repórter
Amigo(s) Milou
Archibald Haddock
Dupond e Dupont
Bianca Castafiore
Tryphon Girassol
Inimigo(s) Roberto Rastapopoulos
Doutor Müller
Criado por Hergé
Série As Aventuras de Tintim
Álbum(s) 24
Primeira aparição Tintin au pays des Soviets (1929)
Última aparição Tintin et l'Alph-Art (1986)
Editor(es) Casterman
Projecto Banda desenhada  · Portal da Banda desenhada

Tintim (no original francês Tintin) é o protagonista da série de ficção de banda desenhada (português europeu) ou história em quadrinhos (português brasileiro) conhecida como As Aventuras de Tintim (Les aventures de Tintin), criada pelo quadrinista belga Hergé em 10 de janeiro de 1929.

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

A teoria corrente indica que Hergé baptizou a sua personagem como Tintim em homenagem ao álbum de Benjamin Rabier escrito em colaboração com Fred Isly, denominado Tintin lutin (1897). Tal teoria parece corresponder à verdade, uma vez que, para além do nome, são facilmente verificáveis algumas semelhanças existentes entre Onésime, personagem do álbum referido, e o Tintim de Hergé.[1] O nome Tintim aparece pela primeira vez em 1929, data que pode ser assinalada como a sua nascença gráfica.

Caracterização da personagem[editar | editar código-fonte]

Dado que a série de quadrinhos possuiu uma existência de quase meio século, a personalidade de Tintim sofreu sutis alterações ao longo de sua evolução, embora sua caracterização tenha se mantido consistente durante todo o seu percurso. O personagem normalmente é apresentado como um jovem repórter (cuja idade vai presumivelmente da adolescência até a juventude), de espírito aventureiro e curioso, constantemente envolto em casos de investigação criminosa ou em conspirações políticas, geralmente guiado por uma personalidade descrita como nobre, audaciosa e perspicaz.

Eventualmente o personagem passa uma imagem de inocência, ainda que procure responsabilizar-se por seus atos de forma presumivelmente bastante madura (não raro criando situações em que dá "lições de moral" em outros personagens mais velhos).

Entretanto, a evolução da série em quadrinhos (que vai da década de 1930 até os anos 80) faz com que a descrição do personagem reflita a forma como a visão de mundo de seu autor (e da própria civilização ocidental, de uma forma geral) se altera, livrando-se de preconceitos ou agregando outros, de forma que o personagem possua um leve sentimento colonialista e eurocêntrico em suas primeiras histórias e passe a lutar pela independência das antigas colônias sul-americanas nas últimas histórias.

Tintim era desenhado como um garoto de pele clara e cabelos castanhos, apresentando um característico topete que viria a se tornar praticamente sua marca registrada. Em praticamente todas as suas histórias, Tintim era retratado vestindo uma blusa de azul e um culote bege. Porém, dependendo da região do mundo em que se encontrava, ele poderia eventualmente trajar as vestimentas típicas daquele local.

Inspiração[editar | editar código-fonte]

Palle Huld durante a sua viagem à volta do mundo em 1928.

A primeira versão do Tintim aparenta ter sido parcialmente inspirada no irmão mais novo de Hergé, Paul Remi, soldado de carreira. Cansado de ser apelidado pelos colegas de "Major Tintim", Paul rapou o cabelo de forma a se assemelhar ao realizador Erich von Stroheim. Hergé usou esta nova aparência como modelo do vilão Coronel Sponsz no Caso Girassol. Embora diferentes, Tintim e Sponsz têm penteados similares.[2]

Hergé pode também ter sido inspirado pelo ator norueguês Palle Huld, que tinha apenas quinze anos[3] quando, patrocinado por um jornal, realizou uma viagem à volta do mundo e escreveu Um Escuteiro à Volta do Mundo. O livro descreve a sua viagem à União Soviética, América, China e África, e as aventuras por si vividas em cada região. O livro foi traduzido para onze línguas, tendo provavelmente sido lido por Hergé. A viagem foi também objeto de reportagem por jornais em todo o mundo.[4] As semelhanças entre Tintim e Palle Huld são evidentes: na postura e forma de vestir, carisma inocente, sorriso aberto, otimismo, espírito progressista e cabelo ruivo, na viagem à volta do mundo sem família, solidão e assexualidade.[5]

No entanto, a inspiração para a personagem de Tintim pode também ter origem num antigo colega de colégio de Hergé chemado Charles, o qual tinha adotado um estilo de calças de golfe e meias com padrão axadrezado.[6]

As primeiras três aventuras de Tintim dão-se em regiões visitadas pelo repórter e fotógrafo Robert Sexé, citado várias vezes na imprensa belga na segunda metade da década de 1920. Janpol Schulz escreveu uma biografia de Sexé intitulada "Sexé au pays des Soviets" (Sexé no País dos Sovietes) em referência à primeira aventura de Tintim, publicada em 1996. Sexé tinha uma aparência semelhante a Tintim, e a própria Fundação Hergé admitiu que não é difícil imaginar como Hergé possa ter sido influenciado pelas explorações de Sexé.[7]

Pouco antes da sua morte, o antigo colaborador Nazi Léon Degrelle provocou alguma controvérsia ao afirmar que a personagem de Tintim tinha sido baseada em si. Degrelle conheceu Hergé durante o início da sua carreira de jornalista, mas esta alegação é geralmente considerada uma invenção do próprio, célebre pela sua auto-promoção.[8]

Os aliados[editar | editar código-fonte]

Possivelmente, o personagem da série em quadrinhos que mais esteja associado emocionalmente a Tintim seja o seu cachorro de estimação, apelidado de Milu, um fox terrier de pêlo branco. O cão acompanha o repórter desde suas primeiras histórias, demonstrando uma esperteza e uma lealdade superiores aos demais cães.

Da mesma forma, ao longo de suas histórias, Tintim colecionou uma série de aliados. Dentre todos, talvez o mais importante seja o Capitão Haddock, arquétipo do marinheiro beberrão e rabugento, mas de bom coração. Outro personagem importante foi o Professor Girassol, igualmente o arquétipo do gênio cientista/inventor das histórias de ficção, sem esquecer os Dupondt (Dupond e Dupont), membros da Interpol, fazem muitas investigações de maneira mais ou menos discreta e eficaz mas são o cúmulo da estupidez e acumulam um número impressionante de acidentes.

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Portugal foi o primeiro país a internacionalizar Tintin.

Entre 1930 e 1934, o jovem Padre Abel Varzim estudou Sociologia na Universidade de Lovaina, tomando contacto com as aventuras de Tintin.

Varzim comprou os direitos da obra e vendeu-os aos responsáveis pela revista juvenil da emissora católica nacional, a Rádio Renascença.

A tradução de "Tintin en Amérique", "Aventuras de Tin-Tim na América do Norte", arranca na edição número 53, a 16 de Abril de 1936.

Pela primeira vez, o jovem repórter falava outra língua que não o francês, com que já tinha conquistado a França e a Suíça[9] .

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. Quatre albums (em francês)
  2. Conferência The World of Tintin – Doyle, Simon, Saturday 15 May 2004
  3. Dagens Nyheter: "Riktiga" Tintin är död
  4. Jensen, Jacob Wendt. Tintin an adventurer on the Danish model (Google translate) Berlingske. Página visitada em 7 August 2013.
  5. DN: Palle Huld: Jorden rundt i 44 dage
  6. Thompson, Harry. Tintin: Hergé and his creation. First ed. [S.l.]: Hodder & Stoughton, 1991. ISBN 0-340-52393-X
  7. "Writer tracks down Tintin's real life inspiration" The Guardian (Manchester); 17 May 1999; Paul Webster; p. 15
  8. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas Guardiandock
  9. Portugal foi o primeiro país a internacionalizar Tintin.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]