Tiririca (artista)

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Francisco Everardo Oliveira Silva (Tiririca)
Tiririca no plenário da Câmara dos Deputados
Deputado federal por  São Paulo
Período de governo 1 de fevereiro de 2011
até atualidade
Vida
Nascimento 1 de maio de 1965 (49 anos)
Itapipoca,  Ceará,  Brasil
Dados pessoais
Cônjuge Nana Magalhães[1]
Partido PR (2010-presente)
Profissão cantor
humorista
político

Francisco Everardo Oliveira Silva[2] (Itapipoca, 1 de maio de 1965), conhecido pelo nome artístico de Tiririca, é um cantor, compositor, humorista, e político brasileiro. Filiado ao Partido da República, Tiririca foi eleito deputado federal por São Paulo, tendo sido o segundo deputado mais votado em toda a história do Brasil, atrás apenas de Enéas Carneiro.[3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Aos oito anos, começou a trabalhar em circo na cidade natal Itapipoca, onde atuava como palhaço e a alcunha de Tiririca o acompanha desde a infância, devido à personalidade muito forte de que gozava. O apelido foi dado pela mãe, quando o filho era mal-humorado e zangado. Frase mais famosa: "Ora menino, só sendo mesmo menino, menino!" Nesta época, as apresentações de Tiririca em barracas — espécies de pequenos circos, eram muito comuns no Nordeste. Tiririca viveu por muito tempo em Cascavel, Pindoretama, Aquiraz e adjacentes litoral leste, no Ceará, onde tinha seus pequenos circos que animavam a cidade, valendo destacar um grande número: "Não Percam o Homem Que Vira Peixe", na hora do espetáculo Tiririca pegava um peixe morto enfiava-lhe um espeto e saia girando. E despertando gargalhadas. Com o talento passou a mostrar sua habilidade em Fortaleza e região metropolitana, onde seu sucesso e fama se tornaram cada vez mais constantes.

Devido ao grande sucesso alcançado nesses espetáculos, os barraqueiros da região se cotizaram e pagaram as primeiras mil cópias do CD de estreia, que bateu índices recordes de vendagem mais de 1,5 milhão de cópias, isso graças à exaustiva execução nas rádios da canção de estilo regional nordestino Florentina, no repertório deste. Distribuída inicialmente pelas regiões de Juazeiro e Pernambuco, pouco tempo depois a música se tornou conhecida nacionalmente. A gravadora Sony Music comprou o disco e o lançou nacionalmente. Tiririca também bateu recordes de audiência em programas televisivos, que anteriormente pertenciam ao grupo Mamonas Assassinas e outra canção que obteve relevante sucesso foi Eu Sou Chifrudo. O primeiro CD também causou muita polêmica, pois continha a canção Veja os cabelos dela, considerada por muitos como racista. Não obstante, os discos foram apreendidos, a execução das canções pelas rádios foi proibida e Tiririca foi processado por racismo. Ao fim, ele acabou sendo absolvido da acusação. Em 1997, gravou o segundo CD (Tiririca), com destaque para as canções O Padroeiro do Ceará, Índia e Ele é Corno mas é meu Amigo. Depois de um breve afastamento da mídia motivado por problemas pessoais, ressurge em 1999 com o lançamento do terceiro CD (Dança da Rapadura), lançado pela independente Indie Records. O maior sucesso do disco foi a canção Casado com uma Viúva. Outra gravação de Tiririca foi a música "Índia", de Cascatinha e Inhana. A grande diferença, porém, é que durante a música inteira Tiririca só cantou a primeira frase da letra original: "Índia seus cabelos".

Na TV[editar | editar código-fonte]

Tiririca e o também humorista Shaolin.

Realizando uma série de espetáculos, no mesmo ano ingressou na Rede Record onde fez parte do elenco fixo do humorístico Escolinha do Barulho, abandonando temporariamente a atividade musical. Antes fora contrato da Rede Manchete aonde protagonizava um programa infantil. Posteriormente transferiu-se para o SBT, onde tinha um quadro fixo no programa A Praça é Nossa. Lançou o CD Alegria do Forró e retornou à Rede Record onde participava do programa Show do Tom, apresentado pelo também humorista Tom Cavalcante até ser eleito em 2010.

Vida política[editar | editar código-fonte]

No dia 3 de outubro de 2010, Tiririca tornou-se o Deputado Federal mais votado do Brasil das eleições deste ano, eleito pelo estado de São Paulo com 1.348.295 (6,35%) votos.[4] Especialistas afirmaram que tal fenômeno pode ser explicado por voto de protesto.[5]
Mas não superou Enéas Carneiro que teve 1.537.642 votos nas eleições de 2002 tornando-se Deputado Federal, outro caso de voto de protesto foi Clodovil Hernandes que nas eleições de 2006 obteve 493.451 nas eleições de 2006 tornando-se também Deputado Federal. Todos os casos no Estado de São Paulo.

Sua campanha e eleição foi marcada por polêmicas. Tiririca lançou sua candidatura para deputado federal pelo estado de São Paulo por meio do Partido da República. Utilizou bordões como "O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto", e "Pior do que tá não fica, vote Tiririca". Tais bordões debochados levaram um candidato a deputado estadual a representá-lo junto ao Ministério Público Eleitoral, sob o fundamento de que estaria afrontando o Congresso Nacional e o poder público em geral. A representação, contudo, foi arquivada.[6]

Posteriormente, Tiririca foi apontado como analfabeto pela Revista Época, condição essa que impediria uma candidatura.[7] .

Acusado de falsificação, Tiririca confessou que não escreveu a declaração de escolaridade de próprio punho, como exige a legislação eleitoral, mas teria sido ajudado por sua mulher. Em 30 de outubro de 2010 a defesa de Tiririca alegou que ele sofreria de Transtorno de Desenvolvimento da Expressão Escrita, uma deficiência motora que o impediria de segurar uma caneta com firmeza. A defesa afirmou que Tiririca contou com o auxílio de sua mulher para escrever de próprio punho a declaração de alfabetização, exigência da lei eleitoral brasileira. A mulher de Tiririca teria apoiado sua mão sobre a mão do marido para ajudá-lo a firmar a caneta no momento da redação. Segundo a defesa, por causa da deficiência, Tiririca também estaria impossibilitado de fazer testes de escrita.

Todavia, tal explicação contradiz o vídeo gravado por ÉPOCA em setembro, que deu origem às suspeitas de analfabetismo. As imagens mostram Tiririca dando autógrafo a um fã. Em pé, de improviso, Tiririca segura um caderno com a mão esquerda e rabisca uma assinatura circular com a mão direita. O humorista ainda desenha o que seriam as letras de seu nome. No vídeo, ele não demonstra nenhum sinal de dificuldade para segurar a caneta.[8]
No dia 11 de novembro de 2010, Tiririca foi submetido a testes de leitura e escrita em audiência na Justiça Eleitoral (1ª Zona Eleitoral de São Paulo). Durante o teste, Tiririca leu o título e o subtítulo de duas páginas de um jornal. Também foi submetido a um ditado, de trecho do livro 'Justiça eleitoral – uma retrospectiva'. Teve de reproduzir o seguinte trecho: “A promulgação do Código Eleitoral, em fevereiro de 1932, trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral”. Na ocasião, o Ministério Público oficiou pela impugnação da canditatura, tendo em vista que o candidato não teria alcançado 30% do desempenho mínimo desejável.[9]

Em 17 de dezembro, o candidato foi o primeiro a ser diplomado na Assembleia Legislativa em São Paulo. Tiririca foi aplaudido pelas pessoas que estavam nas galerias. Afirmou pretender focar seus projetos nas áreas de educação e cultura, na defesa de artistas circenses em geral e ciganos.[10] Tiririca integrou a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.[11]

Em abril de 2011 se envolveu em controvérsia ao empregar dois amigos humoristas como assessores, sem obrigá-los a cumprir expediente diário na Câmara e gratificando-os com salário de R$ 8 mil cada.[12]

Em 2012 ele foi cotado como pré-candidato para a prefeitura de São Paulo.[13] [14] [15] [16] [17] [18] [19]

Em 2012, Tiririca foi um dos 25 indicados ao Prêmio Congresso em Foco, que elege o melhor parlamentar do ano. Tiririca se destacou por ser um dos nove deputados (dentre 513) que participaram de todas as sessões de votação na Câmara em seu mandato.[20] [21]

Em 2013 em um artigo da revista Financial Times, cujo título era "O palhaço brasileiro perdeu o sorriso" (Brazil's clown loses his smile), revelou estar decepcionado com a atuação da casa onde trabalha: "Você passa o dia inteiro fazendo nada, só esperando para votar alguma coisa enquanto as pessoas discutem e discutem".[22]

Ainda em 2013, Tiririca foi um dos 15 deputados sem faltas nos dias de votação na Câmara. [23]

Em 2014, Tiririca volta a se candidatar à Câmara Federal, pelo mesmo partido, o PR. No seu horário eleitoral, ele chega até a imitar o cantor Roberto Carlos. [24] Foi reeleito com 1.016.796 votos, 336.970 a menos nas eleições de 2010. O motivo foi que em 2010, foi eleito pelo voto de protesto e em 2014 foi reeleito pelo voto consciente de seus eleitores, disse ele em seu microblog. [25]

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

  • AS PIADAS fantárdigas do Tiririca. São Paulo: Matrix, 2006. Co-autor da obra.[26]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Ano Título Gravadora
1996 Tiririca Independente
1996 Florentina Sony
1997 Tiririca Sony
1999 Dança da Rapadura Indie Records
2004 Alegria do Forró
2013 Direto de Brasília NI

Canções de sucesso[editar | editar código-fonte]

  • 1996: Florentina
  • 1996: Eu Sou Chifrudo
  • 1997: O Padroeiro do Ceará

O Curral[editar | editar código-fonte]

  • Em O Curral 2, sátira da segunda edição do reality show A Fazenda, fez Tiririca Bacchi, versão de Karina Bacchi para o programa na época.[28]
  • Curiosamente, Dado Dolabella e Karina Bacchi, os vencedores das duas primeiras edições de A Fazenda foram satirizados por Tiririca em O Curral.

Referências

  1. Correio Braziliense, 2/2/2011
  2. Deputado Tiririca Câmara dos Deputados. Visitado em 27 de novembro de 2014.
  3. Com 1,35 mi de votos, Tiririca quase bate recorde para deputado federal
  4. O Globo
  5. Eleição de Tiririca é caso de voto de protesto, diz analista. Visitado em 13 de fevereiro de 2013.
  6. Procuradoria arquiva duas representações contra propaganda de Tiririca
  7. Tiririca, o completo analfabeto
  8. Correio do Estado
  9. Promotor recorre contra audiência em que Tiririca foi submetido a teste
  10. Tiririca é aplaudido em diplomação na Assembleia Legislativa
  11. Redação Yahoo! Brasil. Tiririca vai integrar Comissão de Educação e Cultura da Câmara 25 de fevereiro de 2011. Visitado em 25 de fevereiro de 2011.
  12. Revista Veja. Tiririca emprega amigos humoristas com salário de R$ 8 mil 1º de Abril de 2011. Visitado em 04 de abril de 2011.
  13. Tiririca pode ser candidato à prefeitura de São Paulo
  14. Tiririca confirma convite para disputar Prefeitura de SP
  15. PR quer lançar Tiririca candidato a prefeito em São Paulo
  16. Tiririca, prefeito de São Paulo
  17. Tiririca diz que está 'à disposição' do PR para disputar Prefeitura de SP
  18. Prefeito Tiririca
  19. PR cogita lançar Tiririca para Prefeitura de São Paulo
  20. Revista Exame. Tiririca é eleito um dos melhores deputados do ano 18 de setembro de 2012. Visitado em 03 de outubro de 2012.
  21. Congresso em Foco. Tiririca: Meus eleitores não deram voto perdido 14 de setembro de 2012. Visitado em 03 de outubro de 2012.
  22. Yahoo Notícias. Tiririca, 'o palhaço que perdeu o sorriso', segundo Financial Times. Visitado em 06 de março de 2013.
  23. http://www.tribunahoje.com/noticia/95843/politica/2014/03/05/tiririca-e-um-dos-unicos-deputados-sem-falta-em-2013.html
  24. http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/08/1502979-de-peruca-e-terno-branco-tiririca-imita-roberto-carlos-para-pedir-votos.shtml
  25. http://g1.globo.com/sao-paulo/eleicoes/2014/noticia/2014/10/tiririca-e-segundo-mais-votado-de-sp-e-perde-um-em-cada-quatro-eleitores.html
  26. Biografia na Câmara dos Deputados
  27. Tom Cavalcante satiriza 'A Fazenda' 13 de junho de 2009. Visitado em 26 de fevereiro de 2011.
  28. Tiririca Bacchi volta a atacar, agora em ‘O Curral 2’ 07 de novembro de 2009. Visitado em 26 de fevereiro de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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