Tito Estatílio Tauro

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Tito Estatílio Tauro
Nascimento c. 60 a.C.
Lucânia
Morte
10
Nacionalidade Império Romano
Ocupação General
Título
Áureo de Otaviano, ca. 30 a.C..

Tito Estatílio Tauro (em latim: Titus Statilius Taurus; c. 60 a.C. - c. 10) foi um grande general e político do final da República e início do Império Romano, duas vezes cônsul, uma vez sob a República outra sobre o império, sendo um dos generais mais distintos de Otaviano.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Tauro era um homo novus (homem novo)[1] da região da Lucânia.[2] Inicialmente partidário de Marco Antônio, por quem foi elegido como cônsul sufecto no ano 37 a.C., substituindo Lúcio Canínio Galo que havia abdicado no mesmo ano. No curso da guerra civil na Sicília, se opôs a Sexto Pompeu (o filho de Pompeu, o Grande). Nesta guerra, dirigiu uma frota, com base em Tarento, enviada por Marco Antônio em ajuda a Otaviano.[3] [4] Depois que Pompeu foi expulso da Sicília, Tauro cruzou o mar para governar e pacificar a província da África que assegurou sem dificuldade durante dois anos e, por isso, obteve o triunfo em 34 a.C..[5] Nesse mesmo ano, acompanhou Otaviano à Dalmácia e, depois de seu regresso à Roma, Tauro ficou sob o comando das tropas estacionadas no lugar.[6]

Quando a guerra contra Marco Antônio e Cleópatra eclodiu, Tauro apoiou Otaviano e participou na batalha de Áccio no comando das forças terrestres estabelecidas na costa em 31 a.C.. As forças terrestres de Marco Antônio se estregaram a ele quando foram abandonadas pelo general Públio Canídio Crasso.[7]

Em 29 a.C., combateu na Hispânia, onde venceu os cântabros, os váceos e os astures durante as Guerras Cantábricas.[8] No mesmo ano mandou construir com suas próprias finanças o primeiro anfiteatro em Roma na parte sul do campo de Marte: o anfiteatro de Estatílio Tauro[9] [10] [11] que foi inaugurado para um combate de gladiadores. Em agradecimento, os romanos concederam-lhe o direito de nomear anualmente um dos pretores.[12] É provável que Estatílio tenha mandado construir este monumento a pedido de seu amigo Augusto, porque este último incentivou a seus amigos ricos a embelezar a cidade com suas próprias despesas. Este anfiteatro foi queimado no Grande Incêndio de Roma, durante o reinado de Nero (r. 54–68).[12] [9]

Em 26 a.C. foi novamente cônsul, desta vez em caráter ordinário junto com Otaviano já convertido em Augusto.[13] Neste mesmo ano refundou a cidade hispânica de Ilici, com o nome de "Colônia Júlia Ilici Augusta".[14] Em 16 a.C., quando Augusto deixou a Itália para se dirigir a Gália, deixou Tauro como prefeito urbano.[15] [16]

Tito Estatílio Tauro parece que teve três filhos e duas filhas, embora não se saiba se todos foram da mesma mulher. Vários membros de sua família foram posteriormente cônsules: Tito Estatílio Tauro em 11, e Sisena Estatílio Tauro em 16, Tito Estatílio Tauro em 44 e Tito Estatílio Tauro Corvino em 45. Quanto suas filhas, uma delas, Estatília L. Pisonis, se casou com Lúcio Calpúrnio Pisão Augur (cônsul em 1 a.C.). Uma segunda pode ser a Estatília que morreu com 99 anos durante o reinado de Cláudio (r. 41–54), apesar que possa muito ter sido uma irmã de Tauro.[17]

Referências

  1. Syme 1989, p. 27
  2. Syme 1989, p. 44
  3. Apiano século II, p. V.97-118
  4. Dião Cássio século III, p. XLIX.14
  5. Fasti Triumphales (em inglês). Visitado em 16-12-2013.
  6. Dião Cássio século III, p. XLIX.38
  7. Hazel 2002, p. 85
  8. Dião Cássio século III, p. LI.20
  9. a b Suetônio 121, p. 29
  10. Tácito século I, III.72
  11. Estrabão século I, p. V.3
  12. a b Dião Cássio século III, p. LI.23
  13. Dião Cássio século III, p. LIII.23
  14. Casal 2006, p. 121
  15. Tácito século I, VI.11
  16. Dião Cássio século III, p. LIV.9
  17. Syme 1989, p. 376-377

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Casal, Lorenzo Abad; S. J. Keay, Sebastián F. Ramallo Asensio. (2006). "Early Roman towns in Hispania tarraconensis". Journal of Roman archaeology.
  • Estrabão. Geografia. [S.l.: s.n.], século I.
  • Hazel, John. Who's Who in the Roman World. [S.l.]: Routledge, 2002. ISBN 0415291623.
  • Suetônio. Vida dos doze césares: Augusto. [S.l.: s.n.], 121.