Tolui Khan

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Tolui Khan, por
Rashid-al-Din (início do século XIV)

Tolui Khan (também Toluy ou Tului Khan; em mongol: Толуй хаан; 11921232) foi o filho mais novo de Gengis Khan. Sua mãe era Börte, e seu ulus, ou herança territorial, após a morte de seu pai em 1227, foi a sua terra pátria da Mongólia, onde serviu como administrador civil durante o período de tempo decorrido até a confirmação de Ögedei como segundo khagan do Império Mongol (1206–1368). Antes disso, havia servido com distinção nas campanhas contra a dinastia Jin, os Xi Xia e o Império Corásmio, sendo que esta última participação foi crucial para a captura de Merv e Nishapur. É um ancestral direto da maior parte dos imperadores da Mongólia.





Biografia[editar | editar código-fonte]

Durante a ascensão de Gengis Khan, Tolui quase foi morto por um tártaro quando tinha cinco anos de idade; foi salvo por sua irmã, Altani, e dois companheiros de Gengis. Em 1203 seu pai lhe concedeu Sorghaghtani, sobrinha de Ong Khan, como esposa. Seu primeiro filho, Möngke, nasceu a 1209. Foi o melhor guerreiro entre os filhos de Gengis Khan, e participou de um combate pela primeira vez contra a dinastia Jin, em 1213, quando escalou as muralhas de Dexing com seu cunhado Chiqu.

Em 1221 Gengis Khan o enviou para o Coração, no Irã. As cidades da região haviam se revoltado por diversas vezes, e os defensores de Nixapur mataram Toquchar, cunhado de Tolui, em novembro de 1220. O exército de Tolui evacuou toda a população da cidade para as planícies vizinhas, onde foram massacradas juntamente com a população de Merv.[1]

Sucessão de Gengis Khan[editar | editar código-fonte]

Quando Gengis Khan estava decidindo quem o sucederia, encontrou alguma dificuldade em escolher entre seus quatro filhos. Tolui tinha excelentes aptidões militares e muitos sucessos como general, porém Gengis Khan acabou por escolher Ögödei por ter maior capacidade política, imaginando que Tolui era cauteloso demais para ser um bom líder. Tolui acompanhou Gengis em sua campanha contra os Xi Xia em 1227.

Após a morte de Gengis Khan, Tolui supervisionou de maneira geral o Império Mongol por dois meses. As ações dos nobres mongóis foram influenciadas em parte pela tradição que o filho mais novo herdava as propriedades do pai, e em parte porque Tolui tinha o maior e mais poderoso exército da Mongólia central na época. Tolui apoioiu a eleição do khagan, e Ögödei acabou sendo escolhido como imperador, satisfazendo os desejos de seu pai.

Tolui participou de campanhas militares com Ögedei e Möngke no Norte da China, servindo como estrategista e comandante de campo em 1231-32. Após invadirem com sucesso a maior parte das fortificações dos Jin, retornaram para o norte.[2]

Morte e legado[editar | editar código-fonte]

De acordo com a História Secreta dos Mongóis, Tolui teria se sacrificado para curar Ögödei de uma doença gravíssima contraída durante uma campanha na China. Os xamãs haviam determinado que a origem da doença de Ögödei eram os espíritos terrestres e aquáticos da China, que estavam furiosos pela expulsão de seus súditos e devastação de suas terras. Apesar da oferta de terras, animais e até outras pessoas a doença de Ögödei só piorava, porém quando este ouviu que havia sido decidido oferecer o sacrifício de um próprio membro da família, imediatamente melhorou; Tolui se ofereceu e morreu logo em seguida, após ingerir uma bebida 'enfeitiçada'. Para o historiador persa Ata Malik Juvaini, no entanto, Tolui teria morrido de alcoolismo.[3]

Talvez mais importante que ele tenha sido o papel de sua família, os Toluidas, na definição dos destinos do Império Mongol. Através de sua esposa cristã, Sorghaghtani Beki, Tolui teve como descendentes Möngke, Kublai, Ariq Böke e Hulagu, tornando-se assim progenitor dos Grandes Khans, dos imperadores da dinastia Yuan e dos Il Khans. Durante a guerra civil do Império Mongol, os Toluidas apoiaram a corte do Grande Khan; foi, no entanto, uma rivalidade entre dois dos próprios filhos de Tolui, Kublai e Ariq Böke, que fragmentou o poder do império e pôs os khanatos ocidentais uns contra os outros, no início da década de 1260.

A rivalidade entre os Toluidas e os filhos de Ögödei e Jochi provocou estagnação e disputas internas durante os períodos de regência, após as mortes de Ögödei e seu filho, Güyük. Möngke concedeu, postumamente, a seu pai o título de Khagan, em 1252.[4] Quando Kublai Khan fundou a dinastia Yuan, em 1271, ele gravou o nome de seu pai nos registros oficiais como Ruizong.

Família[editar | editar código-fonte]

Tolui tinha muitas concubinas e esposas, porém sua principal cônjuge foi Sorghaghtani, mãe de quatro de seus filhos homens. Entre seus filhos estavam:

  • Möngke Khan, Grande Khan do Império Mongol
  • Jurikha
  • Qutughtu
  • Kublai, Grande Khan dos Mongóis e Imperador da Dinastia Yuan
  • Hulegu, primeiro Ilkhan da Pérsia Mongol
  • Arik Böke, pretendente ao trono de Khagan, contou com o apoio dos mongóis tradicionalistas contra Kublai.
  • Bujek. Morreu anteriormente, nada se sabe dele além de seu envolvimento na invasão mongol da Europa, em 1236-41 e na eleição de Möngke em 1250.
  • Mukha
  • Satukhtai
  • Sabukhtai

Árvore genealógica[editar | editar código-fonte]

Hoelun
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Yesugei Baghatur
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Börte
 
Temüjin (Gengis Khan)
 
Jöchi Khasar
 
Khajiun
 
Temüge
 
Belgutei
 
Bekhter
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jochi
 
 
Chagatai
 
 
 
Ögedai
 
 
Tolui


Tolui Khan
Nascimento: 1192 Morte: 1232
Títulos de nobreza
Precedido por
Gengis Khan
Regente do Império Mongol
1227–1229
Sucedido por
Ögedei Khan
Precedido por
Gengis Khan
Imperador da dinastia Yuan
(promovido postumamente por Kublai Khan)

1227–1229
Sucedido por
Ögedei Khan

Referências

  1. William Bayne Fisher, John Andrew Boyle, Ilya Gershevitch, Ehsan Yar. The Cambridge History of Iran, p. 313
  2. Frederick W. Mote, Imperial China 900-1800, p. 447
  3. Paul Kahn, Francis Woodman Cleaves, The secret history of the Mongols, p.xxvi
  4. Jack Weatherford, Genghis Khan and the making of the modern world, p. 169