Tráfico de drogas pela CIA

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Segundo fontes, a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos supostamente esteve envolvida em várias operações de tráfico de drogas. Muitas vezes, a agência trabalhou com grupos que sabia que estavam envolvidos em tráfico de drogas, de modo que esses grupos iriam fornecer-lhes informação útil e material de apoio, em troca de permissão para a continuação de suas atividades criminosas,[1] dificultando ou impedindo a sua detenção, indiciamento e prisão por agências de aplicação da lei dos Estados Unidos.[2]

CIA e Kuomintang (KMT): operações de contrabando de ópio[editar | editar código-fonte]

A fim de proporcionar fundos secretos para o Kuomintang (KMT) durante a Guerra Civil Chinesa, as forças leais ao Generalíssimo Chiang Kai-Shek, que lutava contra os comunistas chineses, liderados por Mao Tse-tung, a CIA ajudou o KMT no contrabando de ópio da China e da Birmânia para Bangkok, na Tailândia, fornecendo aviões de propriedade para um de seus negócios de fachada, o Air America.[3] [4]

Afeganistão Soviético[editar | editar código-fonte]

Foi suposto pelos soviéticos em múltiplas ocasiões que os agentes norte-americanos da agência estavam ajudando a contrabandear ópio para fora do Afeganistão, ou para dentro do Ocidente, para conseguir dinheiro para a resistência afegã; ou para a União Soviética a fim de enfraquecer os russos por meio do uso de drogas. A agência apoiou vários "barões das drogas" no Afeganistão, como Gulbuddin Hekmatyar, que lutavam contra os soviéticos.[5]

O historiador Alfred W. McCoy afirma que: [6]

Cquote1.svg Na maioria dos casos, o papel da CIA envolveu várias formas de cumplicidade, tolerância, ou ignorância intencional sobre o tráfico, nenhuma culpabilidade quaisquer direta no tráfico real... a CIA não lidava com a heroína, mas deu a seus aliados, os senhores das drogas, transporte, armas e proteção política. Em suma, o papel da CIA no tráfico de heroína do Sudeste Asiático envolveu cumplicidade indireta ao invés de culpabilidade direta. Cquote2.svg

Era do Vietnã[editar | editar código-fonte]

O Vietnã Ocidental e o Camboja Oriental tinham alguns campos de ópio. Foi amplamente alegado entre vários soldados que se viraram contra a guerra, que a CIA estava envolvida no contrabando deste ópio aos produtores de heróina nos Estados Unidos a um lucro considerável. Existe evidência disso no livro A Política da Heroína no Sudoeste da Ásia, escrito por Alfred W. McCoy, um professor da Universidade de Wisconsin-Madison. O livro discute o uso do ópio no custeio de operações camufladas pela CIA no Vietnã. A agência também intimidou as fontes de McCoy e tentou barrar a publicação do livro, citando "interesses de segurança nacional."[carece de fontes?]

O Incidente Irã-Contras[editar | editar código-fonte]

Lançado em 13 de abril de 1989, o relatório do Comitê Kerry concluiu que membros do Departamento de Estado dos Estados Unidos "forneciam apoio para os Contras, estavam envolvidos em tráfico de drogas... e os próprios componentes dos Contras sabidamente recebiam assistência financeira e material dos traficantes de drogas."

Em 1996, Gary Webb escreveu uma série de artigos publicados no San Jose Mercury News que investigaram nicaraguenses ligados aos Contras apoiados pela agência que faziam contrabando de cocaína para os Estados Unidos. A cocaína era, então, distribuída como crack em Los Angeles, e os lucros canalizados para os Contras. A agência tinha conhecimento das operações de cocaína e dos grandes carregamentos de drogas para os Estados Unidos pelo pessoal dos Contras e ajudou diretamente os traficantes de drogas a arrecadar dinheiro para os Contras.

Em 1996, o diretor da agência, John M. Deutch, foi para Los Angeles para tentar refutar as alegações levantadas pelos artigos de Gary Webb, e ficou famoso por enfrentar o ex-oficial da Departamento de Polícia de Los Angeles Michael Ruppert, que testemunhou que ele havia testemunhado sua ocorrência.[7]

Caso da Guarda Nacional da Venezuela[editar | editar código-fonte]

A agência - apesar das objeções da Força Administrativa de Narcóticos (Drug Enforcement Administration) - permitiu, que pelo menos, uma tonelada de cocaína quase pura fosse enviada ao Aeroporto Internacional de Miami. A agência alegou ter feito isso como uma maneira de reunir informações sobre os cartéis de drogas colombianos. Mas a cocaína acabou sendo vendida nas ruas.[8]

Em novembro de 1996, um júri de Miami indiciou o ex-chefe do antinarcóticos venezuelano e ativo de longa data da agência, o general Ramón Guillén Dávila, foi o contrabandista de muitas toneladas de cocaína para os Estados Unidos a partir de um armazém de propriedade da Venezuela por parte da agência. Em sua defesa no julgamento, Guillen alegou que todas as suas operações de tráfico de drogas foram aprovadas pela agência.[9]

Haiti[editar | editar código-fonte]

De acordo com fontes anônimas, em meados 1980, a agência criou uma unidade no Haiti cujo suposto objetivo era a atividade antidrogas, mas, na realidade, foi "usada como um instrumento de terror político", e estava pesadamente envolvido no tráfico de drogas. Os membros da unidade eram conhecidos por torturar apoiadores de Aristide, e ameaçaram matar o chefe local da Força Administrativa de Narcóticos. De acordo com um oficial norte-americano, a unidade fez tráfico de drogas e nunca apresentou qualquer informação útil sobre as drogas.[10]

Panamá[editar | editar código-fonte]

A invasão militar norte-americana do Panamá, em 1989, destruiu grande parte da infraestrutura e tirou muitas vidas civis, mas não conseguiu capturar Manuel Noriega

Em 1989, os Estados Unidos invadiram o Panamá como parte da Operação Justa Causa, que envolveu 25 mil soldados norte-americanos. O general Manuel Noriega, chefe do governo do Panamá, deu a assistência militar aos grupos Contras na Nicarágua, a pedido dos Estados Unidos, que, em troca, lhe permitiu continuar a sua atividade de tráfico de drogas, que era conhecida desde 1960. [11] [12] Quando a Força Administrativa de Narcóticos tentou indiciar Noriega em 1971, a agência impediu de fazê-lo. [11] A agência, que era dirigida pelo futuro presidente George H.W. Bush, forneceu, a Noriega, centenas de milhares de dólares por ano como pagamento por seu trabalho na América Latina.[11]

No entanto, quando o piloto da agência, Eugene Hasenfus, foi abatido sobre a Nicarágua pelos sandinistas, os documentos a bordo do avião revelaram muitas das atividades da agência na América Latina, e as conexões da agência com Noriega tornaram as relações públicas uma "responsabilidade" para o governo dos Estados Unidos, que finalmente permitiu à Força Administrativa de Narcóticos indiciá-lo por tráfico de drogas, depois de décadas permitindo que as suas operações de drogas continuasse desmarcada.[11] A Operação Just Cause, cujo objetivo aparente era capturar Noriega, matou muitos civis panamenhos, mas não conseguiu capturar Noriega, que encontrou asilo com o Núncio Apostólico, e, mais tarde, se entregou às autoridades dos Estados Unidos em Miami, onde foi condenado a 45 anos de prisão.[11]

Outras operações[editar | editar código-fonte]

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Drugs and democracy in Latin America: the impact of U.S. policy. [S.l.]: Lynne Rienner Publishers, 2005. 206 pp. ISBN 9781588262547
  2. Rodney Stich. Drugging America: A Trojan Horse. [S.l.]: Silverpeak Enterprises, 2007. 433–434 pp. ISBN 9780932438119
  3. Cockburn, Alexander; Jeffrey St. Clair. Whiteout, the CIA, drugs and the press. New YorkVerso, 1998. ISBN 1-85984-258-5
  4. Blum, William. The CIA and Drugs: Just say "Why not?" Third World Traveller.. Página visitada em 30 January 2010.
  5. 9 November 1991 interview with Alfred McCoy, by Paul DeRienzo
  6. p. 385 of The Politics of Heroin: CIA Complicity in the Global Drug Trade, by McCoy, with Cathleen B. Read and Leonard P. Adams II, 2003, ISBN 1-55652-483-8
  7. "Crack the CIA" , winner of the 2003 Sundance Online Film Festival
  8. New York Times Service, "Venezuelan general who led CIA program indicted," Dallas Morning News (26 November 1996) p. 6A.
  9. In: Russ Kick. You are being lied to: the disinformation guide to media distortion, historical whitewashes and cultural myths. [S.l.]: The Disinformation Company, 2001. 132 pp. ISBN 9780966410075
  10. In: Russ Kick. You are being lied to: the disinformation guide to media distortion, historical whitewashes and cultural myths. [S.l.]: The Disinformation Company, 2001. 133 pp. ISBN 9780966410075
  11. a b c d e Cockburn, Alexander; Jeffrey St. Clair. Whiteout: The CIA, Drugs and the Press. New York: Verso, 1998. 287–290 pp. ISBN 1859842585
  12. Buckley, Kevin. Panama: The Whole Story. [S.l.]: Simon and Schuster, 1991. ISBN 978-0671727949

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Cocaine Politics: Drugs, Armies, and the CIA in Central America. [S.l.]: University of California Press, 1998. ISBN 0-520-21449-8
  • Dale-Scott, Peter. Drugs, oil, and war: the United States in Afghanistan, Colombia, and Indochina. [S.l.]: Rowman & Littlefield, 2003. ISBN 9780742525221
  • McCoy, Alfred W.. The Politics of Heroin: CIA Complicity in the Global Drug Trade, Afghanistan, Southeast Asia, Central America, Columbia. [S.l.]: Lawrence Hill & Co., 2003. ISBN 1-55652-483-8
  • Webb, Gary. Dark Alliance: CIA, the Contras and the Crack Cocaine Explosion. [S.l.]: Seven Stories Press,U.S., 1999. ISBN 1-888363-93-2
  • Ruppert, Michael. Crossing the Rubicon: The Decline of the American Empire at the End of the Age of Oil. [S.l.]: New Society Publishers, 2004. ISBN 0-86571-540-8
  • Kruger, Henrik.. The Great Heroin Coup: Drugs, Intelligence, and International Fascism.. [S.l.]: South End Press, 1980. ISBN 0-89608-031-5
  • Levine, Michael. The Big White Lie: The Deep Cover Operation That Exposed the CIA Sabotage of the Drug War.. [S.l.]: Thunder's Mouth Pr, 1993. ISBN 978-1560250845
  • Gritz, James. A nation betrayed. [S.l.]: Center for action, 1991. ISBN 0962223808
  • Kwitny, Jonathan. The Crimes of Patriots: A True Tale of Dope, Dirty Money, and the CIA. [S.l.]: Touchstone Books, 1988. ISBN 978-0671666378