Trípoli

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Trípoli
—  Cidade  —
Em cima as Torres That El Emad, no meio a Praça Verde, no canto esquerdo o Arco de Marco Aurélio e no direito a Medina de Trípoli.
Em cima as Torres That El Emad, no meio a Praça Verde, no canto esquerdo o Arco de Marco Aurélio e no direito a Medina de Trípoli.
32° 54' 8" N 13° 11' 9" E
País  Líbia
Distrito Tarabulus
Fundação Século VII a.C.
Fundador Fenícios
Distritos Distritos
Administração
 - Prefeito Abdullatif Abdulrahman Aldaali
Área
 - Total 400 km²
Altitude 81 m (266 pés)
População (Censo 2006)
 - Total 1 065 405
    • Densidade 2 663,5/km2 
 - Conurbação 1 780 000
Fuso horário EET (UTC+2)
ISO 3166-2 LY-TB
Sítio [1]


Trípoli (em árabe: طرابلس‎, transl. Ṭarābulus; também طرابلس الغرب, Ṭarā-bu-lus al-Gharb, "Trípoli do Ocidente", para a diferenciar da sua homónima libanesa, antiga Oea') é a capital, a maior cidade e a mais populosa da Líbia, sendo a sede do governo central e administração. Etimologicamente, o nome Trípoli vem do grego antigo Τρίπολις (Trípolis) que significa "três cidades".

Tem uma população de aproximadamente 1,7 milhões de habitantes e está situada a noroeste da Líbia, na costa mediterrânica. Foi fundada no século VII a.C. pelos fenícios, que a chamaram de Oea. Mais tarde, com a chegada dos romanos, a cidade adquiriu o estatuto de cidade romana mais importante de África. Pela cidade, foram passando cronológica e historicamente vândalos, bizantinos, árabes, espanhóis, turcos, berberes e italianos. Os italianos permaneceram em Trípoli de 1911 até 1951, quando finalmente a Líbia conquistou sua independência do domínio italiano.

A cidade é o principal porto marítimo, centro comercial e fabril do país. Nela se encontra a preciosa Universidade de Al-Fateh. Devido à sua longa história, há uma multidão de enclaves arqueológicos muito notáveis em Trípoli. É uma das cidades mais modernas, ricas e com um maior nível de vida da África.

História[editar | editar código-fonte]

Fundação e Império Romano[editar | editar código-fonte]

Trípoli foi fundada no século VII a.C. pelos fenícios, que a chamavam "Oea". Logo passou nas mãos dos bárcidas, que depois se converteriam nos líderes da civilização cartaginesa. Uma vez vitoriosos na Guerras Púnicas, conquistaram os romanos e fizeram parte da província da África, dando-lhe o nome de Região Syrtica. Ao redor do começo do século III d.C, ficou conhecida como Região Tripolitana, que significa "região das três cidades". Provavelmente, foi elevada à categoria de província por Septímio Severo, que era um nativo de Leptis Magna.

Arco do imperador romano Marco Aurélio em Trípoli.

Apesar de séculos de domínio romano, os únicos restos romanos visíveis são colunas dispersas e capitais, como o arco do imperador romano Marco Aurélio, do século II d.C. Tal facto deve-se a Trípoli ter sido habitada ininterruptamente, à diferença de Leptis Magna e Sarabatha, onde os habitantes têm utilizado materiais de edifícios antigos, destruindo-os durante esse processo, enterrando-os em baixo das ruas, onde permanecem em grande medida sem escavações. Há provas que dizem que a região tripolitana teve alguns declives económicos durante os séculos V e VI, devido à propagação de distúrbios no mundo mediterrâneo à raiz da queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C, assim como na pressão dos invasores vândalos.

Foi finalmente conquistada pelos muçulmanos a princípio do século VIII d.C, junto com o resto da África do Norte. Além da conquista, Trípoli foi governada por dinastias, com sede em Cairo (Egipto), em primeiro lugar por fatimitas e mais tarde pelos mamelucos.

Império Otomano[editar | editar código-fonte]

A província otomana de Trípoli estendia-se ao largo da ribeira meridional do Mar Mediterrâneo, entre a Tunísia, a oeste, e o Egipto, a leste. À parte a cidade, seus territórios incluíam o planalto de Bárcida, os oásis de Aujila e o Fezzan, separados entre si por areia e pedra.

Em 1510, foi tomada pelos espanhóis, a mando de Dom Pedro Navarro, o conde de Oliveto, e em 1523 tomada pelos Cavaleiros de São João, que acabaram sendo expulsos pelos turcos otomanos, na região da Ilha de Rodes, que hoje pertence à Grécia. Estes defenderam com esforço até que em 1551 tiveram que capitular ante o almirante turco Sinan e Trípoli se converteu desde então na parte da guerra entre mouros e cristãos.

Entre 1714, o paxá Ahmed Karamanli assumiu o título de bey e pediu a semi-independência do sultão de Constantinopla (hoje Istambul, Turquia), que lhe foi obsequiada, esta organização perpetuou-se até 1835, quando o Império Otomano desencadeou uma guerra civil pelo governo da cidade. Foi nomeado um novo paxá turco e foi outorgado o investimento do vice-rei, e o estado voltou a fazer parte do Império Otomano.

Guerras berberiscas[editar | editar código-fonte]

Incêndio da fragata Filadélfia no porto de Trípoli, em 16 de fevereiro de 1804, pintado por Edward Moran, em 1897.

Na primeira parte do século XIX, a regência de Trípoli, devido às suas práticas de pirataria, teve réplicas, que participaram na guerra com os Estados Unidos. Em maio de 1801, o paxá exigiu um tributo de 83 mil dólares do governo americano, que havia vindo pago desde 1796, para a proteção do seu comércio da pirataria no marco do tratado de 1796 com Trípoli. A demanda foi rejeitada, e foi enviada a uma força naval dos Estados Unidos para bloquear Trípoli.

A Primeira Guerra Berberisca, também chamada de Guerra de Trípoli, durou quatro anos. Em 1803, os combatentes tripolitanos capturaram a fragata americana de Filadélfia e tomaram seu comandante, o capitão William Bainbridge, e toda a tripulação como réfens. A Filadélfia converteu-se num navio contra os norte-americanos e esteve ancorado no porto de Trípoli com uma bateria de canhões. No ano seguinte, o tenente Stephen Decatur, da marinha americana, encabeçou uma incursão noturna para voltar a tomar o barco. Os homens de Decatur pegaram fogo à Filadélfia e escaparam.

O incidente mais pitoresco da guerra foi a expedição realizada por William Eaton, ao substituir o paxá por um irmão mais velho que vivia no exílio, e que havia prometido aderir a todos os desejos dos Estados Unidos. Eaton, à cabeça de uma tripulação de 500 infantes da marinha americana, gregos, árabes e mercenários turcos, marcharam através do deserto de Alexandria, no Egipto e, com a ajuda de navios americanos, conseguiram capturar Derna com sucesso. Pouco depois, em 3 de junho de 1805, finalmente a paz restabeleceu-se. O paxá terminou as suas exigências e recebeu 60 mil dólares como resgate pelos presos de Filadélfia no marco do Tratado de 1805 com Trípoli.

Em 1815, em consequência de novas atrocidades e devido à humilhação da derrota anterior, os capitães Bainbridge e Stephen Decatur, que haviam encabeçado um esquadrão norte-americano, voltaram a cercar Trípoli, forçando o paxá a cumprir com as exigências dos Estados Unidos. Veio a Segunda Guerra Berberisca.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Hotel no centro da cidade.

Durante muito tempo, a Itália proclamou que Trípoli se restringia dentro da zona de influência. Com o pretexto de proteger os seus próprios cidadãos que viviam em Trípoli, do governo otomano, a Itália declarou guerra ao Império Otomano em 29 de setembro de 1911 e anunciou a sua intenção de anexar Trípoli. Em 1 de outubro de 1911, livrou-se de uma batalha naval, em Preveza, Grécia, onde três navios otomanos foram destruídos. Por meio do Tratado de Lausanne, o Império Otomano reconheceu a soberania italiana, que ainda autorizou o Califa a exercer como autoridade religiosa.

Os italianos enfrentaram forte resistência por parte dos mujahidines líbios, que, apesar do grande desequilíbrio de forças, armas, logísticas e organizações a favor da ocupação italiana, perderam muitas batalhas, em guerras de guerrilha.

Trípoli ao anoitecer.

Finalmente, uma resistência instalou-se no leste da Líbia dirigida por Omar Mukhtar, que mais tarde foi detido, julgado em tribunal marcial sumário e executado. A Itália nunca havia controlado a Líbia totalmente, com exceção de alguns períodos e lugares assistidos por alguns mercenários locais cooperativos.

Trípoli foi controlada pela Itália até 1943. Depois disto, ao final da Segunda Guerra Mundial rege-se pelas forças britânicas até à sua independência, em 1951.

Em 15 de abril de 1986, as forças aérea e armada (ambos dos Estados Unidos) bombardearam Trípoli e Bengasi. O presidente americano naquela época, Ronald Reagan (1981-1989) justificou o facto, advertindo que a Líbia era responsável pelo terrorismo dirigido contra os Estados Unidos, incluindo o bombardeamento da discoteca La Belle, em Berlim Ocidental (naquela época, Berlim dividida em Berlim Ocidental e em Berlim Oriental, hoje apenas Berlim, capital da Alemanha), dez dias antes.

As sanções da ONU contra a Líbia foram levantadas em 2003, o que propiciou um aumento no tráfego do porto de Trípoli e um impacto positivo à economia da cidade.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Vista aérea da cidade.

Trípoli situa-se na costa da Líbia, região ocidental, próximo da fronteira com a Tunísia. A altitude do mar sobre a cidade é de somente um metro acima do nível do mar. Quase 100 quilómetros de costa separam Trípoli de Bengasi, segunda cidade mais importante da Líbia. Entre elas encontra-se o Golfo de Sidra.

A região da Tripolitânia, estabelecida em torno de Trípoli, caracteriza-se por sua costa arenosa, lagoas e oásis. A "Sha'biyah", divisão administrativa da Líbia, inclui a cidade, os seus subúrbios e arredores mais imediatos. Em sistemas administrativos mais antigos e ao longo da história, existia uma província chamada "muhafazah", um estado conhecido como "wilayah" ou cidade-estado com uma área muito maior, que é como em ocasiões em que se há referido erradamente a Trípoli.

Como sha'biyah, Trípoli limita com as seguintes:

  • Tajura Wa Al Nawahi AlArba' - leste
  • Tarhuna Wa Msalata - sudeste
  • Al Jfara - sul
  • Az Zawiyah - oeste
O clima da cidade oferece altas temperaturas quase todo o ano.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de Trípoli é mediterrânico, marcado e influenciado pelo Mar Mediterrâneo que banha as suas costas e contrasta com as extremas temperaturas ao sul do país, marcadas pela proximidade do deserto. Os verões em Trípoli são muito calorosos e os invernos são muito suaves. Entre o mês de julho, as temperaturas ficam entre 22 °C e 29 °C, onde às vezes em dezembro não chega a ultrapassar 1 °C, ainda que a média está entre 9 °C e 18 °C. A média anual de chuvas é de aproximadamente 300 milímetros ao ano, que ocorrem principalmente no inverno. Quedas de neve são muito raras, sendo a última registrada no dia 6 de Fevereiro de 2012, com 6cm de acumulação, esta também foi a nevada mais forte desde 1956.[1]

Algumas amostras são a importante inundação que em 1945 (ainda na época do domínio italiano) deixaram a cidade alagada durante vários dias e a seca que afetou a cidade dois anos depois, perdendo como consequência muitas cabeças de gado. A deficiência das precipitações reflete-se na ausência de rios ou riachos permanentes em Trípoli, assim como em toda a Líbia. No Grande Rio Artificial, uma rede de oleodutos que transportam água desde o deserto às cidades costeiras, abastece Trípoli de água. Este plano foi iniciado por Gaddafi em 1982 e teve um impacto positivo aos habitantes da cidade.

Economia[editar | editar código-fonte]

O distrito central de negócios.

Trípoli é o baluarte económico da Líbia. O centro de bancos, as finanças e os meios de comunicação, assim como o comércio e a indústria. Muitas das corporações mais importantes da Líbia possuem o seu "quartel-general" na cidade, assim como na maioria das companhias internacionais.

As principais indústrias são as dos setores alimentar, têxtil, materiais de construção e a indumentária. Trípoli tem-se convertido num atrativo para o turismo e investimento estrangeiro, como se pode observar no constante desembarque de barcos e aviões no porto da cidade e ao seu aeroporto, o mais importante da Líbia.

A cidade é o lugar do Festival Internacional de Trípoli, um evento internacional dedicado à indústria, à agricultura e ao comércio, localizado na rua Omar Muktar. Como um dos membros da Associação Global de Exibição Industrial, com sede em Paris, o evento é organizado anualmente de 2 a 12 de abril, formando parte ao redor de 50 países e mais de 150 companhias internacionais.

Desde o aumento do turismo e a chegada de homens de negócios com suas famílias, a demanda de hotéis tem subido. O Corinthia Bab Africa hotel, localizado no distrito central de negócios, foi construído, tem satisfeito estas demandas e converteu-se no maior hotel em tamanho da Líbia. Outros importante são o Bab El Bahr hotel e o Kabir Hotel ao igual que outros.

Educação[editar | editar código-fonte]

Escolas e universidades[editar | editar código-fonte]

O castelo de Trípoli e a praça Verde.
Centro da cidade.

A maior universidade de Trípoli, a Universidade Al Fateh, é uma universidade pública que prevê educação pública aos habitantes da cidade. Algumas escolas e universidades públicas têm começado a aparecer nos últimos anos.

Universidades localizadas em Trípoli:

Cultura[editar | editar código-fonte]

Esporte[editar | editar código-fonte]

O desporto mais popular em Trípoli é o futebol. A cidade é a sede da diversas equipas da liga de futebol da Líbia. As equipas que são locais em Trípoli são:

  • Al Ahly
  • Al Ittihad
  • Al Madina
  • Al Shat
  • Al Tersana
  • Al Wahda
Foto de uma claque no estádio 11 de junho, que foi a sede da final da Taça Africana das Nações de 1982.

Na cidade ainda se encontra o estádio 11 de junho, um dos maiores estádios de futebol do mundo com capacidade para 80 mil pessoas. Nele joga a equipa mais popular do futebol da Líbia, Al Ahly. No estádio desenvolveram-se partidas da Taça Africana das Nações de 1982, incluindo a final, onde a Seleção de Futebol da Líbia se tornou vice-campeã após ser derrotada pelo Gana, por 7 x 6 nos penáltis.

Transporte[editar | editar código-fonte]

Aéreo[editar | editar código-fonte]

Trípoli é o destino de uma interina ferroviária de Sirt em construção, em 2007. Tripoli é servida pelo Aeroporto Internacional de Trípoli, maior da Líbia, o mais importante quanto à movimentação de passageiros e o principal enlace do país com destinos internacionais. Em 2007 recebeu 2,15 milhões de passageiros.

Famosos[editar | editar código-fonte]

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

Referências

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