Tradicionalismo gaúcho

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Brasão do Rio Grande do Sul. Um dos maiores símbolos tradicionalistas.

Tradicionalismo gaúcho é um movimento cívico-cultural que valoriza e preserva as tradições gauchescas do Rio Grande do Sul. Tradicionalismo gaúcho, ou movimento tradicionalista rio-grandense, que deriva do termo tradicionalismo - sistema filosófico que coloca a tradição como critério e regra de decisão -, foi criado por João Cezimbra Jacques que sonhava com um movimento que unisse e congregasse a família gaúcha em torno de ideais comuns. Cezimbra Jacques, pensando nisso, fundou, em Porto Alegre, a 22 de maio de 1898, o Grêmio Gaúcho.[1]

Tradição[editar | editar código-fonte]

Tradição vem do latim tradere (traditio, traditions), que quer dizer trazer até, entregar. Em Direito, tradição significa entrega. Em um sentido mais amplo, tradição quer dizer o culto dos valores que os antepassados nos legaram, nos entregaram. No tradicionalismo, ela é evidentemente falsificada.

Todo grupo social, toda a nação, tem sua própria escala de valores e é essa escala que torna os povos distintos entre si. Os gaúchos se distinguem de outros brasileiros – e mesmo de outros povos, no mundo – porque tem uma escala de valores muito característica, cultuando uma extensa gama de valores.

Nativismo[editar | editar código-fonte]

Os valores do culto à Tradição mais característicos do Rio Grande do Sul são o nativismo, a coragem, a hospitalidade, a honra, o respeito à palavra empenhada, o cavalheirismo, além de outros.

Assim, vê-se desde logo que o Nativismo não é um culto, como a Tradição, mas um dos valores desse culto. Nativismo é o amor que a pessoa tem pelo chão onde nasceu, onde é nato. Os gaúchos tem em seu vocabulário duas palavras muito bonitas ligadas ao Nativismo: pago e querência. Pago é onde se nasceu. Querência é onde se vive. Às vezes se confundem, porque é muito comum as pessoas nascerem e viverem no mesmo lugar. Às vezes, não. Um diálogo muito comum é este: “De onde tu és cria, vivente?” “Eu sou dos pagos do Alegrete, mas estou aquerenciado em Porto Alegre”.

O gaúcho é tão nativista que chega a ser bairrista e o bairrismo deve ser percebido como a caricatura do Nativismo. Existem rivalidades bairristas entre cidades gaúchas, alimentadas pela juventude, sobretudo no carnaval e no esporte: Alegrete x Uruguaiana, Alegrete x Quaraí, Santa Maria x Cachoeira do Sul, Dom Pedrito x Bagé, Rio Grande x Pelotas, Passo Fundo x Carazinho, Caí x Montenegro, Júlio de Castilhos x Tupanciretã, Caxias do Sul x Bento Gonçalves, São Leopoldo x Novo Hamburgo, Estrela x Lajeado e assim por diante. E apelidos, da mesma origem: os alegretenses são chamados “café-com-leite” e, por sua vez, chamam os uruguainenses de “farinheiros” e os quaraienses de “barbicachos”. Os moradores de Tupanciretã são chamados de “repolhos” e, por sua vez, chamam os habitantes de Júlio de Castilhos de “fincão” e os da Capela dos Quevedos de “papudos”. Os moradores da cidade de Rio Grande são os "papa-areias", ou "bicuíras". Os de Santa Vitória do Palmar são os "mergulhões".

Difícil ter um povo tão nativista como o gaúcho. Por isso, existe uma tendência para se chamar de nativista a arte que nasce da terra: teríamos assim a poesia nativista, o romance nativista, a música nativista, a canção nativista. O melhor, quando se fala em arte é dizer, simplesmente, "regionalista gauchesca".

O tradicionalismo[editar | editar código-fonte]

Gauchos cultuando a tradição.

Tradição e nativismo podem andar com uma única pessoa. Existem no singular. Tradicionalismo, não é obrigatoriamente associativo, coletivo. Tradicionalismo é um movimento cívico-cultural. É a tradição em marcha, resgatando valores que são válidos não por serem antigos, mas por serem eternos, exatamente os valores que trouxeram o Rio Grande e o gaúcho do passado para o presente, projetando-os no futuro.

Desde o século XIX, a fundação de entidades tradicionalistas aponta para a tentativa de se organizar a tradição como movimento.

Em 1857, funda-se na Corte do Império Brasileiro (Rio de Janeiro) a Sociedade Sul-Riograndense, de cunho tradicionalista. Entre seus fundadores, Pereira Coruja, autor da primeira pesquisa de folclore feita no Rio Grande do Sul. Os demais eram homens ricos, intelectuais, jornalistas, que fugiram das guerras que lavraram episodicamente no sul. A Sociedade Sul-Riograndense existe até hoje, é muito rica e tem inclusive, um CTG, o “Desgarrados do Pago”, com sede social e campeira, onde realiza até rodeios crioulos.

No Uruguai, em 1894, poetas e outros artistas e intelectuais platinos fundam a Sociedad La Criolla, oficialmente para o culto das tradições gauchescas, mas na realidade para combater a invasão dos "gringos", dos descendentes de italianos, que arrancavam para o campo uruguaiano com muita força.

No Rio Grande do Sul, a 22 de maio de 1898, o Major João Cezimbra Jacques, do Exército brasileiro, gaúcho de Santa Maria (Rio Grande do Sul), inspirado na Sociedad La Criolla, funda em Porto Alegre o Grêmio Gaúcho, para unir os rio-grandenses desunidos pela sangrenta Revolução de 1893 ou Revolução Federalista, que se prolonga até 1895. O Major Cezimbra Jacques, que é hoje patrono do Movimento Tradicionalista Gaúcho, tentou efetivamente deflagrar um movimento tradicionalista, incentivando a fundação de sociedades congêneres nas demais cidades gaúchas. Em Pelotas, funda-se a 10 de setembro de 1899 a União Gaúcha, mais tarde chamada "União Gaúcha J. Simões Lopes Neto", que teve em suas lideranças nada menos que o grande escritor João Simões Lopes Neto. Em Bagé, seis dias mais tarde (16 de setembro de 1899) funda-se o Centro Gaúcho.

Chega o século XX e a 12 de outubro de 1901 funda-se em Santa Maria o Grêmio Gaúcho, claramente atendendo ao chamamento de Cezimbra Jacques, "cria da terra".

Cezimbra Jacques é transferido para o Rio de Janeiro, onde morre, alguns anos mais tarde, sem voltar aos pagos. A União Gaúcha ainda resiste vários anos, mas termina paralisando suas atividades. Do Centro Gaúcho, de Bagé e do Grêmio Gaúcho, de Santa Maria, pouco se falou, depois da festa de fundação. Desapareceram sem maiores consequências. O próprio Grêmio Gaúcho de Porto Alegre termina abandonando sua missão pioneira e, apesar do vasto e valioso patrimônio em imóveis que ainda hoje tem, agora é apenas uma associação suburbana, fechada, na mão de poucos, que há de ser mais cedo ou mais tarde desapropriado em função do seu valor histórico.

Fracasso da primeira tentativa de se fazer tradicionalismo

Parece que a explicação melhor é que o gaúcho, seus usos e costumes, eram ainda uma realidade muito próxima. Ninguém sentiu saudade do que estava perto. Ninguém procurou defender o que não estava ameaçado. Quem precisava ir ao Grêmio Gaúcho para ver cavalhadas, carreiras de cancha reta, fandangos, churrascos ou trajes gauchescos? Isso, no Rio Grande do Sul da virada do século, era coisa de todos os dias e de todos os lugares. Claro que o afastamento de Cezimbra Jacques para o Rio esfriou o calor do impulso inicial. Claro que os meios de divulgação eram precários, á época, mas a razão realmente preponderante seria essa: o gauchismo vivia, era forte e saudável. Onde todos, a rigor, eram “tradicionalistas” (no sentido de viver, efetivamente, a tradição) não havia maior necessidade de se fazer um movimento exclusivamente para isso.

Passam-se os anos e, décadas mais tarde, a Alemanha nazista se levanta das cinzas da I Grande Guerra e começa a atrair as simpatias dos descendentes de alemães, em todo o mundo. No Rio Grande do Sul, a propaganda hitlerista foi intensa. Então, a 31 de janeiro de 1938, um grupo de moços que falavam o português com forte sotaque teuto-riograndense, fundou em Lomba Grande a Sociedade Gaúcha Lomba-grandense, para testemunhar o seu amor pelo Rio Grande do Sul e pelo Brasil. Essa entidade existe até hoje, é forte, rica e respeitada. Seus fundadores, a princípio, foram hostilizados, chamados de “clube da alfafa”, mas resistiram a tudo. Não eram alemães, não queriam ser nazistas. Eram gaúchos e brasileiros e provaram isso com muita coragem e com muito amor.

A 19 de outubro de 1943, em plena II Guerra Mundial e no meio de uma comunidade de descendentes de alemães, um gaúcho admirável, sonhador e visionário, liderou a fundação do Clube Farroupilha, voltado exclusivamente para o culto das tradições gauchescas. Ele era o Capitão Laureano Medeiros e a cidade cenário desse acontecimento histórico e também pioneiro – Ijuí. O Clube Farroupilha, aliás, continua até hoje, sem interrupções, com sua bela atividade tradicionalista.

Esses foram os esforços feitos antes que o movimento tradicionalista se tornasse uma realidade.

Getúlio Vargas, em 1937, tinha proibido no Brasil o uso dos símbolos estaduais: o hino, a bandeira, o brasão. Com o fim da guerra, em 1945, Vargas foi derrubado e com a volta da democracia os símbolos estaduais gaúchos tardavam a aparecer.

Em 1947 um moço, nascido em Santana do Livramento, chamado João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes, estudante do Colégio Estadual Júlio de Castilhos viu um pano colorido, já desbotado, rasgado e sujo, sevindo de cortina em um bar de quinta categoria. Desconfiado, puxou uma das pontas: era a admirada bandeira do Rio Grande do Sul! Dizem que foi essa a única vez na vida em que Paixão Côrtes chorou.

Então, como o governo do Estado ia trazer de Santana do Livramento os restos mortais do herói farroupilha David Canabarro, ele conseguiu reunir mais sete companheiros, cavalos e arreios e assim, bem pilchados e de-a-cavalo, oito rapazes deram escolta gauchesca de honra aos gloriosos despojos. Na Praça da Alfândega, onde fizeram um alto para uma cerimônia, aproximou-se deles um guri tímido, tipo precoce: Luiz Carlos Barbosa Lessa, de Piratini, por coincidência também estudante do “Julinho”. Logo depois, no mesmo lugar, outro moço, já mais velho, de óculos e poeta conhecido: Glaucus Saraiva. Assim se reuniu, meio por acaso, a Santíssima Trindade do Tradicionalismo gaúcho: Paixão, o dínamo propulsor. Lessa, o estudioso, o teórico. Glaucus, o organizador, o disciplinador. Poucos dias depois, sempre por iniciativa do Paixão, realizou-se no Colégio Júlio de Castilhos a primeira Ronda Crioula do Tradicionalismo. E a mais longa de todas: durou 12 dias, desde que um piquete de cinco cavalarianos recolheu no Altar da Pátria, na hora da extinção, a zero hora de 8 de setembro de 1947, uma “mudinha” da chama simbólica. Em rápida galopeada, queimando as mãos, os cinco levaram essa chama para inflamar o Candeeiro Crioulo armado no “Julinho”, onde ardeu até 20 de setembro, o Dia do Gaúcho, data magna do Rio Grande do Sul.

Durante essa primeira Ronda Crioula houve festa com música, poesia, fandango, concursos e discursos. Verificado assim o enorme êxito, no que ajudou o convite que os rapazes fizeram a homens maduros, como Manoelito de Ornellas, Amândio Bicca e Valdomiro Souza, os moços resolveram fundar uma entidade permanente para a defesa das tradições gauchescas.

Agora o gaúcho e seus usos e costumes estão ameaçados. A forte propaganda americana seduz a juventude de nossa terra, com as Seleções, as revistas em quadrinhos e o cinema, o “cowboy” e toda uma gama de heróis norte-americanos. E por trás disso tudo, se vão as ricas divisas acumuladas pelo Brasil durante o conflito e vem o plástico, o uísque, a Coca-Cola e o chiclé, além das armas velhas e veículos de guerra usados que estão sobrando nos Estados Unidos.

Nesta época já existem muitos jornais em Porto Alegre e no interior do Estado e só na capital várias fortes emissoras de rádio. Agora sim, o Rio Grande do Sul parece ter saudade do gaúcho.

A nova entidade que os rapazes sonham fundar seria um clube exclusivamente masculino, só com 35 sócios (para evocar o ano em que começou o Decênio Heróico) e a sede seria um rancho no Parque da Redenção. Mas as férias escolares interromperam os planos.

Reencontram-se todos com o começo das aulas, em 1948 e a 24 de abril, no amplo e sólido porão do solar da família Simch, na Rua Duque de Caxias (hoje existe um moderno edifício no lugar) funda-se, depois de muita discussão, o “35” – Centro de Tradições Gaúchas, nome proposto por Barbosa Lessa. Flávio Ramos propõe o lema: “Em qualquer chão – sempre gaúcho!”. Guido Mondin desenha o símbolo: o número 35 atravessado por uma lança de cavalaria. Glaucus Saraiva imagina toda uma nomenclatura campeira para os cargos de diretoria e repartições do novo centro e é eleito o seu primeiro Patrão.

E logo o chamamento do “35” encontrou resposta. A 8 de agosto desse mesmo ano (menos de 4 meses depois da fundação do “35” CTG) os rapazes de Porto Alegre tem que ir a Taquara, onde se funda o CTG “O Fogão Gaúcho”, copiando em tudo o modelo proposto pelo Pioneiro, “sui-generis”, original, único no mundo onde cada célula (CTG ou entidade tradicionalista afim) guia-se obrigatoriamente pelos mesmos princípios e normas de ação.

O tradicionalismo tem aspectos especiais e específicos, que são os culturais, divididos em ciências e artes.

Os aspectos especiais são cinco e todos são fundamentais. Faltando qualquer deles, já não se fala em tradicionalismo.

  • Aspecto cívico – É o que primeiro se nota nas atividades do CTG. Lá estão as bandeiras e os hinos, do Brasil e do Rio Grande do Sul, nas festas, nas solenidades, nos desfiles de cavalaria e nas sedes são comuns os quadros retratando os nossos heróis e figuras patrióticas. O gaúcho tem duas pátrias: a Pátria Grande, que é o Brasil e Pátria Pequena, ou Chica, que é o Rio Grande do Sul.
  • Aspecto filosófico – O aspecto filosófico do Tradicionalismo é dado pelos quatro documento básicos que norteiam obrigatoriamente (aprovado em três congressos e uma convenção) todos os centros de tradições gaúchas. O primeiro é a tese “O sentido e o valor do Tradicionalismo Gaúcho”, de Barbosa Lessa, aprovada no I Congresso Tradicionalista do RGS, em Santa Maria, julho de 1954. O segundo é a tese “A função acultuadora dos centros de tradições gaúchas”, de Carlos Galvão Krebs, aprovada no II Congresso Tradicionalista do RGS, julho de 1955. O terceiro é a Carta de Princípios do Movimento Tradicionalista do RGS, de Glaucus Saraiva, aprovada no VIII Congresso Tradicionalista do RGS, em Taquara, julho de 1961 e o quarto é a tese “A função social do MTG”, redigida por Antônio Augusto Fagundes sob orientação de Onésimo Carneiro Duarte, aprovada pela Convenção Tradicionalista de Lagoa Vermelha, em julho de 1984. Esses quatro documentos fundamentais ditam a filosofia do Tradicionalismo, dando-lhe unidade e tornando-o um movimento. Se não, haveria entidades tradicionalistas com orientação própria, sem um sentido comum, como sucede em outros países.
  • Aspecto ético – Esse é o aspecto da filosofia não escrita do tradicionalismo, que diz sobre o permitido e o proibido dentro das entidades tradicionalistas, mas informalmente. Porque não se realizam bailes de carnaval dentro de um CTG? Porque o Papai Noel não entra em CTG? Porque não existe homossexual no tradicionalismo? Porque não existe droga? Perguntas frequentes mas, nada disso é proibido pelos estatutos e regimentos internos e, no entanto, a ética do tradicionalismo disciplina esses assuntos sem o uso das sanções, apenas por sua força intrínseca, forte como tudo o que a gente leva naturalmente dentro de si.
  • Aspecto associativo – Toda a entidade tradicionalista reveste obrigatoriamente o caráter de associação civil, organizada e registrada de acordo com a lei brasileira. O tradicionalismo é obrigatoriamente coletivo. Individual, quando muito, a tradição.
  • Aspecto recreativo – Além de tudo o que oferece, o tradicionalismo precisa oferecer aos associados também recreação. Lá está a roda de mate, o churrasco, o arroz-de-carreteiro, o cigarro palheiro e o infaltável fandango, que é o momento de recreação por excelência do tradicionalismo.

Entre os aspectos específicos, ou culturais, do tradicionalismo, estão as ciências e as artes.

As ciências são todas aquelas que, com seus conhecimentos, podem auxiliar o movimento no que se propõe. A história diz do passado glorioso, homens e momentos que construíram o Rio Grande do Sul. A geografia localiza pagos e querências, rios, lagoas, cerros, onde às vezes as lendas também estão presentes. A linguística estuda o falar gauchesco. A zoologia, bichos como o cavalo e o boi, fundamentais na história do gaúcho. A botânica, estuda árvores e plantas. Sem essa ciência, como saberíamos sobre a erva-mate? E, além dessas, muitas outras ciências mais.

Folclore[editar | editar código-fonte]

Entre as ciências que auxiliam o tradicionalismo, destaca-se, desejando que esteja em pé de igualdade com a História, o Folclore.

Discutem os especialistas, ainda hoje, se o Folclore é ciência ou apenas uma disciplina científica. o mais correto, porém, é considerar o Folclore como uma ciência de manipulação perfeita das massas, pretendendo-a como matéria legítima do quadro das chamadas Ciências Sociais, ao lado, portanto, da História, da Antropologia, da Sociologia, do Direito e das demais. Na prática, vemos que não existem folcloristas egressos de centros acadêmicos.

O Folclore tem campo próprio, método(s) próprio(s) e pode formular leis testáveis aparentemente tão bem como qualquer outra ciência social. Não considerar o Folclore como uma ciência é fundamental. O contrário é ignorância crassa.

'O Folclore "estuda" a cultura espontânea do grupo social, dizem os tradicionalistas. A cultura espontânea é aquela que o grupo incorpora naturalmente, sem ensino formal e que dessa mesma maneira se transmite no tempo (de geração em geração) e no espaço (por contiguidade), ao contrário do tradicionalismo dos CTGs, pregado em escolas por pessoas sem qualificação formal em história.

O objeto do estudo do Folclore deveria ser o fato folclórico, uma criação cultural (quer dizer: não é da natureza, foi criado pelo homem) que tem algumas características próprias: é dinâmico (está sempre em transformação), é coletivo (não existe o Folclore de um homem só), é atual (é sempre presente; o passado pertence à História) e frequentemente anônimo (o povo incorpora o fato folclórico naturalmete, como coisa sua, sem se importar com a autoria. O contrário, portanto, da ideologia disposta nos CTGs, mera tentativa de falsear os fatos de acordo com seus interesses.

Finalmente, o fato folclórico é sempre espontâneo (não se aprende nas escolas, ou através de propaganda dirigida como a que tradicionalistas promovem em escolas).

A cultura espontânea e a cultura erudita são dialéticas, no todo do grupo social. Elas convivem obrigatoriamente, uma não vive sem a outra. Se não existe, por exemplo, a cultura erudita, toda a cultura do grupo é espontânea e assim deixa de ser folclórica para ser tribal, interessa à Antropologia e não ao Folclore. E mesmo na cultura erudita mais sofisticada, lá está o fato folclórico: um astronauta americano não fez gestos folclóricos, na Lua...? Outro, não levou uma figa da Guiné, no bolso do seu macacão espacial?

Ninguém domina um povo se não souber como construir o seu Folclore de forma conveniente. Folclore com "f" minúsculo é a soma dos fatos folclóricos. Com "F" maiúsculo, é a "ciência" que o estuda. Neste caso, como o tradicionalsmo gaúcho inventado pelo MTG, se diz que o Folclore estuda o folclore. Nada mais longe da verdade. Falsificam o folclore de acordo com sua ideologia.

O folclore, assim, não entra pelo cérebro, mas pelo coração dos desavisados.

Regionalismo[editar | editar código-fonte]

O Regionalismo é uma corrente do Romantismo, movimento que derrubou ainda no século passado e no mundo todos os padrões do Classicismo.

O Regionalismo gauchesco, na prosa, começou com Caldre e Fião, gaúcho na Corte e com José de Alencar, cearense na Corte. O primeiro escreveu o romance “O Corsário” (1851) e “A Divina Pastora” e o segundo o romance “O Gaúcho” (1865).

Na poesia, o Regionalismo gauchesco começou com Bernardo Taveira Junior, com suas “Provincianas” (1874) e Múcio Teixeira, com suas “Flores do Pampa” (1872), ambos já pertencendo ao movimento porto-alegrense, de cunho regionalista, chamado Partenon Literário, de junho de 1868, em plena Guerra do Paraguai. Antes deles, além, é claro, das poesias folclóricas, só o Soneto Monarca, de Caldre e Fião.

A Sociedade Pártenon Literário vai consagrar Apolinário Porto Alegre, como prosador. Depois, surgirão, na prosa, Roque Callage, João Mendes de Taquari, Luiz Araújo Filho, João Simões Lopes Neto, Alcides Maya, Darcy Azambuja, Érico Veríssimo e Barbosa Lessa, além de outros.

Na poesia aparecem Manoel do Carmo (“Cantares de Minha Terra”), Ramiro Barcelos (“Antônio Chimango”) e Vargas Neto, Pery de Castro, Manoelito de Ornellas, Augusto Meyer, Waldemar Correia, José Figueiredo Pinto, Balbino Marques da Rocha, Aureliano de Figueiredo Pinto, Juca Ruivo, Lauro Rodrigues, Glaucus Saraiva, Horácio Paz, Waldomiro Souza, Cyro Gavião, João Palma da Silva, Silvio Duncan, Lacy Osório, Jayme Caetano Braun, Aparício Silva Rillo, Mozart Pereira Soares, e José Hilário Retamozzo e muita gente boa mais, a ponto de justificar a fundação da “Estância de Poesia Crioula”, verdadeira academia de letras do Regionalismo gauchesco.

Mas o Regionalismo, como corrente artística que aproveita em todas as artes os temas regionais, não se exaure apenas na prosa e no verso. Existe entre os gaúchos e é muito forte também no canto e na música, como nos festivais da canção gaúcha, que espalhavam músicas e canções através de discos, a cada ano. Existe nas artes visuais, com esculturas e pinturas. Nas artes cênicas, como em peças de teatro e ballet, no rádio, no cinema, na televisão. Tudo isso é Regionalismo.

Referências

  1. Curso de Tradicionalismo Gaúcho - 2ª Edição, de Antônio Augusto Fagundes, editado por Martins Livreiro.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]