Tragédia do Circo Vostok

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A Tragédia do Circo Vostok ocorreu num domingo dia 9 de abril de 2000. O garoto José Miguel dos Santos Fonseca Júnior, de apenas seis anos, foi atacado e devorado pelos leões do circo.

A tragédia[editar | editar código-fonte]

O circo foi instalado no estacionamento de um centro comercial localizado em Jaboatão dos Guararapes, na Grande Recife. O espetáculo começou com dez minutos de atraso. Em dado momento, após algumas apresentações circenses, foi anunciado um intervalo de vinte minutos. O locutor convidou as crianças a tirar fotos com os animais. José Miguel, seu pai José Fonseca, e a irmã Mirella gostaram da ideia. Esse intervalo foi necessário para montagens das jaulas no picadeiro. O espetáculo com os leões seria a próxima atração do circo. Depois das fotos, Júnior, o pai e a irmã estavam voltando aos seus lugares. De repente, o leão coloca a pata para fora da jaula e arrasta o menino para dentro do túnel que liga as jaulas ao picadeiro. O leão arrastou José Miguel até a jaula onde ficam os animais quando não estão sendo apresentados. Às 21h, a Polícia Militar matou a tiros de revólver e de fuzil dois leões. Uma hora e dez minutos depois, outros dois animais foram mortos. Apenas um leão sobreviveu. Os restos mortais do menino só foram removidos do abrigo dos animais às 23h45. A mãe do garoto, a enfermeira Maria da Conceição Guerra, grávida de oito meses, passou mal ao receber a notícia da morte do filho e foi internada. Os quatro leões do circo Vostok que atacaram e mataram o menino José Miguel dos Santos Fonseca Júnior, em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana de Pernambuco, foram necropsiados na Universidade Federal Rural de Pernambuco. Segundo o técnico da universidade, não havia nada no estômago dos animais. Há informações de que eles teriam sido alimentados pela última vez na quinta-feira anterior ao ataque. O domador foi acusado de ter aberto a grade antes do tempo, o que teria facilitado o ataque dos leões. O leão sobrevivente, um filhote de sete meses de idade, foi encaminhado ao Parque Dois Irmãos, jardim zoológico de Recife, onde permanece até hoje. Leo, como foi apelidado, está atualmente com treze anos e vive em um recinto de 900 na área dos grandes felinos.

Irregularidades[editar | editar código-fonte]

O túnel que liga o comboio onde ficam os animais eram gradeados, porém eram unidos por cordas de náilon, em vez de ferrolhos. Os leões que mataram o garoto estavam havia três dias sem comer. No circo, quem era responsável pela alimentação dos felinos era o domador, que também foi acusado.

Polêmica[editar | editar código-fonte]

A morte do garoto José Miguel Fonseca Júnior criou várias polêmicas sobre a participação dos animais em espetáculos circense.

Condenação[editar | editar código-fonte]

Foi julgado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco recurso do processo cível contra a empresa circense ré, condenando-a ao pagamento de um milhão de reais em indenização para José Miguel dos Santos Fonseca e Maria da Conceição Silva Guerra, pais do menino, além de indenização por danos materiais, na forma de um pensionamento presumido até quando a vítima completaria 65 (sessenta e cinco) anos ou até a ocorrência da morte dos beneficiários, pensionamento que deverá ser estabelecido da seguinte forma: dois terços do salário mínimo até quando o menor completaria 25 (vinte e cinco) anos, ocasião presumida em que poderia constituir família, e um terço desse valor até os 65 anos ou até, se for o caso, a morte dos beneficiários.

Ocorre que houve o manejo de uma Recurso Especial (REsp nº 1100571), dirigido ao STJ, onde a indenização de um milhão foi minora para R$ 275 mil, por danos morais e materiais, o STJ decidiu também que tanto a empresa responsável pelo evento, Sissi Espetáculos (Circo Vostok), quanto as responsáveis pela locação do circo, a empresas OMNI e Conpar Empreendimentos e Participações Societárias - proprietárias do shopping. O valor de um milhão foi minorado pois o Superior Tribunal de Justiça teve com base no "princípio da razoabilidade e nos parâmetros geralmente adotados".

O processo penal prescreveu, devido o fato da família Vostok fugir para os Estados Unidos logo após os fatos e nunca foi possível encontrá-los.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]