Transilvânia

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Transilvânia
Capela ortodoxa na Transilvânia
Capela ortodoxa na Transilvânia
Selo de Transilvânia
Selo
Brasão de armas de Transilvânia
Brasão de armas
A Transilvânia / Transilvania (em amarelo) no mapa da Romênia
A Transilvânia / Transilvania (em amarelo) no mapa da Romênia
Transilvânia está localizado em: Roménia
Transilvânia
A Transilvânia / Transilvania (em amarelo) no mapa da Romênia
46° 46' N 23° 35' E
País  Roménia
Área
 - Total 100,287 km²
Fuso horário HLE (UTC+2)
 - Horário de verão EEST (UTC+3)

A Transilvânia (em romeno: Transilvania ou Ardeal, em húngaro Erdély, em alemão Siebenbürgen) é uma região histórica da Europa Central que constitui a zona centro-ocidental da Roménia. A sua capital é a cidade de Cluj-Napoca.[1] Delimitada a leste e sul pela cordilheira dos Cárpatos, a Transilvânia histórica estendia-se no oeste para as Montanhas Apuseni; no entanto, o termo às vezes engloba não só a Transilvânia adequada, mas também as regiões históricas de Crișana, Maramureș, e a parte romena de Banato.

A região da Transilvânia é conhecida pela beleza cênica de sua paisagem dos Cárpatos e sua rica história. Nos países que falam a língua inglesa tem sido fortemente associada com vampiros,[2] [3] [4] principalmente devido à influência do romance Drácula de Bram Stoker, bem como suas adaptações cinematográficas posteriores e extensões.

História[editar | editar código-fonte]

Região histórica da moderna Romênia, situada no interior do arco formado pelos Cárpatos. Formou o núcleo da Dácia romana após 106 d.C. e, depois da evacuação romana, em 270, sua história não apresenta registros, até a região ser conquistada pelos húngaros, em 900. Em 1003, foi incorporada ao Estado húngaro, mas manteve sua autonomia, garantida pela 'união fraterna' (1437) das 'três nações' (os nobres descendentes dos colonos sícula ou székely, saxões e magiares). Em 1241 a região viria a ser arruinada por uma invasão mongol, liderada por Kadan, Guyuk e Subotai. Algumas cidades como Brașov, Timișoara, Bistriţa e Oradea foram destruídas pelos invasores. A região viria a sofrer um novo ataque mongol em 1285.

A independência foi assegurada em 1566, quando a Transilvânia tornou-se um principado sujeito à soberania otomana.

O século XVII foi a sua 'idade do ouro', por ser reconhecida como potência internacional. Em 1699, os otomanos reconheceram o domínio austríaco Habsburgo na Transilvânia. Durante o século XVIII, os Habsburgo privaram as três nações de muitos de seus direitos e liberdades, e o número de romenos na região cresceu até alcançar mais da metade da população total. Não foram reconhecidos politicamente como uma 'quarta nação' e sofreram discriminação religiosa por parte dos cristãos ortodoxos gregos.

Sob domínio austríaco, na primeira metade do século XIX, a Transilvânia tornou-se parte integral da Hungria, com a criação do Império Austro-Húngaro (1867).[5]

Em 1918, os romenos da Transilvânia proclamaram sua adesão à Romênia, confirmada pelo Tratado de Trianon (1920). A Hungria anexou cerca de dois quintos do território durante a Segunda Guerra Mundial, mas foi obrigada a devolvê-los em 1947. A redistribuição das terras e a política forçada de assimilação cultural envolvendo romenos e húngaros continuou sendo causa de atrito entre os dois países. Houve conflitos étnicos em Bucareste (1990) e a 'União Democrática Húngara da Romênia' foi criada, vencendo as eleições realizadas em 1992.

Divisões históricas e administrativas[editar | editar código-fonte]

Mapa com Transilvânia clássica em amarelo claro.

A área da voivodia histórica é de 55.146 km², a Transilvânia é historicamente dividida em quatro regiões:[6] [7]

Administrativamente, o território hoje conhecido como Transilvânia consiste numa região constituída por dezesseis condados (em romeno: judeţe)[8] que cobrem cerca de 103.600 km² no centro-oeste da Romênia. Os dezesseis condados são Alba, Arad, Bihor, Bistriţa-Năsăud, Braşov, Caraş-Severin, Cluj, Covasna, Harghita, Hunedoara, Maramureş, Mureş, Sălaj, Satu Mare, Sibiu e Timiş.

As cidade mais importantes são Cluj-Napoca (318.027 habitantes), Timişoara (317.651), Braşov (283.901), Oradea (206.527), Arad (172.824), Sibiu (155.045), Târgu Mureş (149.577), Baia Mare (137.976) e Satu Mare (115.630).

População[editar | editar código-fonte]

Censos oficiais com informações sobre a população da Transilvânia foram realizados desde o século XVIII. Em 1º de maio de 1784 o Imperador José II criou o primeiro censo oficial do Império Habsburgo, incluindo a Transilvânia. Os dados foram publicados em 1787, e este censo mostrou apenas a população total (1.440.986 habitantes).[9] Fényes Elek, um estatístico húngaro do século XIX, estimou em 1842 que na população da Transilvânia para os anos de 1830-1840 a ​​maioria era de 62,3% romenos e 23,3% húngaros.[10]

O primeiro censo oficial na Transilvânia que fez uma distinção entre as nacionalidades (distinção feita com base na língua materna) foi realizada por autoridades austro-húngaras em 1869, distribuídos entre os grupos étnicos da seguinte forma: 59,0% romenos, 24,9% húngaros e 11,9% alemães.

Brasão de armas histórico da Transilvânia[editar | editar código-fonte]

As primeiras representações heráldicas de Transilvânia datam do século XVI. Um dos símbolos iniciais predominantes da Transilvânia era o brasão de armas da cidade de Sibiu. Em 1596, Levinus Hulsius criou um brasão de armas para a província imperial, ele consiste em um escudo partido, com uma águia em ascensão no campo superior e sete colinas, com torres em cima no campo inferior. Ele a publicou em sua obra "Chronologia", emitida em Nurembergue no mesmo ano. O selo de 1597, de Sigismundo Báthory, príncipe da Transilvânia, reproduziu o novo brasão com algumas pequenas mudanças: no campo superior a águia foi ladeada por um sol e uma lua e no campo inferior das colinas foram substituídos por torres simples.[11]

O selo de 1600, de Miguel, o Valente, retrata o território do antigo reino da Dácia: Valáquia, Moldávia e Transilvânia:[12]

  • A águia negra (Valáquia)
  • A cabeça auroque (Moldávia)
  • As sete colinas (Transilvânia).

Sobre as colinas haviam dois leões desenfreados afrontados, apoiando o tronco de uma árvore, como um símbolo do reino da Dácia unido.[12]

Referências

  1. Mallows, Lucy; Abraham, Rudolf. Transylvania (em inglês). ilustrada ed. [S.l.]: Bradt Travel Guides, 2013. p. 249. ISBN 1841624195
  2. The Transylvania Society of Dracula: American and Canadian Chapters (em inglês) Afn.org (29 de maio de 1995). Página visitada em 15 de janeiro de 2014.
  3. Travel Advisory; Lure of Dracula In Transylvania (em inglês) The New York Times (22 de agosto de 1993). Página visitada em 15 de janeiro de 2014.
  4. Transylvania – Dracula Icromania.com (15 de abril de 2007). Página visitada em 15 de janeiro de 2014.
  5. Balas, Egon. Will to Freedom: A Perilous Journey Through Fascism and Communism (em inglês). ilustrada ed. [S.l.]: Syracuse University Press, 2000. p. 4. ISBN 0815606036
  6. Transylvania (em inglês) 1911 Encyclopedia Britannica. Página visitada em 15 de janeiro de 2014.
  7. Transilvania na romaniatraveltourism.com
  8. Stolarik, M. Mark. The Prague Spring and the Warsaw Pact Invasion of Czechoslovakia, 1968: Forty Years Later. Bolchazy-Carducci Publishers, 2010. pp. 253. ISBN 0865167516
  9. Greville Pounds, Norman John. An Historical Geography of Europe, 1500-1840. ilustrada, reimpressão. Cambridge University Press, 1979. pp. 105. ISBN 0521223792
  10. Elek Fényes, Magyarország statistikája, Vol. 1, Trattner-Károlyi, Pest. VII, 1842
  11. Dan Cernovodeanu, Ştiinţa şi arta heraldică în România, Bucareste, 1977, p. 130
  12. a b Coat of arms of Dacia (medieval) (em inglês) FTW. Página visitada em 15 de janeiro de 2014.

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Transilvânia

Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), publicação em domínio público.

  • Patrick Leigh Fermor, Between the Woods and the Water (New York Review of Books Classics, 2005; ISBN 1-59017-166-7). Fermor viajou pela Transilvânia, no verão de 1934, e escreveu sobre isso em relato publicado pela primeira vez mais de 50 anos depois, em 1986.
  • Zoltán Farkas e Judit Sós, Transylvania Guidebook
  • András Bereznay, Erdély történetének atlasza (Atlas Histórico da Transilvânia), com 102 textos e placas de mapas, o primeiro atlas histórico da Transilvânia (Méry Ratio, 2011; ISBN 978-80-89286-45-4)


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