Transjordânia

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O Mandato Britânico da Palestina, com a Transjordânia a castanho-escuro

O emirado da Transjordânia (em árabe: إمارة شرق الأردن; transl.: ʾImārat Sharq al-ʾUrdun) foi um antigo território do Império Otomano incorporado no Mandato Britânico da Palestina em 1921 na forma de uma divisão política autônoma governada por as-Sayyid Abdullah bin al-Husayn.[1] A criação do território foi formalizada com a adição, em agosto de 1922, de uma cláusula à carta que regia o Mandato para a Palestina.[2] [3] Geograficamente, a Transjordânia era equivalente ao reino da Jordânia durante o período que foi de 1942 a 1965 (fronteiras um pouco diferentes das atuais), e permaneceu - ao menos nominalmente - sob os auspícios da Liga das Nações e da administração britânica até a sua independência, em 1928.[4]

Domínio otomano[editar | editar código-fonte]

Durante o domínio do Império Otomano a Transjordânia não correspondia a qualquer divisão política, cultural ou histórica anterior - embora a maior parte de seu território pertencesse ao vilaiete da Síria, e uma seção estrategicamente importante ao sul, com saída para o mar Vermelho, pertencesse às províncias de Ma'an e Aqaba, no vilaete do Hejaz.[5] Os habitantes do norte da Jordânia foram associados tradicionalmente com a Síria, enquanto aqueles do sul do território eram mais associados à Arábia e os habitantes do oeste com os distritos administrativos a oeste do rio Jordão.

Com a criação da ferrovia do Hejaz, no entanto, o Império Otomano começou a reformular a disposição interna do território. Historicamente, a região pertenceu a diversos impérios, entre os quais o babilônico, assírio, aquemênida, macedônico (selêucida), ptolomaico, romano, bizantino, sassânida, além do otomano, e incorporou partes dos antigos reinos de Israel e Judá, Hauran, Edom, Judeia nabateia, Moabe, Canaã e o Reino de Jerusalém, dos cruzados.

Mandato britânico[editar | editar código-fonte]

A administração britânica em Jerusalém tinha autoridade apenas sobre a área a oeste do Jordão, enquanto a área a leste do rio era administrada pelo representante britânico em Ma'an, capitão Alec Kirkbride,[6] até a chegada, em novembro de 1920, de Abdullah. O Mandato para a Palestina, embora especificasse ações a serem tomadas apoiando a imigração judaica e o status político destes imigrantes, afirmava que, no território a leste do rio Jordão, a Grã-Bretanha não poderia "adiar ou prorrogar" aqueles artigos do Mandato relacionados a um Lar Nacional Judeu.[7]

Em agosto de 1922 o governo britânico apresentou um memorando à Liga das Nações afirmando que a Transjordânia seria excluída de todas as provisões relacionadas à colonização judaica; o memorando foi aprovado pela Liga no dia 12 do mesmo mês, e a partir de então o Reino Unido administrou a parte a oeste do Jordão como Palestina, e a parte a leste do rio como Transjordânia.[2] Tecnicamente ambos faziam parte do mesmo mandato, porém a maior parte dos documentos oficiais referia-se a eles como dois mandatos separados. Em maio de 1923 a Transjordânia recebeu algum grau de independência com a ascensão de Abdullah ao trono e Harry St. John Philby como seu principal representante.[8]

A Transjordânia permaneceu sob controle britânico até a conclusão do primeiro tratado anglo-jordaniano, em 1928, quando tornou-se independente nominalmente - embora a Grã-Bretanha ainda mantivesse ampla presença militar, tivesse o controle dos assuntos exteriores e mantivesse o controle financeiro sobre o reino. Isto provocou insatisfação entre os jordanianos, que realizaram uma conferência nacional em 25 de julho do mesmo ano, a primeira de seu gênero, para examinar os artigos do tratado e adotar um plano de ação política visando atingir suas exigências por um Estado totalmente soberano e independente.[4]

Independência[editar | editar código-fonte]

O emir hachemita Abdullah, filho mais velho do aliado árabe histórico dos britânicos, o xerife Hussein de Meca, subiu ao trono da Transjordânia. A Grã-Bretanha reconheceu oficialmente a Transjordânia como um Estado em 15 de maio de 1923, e gradualmente abriu mão de seu controle, limitando sua administração a assuntos relacionados à economia, às forças armadas e à política externa. A medida teve um forte impacto no sionismo revisionista, que procurava estabelecer um Estado judeu em ambas as margens do Jordão, e acabou por separar efetivamente a Transjordânia da Palestina, reduzindo assim consideravelmente a área na qual um futuro Estado judaico na região poderia ser estabelecido.[9] Em março de 1946, sob o Tratado de Londres, a Transjordânia se tornou um reino, e em 25 de maio do mesmo ano o seu parlamento proclamou o emir um rei, mudando oficialmente o nome do país de Emirado da Transjordânia para Reino Hachemita da Transjordânia. Após capturar a região da 'Margem Ocidental' da Cisjordânia durante a guerra de 1948-49 contra Israel, Abdullah assumiu o título de Rei da Jordânia, e mudou oficialmente o nome do país para Reino Hachemita da Jordânia em abril de 1949. No ano seguinte anexou totalmente a Cisjordânia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Wasserstein, Bernard. 2004, pp. 105-106.: "In a telegram to the Foreign Office summarizing the conclusions of the [San Remo] conference, the Foreign Secretary, Lord Curzon, stated: 'The boundaries will not be defined in Peace Treaty but are to be determined at a later date by principal Allied Powers.' When Samuel set up the civil mandatory government in mid-1920 he was explicitly instructed by Curzon that his jurisdiction did not include Transjordan. Following the French occupation in Damascus in July 1920, the French, acting in accordance with their wartime agreements with Britain refrained from extending their rule south into Transjordan. That autumn Emir Faisal's brother, Abdullah, led a band of armed men north from the Hedjaz into Transjordan and threatened to attack Syria and vindicate the Hashemites' right to overlordship there. Samuel seized the opportunity to press the case for British control. He succeeded. In March 1921 the Colonial Secretary, Winston Churchill, visited the Middle East and endorsed an arrangement whereby Transjordan would be added to the Palestine mandate, with Abdullah as the emir under the authority of the High Commissioner, and with the condition that the Jewish National Home provisions of the Palestine mandate would not apply there. Palestine, therefore, was not partitioned in 1921-1922. Transjordan was not excised but, on the contrary, added to the mandatory area. Zionism was barred from seeking to expand there - but the Balfour Declaration had never previously applied to the area east of the Jordan. Why is this important? Because the myth of Palestine's 'first partition' has become part of the concept of 'Greater Israel' and of the ideology of Jabotinsky's Revisionist movement".
  2. a b 12 de agosto de 1922 - A Grã-Bretanha recebe o Mandato da Liga das Nações para administrar a Palestina.
  3. Ilan Pappe. 'A History of Modern Palestine: One Land, Two Peoples'. [S.l.]: Cambridge University Press, 2004. p. 84. ISBN 0521556325.
  4. a b Avi Shlaim, Lion of Jordan (2007) p 17.
  5. Avi Shlaim (2007) p 16.
  6. Shlaim, Avi (2007) p 11
  7. 10th August 1922:- Order of Palestine created by the Government of His Britannic Majesty, whereas the Principal Allied Powers have also agreed that the Mandatory should be responsible for putting into effect the declaration originally made on November 2, 1917, (Balfour Declaration). Where article 86 of the Palestine Order In Council 1922 Shall Not Apply To Such Parts Of The Territory Comprised In Palestine To The East Of The Jordan And The Dead Sea As Shall Be Defined By Order Of The High Commissioner. Subject To The Provisions Of Article 25 Of The Mandate, The High Commissioner May Make Such Provision For The Administration Of Any Territories So Defined As Aforesaid As With The Approval Of The Secretary Of State May be prescribed. The Palestine Order of Council 1922 duly received Royal assent and Given at Our Court at Saint James's this Fourteenth day of August, 1922, in the Thirteenth Year of Our Reign.
  8. Shlaim, Avi. (2007) p 14.
  9. Wasserstein, 2004; The Making of Transjordan

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Wasserstein, Bernard (2004). Israel and Palestine: Why They Fight and Can They Stop?. Profile Books. ISBN 1861975341

Ligações externas[editar | editar código-fonte]