Transportes da Bahia

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Rede de transportes da Bahia.

Assim como ocorre no Brasil, os transportes da Bahia estão concentrados basicamente nos meios rodoviários. Entretanto, há outras vias e infraestruturas para outras formas de locomoção e acesso aos diversos pontos do estado.

Transporte rodoviário[editar | editar código-fonte]

BR-324, a principal ligação entre Feira e Salvador.

Tendo Feira de Santana como eixo polarizador, o sistema rodoviário tem como vias principais a BR-242, que liga Salvador ao oeste baiano e à capital federal; a BR-101 de sentido norte-sul com traçado paralelo ao litoral; a BR-116 que liga a área metropolitana ao sudoeste. Outras rodovias estaduais e federais atendem ao tráfego de longa distância ou atendem as sedes dos municípios fazendo parte dum sistema combinado que se complementam a exemplo da BR-110, BR-415, BR-407, BA-099 e BA-001.[1]

Atualmente figuram três concessões governamentais de sistemas rodoviários à iniciativa privada. A mais antiga, é o Sistema Estrada do Coco / Linha Verde de 217 quilômetros, o que inclui os dois trechos da BA-099 (Estrada do Coco e Linha Verde), e algumas vias de acesso ao litoral. Está sob a administração da Concessionária Litoral Norte (CLN) por 35 anos a partir de desde 21 de fevereiro de 2000. Em 17 de agosto de 2010, a Concessionária Bahia Norte (consórcio formado entre a Invepar e a Odebrecht) assumiu o Sistema BA 093 por um prazo de 25 anos. São 125 quilômetros de rodovias da Região Metropolitana de Salvador: BA-093, BA-524 (Canal de Tráfego), BA-512, BA-521, BA-535 (Via Parafuso), BA-526 (CIA-Aeroporto). Por fim, a Via Bahia detém a concessão rodoviária por 25 anos de 680 quilômetros que envolvem parte da BR-116 e da BR-324.[2]

Transporte aeroviário[editar | editar código-fonte]

A Bahia conta com vários aeroportos e aeródromos, sendo o Internacional Dois de Julho, também conhecido como Internacional de Salvador Deputado Luís Eduardo Magalhães, o sexto aeroporto mais movimentado do Brasil e o primeiro do nordeste, respondendo por mais de 30% do movimento de passageiros desta região do país. No interior, há outros principais, localizados nas principais cidades do interior baiano, são eles: o Aeroporto de Barreiras, em Barreiras; Aeroporto João Durval Carneiro, em Feira de Santana; Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus; Aeroporto Horácio de Mattos, em Lençóis; Aeroporto de Paulo Afonso, em Paulo Afonso; Aeroporto de Porto Seguro, em Porto Seguro; Aeroporto Pedro Otacílio Figueiredo, em Vitória da Conquista; Aeroporto de Valença, em Valença; e Aeroporto de Caravelas, em Caravelas.

Transporte aquaviário[editar | editar código-fonte]

O Porto de Ilhéus, na ponta do Malhado, em Ilhéus.

Os transportes aquáticos na Bahia é formado por portos, terminais hidroviários, hidrovias e eclusas. O número de portos é três: Porto de Salvador (em Salvador), Porto de Aratu (em Candeias) e Porto de Ilhéus (em Ilhéus). Eles são administrados pela União através da Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA). O último destaca-se por ser o maior exportador de cacau do Brasil. Há também os terminais fluviais de Juazeiro (em Juazeiro), de Ibotirama (em Ibotirama), de Xique-Xique (em Xique-Xique) e de Caramuru.[3] Aquele primeiro é administrado pela Companhia de Navegação do São Francisco (FRANAVE) e localiza-se no rio São Francisco.[4]

No passado, o saveiro foi importante meio de transporte na baía de Todos-os-Santos.

Recentemente tem-se procurado encarar a infraestrutura portuária conjuntamente. Assim, em estratégia integrada, está configurado o Complexo Portuário da Bahia de Todos os Santos envolvendo os dois portos públicos, os terminais privados e os pequenos portos do Recôncavo baiano.[5] [6] Em adição, há a proposta de integração entre os portos ilheenses, o Porto do Malhado e o Porto Sul,[7] conformando o Complexo Portuário da Costa do Cacau.[8]

Na Bahia está localizada parte de uma importante hidrovia brasileira, a hidrovia do São Francisco, que liga o Porto de Juazeiro, na cidade baiana de Juazeiro, a cidade mineira de Pirapora, equivalendo à distâncias de Salvador à Brasília. Essa hidrovia é a principal ligação entre o Nordeste geoeconômico e o Centro-Sul. Para superar o desnível e as hidrelétricas, foi feita a eclusa de Sobradinho. A eclusa está localizada em Sobradinho, próximo ao lago da barragem e à usina hidrelétrica de Sobradinho.[9]

Transporte ferroviário[editar | editar código-fonte]

Mapa do traçado das ferrovias que atualmente cortam o território baiano, a Ferrovia Centro-Atlântica (azul) e Ferrovia Oeste-Leste (verde).
Trem passando pela Ponte Dom Pedro II, entre Cachoeira e São Félix.

O transporte ferroviário baiano está renascendo, assim como tem acontecido com o brasileiro em geral. A rede ferroviária baiana já foi constituída pela Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco, Estrada de Ferro Centro-Oeste da Bahia, Estrada de Ferro Central da Bahia (EFCBH) e Estrada de Ferro Santo Amaro, que posteriormente foram incorporadas à Viação Férrea Federal Leste Brasileiro (VFFLB). Mais tarde, as ferrovias brasileiras foram reunidas sob o controle da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), que absorveu a VFFLB e outras três ferrovias baianas: Estrada de Ferro de Ilhéus, Estrada de Ferro Bahia e Minas (EFBM) e Estrada de Ferro de Nazaré (TRN), sendo que as duas últimas foram erradicadas e a EFBM foi incluída antes na Viação Férrea Centro-Oeste (VFCO).[10] A Malha Centro-Leste da RFFSA, o que correspondia, entre outras, à rede da VFFLB e da VFCO, foi leiloada em 1996, então adquirida pela Ferrovia Centro Atlântica, atualmente controlada pela Vale.[11]

O renascimento ocorre, dentro do planejamento nacional, iconizado na construção da Ferrovia Leste-Oeste (FIOL, EF-334)[12] , que escoará a produção do Oeste baiano pelo Porto de Ilhéus e também chegará ao Tocantins se conectando à Ferrovia Norte-Sul, em adição às ferrovias EF-101[13] , EF-116[14] , EF-025[15] , EF-430[16] , EF-431[17] , EF-445[18] .

A parte urbana da VFFLB localizada em Salvador, trecho entre a Calçada e Paripe, foi transformada em linha de trens urbanos e foi operada pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) até ser passada à administração municipal da Companhia de Transportes de Salvador (CTS), a qual seria responsável também pelo sistema metroviário da Região Metropolitana de Salvador (SMSL).[19] Contudo o funcionamento do seu trecho já construído e a construção dos outros projetados se arrastaram por mais de uma década sem funcionar. Soma-se a isso a dificuldade de conectar o Trem do Subúrbio de Salvador ao metrô.[20] Em 2013 a CTS, que inclui o transporte em trilhos na cidade, foi transferida ao governo estadual[21] [22] e renomeada para Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB).[23] Finalmente, o SMSL foi licitado novamente e entrou em operação em 2014.[24] Já a linha suburbana será transformada em veículo leve sobre trilhos (VTL) e prolongada com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), resultando no VLT Metropolitano Comércio-Calçada-Paripe-São Luís.[25]

Ainda no transporte ferroviário de passageiros, o metrô e o trem são somados ao Transbaião, de caráter turístico-cultural;[26] aos projetos de esticamento do Trem do Subúrbio e sua integração com o metrô;[25] e ao estudo de um trem regional de passageiros sobre o percurso Alagoinhas-Salvador-Conceição da Feira[27] .

Transporte urbano[editar | editar código-fonte]

Viadutos da Rótula do Abacaxi, por onde passa a linha 1 do Metrô de Salvador, próximo à estação Acesso Norte. Na parte superior da imagem está o trilho elevado do metrô.
Esquema do transporte ferroviário urbano da Grande Salvador (existente, em construção e projetado).

Considerando as Regiões Metropolitanas de Salvador e de Feira de Santana e todo o resto do Recôncavo Baiano, há muitos problemas na mobilidade e projetos para melhorá-la.[28] O Metrô de Salvador, após a conclusão das 18 estações distribuídas em duas linhas (Linha 1 e Linha 2), passará pelas quatro estações de transbordo de ônibus (Lapa, Pirajá, Mussurunga e Iguatemi), pelo centro financeiro soteropolitano Iguatemi-Tancredo Neves, pela Estação Rodoviária de Salvador, pela Arena Fonte Nova, pelo Centro Administrativo da Bahia. É pretendido levar a linha 2 do Metrô de Salvador ao Aeroporto Internacional de Salvador, ao Litoral Norte, à Estrada do Coco.[29]

O Metrô será integrado ao Trem Suburbano, também da Companhia de Transportes de Salvador (CST), que cobre a região voltada para a Baía de Todos-os-Santos. Degredado, velho e pixado, o sistema funciona em horário reduzido, com dois trens, em défice e o tempo do trajeto completo foi mais que triplicado devido à Ponte de São João que quebrou.[30] Para os trens do Subúrbio Ferroviário, é projetado transformá-lo em metrô de superfície e também estendê-lo até o bairro do Comércio e até a Ilha de São João, em Simões Filho, e também para o Pólo Petroquímico de Camaçari.[31] [32] Posteriormente, também é estudada uma prorrogação da linha até o município de Conceição da Feira, dentro da Região Metropolitana de Feira de Santana, para meados da década de 2020.[33]

E recentemente, o transporte ferroviário de passageiros voltou a existir na Bahia com o Transbaião. Ele é uma linha turística cultural-histórica e percorrerá treze municípios baianos, incluindo Camaçari, Catu, Entre Rios e Alagoinhas[34] .

Para a Copa do Mundo FIFA de 2014, o transporte de massa a ser implantado foi anunciado no dia 21 de junho de 2011. Será um sobre trilhos (metrô de superfície ou monotrilho) de 22 quilômetros da Rótula do Abacaxi à Portão, em Lauro de Freitas, com o sistema BRT complementando-o nas avenidas Orlando Gomes, 29 de Março, Pinto de Aguiar e Gal Costa, chamadas de "vias alimentadoras" (Corredor Transversal Alimentador I e Corredor Transversal Alimentador II). As obras, cujo valor máximo é três bilhões de reais, deverão começar junto com o ano de 2012 e terminar junto com o ano de 2013.[35]

O sistema cicloviário também receberá investimentos. Com quarenta milhões de reais, serão instalados 188 quilômetros nas orlas de Salvador e Lauro de Freitas, no Centro Histórico Soteropolitano, e na Avenida Paralela seguindo o metrô e as estações de transbordo. A finalização das obras são esperadas em dois anos, se iniciadas no início de 2012, antes da Copa do Mundo FIFA de 2014.[36]

As linhas marítimas Salvador-Ilha de Itaparica e Salvador-Ilha de Tinharé interligam a capital baiana às principais ilhas baianas.[37] Esse sistema de balsas (ferry boat) apresenta problemas, atrapalhando a circulação de pessoas e veículos pela Baía de Todos-os-Santos.[38]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia. Bahia em Números. Volume 4. Edição bilíngüe: português e inglês. Salvador: 2002. ISSN 1516-1730
  2. Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) (25 de outubro de 2013). Relatório de Infraestrutura do Estado da Bahia. Página visitada em 14 de março de 2014.
  3. Ministério dos Transportes. RELAÇÃO DE TERMINAIS HIDROVIÁRIOS (em português). Página visitada em 15 de setembro de 2010.
  4. Ministério dos Transportes. Porto de Juazeiro - BA (em português). Página visitada em 15 de setembro de 2010.
  5. VASCONCELOS, Pedro. Baía de Todos os Santos: uma visão da Geografia Histórica. Página visitada em 25 de abril de 2014.
  6. Bahia Econômica. PORTOS DA BAHIA: UMA VISÃO CONJUNTURAL. Página visitada em 25 de abril de 2014.
  7. Blog do Gusmão (4 de abril de 2013). INTEGRAÇÃO DO PORTO SUL COM O PORTO DO MALHADO. Página visitada em 25 de abril de 2014.
  8. rui13.com (5 de julho de 2014). INFRAESTRUTURA E LOGÍSTICA. Página visitada em 9 de julho de 2014.
  9. Ministério dos Transportes. Resumo Informativo da Eclusa de Sobradinho - BA (em português). Página visitada em 15 de setembro de 2010.
  10. Centro-Oeste. Ferrovias que formaram a RFFSA (em português). Página visitada em 11 de fevereiro de 2013.
  11. História (em português). Página visitada em 11 de fevereiro de 2013.
  12. http://www2.transportes.gov.br/bit/03-ferro/9-plani-ferro/diagonais/ef-334/ef-334.html
  13. http://www2.transportes.gov.br/bit/03-ferro/9-plani-ferro/longitudinais/ef-101/ef-101.html
  14. http://www2.transportes.gov.br/bit/03-ferro/9-plani-ferro/longitudinais/ef-116/ef-116.html
  15. http://www2.transportes.gov.br/bit/03-ferro/9-plani-ferro/radiais/ef-025/ef-025.htm
  16. http://www2.transportes.gov.br/bit/03-ferro/9-plani-ferro/ligacao/ef-430/ef-430.htm
  17. http://www2.transportes.gov.br/bit/03-ferro/9-plani-ferro/ligacao/ef-431/ef-431.htm
  18. http://www2.transportes.gov.br/bit/03-ferro/9-plani-ferro/ligacao/ef-445/ef-445.htm
  19. Ministério dos Transportes. Sistema Salvador (em português). Página visitada em 15 de setembro de 2010.
  20. VITA, Lais (2 de julho de 2011). Metrô: onze anos, seis quilômetros e dois trens (em português). Página visitada em 11 de fevereiro de 2013.
  21. iBahia.com. Em nova reunião, sai decisão e Governo do estado assume metrô de Salvador
  22. G1. Após impasse, Governo da Bahia assume metrô em obras há 13 anos
  23. Leis Ordinarias > Década - 2010 > Leis Ordinárias - 2013 > OUTUBRO - 2013 > LEI Nº 12.911 DE 11 DE OUTUBRO DE 2013
  24. Francis Juliano e Juliana Almirante (11 de junho de 2014). Metrô de Salvador faz primeira viagem com 'povão' Bahia Notícias. Página visitada em 30 de junho de 2014.
  25. a b BRASIL (13 de março de 2014). DECRETO Nº 8.206, DE 13 DE MARÇO DE 2014. Página visitada em 9 de julho de 2014.
  26. FLORES, Noemi (18 de junho de 2012). Transbaião leva cultura nos trilhos (em português). Página visitada em 11 de fevereiro de 2013.
  27. COHIM, Ludmilla (12 de março de 2010). Bahia poderá ganhar um sistema ferroviário de âmbito regional (em português). Página visitada em 11 de fevereiro de2013.
  28. LUIZ FRANSCISCO (26 de julho de 2011 às 9h30min). Prefeitura conta com parceria para tentar resolver trânsito da cidade (em português). Página visitada em 26 de julho de 2011.
  29. A lógica do crescimento de Salvador e a do capital imobiliário (em português). Página visitada em 26 de julho de 2011.
  30. CHAMMAS, Priscila (22 de junho de 2011). Só restam dois trens dos 12 que haviam na ferrovia do subúrbio (em português). Página visitada em 26 de julho de 2011.
  31. Metrô de Camaçari, Bahia Toda Hora
  32. Por um Metrô Metropolitano até Camaçari
  33. Bahia poderá ganhar um sistema ferroviário de âmbito regional
  34. Trem turístico vai percorrer 13 cidades do recôncavo baiano (em português). Página visitada em 26 de julho de 2011.
  35. CHAMMAS, Priscila (22 de junho de 2011). Governo anuncia transporte sobre trilhos; seriam 22km na Paralela (em português). Página visitada em 26 de julho de 2011.
  36. Redação do iBahia.com (26 de julho de 2011 às 11h18min). Obras do Sistema cicloviário de Salvador começam em 2012 (em português). Página visitada em 26 de julho de 2011.
  37. Redação do iBahia (26 de julho de 2011 às 11h 30min). Travessia Salvador-Morro de São Paulo segue operando com conexão (em português). Página visitada em 26 de julho de 2011.
  38. Ferry Boat: MP aguarda julgamento de ação contra a TWB desde 2009 (em português) (14 de abril de 2011). Página visitada em 26 de julho de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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