Transtorno de ansiedade generalizada

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Transtorno de ansiedade generalizada
O diagnóstico na população mundial é de 3,8 a 9%, mas costuma ser sub-diagnosticado no Brasil.[1]
Classificação e recursos externos
CID-10 F41.1
CID-9 300.02
MedlinePlus 000917
Star of life caution.svg Aviso médico

O transtorno de ansiedade generalizada ou desordem de ansiedade generalizada caracteriza-se por um estado de ansiedade excessiva persistente que não depende do contexto e é desproporcional aos fatos que ocorrem na maior parte dos dias por um período de pelo menos 6 meses. O transtorno é diagnosticado segundo os critérios do DSM-IV.[2]

Essa preocupação excessiva interfere na vida de quem sofre da doença em diversas atividades (como profissional, social e acadêmica), antecipam desastres e estão superpreocupadas com questões da vida, como saúde, dinheiro, morte, problemas de família, problemas sociais, etc.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Além da ansiedade na maior parte dos dias por 6 meses prejudicando múltiplas atividades, o DSM-IV exige 3 ou mais dentre os seguintes sintomas para o diagnóstico em adultos ou apenas mais de um no caso de crianças[3] :

  1. Inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele
  2. Fadiga
  3. Dificuldade em concentrar-se ou sensações de "branco" na mente
  4. Irritabilidade
  5. Tensão muscular
  6. Perturbação do sono (dificuldades em conciliar ou manter o sono, ou sono insatisfatório e inquieto).

Queixas comuns estão relacionadas com o medo de eventos desastrosos ocorram com entes queridos, com responsabilidades ocupacionais, preocupação com a saúde e por antecipação de eventos desprazerosos como consultas médicas e consertar o carro.[3]

Para ser diagnosticado a perturbação não pode ser devido aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (abuso de drogas, medicamento) ou de uma condição médica geral (como hipertiroidismo).[3]

Diagnósticos diferenciais[editar | editar código-fonte]

Não deve ser confundido com transtorno do pânico em que a ansiedade é por acreditar estar correndo risco de vida como um ataque cardíaco ou sufocamento.

Caso ocorra simultaneamente com depressão maior passa a ser considerado um transtorno misto ansioso e depressivo. Caso só ocorra associado a eventos sociais, então classifica-se diferencialmente como fobia social. Se estiver associado a pensamentos recorrentes e hábitos reconhecidos como inúteis, mas que o indivíduo não consegue resistir em executá-los repetidamente (como lavar as mãos, trancar portas ou acender e apagar luzes) então classifica-se como TOC.[3] o indicado é que as pessoas não façam uso de medicamento sem prescrição médica e acompanhamento de profissionais da área.

Causas[editar | editar código-fonte]

Há uma correlação de 50% entre gêmeos idênticos, 15% entre gêmeos não-idênticos e significativa entre filhos de pais ansiosos indicando que fatores genéticos e psicossociais estão entre as causas do transtorno.[1] Alguns estudos identificaram o alcoolismo como causador de ansiedade generalizada. A abstinência prolongada provou-se eficiente para solucionar esses casos.[4]

Costuma agravar durante eventos estressantes como casamento, divórcio, promoção, demissão, hospitalização de entes queridos, nascimento de filhos e pré-vestibular.

Os medicamentos mais eficientes procuram regular a produção do organismo de serotonina e/ou noradrenalina, ambos neurotransmissores intimamente relacionados com a ansiedade.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

No TAG, a intensidade, duração ou freqüência da ansiedade ou preocupação são claramente excessivos ao evento estressor, causam prejuízo sério tanto ocupacional quanto social e não conseguem ser controlados.[3]

Os principais sintomas do transtorno são:[5]

  • Boca seca;
  • Mãos ou pés úmidos;
  • Enjoos;
  • Diarreia;
  • Aumento da freqüência urinária;
  • Sudorese excessiva;
  • Dificuldade de engolir;
  • Assustar-se com facilidade e de forma mais intensa;
  • Sintomas depressivos.

Pessoas com Transtorno Generalizado de Ansiedade muitas vezes apresentam uma variedade de sintomas físicos, incluindo fadiga, agitação, dores de cabeça, náusea, amortecimentos e formigamentos nas mãos e nos pés, tensão muscular, dores musculares, dificuldade de engolir, falta de ar/dificuldade para respirar, tremores, irritabilidade, transpiração/sudação excessiva, insônia, ondas de calor, coceiras/vermelhidão da pele, dificuldade em se relacionar com outras pessoas ou isolamento social, dificuldade de concentração, desorientação e perda da memória dificultando assim a vida social e operacional do paciente em alguns casos. Para que seja classificado como Transtorno Generalizado de Ansiedade esses sintomas devem ser contínuos e persistentes por pelo menos 6 meses e associado com outros 3 sintomas ansiosos.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Alguns estudos brasileiros indicam a mesma frequência em homens e mulheres, enquanto estudos internacionais indicam até o dobro de frequência em mulheres com menos de 21 anos, talvez por influência cultural. Atinge entre 3 e 6% da população mundial, chegando a 7 a 10% em idosos.[6]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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O tratamento pode ser diferente de pessoa para pessoa de modo a adaptar-se à sua situação e à extensão dos seus sintomas. A comunicação verbal e não verbal do paciente com o terapeuta é muito importante para definir as possíveis opções de tratamento. Deve haver um acompanhamento regular.

Terapia não farmacológica[editar | editar código-fonte]

Dependendo da situação particular do doente, para o tratamento da ansiedade generalizada podem ser usados métodos como por exemplo:

Revisão bibliográfica de 35 estudos indicam que o tratamento mais eficaz e duradouro para transtornos ansiosos é a terapia cognitivo-comportamental, sendo mais eficaz inclusive que tratamentos medicamentosos de primeira linha (como ISRSs). São ainda mais eficazes quando integrados.[7]

Também há referências a resultados com exercício físico e a treinos de relaxamento como aqueles praticados em Ioga.[carece de fontes?] É ainda de referir o forte efeito placebo nos indívíduos que sofrem de desordem de ansiedade generalizada, que pode ser aproveitado como forma de tratamento ao aumentar a segurança e o bem-estar do indivíduo.[carece de fontes?]

Terapia farmacológica[editar | editar código-fonte]

Os fármacos de primeira linha no tratamento da desordem de ansiedade generalizada são os antidepressivos (como os ISRS, SNRI ou ISRSN) e as benzodiazepinas. O médico pode optar por outros medicamentos consoante a situação do doente ou a sua experiência. Por exemplo[8] :

Além dessas drogas clássicas no tratamento do transtorno, o psiquiatra pode se valer de outras classes medicamentosas quando a ansiedade é grave e insuportável para o paciente. Exemplo são os antipsicóticos atípicos que diminuem os sintomas negativos característicos dos transtornos de humor e ansiedade.

Referências

  1. a b Geraldo Possendoro. Transtorno de ansiedade generalizada. TCC para os transtornos de ansiedade.Casa do psicólogo 2007.
  2. Transtorno de Ansiedade Generalizada. Visitado em 25/09/2008.
  3. a b c d e http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=45
  4. Cargiulo T (March 2007). "Understanding the health impact of alcohol dependence". Am J Health Syst Pharm 64 (5 Suppl 3): S5–11. doi:10.2146/ajhp060647. PMID 17322182.
  5. Psicosite - Ansiedade Generalizada. Visitado em 25/09/2008.
  6. Xavier F. M. F. et all. Transtorno de ansiedade generalizada em idosos com oitenta anos ou mais. Rev Saúde Pública 2001;35(3):294-302 http://www.scielo.br/pdf/rsp/v35n3/5016.pdf
  7. Gould, R. A.; Otto, M. W.; Pollack, M. H.; Yap, L. (1997). "Cognitive behavioral and pharmacological treatment of generalized anxiety disorder: A preliminary meta-analysis". Behavior Therapy 28 (2): 285–281. doi:10.1016/S0005-7894(97)80048-2. edit
  8. [1]
  9. <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21154375" ref="ordinalpos=1&ncbi_uid=21154375&link_uid=21154375&linksrc=docsum_title" style="color: rgb(100, 42, 143);">Hydroxyzine for generalised anxiety disorder.</a>

    Guaiana G, Barbui C, Cipriani A.

    Cochrane Database Syst Rev. 2010 Dec 8;(12):CD006815. doi: 10.1002/14651858.CD006815.pub2. Review.

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