Transtorno de estresse pós-traumático

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Transtorno de estresse pós-traumático
Soldados e policiais que são submetidos a situações de estresse intenso são um grupo de risco para TEPT.
Classificação e recursos externos
CID-10 F43.1
CID-9 309.81
MedlinePlus 000925
eMedicine med/1900
MeSH D013313
Star of life caution.svg Aviso médico
Entre crianças vítimas de abuso sexual, de 20 a 36% desenvolvem TEPT e cerca de 50% desenvolvem outro transtorno.[1]

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), estado de stress pós-traumático ou ainda síndrome pós-traumática, é um transtorno psicológico que ocorre em resposta a uma situação ou evento estressante (de curta ou longa duração), de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica. Caso persista por mais de 2 anos, passa a ser considerada uma modificação duradoura da personalidade[2]

Etiologia[editar | editar código-fonte]

No Brasil é mais comum estar associado a enchentes, incêndios, acidentes de trânsito, violência doméstica ou sequestro.[3]

O TEPT pode ou não se desenvolver em uma pessoa que tenha sido exposta a um acontecimento traumático, dependendo das características que tornam a pessoa mais vulnerável ou mais resiliente e da natureza do evento traumático.

Entre os fatores que contribuem para o desenvolvimento do TEPT, estão:

  • A extensão em que o evento traumático afetou a vida íntima e pessoal do afetado;
  • A duração do evento;
  • Tendência orgânica ao desenvolvimento de transtornos de humor e de ansiedade;
  • Inexperiência/despreparo para lidar com o evento;
  • Múltiplas experiências traumáticas;
  • Experiência traumática causada por conhecidos;
  • Pouco ou nenhum apoio social/funcional após o episódio.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Ter forte apoio social e fazer tratar cedo previnem esse transtorno. [4]

Os sintomas que caracterizam o TEPT são[5] [6] :

  • Reexperiência traumática: Pesadelos e lembranças espontâneas, involuntárias e recorrentes (flashbacks) do evento traumático;
  • Fuga e esquiva: Afastar-se de qualquer estímulo que possa desencadear o ciclo das lembranças traumáticas.
  • Distanciamento emocional:
  • Hiperexcitabilidade psíquica: Reações fuga exagerados, episódios de pânico (coração acelerado, transpiração, calor, medo de morrer...), distúrbios do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, hipervigilância.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Entre 50 e 90% da população experienciam pelo menos um episódio altamente traumático na vida.[7]

Pela classificação da OMS não pode ser diagnosticado no primeiro mês após o evento traumático, nesse caso trata-se de reação aguda ao estresse (CID-10 F43.0), nem mais de dois anos após o evento, quando passa a ser classificado como modificações duradouras da personalidade (F62.0).[2] De forma similar o DSM-IV classifica as reações no primeiro mês após o trauma como transtorno de estresse agudo (308.3).[8]

De acordo com o DSM-IV, os critérios necessários para fazer o diagnóstico são[8] :

  • Existência de um evento traumático claramente reconhecível como um atentado à integridade física, própria ou alheia, que haja sido experimentado direta ou indiretamente pela pessoa afetada e que lhe provoque temor, angústia ou horror.
  • Re-experimentação persistente do evento em uma (ou mais) das seguintes maneiras:
    • Pensamentos recorrentes, aversivos e intrusivos (flashback);
    • Pesadelos relacionados ao evento;
    • Comportamentos desencadeados por essas memórias.
  • A insensibilidade afetiva, identificável por:
    • Diminuição expressiva no interesse em realizar atividades comuns ou significativas, especialmente se tem alguma relação com o evento traumático;
    • Sensação de distanciamento em relação às outras pessoas;
    • Diminuição da afetividade;
    • Pessimismo quanto ao próprio futuro.

Para ser considerado um transtorno psicológico essa perturbação deve causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Diagnóstico em crianças[editar | editar código-fonte]

Crianças são mais vulneráveis a eventos traumáticos, por terem menos experiência, preparação e recursos para lidar com desastres ou se defender de abusos.

Possíveis sintomas em crianças[8] :

  • Comportamento desorganizado ou agitado;
  • Jogos repetitivos, com expressão de temas ou aspectos do trauma;
  • Re-encenação específica do trauma;
  • Sonhos amedrontadores sem um conteúdo identificável.

Diagnóstico diferencial[editar | editar código-fonte]

Diante de eventos traumáticos também é possível resultar em um transtorno dissociativo (como uma separação de si mesmo). Na amnésia dissociativa a pessoa reprime intensamente as memórias do evento traumático, na fuga dissociativa a pessoa reprime um período inteiro de sua vida e forma uma nova identidade e no transtorno dissociativo de identidade a pessoa cria múltiplas personalidades para lidarem com eventos traumáticos.[9]

Comorbidades[editar | editar código-fonte]

Animais também podem desenvolver transtorno pós-traumático especialmente após abusos no cativeiro.[10]

Os transtornos associados mais frequentes em pacientes com TEPT são[5] :

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Segundo a OMS (2004) são mais frequentes e graves em países do extremo oriente, oriente médio e nos EUA.[11]

A prevalência do TEPT possui uma relação direta com o grau de exposição a eventos estressantes traumáticos, tanto naturais (terremotos, enchentes, incêndios...) como provocados pelo homem (guerras, atentados terroristas, ataques violentos, sequestros etc). Quando são causados pelo homem os sintomas costumam ser mais graves (especialmente isolamento e prejuízo na escola/trabalho) e tratamento costuma ser mais longo e difícil. Quando em crianças são ainda mais impactantes e podem durar a vida inteira.[12]

Entre 15% e 20% das pessoas que passam longos períodos se sentindo impotentes, frustradas e com medo diante de uma ameaça a vida desenvolvem TEPT.[13]

É um dos transtornos psicológicos mais comuns do mundo, especialmente nas regiões mais violentas e nas mais sujeitas a desastres naturais atingindo cerca de 7,8% da população geral em algum período da vida, sendo duas vezes mais comum em mulheres.[5]

A duração média do transtorno é de 3 a 5 anos, causando modificações permanentes na personalidade em 1 de cada 3 vítimas.[14]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Advertência: A Wikipédia não é consultório médico nem farmácia.
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As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.
Terapia cognitivo-comportamental é mais eficiente que medicamentos, mas medicamentos produzem efeitos mais rápido, reduzindo 70% dos sintomas no primeiro mês.[15]

Os objetivos do tratamento do TEPT, estão voltados a:

  • Diminuir os sintomas;
  • Prevenir complicações;
  • Melhorar desempenho na escola/trabalho;
  • Melhorar relacionamentos sociais e familiares;
  • Tratar transtornos associados (como depressão e alcoolismo).

O tratamento preferencial é a Terapia cognitivo-comportamental (TCC) por seis meses a um ano, complementada, em algumas ocasiões, com fármacos ansiolíticos (calmantes).[6]

Outra alternativa é o tratamento com sertralina, um antidepressivo que atua sobre a serotonina e a noradrenalina melhorando o humor e diminuindo a ansiedade e causando poucos efeitos colaterais, sendo insônia o único mais frequente nos participantes que tomaram sertralina do que nos que tomaram placebo. Dos pacientes com TEPT tratados com sertralina 53% relataram grande alívio dos sintomas. [16]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.scielo.br/pdf/pe/v13n2/a20v13n2.pdf
  2. a b Organização Mundial da Saúde. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10: Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas; 1993. http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/cid10.htm
  3. http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=vitimas-enchente-estresse-pos-traumatico&id=6148
  4. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmedhealth/PMH0001923/
  5. a b c José Waldo S Câmara Filho e Everton B Sougey. Transtorno de estresse pós-traumático: formulação diagnóstica e questões sobre comorbidade. Rev Bras Psiquiatr 2001;23(4):221-8 http://www.scielo.br/pdf/rbp/v23n4/7170.pdf
  6. a b http://drauziovarella.com.br/corpo-humano/transtorno-do-estresse-pos-traumatico/
  7. Kessler RC, Sonnega A, Bromet E, Hughes M, Nelson CB (December 1995). "Posttraumatic stress disorder in the National Comorbidity Survey". Arch Gen Psychiatry 52 (12): 1048–60. doi:10.1001/archpsyc.1995.03950240066012. PMID 7492257.
  8. a b c American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 4a edição. Porto Alegre: ARTMED; 2002.
  9. http://www.psicosite.com.br/tra/sod/dissociativo.htm
  10. Bradshaw, G.A.; Schore, A. N., Brown, J.L., Poole, J.H., & Moss, C.J. (2005-02-24). "Elephant breakdown". Nature 423 (7028): 807. doi:10.1038/433807a. Retrieved 2010-01-01.
  11. Bradshaw, G.A.; Schore, A. N., Brown, J.L., Poole, J.H., & Moss, C.J. (2005-02-24). "Elephant breakdown". Nature 423 (7028): 807. doi:10.1038/433807a. Retrieved 2010-01-01.
  12. MacMillan, H. L., Fleming, J. E., Streiner, D. L., Lin, E., Boyle, M. H., Jamieson, E., Duku, E. K., Walsh, C. A., Wong, M. Y.Y. & Beardslee, W. R. (2001). Childhood abuse and lifetime psychopathology in a community sample. American Journal of Psychiatry, 158(11), 1878-1883.
  13. VIEIRA, Rodrigo Machado; GAUER, Gabriel J. C. Transtorno de estresse pós-traumático e transtorno de humor bipolar. Revista Brasileira de Psiquiatria, vol. 25, supl. 1. São Paulo, Junho de 2003.
  14. Kessler RC, Sonnega A, Bromet E, Hughes M, Nelson CB. Posttraumatic stress disorder in the National Comorbidity Survey. Arch Gen Psychiatry. 1995; 52:1048-1060.
  15. Solomon SD, Gerrity ET, Muff AM. Efficacy of treatments for posttraumatic stress disorder: an empirical review. JAMA.1992;268:633-638.
  16. http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=192575