Transtorno de personalidade histriônica

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Transtorno de personalidade histriônica
Pessoas com personalidade histriônica geralmente gostam de ser dramáticas
Classificação e recursos externos
CID-10 F60.4
CID-9 301.5
Star of life caution.svg Aviso médico

Transtorno de personalidade histriônica (TPH) é definido pela Associação Americana de Psiquiatria como um transtorno de personalidade caracterizado por um padrão de emocionalidade excessiva e necessidade de chamar atenção para si mesmo, incluindo a procura de aprovação e comportamento inapropriadamente sedutor, normalmente a partir do início da idade adulta. Tais indivíduos são vívidos, dramáticos, animados, flertadores e alternam seus estados entre entusiásticos e pessimistas.

Podem ser também inapropriadamente provocativos sexualmente, expressarem emoções de uma forma impressionável e facilmente influenciados por outros. Entre as principais características relacionadas estão egocentrismo, desorganização egóica, auto-indulgência, anseio contínuo por admiração, e comportamento persistente e manipulativo para suprir suas próprias necessidades.

Prevalência[editar | editar código-fonte]

Atos de exibicionismo são indicativos de personalidade histriônica.

Existem poucos dados de estudos de prevalência desse transtorno, os que existem indicam uma prevalência na população de cerca de 2-3%. Já em contextos ambulatoriais e de internação em saúde mental, ao utilizar-se de avaliações mais estruturadas, as taxas foram identificadas como cerca de 10 a 15% dos casos.[1]

Ainda que algumas pesquisas sugiram que a proporção seja próxima entre os sexos, este diagnóstico tem sido muito mais frequente em mulheres. Enquanto os homens tenderiam a exibir masculinidade e habilidades físicas, as mulheres tenderiam a exaltar sua feminilidade e sensualidade.[1]

Esquemas de diagnósticos diferenciais compreendem que homens com sintomas similares tendam a ser diagnosticados com transtorno de personalidade narcisista.[2] Visto que a sintomatologia do quadro coincide com uma expressão exagerada do estereótipo do sexo feminino, tem sido considerado o negativo do transtorno de personalidade antissocial, frequentemente associado a uma expressão exagerada de masculinidade.

Características[editar | editar código-fonte]

Pessoas com este transtorno em geral são capazes de conviverem normalmente e às vezes alcançarem sucesso profissional e baixo índice de sucesso social. Indivíduos com transtorno de personalidade histriônica geralmente possuem bons dotes sociais em um círculo restrito de pessoas e tendem a usá-los para manipular os outros para tornaram-se o centro das atenções.[3] Mais além, acabam por afetar tais relacionamentos sociais, profissionais ou românticos, assim como sua habilidade em lidar com perdas ou fracassos.

Esses indivíduos começam bem relacionamentos, porém, tendem a hesitar quando profundidade e durabilidade são necessários, alternando entre extremos de idealização e desvalorização. São pessoas caracterizadas pela infidelidade contumaz e inconsequente em relações amorosas. Com o fim de relações românticas podem buscar tratamento para depressão, embora isto não seja de forma alguma uma característica exclusiva a este transtorno. Inicialmente o TPH pode ser confundido com a mitomania.

Frequentemente não conseguem visualizar sua própria situação pessoal de forma realista e tendem, ao invés disso, a dramatizar e exagerar suas dificuldades. Podem passar por frequentes mudanças de motivação no trabalho, pois entediam-se facilmente e têm problemas em lidar com a frustração e críticas. Por costumarem ansiar por novidades e excitação, podem colocar-se em situações de risco. Todos esses fatores podem aumentar o perigo de desenvolvimento de depressão.

Entre os sintomas principais estão:[3]

  • Comportamento exibicionista;
  • Busca constante por apoio ou aprovação;
  • Dramatização excessiva com demonstrações exageradas de emoção, tais como abraçar alguém que acabou de conhecer ou chorar incontrolavelmente durante um filme ou música triste;[4]
  • Sensibilidade excessiva frente a críticas ou desaprovações;
  • Orgulho da própria personalidade, relutância em mudar e qualquer tentativa de mudança é vista como ameaça;
  • Aparência ou comportamento inapropriadamente sedutor[5] ;
  • Sintomas somatoformes, e utilização destes sintomas como meio de chamar atenção;
  • Necessidade de ser o centro das atenções;
  • Baixa tolerância à frustração ou à demora por gratificação;
  • Angústia provocada pela alternância de crença nas próprias mentiras insustentáveis (mitomania);
  • Rápida variação de estados emocionais, que podem parecer superficiais ou exagerados a outrem;
  • Tendência em acreditar que relacionamentos são mais íntimos do que na realidade o são;
  • Decisões precipitadas.

Causas[editar | editar código-fonte]

A causa deste transtorno é desconhecida, mas eventos da infância como mortes ou doenças de familiares próximos, que resultam em ansiedade constante, divórcio ou problemas de relacionamento dos pais e principalmente genética podem estar envolvidos. Poucas pesquisas foram realizadas para determinar as fontes biológicas, se é que existem, deste transtorno. Teorias psicanalíticas incriminam atitudes autoritárias ou distantes por um (principalmente a mãe) ou ambos os pais, ou os pais desses pais, ou amor baseado em expectativas que a criança jamais poderia alcançar.[6]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Artistas podem exibir traços de personalidade histriônica, mas estes apenas constituem um transtorno quando são inflexíveis, socialmente inapropriados e persistentes mesmo quando inadequados e causam prejuízo e sofrimento significativo a si mesmo ou a outros.[1]

O comportamento, aparência e histórico da pessoa, juntamente com uma avaliação psicológica, são normalmente suficientes para estabelecer o diagnóstico. Não há um teste específico para confirmá-lo. Pelo critério ser subjetivo, algumas pessoas podem ser diagnosticadas erroneamente como sendo portadoras do transtorno, enquanto outras com o transtorno podem ser diagnosticadas como não portadoras. Para que seja eliminado o falso positivo, o diagnóstico é baseado no conjunto de características sintomáticas do indivíduo. O tratamento costuma ser consequência da depressão associada à dissolução de relacionamentos românticos. A medicação tem pouco efeito neste transtorno de personalidade, mas pode ajudar em sintomas como a depressão. A psicoterapia também pode auxiliar no tratamento.[7]

DSM-IV-TR 301.50[editar | editar código-fonte]

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (4ª edição, DSM IV-TR), geralmente utilizado para diagnosticar transtornos mentais, define o transtorno de personalidade histriônica como:[8]

Um padrão predominante de emocionalidade em excesso e procura por atenção, a partir do começo da idade adulta e presente em uma variedade de contextos, como indicado por cinco (ou mais) dos seguintes:
  1. Sente-se desconfortável em situações no qual ele ou ela não é o centro das atenções;
  2. Interação com outrem é frequentemente caracterizada por comportamento inapropriadamente sedutor ou provocativo;
  3. Demonstra mudanças rápidas e superficiais de emoções e avaliações sobre outrem, principalmente seus críticos;
  4. Busca de parceiros simultâneos;
  5. Utiliza consistentemente a aparência física e vestimenta (elegante ou ousada), para chamar atenção para si;
  6. Tem um estilo de discurso excessivamente impressionável e deficiente em detalhes;
  7. Demonstra dramatização, teatralidade, e expressão exagerada de emoções;
  8. É sugestionável, isto é, facilmente influenciável por outrem ou circunstâncias;
  9. Considera os relacionamentos mais íntimos do que realmente o são;
  10. Desprezo por diagnósticos e teimosia em julgar-se pessoa sã;
  11. Dificuldade de concentração e na leitura de textos longos, tendendo à supeficialidade intelectual.

É exigido pelo DSM IV-TR que o diagnóstico de quaisquer transtornos de personalidade específicos também satisfaça uma relação de critérios de transtornos de personalidade em geral.

CID-10[editar | editar código-fonte]

A CID-10 da Organização Mundial da Saúde lista o transtorno de personalidade histriônica sob o código F60.4, sendo caracterizado por pelo menos três dos seguintes:[9]

  1. Dramatização, teatralidade, e expressão exagerada de emoções;
  2. Sugestionabilidade, facilmente influenciável por outrem ou ambientes;
  3. Afetividade superficial e instável;
  4. Busca contínua por excitação e atividades onde o paciente é o centro das atenções;
  5. Sedução inapropriada em aparência ou comportamento;
  6. Busca de parceiros simultâneos;
  7. Desprezo por diagnósticos, críticas e sugestões que não coincidam com seu comportamento;
  8. Preocupação excessiva com aparência física, vestimenta e acesssórios.
  9. Em casos extremos, pode insinuar-se para depois ser receptiva ao assédio do sexo oposto, mesmo que de pessoas com pouca ou nenhuma intimidade;
  10. Inconformismo com o fim de relacionamentos, seguido de TOC -Transtorno Obsessivo Compulsivo com prevalência à obsessão pelo Déjà-vu na busca de reeditar relacionamentos que já não existem mais.

É exigido pela CID-10 que o diagnóstico de quaisquer transtornos de personalidade específicos também satisfaça uma relação de critérios de transtornos de personalidade em geral.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Devido ao relativamente pouco material de pesquisa de apoio para trabalho em transtornos de personalidade e tratamentos à longo prazo com psicoterapia, as descobertas empíricas do tratamento de tais transtornos permanece baseada no método de avaliação de casos, conjunto de sintomas e em ensaios clínicos. Na base da apresentação do caso, o tratamento de escolha é psicoterapia e/ou terapia cognitiva-comportamental, focada no auto-desenvolvimento através da resolução de conflitos e no avanço de linhas de desenvolvimento inibidas. A terapia em grupo pode auxiliar os indivíduos a aprenderem a controlar a exibição de comportamentos excessivamente dramáticos,insinuantes ou permissivos, mas devem ser monitoradas com atenção pois podem fornecer ao paciente uma plateia para que se apresente, perpetuando assim o comportamento histriônico.[10]

Os terapeutas especializados sabem que o Transtorno de Personalidade Histriônica (TPH) é retro patológico, o que pode agravar o quadro clínico. A permisividade, a sedução compulsiva e a busca inadequada por ser o centro das atenções, causam na pessoa portadora desta síndrome o efeito reverso ao desejado nas pessoas que a cercam e instalam na mente do paciente outras patologias psicossociais alienantes como o eremitismo (voluntário) ou o simples isolamento social (conseqüência) agravando o histrionismo. Em ambientes terapêuticos, constatou-se ser este um dos motivos do fracasso nas relações afetivas do portador de TPH. Como em uma relação afetiva não é aceito um comportamento sedutor compulsivo e demonstrações de sentimentos, permissividades e intimidades inadequados com terceiros, os relacionamentos afetivos tendem ao estado limítrofe entre a superficialidade e a cisão.

Segundo Gabbard (1988) e Freemann (2007) o achado comum de anorgasmia[11] nas mulheres portadoras de TPH está parcialmente relacionado a um desejo inconsciente de alcançar o poder de atenção sobre os homens por meio do ato sexual corriqueiro e inconseqüente. De maneira inconsciente, a portadora do transtorno de personalidade histriônica possui antagonismologia patológica e pode ser diagnosticada como erotopata, praticante de permissividade sexual, ou vulgaridade patológica, instalando a contradição mental que atinge sua ferida narcísica e retro alimenta a patologia. Conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (4ª edição, DSM IV-TR)), pela sua sugestionabilidade e pelas suas características fenomenológicas, a paciente portadora de TPH é manipuladora, mas deve ser convencida pelo terapeuta que, por explicitar estas características, pode também ser facilmente manipulada de forma ardilosa por outrem, provocando a satisfação de suas dependências patológicas (manipulação egóica) como assédios constantes, elogios à sua aparência e comentários que a façam sentir-se o centro das atenções. O manipulador cativa a portadora de TPH para depois atingir seus objetivos escusos. Existe também uma abordagem de terapia cognitivo-comportamental voltada para o tratamento de transtornos de personalidade conhecida como Terapia do esquema desenvolvida por Jeffrey Young em 1995. Nesta psicoterapia o psicólogo ensina o paciente a[12] :

  1. Perceber os prejuízos e sofrimentos que seu esquema mal adaptativo resulta em sua vida e na dos outros, caracterizado por Transtorno de Personalidade Dissocial (Código: F60.2).;
  2. Identificar os desencadeadores de seus comportamentos não saudáveis de agir;
  3. Identificar os danos à sua própria imagem;
  4. Desenvolver testes para verificação de crenças irrealistas;
  5. Desenvolver comportamentos alternativos mais saudáveis e eficientes.

Ao contrário de outras pessoas que sofrem de transtornos de personalidade, histriônicos são mais rápidos a procurar tratamento, exageram seus sintomas, gostam de contar suas dificuldades e problemas, apreciam a atenção provocada e gostam de ser observadas e examinadas por médicos e psicólogos. Nesses casos o terapeuta não deve se permitir ser a tela branca para as projeções do paciente. Comportamentos auto-destrutivos e ameaças de suicídio devem ser levadas a sério, cabendo ao terapeuta fazer um acordo para que o paciente telefone antes de cometer atos seriamente irresponsáveis ou auto-destrutivos. O terapeuta frequentemente deve ser cético, racional e paciente, estimulando que o paciente também desenvolva essas qualidades. Como estes pacientes também tendem a ter baixa auto-estima e ser mais emocionalmente carentes, muitas vezes desenvolvem vínculos fictícios afetivos e íntimos com médicos, psicólogos e psiquiatras, agendando consultas desnecessárias e tornando-se relutantes em iniciar e depois em encerrar a terapia.[1] Outro elemento muito importante, sempre presente no tratamento de pacientes portadores de TPH e com ampla repercussão no funcionamento mental deles, é a luta (pré-consciente) contra a própria (e freqüentemente também do ambiente) estigmatização. Essa empreitada costuma gerar sintomas secundários como a dissimulação e a mitomania para atender uma certa necessidade de se mostrar normal.

Referências

  1. a b c d http://virtualpsy.locaweb.com.br/dsm_janela.php?cod=159
  2. Seligman, Martin E.P (1984). "11". Abnormal Psychology. W. W. Norton & Company. ISBN 039394459X
  3. a b "Histrionic personality disorder". The Cleveland Clinic
  4. Cloninger, C. R., Svrakic, D.M., Przybeck, T.R. (2006) Can personality assessment predict future depression? A twelve-month follow-up of 631 subjects. "J Affective Disorder", 92 (1), 35-44.
  5. Cloninger, C. R., Svrakic, D.M., Przybeck, T.R. (2006) Can personality assessment predict future depression? A twelve-month follow-up of 631 subjects. "J Affective Disorder", 92 (1), 35-44.
  6. "Histrionic Personality Disorder". Personality Disorders. WebMD
  7. "Psych Central: Histrionic Personality Disorder Treatment"
  8. "Transtorno de personalidade histriônica". Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Associação Americana de Psiquiatria (2000) (em inglês)
  9. "Histrionic personality disorder". International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems. 10th Revision (ICD-10)
  10. "Histrionic Personality Disorder". Armenian Medical Network (2006)
  11. a-Prática-da-Psiquiatria,-Psicodinâmica-e-Psicologia-Médica-64029707-Centro de Estudos Psiquiátricos] (2008) (em português)
  12. http://www.nj-act.org/schema.html