Trastevere

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Brasão do rione.
Praça de Santa Maria in Trastevere à noite.

Trastevere é o rione (região) XIII de Roma, situado na margem ocidental do rio Tibre, ao sul do Vaticano. Seu nome vem do latim trans Tiberim, que significa literalmente "além do Tibre". É simbolizado tradicionalmente por seu brasão, que contém um leão sobre um fundo vermelho, cujo significado é desconhecido. Ao norte, o Trastevere faz fronteira com o rione XIV, Borgo.

História[editar | editar código-fonte]

Durante o período régio de Roma (753-509 a.C.), a área além do Tibre pertencia aos etruscos, hostis aos romanos, que chamavam o local de Ripa Etrusca ("margem etrusca"). Roma a conquistou para poder ganhar controle e ter acesso ao rio pelos dois lados, porém não se interressou em construir naquele lado do rio; a única ligação entre o Trastevere e o resto da cidade foi, por muito tempo, uma pequena ponte de madeira chamada de Pons Sublicius (em latim "ponte de sublica", espécie de palafita utilizada na região).

Durante o período republicano, após 509 a.C., o número de marinheiros e pescadores que dependiam do rio para sua subsistência havia aumentado, e muitos passaram a residir na região do atual Trastevere. Imigrandes do Oriente também se fixaram ali, principalmente judeus e sírios. A área passou a ser considerada parte da cidade durante o reinado de Augusto, que dividiu Roma em 14 regiões (regiones, em latim); o Trastevere era a XIV, e foi chamada de Trans Tiberim ("além do Tibre").

A área se tornou realmente parte integrante da cidade no governo de Aureliano (270–275 d.C.), que construiu posteriormente muralhas maiores para proteção da cidade, que incluíram também o Trastevere e o monte Vaticano. Com a riqueza da era imperial diversos personagens importantes decidiram construir suas villae no Trastevere, como Clodia ("amiga" do poeta Catulo) e dizia-se que até mesmo Júlio César havia tido propriedades ali (sua villa-jardim, os Horti Caesaris). A regio também foi a sede de duas das mais antigas igrejas de Roma, a Titulus Callixti (posteriormente Basílica de Santa Maria in Trastevere, e a Titulus Cecilae (Santa Cecilia in Trastevere)

Na Idade Média o Trastevere já tinha as atuais ruas estreitas e irregulares; além disso, devido aos mignani (estruturas situadas em frente aos edifícios) não havia espaço suficiente para que carroças e carruagens pudessem passar. No fim do século XV estes mignani foram removidos porém ainda assim o Trastevere continuou a ser um labirinto de ruas estreitas. Havia um grande contraste entre as casas grandes e opulentas das classes altas e as moradias pequenas e dilapidadas dos pobres. As ruas não foram pavimentadas até a época do papa Sexto IV. Os tijolos que foram usados inicialmente foram substituídos posteriormente por sampietrini (pequenos paralelepípedos), mais apropriados para o trânsito de veículos. Devido ao seu isolamento parcial, e pelo fato de que sua população sempre foi multicultural desde os tempos antigos, seus habitantes - chamados de trasteverini - desenvolveram uma cultura própria. Em 1744 o papa Bento XIV modificou os limites do rioni dando ao Trastevere seus limites atuais.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Atualmente, o Trastevere mantém seu mesmo aspecto, com ruas estreitas de paralelepípedos, cercadas por casas medievais. O bairro tem uma agitada vida noturna, com diversos bares e restaurantes servindo pratos da culinária romana e italiana em geral. Instituições educacionais como a John Cabot University, uma universidade privada estadunidense, a American Academy in Rome, o campus romano do Thomas More College of Liberal Arts, a Escola de Arquitetura do Instituto Pratt e a Escola de Arquitetura da Universidade de Waterloo, do Canadá, todas têm sedes internacionais na região. Este caráter único do local atraiu diversos artistas, expatriados, além de celebridades em geral. O diretor de cinema Sergio Leone, célebre por seus spaghetti westerns cresceu na Viale Glorioso (há uma placa de mármore em sua homenagem na parede do edifício) e freqüentou uma escola católica nas vizinhanças. Ennio Morricone, compositor de trilhas sonoras para o cinema, freqüentou a mesma escola - onde, por um ano, esteve na mesma classe que Leone.

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