Trentino-Alto Ádige

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Trentino-Alto Ádige
Trentino-Alto Adige
Trentino-Südtirol
Trentin-Südtirol
Bandeira de Trentino-Alto ÁdigeTrentino-Alto AdigeTrentino-SüdtirolTrentin-Südtirol
Área: 13.607 km²
População: 1.019.830 hab.
Densidade: 74,9 hab./km²
Províncias: Bolzano, Trento
Capital: Trento
Website: www.regione.taa.it
Localização de Trentino-Alto ÁdigeTrentino-Alto AdigeTrentino-SüdtirolTrentin-Südtirol no mapa da Itália

O Trentino-Alto Ádige (em italiano Trentino-Alto Adige, em alemão Trentino-Südtirol, em ladino-dolomita Trentin-Südtirol) é uma região situada no nordeste da Itália. Tem mais de um milhão de habitantes e uma área de 13 607 km². A capital é Trento (em alemão Trient).

Por efeito do estatuto especial de 1972, o nome oficial da região é Trentino-Alto Adige/Südtirol. Depois da lei de modificação constitucional número 3, de 18 de outubro de 2001, a denominação ítalo-alemã está também consagrada no artigo 116 da Constituição da República Italiana. Antes de 1972, a região teve o duplo nome de Trentino-Alto Adige/Tiroler Etschland e, antes de 1918 a região era chamada Tirol Meridional. Após a Primeira Guerra Mundial, a região foi anexada pela Itália como conquista de guerra, pois antes pertencia ao Império Austro-húngaro.

Geografia[editar | editar código-fonte]

O Trentino-Alto Ádige tem limites ao norte com a Áustria (Tirol e Salzburgo), ao sul e leste com o Vêneto, a sul e oeste com a Lombardia, a oeste com a Suíça (Cantão Grisões).

A região é inteiramente montanhosa. O Ortles é o cume mais elevado, ultrapassando 3.900 metros de altitude.

O río mais importante é o Ádige. A parte setentrional do maior lago italiano, o lago de Garda, pertence ao Trentino-Alto Ádige.

Administração[editar | editar código-fonte]

A região é composta de duas províncias (Província autónoma de Trento e Província autónoma de Bolzano) chamadas autónomas visto que se trata das únicas províncias italianas que têm poderes legislativos e não estão sujeitas ao poder regional. O conselho regional é composto pelos parlamentos das províncias e o cargo de presidente da região é assumido a rotação pelos presidentes das províncias. Atualmente o presidente da região é Luis Durnwalder.

Províncias de Trentino-Alto Adige/Südtirol.


Província Matrícula População (2009) Área (km²) Densidade (hab./km²) Presidente
Província autónoma de Bolzano BZ 500.030 7.399,97 67,57 Luis Durnwalder
Província autónoma de Trento TN 519.800 6.206,90 83,75 Lorenzo Dellai
Trentino-Alto Ádige 1.019.830 13.606,87 74,9 Luis Durnwalder

Línguas[editar | editar código-fonte]

Na região de Trentino-Alto Ádige estão presentes três grupos lingüísticos:

As duas províncias são diferentes lingüisticamente. O Trentino (província autónoma de Trento, também chamado Welschtirol ou Tirolo Italiano) é quase completamente de língua italiana, com comunidades históricas de língua alemã (Mocheni e Cimbri) e língua ladina (Val di Fassa, Val di Non, Val di Sole e Val di Fiemme), enquanto o Alto Ádige (Província autónoma de Bolzano ou Südtirol) tem maioria de língua alemã e minoria de língua italiana, que hoje representa 25% da população, além da população de língua ladina. Até o século XVI, cerca de 6% da população da cidade de Trento era de língua materna alemã.

A minoria lingüística ladino-dolomita habita a assim chamada Ladínia, que se estende também ao território da região do Vêneto, compreende: Val Gardena e Val Badia na província de Bolzano, Val di Fassa, Val di Non e Val di Sole na província de Trento, as comunas de Colle Santa Lucia, Livinallongo del Col di Lana e Cortina d'Ampezzo na província de Belluno. Em Ampezzo porém quase não se fala mais o ladino (ou é muito influenciado pelo vêneto). Val Badia e Val Gardena são completamente ladinas. O ladino é uma verdadeira língua neolatina. Cada vale possui sua própria variante ladina, com freqüência muito diferente das outras. Isto se tornou um grande obstáculo para o desenvolvimento cultural e lingüístico fora de seus limites: por isso foi pensado em criar-se uma língua padrão ("ladino standard") com modelo no romanche do cantão suíço de Grisões, que reunisse os aspectos mais similares do falar ladino.

História[editar | editar código-fonte]

Castelo Tirol, na comuna de Tirol

Do século XVI até o final da Primeira Guerra Mundial 1919, esta região formava, juntamente com a porção setentrional austríaca (atualmente constituinte do estado (land) do Tirol), um condado (Condado Episcopal do Tirol) pertencente aos domínios da Casa de Habsburgo. A região tirolesa manteve-se unida sob a Casa da Áustria, principalmente por causa do fator cultural; com uma população composta por falantes de diferentes línguas, foi o aspecto cultural que manteve unidos, desde o século XIV, nobres, clérigos e camponeses tiroleses. O movimento do risorgimento do século XIX levou à anexação do território pelo Reino de Itália.

Um aspecto importante da organização política tirolesa era a participação direta dos camponeses nas decisões administrativas do condado desde o Conde Mainardo (século XIV), qe instituiu representações camponesas que opinavam inclusive sobre decisões militares. Isso foi bastante reforçado durante o reinado do imperador Maximiliano (coroado na catedral de Trento), quando instituiu o "Landlibell", lei regional tirolesa que permitia a organização e grupos armados paramilitares que, posteriormente, tornar-se-iam atiradores (alemão: Schützen; italiano: Sìzzeri; ladino: Scizer).

Durante a Idade Média, a região tirolesa tinha seu território administrado pelos Condes do Tirol e pelos principados episcopais de Trento e Bressanone (Brixen). O Principado Episcopal de Trento fora instituído em 1027 pelo imperador germânico Konrad II e administrava boa parte do território tirolês. Uma vez que a Igreja não podia constituir um exército, a defesa do território coube aos condes do Castelo Tirol (Schloss Tyrol; Castel Tirolo), que ampliaram seu poder administrativo durante os séculos seguintes. A região tirolesa passou para o controle dos Habsburgos no século XIV, com a doação do condado tirolês por Margarete Maultausch, última condessa do Tirol, ao imperador Leopoldo de Habsburgo.

Com as invasões napoleônicas, o Tirol se destacou com a resistência popular chefiada por Andreas Hofer, taberneiro e vendedor de cavalos do Val Passiria (Passeiertal), contrário às ideias francesas de inspiração iluminista. Durante a juventude, viveo no Tirol Italiano (atual Trentino), onde aprendeu o italiano.

Napoleão desfez o Sacro Império Romano-Germânico e o Principado Episcopal de Trento, ocasionando diversas mudanças sociais na região austríaca. Hofer representava o descontentamento popular; era apoiado pelo clero tirolês e contava com a ajuda financeira do arquiduque Francisco José, irmão do imperador austríaco.

Após algumas vitórias significativas (Trento, Val Pusteria e Vale do Ádige) e a tomada de Bergisel em 1809, Andreas Hofer controla o governo tirolês e é condecorado pela Igreja. No entanto, as tropas napoleônicas (bávaras, francesas e italianas) reocuparam o Tirol e o dividiram entre o Reino da Baviera e o Reino de Itália. Andreas Hofer foi preso em sua cidade natal e levado para Mântua, na Itália, onde foi fuzilado (apesar da insistência da população local para libertá-lo). Durante esse período, foi utilizado pela primeira vez o nome "Alto Ádige" (significando parte alta do Vale do Rio Ádige), que designou apenas a região trentina.

Após a queda de Napoleão e o Congresso de Viena, a região tirolesa foi reunificada e retornou ao domínio austríaco. A partir de então, constituiu um único ente administrativo-geográfico com a sua parte setentrional, atualmente constituinte do estado (Land) do Tirol até 1918. A administração eclesial de Trento e Bressanone (Brixen) foram laicizadas oficialmente e toda a região se tornou um estado, com capital administrativa em Innsbruck (capital atual do Tirol austríaco).

O movimento do risorgimento italiano do século XIX procurou anexar a porção italianófona tirolesa (Trentino) sem sucesso,por causa das derrotas das tropas de Giuseppe Garibaldi e da grande rejeição da população tirolesa em fazer parte do Reino da Itália. Nos séculos XIX e XX, até o fim da Primeira Guerra Mundial (4 de novembro de 1918), o território pertenceu ao Império Austro-Húngaro. O Tratado de Saint Germain de 1919 passou a região ao Reino de Itália. Tal anexação sancionou o desmembramento da antiga região tirolesa e a incorporação de população de língua alemã ao reino da Casa de Saboia, gerando grande descontentamente, seja da população de língua alemã quanto daquela de língua italiana e ladina.

Depois do fim da Grande Guerra, que tinha visto os soldados trentinos empenhados sobre o front oriental, o recém empossado governo fascista estabeleceu uma política de nacionalização da minoria étnica sul-tirolesa, e uma progressiva nacionalização de toda a região (italianização). No curso dos vinte anos de ditadura fascista se completaram diversas operações de opressão das minorias alemã e ladina, bem como uma forte repressão contra a população trentina, que assistiu a um processo de cancelamento de sua identidade austríaca e tirolesa. Entre as operaçõs de opressão fascista, vale a pena citar o desmembramento das comunas ladinas de Colle Santa Lucia, Livinallongo del Col di Lana e Cortina d'Ampezzo do contexto regional a que tinham pertencido por vários séculos, e sua incorporação à província vêneta de Belluno. Foram também abolidas as escolas de língua alemã no Alto Ádige e as minorias de língua alemã da região trentina foram perseguidas. Em 1939, em obediência ao tratado ítalo-alemão sobre opções, a grande maioria dos residentes sul-tiroleses se declarou favorável a emigrar ao território do Terceiro Reich. O início da Segunda Guerra Mundial ocasionou a interrupção do êxodo.

A seguir ao armistício firmado pela Itália com os aliados, a região foi de fato anexado pelo Terceiro Reich. Entre 1943 e 1945, sob a autoridade do Terceiro Reich, foi restaurada a integridade territorial tirolesa rompida em 1918. O governo da República Social Italiana não tinha praticamente jurisdição alguma sobre o território da região (que vem a incluir também a província de Belluno). A área foi oficialmente denominada Área de Operações Alpenvorland, com capital Bolzano.

Alcide De Gasperi,
primeiro-ministro italiano

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, e também em seguida a manifestações populares que reclamavam a separação do Tirol Meridional da Itália, o Acordo de Paris chancelou que a província de Bolzano tinha que permanecer italiana com a condição que se respeitaram os direitos da minoria alemã e lhe fosse garantida uma ampla autonomia. O presidente do conselho italiano, Alcide De Gasperi, originário de Pieve Tesino na província de Trento, decidiu estender a autonomia aos seus concidadãos, criando a região autónoma do Trentino-Alto Ádige/Tiroler Etschland. Dessa maneira, a auto-administração da minoria alemã se tornou impossível, mas garantia uma autonomia a todo o território tirolês.

Este fato e a imigração de italianos provocaram uma resposta violenta que culminou no terrorismo do BAS – Befreiungsausschuss Südtirol (Comité pela liberação do Tirol do Sul), que queria a reunificação à Áustria. Numa primeira fase os atendados se dirigiram contra edifícios públicos e monumentos fascistas. A segunda fase foi mais sangrenta: 21 pessoas foram mortas, entre elas 15 agentes da policia italiana, 4 terroristas e 2 simples cidadãos.

O fascismo ideológico manteve-se na região após 1945, culminando com ações mais radicais na província de Bolzano, levadas a cabo pelos imigrantes e descendentes italianos oriundos de outras províncias. A política regional se organizou durante a década de 1950 e procurou dar mais voz à população germanófona, de modo a preservar os costumes, o idioma, a identidade e história da província.

Em 1972, foi aprovado um novo estatuto de autonomia, que transferiu os poderes legislativos e administrativos da região para as províncias de Trento e Bolzano. A região (Trentino-Alto Ádige]] se limita mormente a coordenar as funções das províncias.

Em 2007 e em 2009 as comunas ladinas de Belluno assinaram dois referendos populares que exigiam um retorno de seus territórios para a Província Autônoma de Bolzano. O governo vêneto se mostrou contrário e a aprovação final aguarda um parecer de Roma.

Em setembro de 2009, durante as comemorações dos duzentos anos da sublevação tirolesa liderada por Andreas Hofer, os presidentes das províncias autônomas de Trento, Lorenzo Dellai, e de Bolzano, Luis Durnwalder, participaram do cortejo histórico realizado em Innsbruck (Áustria), juntamente com o governador do Tirol austríaco, Günther Platter, e o presidente austríaco, Heinz Fischer.

Política[editar | editar código-fonte]

Dia 12 de janeiro de 2011, saiu o resultado da assembleia legislativa de Belluno em favor de um futuro plebiscito para anexação da província à região do Trentino-Alto Ádige. A solicitação partiu de assinatura de 17 mil cidadãos. Acredita-se que possa ter mais razões econômicas que históricas uma vez que a região Trentino-Alto Ádige possui maior autonomia. Porém a província ainda possui no total 210 mil cidadãos, fora os cidadãos no exterior, que serão decisivos no futuro plebiscito sem data marcada.[1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "Veneti chiedono voto all'estero ma Belluno potrebbe divenire trentina", revista Insieme,n.145- janeiro de 2011, Sommo Editora - Curitiba


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