Trofim Lysenko
Trofim Denisovič Lysenko (em russo Трофи́м Дени́сович Лысе́нко) (Karlivka, Ucrânia, 29 de setembro de 1898 — Kiev, 20 de Novembro de 1976) foi um biólogo e agrônomo ucraniano. Foi diretor da área de biologia da antiga União Soviética durante o governo de Josef Stalin.
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[editar] Biografia
Lysenko era um obscuro criador de plantas que, rejeitando a genética mendeliana propôs teses mirabolantes a respeito de colheitas e produtividade, baseadas nas idéias de Ivan Vladimirovich Michurin sobre hibridização. Tais idéias eram desenvolvidas em contraposição total às conclusões dos estudos do Ocidente.
As pesquisas pouco ortodoxas de Lysenko conquistaram o suporte da liderança soviética, especialmente após a grande fome e perda de produtividade que se seguiu à coletivização forçada ocorrida em várias partes da União Soviética nos anos 1930. Em 1940, Lysenko tornou-se diretor do Instituto de Genética da Academia de Ciências da URSS e as doutrinas antimendelianas defendidas por ele foram inseridas na ciência e educação soviéticas e protegidas por meio da força e influência política.
O tabalho de Lysenko foi oficialmente desacreditado em 1964, levando isso a uma renovação do pensamento científico com a reintrodução das teorias mendelianas e da ciência ortodoxa.
[editar] Carreira
De 1927 a 1948, pelas mãos de Stalin, Lysenko teve ascensão vertiginosa no poder soviético. Muitos dos apoiantes soviéticos da genética partilhava de ideias racistas,[1] e as própria escola genética estava muito pouco desenvolvida em comparação com a de Lysenko.[2] Como resultado disso, a liderança soviética apoiou a orientação científica de Lysenco. Mais, a genética ocidental foi denunciada na União Soviética e muitos dos seus praticantes foram colocados à margem da lei, demitidos de seus cargos e até mesmo presos. A cartilha que valia era a de Lysenko. Por conta desta mistura inflamável entre ciência e interesses políticos a pesquisa genética soviética entrou em crise. O lysenkismo com seu padrão de apadrinhamento e como proposta de metodologia científica fracassou radicalmente.
O escândalo do caso Lysenko foi tão brutal que ensombreceu discussões mais produtivas sobre as relações entre as forças sociais, políticas e econômicas e o papel dos especialistas. As lições mais profundas que o caso Lysenko nos legaram nada têm a ver com a genética incoerente que pregava, mas sim com a necessidade de se definir prioridades de pesquisa e desenvolvimento científico em bases mais democráticas.
[editar] Referências
- ↑ "Note-se também que entre os genéticos predominavam cientistas com espírito burguês e tiques elitistas, por vezes claramente contrários ao povo, fazendo gala do seu "apoliticismo" e da sua fidelidade à "ciência pura", a qual, alegavam, não podia ocupar-se com as necessidades "terrenas". Alguns deles chegaram a solidarizar-se quase que abertamente com as odiosas teorias racistas do fascismo e trabalharam na sua demonstração. Um desses snobes académicos, o biólogo Timofeev-Ressovski, optou mesmo pela traição pura à Pátria, ficando voluntariamente na Alemanha fascista onde, durante toda a guerra, trabalhou no Instituto de Investigação Científica de Berlim, estreitamente ligado aos serviços especiais do Reich de Hitler." - http://resistir.info/russia/benediktov.html
- ↑ "As investigações científicas realizadas por Lessienko e os seus colaboradores estavam orientadas com precisão para resultados concretos e, numa série de casos, já tinham produzido efeitos práticos palpáveis. Refiro-me designadamente ao aumento do rendimento das colheitas e à introdução de novas culturas agrícolas, mais promissoras. Os trabalhos de Vavilov e dos seus discípulos nem sequer num futuro previsível prometiam quaisquer resultados práticos, quanto mais no horizonte de então. " - http://resistir.info/russia/benediktov.html
[editar] Ver também
[editar] Ligações externas
- Biografia Trofim Denisovic Lysenko (em inglês)
- La scienza ideologica (em italiano) Trofim Denisovic Lysenko e la biologia sovietica