Trólebus

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Trólebus piso baixo em São Paulo.
Trólebus articulado na Praça da Sé, centro de São Paulo.

Trólebus, ônibus elétrico (português brasileiro) ou troleicarro, trólei (português europeu) é um ônibus (autocarro) movido a eletricidade[1] exógena, tipicamente transmitida por cabo aéreo suspenso sobre o seu trajeto (catenária).

É similar aos ônibus convencionais, roda por meio de pneus de borracha e não sobre trilhos, como o fazem a maioria dos veículos elétricos (como trens ou bondes). A energia chega através de hastes, denominadas tecnicamente como alavancas que ficam sobre a carroceria, em permanente contato com a fiação específica que acompanha o percurso. Os trólebus têm parte de sua estrutura elétrica baseada nos bondes que nos Estados Unidos são conhecidos como trolleys, daí o nome trólebus.

Índice

[editar] História

Com a grande demanda de veículos automotores chegando às ruas, os bondes, por andarem em trilhos, se tornavam um transtorno nas cidades. Com isso, aproveitando a parte aérea da estrutura dos bondes, foram criados os trólebus. Em vez de buscar energia na rede composto por um fio e devolver pelos trilhos como os bondes fazem, os trólebus buscam a energia por um fio e devolvem por outro que corre paralelo, através das alavancas em cima dos veículos. Com isso os trólebus poderiam ultrapassar os carros e encostar nas calçadas, coisa que os bondes não poderiam fazer.

Os trólebus circulam em muitas cidades ao redor do mundo, como Nova Iorque, Buenos Aires, Londres (que inclusive possuiu trólebus de dois andares) e Coimbra.

[editar] No Brasil

No Brasil os trólebus surgiram em 1949 na cidade de São Paulo.[2] Vários sistemas seriam criados entre os anos 1950 e 1960 como os do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Niterói, Porto Alegre, Salvador, Campos dos Goytacazes, Fortaleza entre outros, sendo a maioria destes extintos até o início da década de 1970. Restariam, daquela época, apenas os sistemas de São Paulo, Recife, Santos, São Bernardo do Campo e Araraquara.

A demanda por esse tipo de veículo despertou o interesse de empresas nacionais em produzirem trólebus localmente. O primeiro protótipo brasileiro, com um índice de nacionalização de 85% do custo, foi construído pela Villares em 1958 e entregue à CMTC, recebendo o prefixo 6007. Outras empresas posteriormente acompanharam a iniciativa, dentre as quais a Massari e Mafersa. A própria CMTC encarregou-se de reformar alguns veículos no final dos anos 1960.[3]

Nos anos 1980 os trólebus ganhariam novo fôlego no Brasil, através de um programa criado pela estatal Empresa Brasileira de Transportes Urbanos – EBTU, em conjunto com o Ministério dos Transportes e o BNDE (atual BNDES). Surgiriam os sistemas de Ribeirão Preto e de Rio Claro, além do Corredor Metropolitano São Mateus - Jabaquara, da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo na Região Metropolitana de São Paulo. Os remanescentes de outras épocas receberam investimentos para renovação e reforma da estrutura elétrica, além da compra de novos veículos e até mesmo a pavimentação de ruas e avenidas por onde os trólebus circulariam.

Todavia, desde o início dos anos 1990, influenciados pelos novos tempos da política que exigem a chamada "redução do tamanho do Estado" através de privatizações, esses veículos foram gradativamente sendo deixados de lado e desativados no Brasil, dada a falta de interesse dos empresários de ônibus nacionais. Foram extintos os sistemas de Rio Claro em 1993, Ribeirão Preto em 1999, Araraquara em 2000 e o de Recife em 2001. Santos sofreria uma redução drástica entre os anos de 1993 e 1996, com a retirada de mais de 50 carros de circulação e a manutenção de apenas uma, das sete linhas antes existentes. O sistema foi privatizado em 1998, e, atualmente, apenas seis carros circulam no sistema municipal daquela cidade em uma linha, a 20, ligando o Centro ao Gonzaga. Há planos de se criar uma linha turística de trólebus na cidade. Por outro lado, foi solicitado o tombamento do sistema de trólebus de Santos, em tramitação.


[editar] Cidade de São Paulo

Apesar da privatização da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), em 1993, o sistema municipal de São Paulo ganharia algum fôlego entre 1994 e 1998, com uma reforma completa em veículos antigos (que incluiu a troca de carrocerias) e a compra de 111 novos carros pelas três empresas de ônibus que assumiram as garagens eletrificadas do município.

Durante a administração da prefeita Marta Suplicy, ocorreu uma nova licitação para os serviços de transporte coletivo na Capital. Várias linhas foram extintas e foi removida a fiação aérea no Corredor Santo Amaro, nas avenidas Faria Lima e Lineu de Paula Machado e na rua Augusta, mantendo-se apenas 280 trólebus em atividade.[4] Não foram utilizados argumentos técnicos, e sim políticos, pois na nova licitação, várias linhas foram entregues aos empresários José Ruas Vaz e Belarmino Assunção Marta, que queriam ter o controle das mesmas pois geravam uma grande receita, mas se recusavam a operar com trólebus. Atualmente, apenas 194 veículos permanecem em operação, que é feita pela Himalaia Transportes S/A.

Hoje, cerca de 150 veículos, a maioria em boas condições, encontram-se parados e sujeitos às ações do tempo em garagens da SPTrans. Em julho de 2006, 24 veículos foram arrematados em um leilão pela Metra, empresa operadora do Corredor Metropolitano São Mateus - Jabaquara, pois segundo a SPTrans os veículos eram irrecuperáveis, o que foi desmentido, pois os trólebus foram completamente reformados e com um custo muito abaixo do que a SPTrans informava. Cerca de 120 carros, a maioria ainda em plenas condições de uso, foram vendidos como sucata pela prefeitura de São Paulo, entre 2002 e 2004. Em 2011, os primeiros trólebus novos chegaram para que gradativamente substituam os veículos mais antigos. Até dezembro de 2012 70% da frota de trólebus em SP deve ser nova.

[editar] Corredor ABD

O sistema do corredor da EMTU-SP (São MateusFerrazópolisPiraporinha), depois da privatização feita em 1997, permanece operando com cerca de 80 veículos, sendo que a maior parte do trajeto é feito em via segregada do restante do trânsito das ruas e avenidas por onde passa (o que se constitui como uma excelente vantagem para a sua operação).[5]

Porém, os trólebus não operam em todo o corredor. O trajeto entre o Terminal Piraporinha, em Diadema, e o Terminal Jabaquara, em São Paulo, já foi eletrificado porém encontra-se em fase de testes. Encontra-se em fase de licitação as obras para eletrifivação do novo trecho do corredor, a ser inaugurado em entre Diadema e o Shopping Morumbi, sem data prevista.

Como dito, a concessionária Metra adquiriu, em julho de 2006, 24 veículos que estavam encostados no sistema municipal de São Paulo, restaurando-os e colocando-os em circulação novamente.

[editar] Santos

[editar] Em Portugal

Veículo 75, um Trolino Solaris, servindo a carreira 4 dos SMTUC (Coimbra).
Veículo 166=50, de marca Efacec, servindo a carreira 4 dos SMTUC (Coimbra).

A única cidade portuguesa equipada actualmente com trólebus é Coimbra, mas num regime reduzido comparado com épocas anteriores.

Em Braga circularam de 1961 até finais da década de 1970.

No Porto circularam de Janeiro de 1959 a Dezembro de 1997.


[editar] Vantagens e Desvantagens

Trólebus do sistema municipal da Cidade de São Paulo na Avenida Paes de Barros, Mooca.
Vantagens
  • Maior potência nas subidas.
  • Trata-se de um veículo mais silencioso que os convencionais.
  • Não polui o meio ambiente, pois não solta as partículas e gases que provêm de motores a explosão.
  • É mais confortável para passageiros e motoristas, já que não possui câmbio de troca de marchas (evitando os solavancos típicos desse processo) e motor frontal que gera calor.
Desvantagens
  • Sua fiação degrada o ambiente visual.
  • Depende da existência de fiação (rede aérea) para se locomover.
  • Não podem ultrapassar outros trólebus que estiverem à sua frente.
  • Possibilidade de queda das alavancas de contato com a rede aérea, interrompendo a circulação do veículo até à sua reposição.

Algumas de suas desvantagens foram solucionadas ou minimizadas, como ocorreu após o desenvolvimento de uma marcha autônoma que, quando ocorre queda da energia, o motor continua funcionando em sistema híbrido ou possui um segundo motor a diesel. A fiação pode ser melhorada com sistema flexível, que minimiza ou até mesmo impede a queda da alavanca do veículo. O visual da fiação poderá melhorar com a instalação de postes arquitetônicos.[6]

Referências

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

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