Trote (abuso)

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Trote militar de um oficial piloto - Compiègne, França - 1997

É considerado abuso em um trote (Praxe, em Portugal) quando ele se torna um processo psicossocial de integração sadomasoquista caracterizado freqüentemente por assédio ritualístico, abuso ou humilhação com a exigência da realização de tarefas sem sentido; algumas vezes, é visto como uma forma de iniciação num grupo social. O termo pode se referir tanto a práticas físicas quanto mentais e é amplamente disseminado por todo o mundo, sob os nomes de hazing (Estados Unidos), ragging ou fagging (Commonwealth), bizutage em francês, fala em polonês, dedovshchina em russo e ontgroening em holandês.

Com frequência, a maioria ou toda a provação (ou, pelo menos a parte mais séria), se concentra numa sessão orgiástica ou pode se prolongar por um período que varia de uma semana a vários meses, dependendo das tradições mantidas por uma determinada instituição quanto ao tratamento dos "calouros" ou "novatos".

O trote é utilizado frequentemente como um método de promover a lealdade e a camaradagem do grupo através do sofrimento compartilhado, seja com os companheiros participantes, ex-participantes ou ambos.

Extensão[editar | editar código-fonte]

O trote tem sido relatado numa variedade de contextos sociais, incluindo:

  • Fraternidades e irmandades académicas;
  • Faculdades e Universidades em geral;
  • Grupos de associados, como fã-clubes e bandas escolares;
  • Sociedades secretas e mesmo alguns clubes de serviços;
  • Equipes ou clubes de outros desportos competitivos (e mesmo em áreas "leves" ou não-competitivas, como artes plásticas);
  • As forças armadas: nos Estados Unidos, práticas de trote utilizadas em campos de prisioneiros da I Guerra Mundial foram introduzidas nas faculdades. O mesmo ocorreu com o exército polonês, que incorporou práticas pré-I Guerra Mundial de exércitos estrangeiros, os abusos praticados contra recrutas são frequentes;
  • Forças policiais (frequentemente com tradição paramilitar);
  • Serviços de resgate, tais como salva-vidas (militares de carreira ou adestrados em estilo militar);
  • Em locais de trabalho;
  • Abuso de prisioneiros é também bastante comum em locais de detenção ao redor do mundo, incluindo relatos freqüentes de espancamentos e estupros por parte de colegas de cela;
  • Várias formas de "diplomar" um novato no seu "batismo de fogo" em algum esporte ou outra disciplina, como, por exemplo, o primeiro voo solo de um piloto.

É uma questão subjetiva onde colocar a linha entre o trote "normal" (algo abusivo) e um mero rito de passagem (que cria um vínculo; proponentes podem argumentar que eles são coincidentes), e há uma área cinzenta sobre onde exatamente o outro lado passa a ser completamente degradante, mesmo se abusos perigosos tenham não só sido tolerados como aceitos voluntariamente (acidentes sérios, mas evitáveis, ainda acontecem; mesmo abusos deliberados com graves consequências médicas ainda ocorrem com frequência em algumas tradições). Ademais, como este é um ritual de iniciação, um contexto social diferente pode significar que o tratamento aplicado a um grupo de pessoas pode ser distinto do de outro (por exemplo, a cerimônia de cruzamento da linha do Equador num navio é encarada como uma brincadeira pelos passageiros, mas é humilhante quando imposta aos marinheiros).

Veja também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

http://www.acb-contre-bizutage.fr/ Association Contre le Bizutage (France)