Trova

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Trova inicialmente era qualquer poema ou canção, chamando-se trovador o poeta — ou vate —, aquele que declamava a trova. Depois, passou-se a chamar trova a forma fixa que hoje é empregada, isto é, o poema autônomo de quatro versos em redondilha maior.

A definição de trova que foi adotada como definitiva, segundo Luiz Otávio, é "composição poética de quatro versos de sete sílabas cada um, rimando pelo menos o segundo com o quarto verso e tendo sentido completo".[1]

Para Jorge Amado: "Quanto à trova, não pode haver criação literária mais popular, que fale mais diretamente ao coração do povo. É através da Trova que o povo toma contato com a poesia e sente a sua força. Por isso mesmo, a Trova e o Trovador são imortais."[2]

Fernando Pessoa considera que "A Trova é o vaso de flores que o povo põe à janela de sua alma."[3]

Exemplo de trova de autoria de Luiz Otávio:
Às vezes o mar bravio
dá-nos lição engenhosa:
afunda um grande navio,
deixa boiar uma rosa!

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Trova é um poema monotrófico (contém uma estrofe apenas) com quatro versos heptassílabos (redondilha maior), sem título, que se completa em seus quatro versos, como nos exemplos a seguir, de Pedro Ornellas:

O acerto, sim, amedronta,
mas creio que estamos quites:
Para os meus erros sem conta
Deus tem perdão sem limites.


A situação tá tão feia,
minha grana tão escassa,
que o vizinho churrasqueia
e eu passo o pão na fumaça.

A trova também é chamada de "quadra" ou "quadrinha", mas esta sinonímia não é perfeita, uma vez que as regras rígidas da trova não se fazem necessariamente na quadra. Entre os atuais cultores desta forma de poesia, é preferível o termo "trova" como designativo.

Há a necessidade de se diferenciar a trova da quadra que compõe um poema maior, uma vez que a trova se completa em si, sem aceitar mais nenhuma estrofe.

O esquema rímico da trova é de rimas alternadas (ABAB) ou cruzadas (ABBA).

Para os concursos literários, atualmente, as trovas de rima simples ABCB foram preteridas em função das trovas de rima completa ABAB, como segue:

Trova de rima simples (ABCB), de autoria de Luiz Otávio:

Desconfio que a saudade (A)
não gosta de ti, meu bem: (B)
quando tu vens, ela vai...(C)
quando tu vais, ela vem! (B)

Trova de rima completa (ABAB) de autoria de Antonio Augusto de Assis:

Tem muito mais graça a vida (A)
quando a gente tem com quem (B)
repartir bem repartida (A)
a graça que a vida tem. (B)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. A Trova Raízes e Florescimento - UBT - 2013
  2. A Trova Raízes e Florescimento - UBT - 2013
  3. A Trova Raízes e Florescimento - UBT - 2013

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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