Tumor da tiroide

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Um tumor da tiroide ou tireoide refere-se a qualquer neoplasia desta glândula, benigna ou maligna (cancro/câncer). O cancro da tiroide constitui cerca de 1-2% de todos os cancros nos países ocidentais. São mais frequentes na mulher.

As neoplasias da tiroide são quase sempre das células foliculares. Estas neoplasias originam-se da células foliculares da tiroide, as mais abundantes, que utilizam o iodo para produzir os hormônios triiodotironina (T3) e tiroxina (T4) que são hormônios que aceleram o metabolismo celular. Os tumores destas células, no entanto, principalmente os carcinomas, raramente produz testosterona.

A única neoplasia comum que se origina de outro tipo de célula tiroideia é o carcinoma medular da tiróoide, que se origina das células intersticiais, as células que produzem o hormônio Calcitonina.

Neoplasias incomuns incluem aquelas originárias do estroma, como lipomas, fibromas, angiomas e seus correspondentes malignos; e os linfomas. As metástases de cancros de outros órgãos para a tiroide são relativamente pouco comuns.

Fatores que aumentam a probabilidade do desenvolvimento destes cancros são a radiação ionizante (tipo papilar) e a dieta deficiente em iodo (tipo folicular). A grande maioria dos casos nos países ocidentais, no entanto, não apresentam história de exposição a estes factores.

O diagnóstico e tratamento de muitas destas neoplasias é realizado com técnicas da medicina nuclear.

Adenoma da tiroide[editar | editar código-fonte]

É uma massa benigna mais frequente da tireoide, que pode ou não produzir hormonas tiroideias (T3 e T4). Em 90% dos casos não é funcional (não produz hormona).

Carcinoma papilar da tiroide[editar | editar código-fonte]

Constitui 80% dos canceres da tiroide. É um tumor maligno com bom prognóstico (sobrevivência de mais de 10 anos em 95% dos casos). Pode, no entanto, em alguns casos, ser fatal, evoluindo com metástases para outros tecidos, tais como: os ossos e os pulmões

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

O carcinoma papilar ou papilífero é muito mais provável em indivíduos expostos a altas doses de radiação ionizante. O número de casos após testes nucleares ou acidentes como Chernobyl, é muito aumentado, particularmente em crianças. Julga-se que a localização de Iodo radioactivo nas tiroides activas e em crescimento das crianças aumenta a sua suceptibilidade.porém o tumor pode aparecer em indivíduos que não foram expostos à radiação.

Esta neoplasia têm o seu pico de incidência em mulheres jovens (20-40 anos). l

Patologia e genética[editar | editar código-fonte]

São frequentes as mutações nos genes dos receptores de tirosina-cinase RET.

Microscópicamente este tumor é identificado através da morfologia dos núcleos das suas células, que têm aspecto de vidro esmerilado, claros como se vazios, devido à dispersão da sua cromatina. São frequentes os corpos psamomatosos, agregações concêntricas de matéria calcificada. O tecido neoplásico frequentemente forma papilas, mas mais raramente pode formar folículos como o carcinoma folicular. Este subtipo, denominado carcinoma papilar-folicular, distingue-se do carcinoma folicular apenas pelos núcleos vidrados, mas o seu comportamento é semelhante ao do carcinoma papilar de verdadeira morfologia papilar, e portanto pertence a este grupo.

Outras variantes infrequentes são a encapsulada, que é rodeada de tecido conjuntivo espesso; e a de células altas, cujas células são cilíndricas e não cúbicas.

Clínica[editar | editar código-fonte]

É geralmente assimptomático nos estágios iniciais, não produz hormonio. Nos estágios avançados a massa tumoral pode comprimir a laringe e o esófago, alterando a voz e produzindo tosse, disfagia ou dispneia. As metástases são usualmente pela via linfática e alojam-se nos gânglios linfáticos regionais.

Terapêutica[editar | editar código-fonte]

O prognóstico deste tipo de cancer está entre os melhores. 95% dos doentes sobrevivem mais de dez anos, e uma maioria cura-se completamente com tratamento.

O tratamento consiste em tiroidectomia (remoção da tiroide), terapia com hormonios tireoideanos sintéticos e técnicas da medicina nuclear, com administração de altas doses de iodo radioactivo, a radioiodoterapia visando a eliminação das metastases, uma vez que o tumor papilifero apresenta alta afinidade pelo iodo e o iodo radioativo, produz emissões radioativas do tipo beta, que destrõem o remanescente e as metastases do tumor.

Carcinoma folicular da tiroide[editar | editar código-fonte]

É um tipo de cancro da tiroide com prognóstico intermédio (mortalidade 10%). Constitui cerca de 15% dos cancros da tiroide (é o segundo tipo mais frequente).

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Este tipo de carcinoma da tiroide é mais frequente em áreas cujas populações têm dietas pobres em iodo. A água do mar é rica em iodo, mas as regiões afastadas do mar, como montanhas, têm pouco iodo nos solos. A privação de iodo leva ao bócio multinodular, que pode levar ao desenvolvimento do carcinoma folicular.

O pico de incidência é em mulheres de meia-idade (com 40-60 anos).

Patologia e genética[editar | editar código-fonte]

Cerca de metade destas neoplasias têm mutações em pelo menos um gene tipo RAS (um oncogene).

Forma nódulos bem delimitados e encapsulados. É de difícil distinção da hiperplasia nodular da tiroide, um tipo de adenoma (benigno). A distinção faz-se em última análise pela detecção de infiltração da cápsula ou dos vasos sanguíneos. Este tipo não metastiza via linfáticos, mas pelo sangue.

Os seus núcleos são escuros e não apresentam corpos psamomatosos. Forma folículos geralmente imperfeitos, com colóide (secreção), mas não secreta hormona. Por vezes detectam-se células com citoplasma abundante granular, células de Hürtle, que também se identificam nos adenomas.

Clínica[editar | editar código-fonte]

São assimptomáticos. Podem metastizar para o pulmão, osso, fígado e outros locais, via sanguínea.

No estágio avançado pode haver sintomas relativos à compressão da laringe ou esófago pelo tumor.

Terapêutica[editar | editar código-fonte]

O prognóstico é menos bom que o da variante papilar. Se o tumor não é invasivo, a taxa de sobrevivência (10 anos) é de 90%, mas mais de metade atingida pela variante mais invasiva morre.

A terapêutica consiste na tiroidectomia, administração de hormona sintética e de iodo radioactivo.

Carcinoma anaplásico da tiroide[editar | editar código-fonte]

Tumor maligno de muito mau prognóstico. Inclui menos de 5% dos cancros da tiroide.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

O carcinoma anaplásico desenvolve-se na maioria dos casos de uma minoria de casos de carcinoma papilar ou folicular que não foi detectado ou tratado a tempo. Assim, factores de risco incluem exposição a radiação nuclear ou deficiências de iodo na dieta.

Patologia e Genética[editar | editar código-fonte]

Julga-se que se originam de mutações adicionais (no gene p53) em células cancerosas dos tipo papilar ou folicular. Apresentam portanto frequentemente mutações RET/p53 ou RAS/p53.

As sua células são semelhantes a células embrionárias, tendo perdido a capacidade de diferenciação. Podem coexistir células gigantes, pequenas, e em forma de fuso. É facilmente confundido morfologicamente com o carcinoma medular.

Clínica[editar | editar código-fonte]

Massa cervical com crescimento rapido e firme (fibrose) sintoma compressivo e invasivo, metastases sao comuns porem o paciente morre antes de diagnosticar o carcinoma.

Assintomáticos até surgirem sintomas de compressão da laringe ou esófago (dificuldade em respirar e deglutir, alterações na voz).

Terapêutica[editar | editar código-fonte]

Metastases para os pulmões são frequentes.

São invariavelmente mortais e a terapêutica é paliativa, como resecção de massas mais incomodativas, administração de analgésicos opióides. A morte ocorre na maioria dos casos dentro de um ano após o início dos sintomas.

Carcinoma medular da tiroide[editar | editar código-fonte]

Tumor maligno das células c. São 5% dos cancros da tiroide. É um tumor neuroendócrino. Mais frequente em indivíduos com 40-60 anos. São frequentes as mutações nos genes RET. Microscopicamente há áreas de necrose que alternam com ninhos de células cancerosas e regiões fibrosadas. Pode haver depósitos de amilóide formados de calcitonina secretada. O diagnóstico é confirmado com a detecção de níveis altos de calcitonina e outras hormonas como VIP, somatostatina, ou serotonina. No entanto não há sinais de hipercalcémia (excesso de cálcio no sangue). Os sintomas são devidos à compressão de outras estruturas como a laringe e esófago. Se o tumor secretar outras hormonas além da calcitonina pode haver sintomas devidos a níveis excessivos dessa hormona. O tratamento é cirúrgico apenas (tiroidectomia), já que o tumor não concentra iodo como os das células foliculares. O prognóstico é intermediário entre o carcinoma folicular e o anaplásico.