Urochordata

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Como ler uma caixa taxonómicaUrochordata
Ocorrência: Cambriano - Recente
Ascídeos da espécie Pyura spinifera

Ascídeos da espécie Pyura spinifera
Classificação científica
Domínio: Eukariota
Reino: Animalia
Subreino: Metazoa
Superfilo: Deuterostomia
Filo: Chordata
Subfilo: Urochordata
Giribet et al., 2000
Classes
Ascidiacea

Thaliacea
Larvacea
Sorberacea

Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Urochordata
Polycarpa aurata espécie do grupo dos urocordados

Os Urochordata (ou urocordados, do grego oura, cauda; do latim chorda, cora, + ata, caracterizado por), também conhecidos como Tunicata (tunicados), é um subfilo de animais marinhos, que pertencem ao filo Chordata. Seus membros não possuem espinha dorsal, mas uma notocorda em pelo menos alguma fase de suas vidas, sem falar que neste subfilo existe também um cordão nervoso oco dorsal, fendas branquiais e cauda pós-anal, características estas distinguíveis nos cordados.

As maiorias dos Urocordados são sésseis, outros são livre-natantes e em seus corpos em geral existem uma túnica complexa, que podem ter uma aparência macia ou cartilaginosa, que os recobrem externamente. Essa túnica é composta por quantidades variáveis de água, proteína e carboidratos, e fibras estruturais compostas de Tunicina de estrutura semelhante a celulose (de onde vem o nome tunicado).

Os Urocordados são seres filtradores, que removem o plâncton da corrente hídrica e alguns sedimentos úteis para nutrição, que da faringe passa para o esôfago, estômago, intestino e desemboca no mesmo sifão atrial.

Os sistemas dos Urocordados são relativamente simples, se comparados aos dos outros Cordados. O sistema sanguíneo tem vasos simples mas bem definidos e um coração cilíndrico em forma de U. O sistema nervoso dos Urocordados consiste de um gânglio cerebral cilíndrico e nervos saindo tanto na extremidade anterior quanto na posterior. Na questão reprodução, os Urocordados podem ser tanto assexuados quanto sexuados. Quando assexuado, a reprodução é por brotamento, enquanto os sexuados são geralmente hermafroditas.


Morfologia[editar | editar código-fonte]

A água com seus sedimentos entra pelo sifão bucal através de batimentos de cílios laterais e chega numa grande faringe. As paredes desta faringe são perfuradas por fendas branquiais (estigmas), permitindo que a água passe da faringe para o Átrio (que circunda completamente a faringe) e depois saia pelo sifão atrial. Antes da água entrar na faringe, ela passa também pelos tentáculos bucais (localizados no final do sifão bucal) que impede que sedimentos muito grandes entrem pela faringe.

Embora o sangue deles seja bem pigmentado (predominância de verde-pálido), nenhum desses pigmentos servem como transporte, sendo os gases transportados na solução plasmática. É no sistema sanguíneo dos Urocordados que existe uma característica incomum, uma reversão do fluxo sanguíneo que ocorre a cada 2 ou 3 minutos. O coração, que bombeia sangue em uma direção, para momentaneamente e volta a bater, levando o sangue para a direção oposta. Isso ocorre pois o fluxo sanguíneo irriga os órgãos de forma serial, os primeiros órgãos recebem um sangue de melhor qualidade, enquanto os últimos recebem o que sobrou de oxigênio do fluxo. A reversão do sangue garante que todos os órgão recebam fluxos de boa qualidade.

O sistema nervoso dos Urocordados, originado do tubo neural embrionário, está localizado entre os dois sifões no tecido conjuntivo e com nervos saindo tanto na extremidade anterior quanto na posterior. Sob o gânglio aloja-se um órgão esponjoso e oco chamado de glândula neural, que mesmo com o seu nome, não se encontra nervos presentes e a presença de glândulas nele é questionável. Mas acredita-se que sua função está relacionada com a restauração e conservação do volume do fluido sanguíneo. Os órgãos sensoriais dos Urocordados podem ser encontrados na superfície dos sifões, nos tentáculos bucais e no átrio, exercendo um controle na corrente de água com sedimentos que passa pelo sistema digestório.


Diversidade[editar | editar código-fonte]

O subfilo Urochordata pode ser dividido em três Classes: Ascidiacea, Thaliacea e Larvácea. Sendo Ascidiacea a classe com mais membros neste subfilo.

Ascidiacea[editar | editar código-fonte]

As ascídias são sésseis e comuns em todo mundo. Podendo-se encontrar indivíduos grandes e solitários ou indivíduos pequenos que vivem em grandes colônias. O formato do corpo das ascídias varia de esféricas, cilíndricas a irregulares e um dos lados se prende ao substrato e o lado oposto de seu corpo existe duas aberturas, o sifão bucal e o sifão atrial, por onde se alimentam e secretam seu alimento. São encontradas de várias cores e vários tamanhos (de 1mm a 18cm). A túnica que reveste as ascídias é predominantemente espessa, variando de gelatinosa a resistente.

Muitas ascídias são coloniais, seus indivíduos (chamado de zoóides) são geralmente pequenos, mas suas colônias podem chegar a tamanhos consideráveis. Os zooides são unidos um com os outros, sendo que em famílias mais especializadas, esses zoóides apresentam uma túnica compartilhada. Em algumas espécies, esses zooides são independentes de seus vizinhos. No entanto, em outras espécies, os zoóides coloniais são integrados em um sistema organizado que apresenta até uma cavidade atrial em comum.

Thaliacea[editar | editar código-fonte]

Nas Taliácias seus membros são especializados em uma vida livre-natante. Apresentando um sifão bucal e atrial em lados opostos, que não só servem para a alimentação, mas também funciona na propulsão do individuo (propulsão por jato d’agua). As taliácias apresentam uma aparência transparente e um tecido conjuntivo gelatinoso.

A classe Thaliacea pode ser dividida em três ordens: Pyrosomida, Doliolida e Salpida. A Pyrosomida compreende uma ordem mais primitiva. Seus indivíduos formam colônias especializadas, em que os pequenos zoóides estão juntos numa estrutura em comum, onde a água entra no sifão bucal de cada individuo e vai para uma grande câmara atrial compartilhada (cloaca comum), que faz a água sair em um único sifão atrial. Os Pirossomos podem apresentar também uma alta bioluminescência. As ordens Doliolida e Salpida compreende de indivíduos que alternam entre etapas sexuais coloniais e solitárias. Esses membros possuem uma ação muscular que contrai a câmara atrial, auxiliando no fluxo aquático no átrio.

Larvácea[editar | editar código-fonte]

A classe Larvácea (ou Apendiculários) são os seres mais diferentes dos Urochordata. São conhecidos por ainda apresentar características larvais (presença de cauda) e por viverem em uma casca ou casa gelatinosa que eles secretam em torno do corpo. Possue um corpo bulboso e uma cauda muscular em que ainda se conserva a notocorda.

A água entra por filtros localizados na parede dessa casa, na qual é bombardeada pelo batimento complexo de sua cauda e sai por um orifício, produzindo uma força propulsora. Pela existência desse abrigo, nos larváceos não é necessário à presença da túnica que é comum nos Urochordata. Esta túnica é descartada frequentemente pelos larváceos, sendo gerados por dia de 4 a 16 abrigos.

Ecologia[editar | editar código-fonte]

São exclusivamente marinhos e a maior parte desses animais se alimenta de materiais em suspensão, como plâncton e outros detritos orgânicos. Há raros casos de espécies que caçam pequenos invertebrados. A classe Ascidiacea é séssil e captura o alimento que passe próximo delas ou que se sedimenta no substrato em que elas estão ancoradas. As ascídias possuem também tentáculos bucais que impedem a passagem de detritos muito grandes para a faringe. Já as classes Thaliacea e Larvacea são livre-natantes e vão em busca de lugares com maiores concentrações de seus alimentos. A excreção (as fezes) desses animais têm uma grande importância para a fonte de suprimento orgânico do mar, sendo até os abrigos das Larvacea envolvidas na formação da neve marinha.

As Ascidiacea são encontradas predominantemente fixadas em rochas de recifes, restos de navios naufragados e outros substratos duros. Sendo poucas encontradas em superfícies macias, como lama ou areia. As Thaliacea são muito vistas em oceanos de águas quentes, sendo que algumas espécies ainda podem ser encontradas em mares temperados ou polares, mas não são a maioria. E as Larvacea são extremamente abundantes, sendo encontradas nas águas de superfície de vários oceanos.

Classificação e Evolução[editar | editar código-fonte]

Urochordata foi o nome dado para enfatizar a presença da notocorda na cauda. O grupo compreende as classes Appendicularia ou Larvacea, Thaliacea, animais planctônicos, e Ascidiacea, animais exclusivamente bentônicos, solitários ou coloniais. Foi proposta uma nova classe, Sorberacea, compreendida por muitos como um grupo de ascídias bastante especializadas para vida em grandes profundidades. Tunicata é um grupo monofilético, cujas sinapomorfias são: presença da túnica; hermafroditismo e fluxo sanguíneo bidirecional.

As análises moleculares também indicam que Tunicata é grupo monofilético. As relações entre as três classes de Tunicata, porém ainda não foram totalmente esclarecidas. Trabalhos demonstraram que Thaliacea é provavelmente grupo irmão de Phlebobranchia, uma ordem de Ascidiacea, o que indica que esta classe não é monofilética. Appendicularia, classe de animais planctônicos capazes de secretar um invólucro mucoso semelhante à túnica dos demais tunicados, constitui o grupo-irmão dos mesmos, mas há controvérsia. Estudos morfológicos anteriores já haviam reconhecido a proximidade entre ascídias Phlebobranchia e Thaliacea. O plano corporal dos tunicados é tão distinto dos demais cordados que foi proposto que os mesmos fossem elevados à condição de Filo, restringindo o Filo Chordata aos Cephalochordata e Vertebrata.


Referências[editar | editar código-fonte]

  • RUPPERT, E. E.; FOX, R. S.; BARNES, R. D. Zoologia dos Invertebrados. 6 ed. São Paulo: Roca, 1996.
  • BRUSCA, R. C.; BRUSCA, G. J. Invertebrados. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2007.
  • ROCHA, R. M.; TAVARES, Y.A G.; SILVA, G. S.; METRI, R. 2006. Origem e Evolução de Deuterostomia. In: E. L A Monteiro Filho; J. M. da R.Aranha. (Org.). Revisões em Zoologia I. 1 ed. Curitiba: SEMA, p. 199-215.