Tupiniquins

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Jovens tupiniquins dançam, festejando a demarcação de suas terras, em 2007
Valter Campanato/ABr
localização original dos povos tupiniquins, no século XVI.
distribuição dos grupos de língua tupi na costa, no século XVI.

Os tupiniquins (também chamados topinaquis, tupinaquis, tupinanquins, e grafada comumente como tupinikins) são um grupo indígena brasileiro, pertencentes à nação Tupi e que habitam o território atual do município de Aracruz, no norte do Espírito Santo.

Índice

[editar] Etimologia

Segundo Antenor Nascentes, deriva da expressão tupin-i-ki, significando "tupi ao lado, vizinho lateral" (in: Dicionário Etimológico Brasileiro[1]). Silveira Bueno dá sua raiz na expressão tupinã-ki, ou "tribo colateral, o galho dos tupi" (in: Dicionário Etimológico-Prosódico da Língua Portuguesa[1]).

[editar] Expressão tupiniquim

No uso comum, "tupiniquim" também tem sido usado (embora erroneamente) como metonímia de Brasil ou brasileiro em geral: "praga tupiniquins", "cantor tupiniquim"[2] e até mesmo "filosofia tupiniquim"[3] em vez de "praga brasileira", "cantor brasileiro" e "filosofia brasileira". De acordo com o colunista Diogo Mainardi, o termo "tupiniquim" é utilizado de modo pejorativo. Segundo ele, o termo significaria "pobre, de araque, de terceira categoria"[4].

[editar] História

O pesquisador Carlos Augusto da Rocha Freire consignou que os tupiniquins ocupavam, no século XVI, terras situadas entre o atual município da baiano de Camamu até o rio São Mateus (ou rio Cricarê), no atual estado do Espírito Santo. Foram catequizados por jesuítas, em Aldeia Nova, sofrendo com pragas exógenas (como a varíola) e endógenas (como as formigas, que lhes destruíram as plantações). Serafim Leite consignara (História da Companhia de Jesus no Brasil), que o acampamento dos Reis Magos era quase todo composto por tupiniquins.[1]

Em 1610 o Padre João Martins obteve para os nativos uma sesmaria, mensurada somente em 1760. O principal centro desse território era a vila de Nova Almeida que, na data de sua demarcação, contava três mil habitantes. Auguste de Saint-Hilaire registra, no início do século XIX, sua existência.[1]

Em 1860 o Imperador Pedro II encontrou-se, em Nova Almeida, com uma mulher tupiniquim, registrando o fato em seu diário e em meados do século o pintor Auguste François Biard anotou sua presença em famílias dispersas, junto a imigrantes italianos.[1]

Etnia indígenas mais populosas no Leste-Nordeste.

No século XX, o Serviço de Proteção aos Índios instalou no Espírito Santo meridional um de suas zonas de atuação, sendo encontrados, em 1924, alguns tupiniquins.[1]

[editar] Situação atual

Sua população, em 1997, estava em volta de 1 386 indivíduos. No passado falavam a língua Tupi litorânea, da família Tupi-Guarani, mas atualmente usam apenas o português.[1]

Foram tolhidos de suas terras, o que resultou no acampamento em protesto, junto a índios guaranis do Espírito Santo, defronte ao Ministério da Justiça, reivindicando a efetivação da reserva indígena.[5]

Em 28 de agosto de 2007 o governo demarcou as terras reivindicadas pelos tupiniquins, que ficaram acampados em área usada para a plantação de eucaliptos da empresa Aracruz Celulose.[6]

confrontação entre o território tupiniquim demarcado e as áreas ocupadas pela Aracruz Celulose (em cinza).
O cacique Jaguaretê, em Brasília (2007).
Índios repovoam sua terra tradicional após acordo com a Aracruz Celulose no Espírito Santo - Foto: Valter Campanato/Abr.

Notas e referências

  1. a b c d e f g Enciclopédia de povos indígenas, acessada em 27 de janeiro de 2008
  2. Apesar de o uso ser geral, não se acha consagrado em dicionários, como o Aurélio.
  3. Neste sentido, tem-se exemplo mesmo em obras eruditas, como Crítica da Razão Tupiniquim, do filósofo Roberto Gomes, lançada em 1977, de quem elogiara Darcy Ribeiro (in obras do autor, página pesquisada em 29 de janeiro de 2007).
  4. Diogo Mainardi, "O marquês guru". Edição 1 725 - 7 de novembro de 2001. Acesso: 12 de maio, 2011.
  5. Notícial, Agência Brasil, consultada em 27 de janeiro de 2008.
  6. Notícia, Agéncia Brasil, consultada em 27 de janeiro de 2008.
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