Tupis
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Nota: Para o tronco linguístico, veja Macro-tupi. Para a língua falada pelos tupis, veja Língua tupi. Para outros significados, veja Tupi.
Em etnologia, o termo tupi remete a grupos indígenas cujas línguas pertencem ao tronco tupi. A referência clássica designa os povos que habitavam a estreita faixa da planície litorânea atlântica, desde o estado do Rio Grande do Sul, para o Norte, até o estado da Bahia, ou segundo alguns autores, até o Estado do Pará ou Amazonas.
Em um sentido mais amplo, por suas similitudes culturais e étnicas, foram reunidos aos guaranis que se restringiam ao sul e sudoeste do Brasil, (inclusive Paraguai e Bolívia) no grande grupo étnico e linguístico denominado "Tupi-Guarani".
Embora cultural e etnicamente similares às tribos que habitavam o interior do continente, estes e grande parte dos autores os distinguiam daqueles povos reunidos em outros sub-grupos, o principal o dos jês ou tapuias.
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[editar] Origem recente
Estudos bem fundamentados demonstram que os tupis habitaram originalmente a região do atual estado do Amazonas, tendo permanecido por longo tempo na margem meridional (sul) do rio Amazonas. Estas tribos, que sempre foram nômades, iniciaram uma trajetória em direção à foz do rio Amazonas e de lá pelo litoral para o sul. Supõe-se que esta migração, que teria também ocorrido, em menor grau, pelo continente adentro, no sentido norte-sul, tenha se iniciado há cerca de 1.500 anos.
Alguns autores sustentam que nesta trajetória os tupis enfrentaram-se com os tupinambás que já habitavam o litoral, outros sustentam que apenas se tratava de levas sucessivas do mesmo povo, os posteriores encontrando os anteriores já estabelecidos.
[editar] Grupos Tupi
[editar] Encontro com portugueses
De 1500, ano do descobrimento do Brasil, até o ano de 1519, os tupinambás mantiveram excelente relacionamento com os portugueses, até quando ficou claro que os lusitanos não lhes retribuíam o menor respeito. Agravados pelos constantes apresamentos e escravidão, passaram a se relacionar com os franceses, devotando-se à guerra contra os portugueses, o que lhes valeu a aniquilação quase total de sua população. O conflito passou à história como Confederação dos Tamoios.
Em 1574, o último foco de resistência indígena em Cabo Frio, no atual estado do Rio de Janeiro, foi vencido pelos portugueses com um número incalculável de mortos e com a captura de cerca de 10 000 escravos indígenas. Os sobreviventes ingressaram continente adentro por mais de duzentas léguas e, por cerca de vinte anos, rumaram para o norte, se juntando àqueles outros que se retiravam de Pernambuco e voltando a se estabelecer no Maranhão e no Pará.
Até hoje, existem, em locais de difícil acesso na Serra do Mar dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, uns poucos tupis que se denominam tupinambás e outros tantos que se denominam tupiniquins. É certo que estes últimos já não falam a língua original e não passavam, em 1995, de 1 200 pessoas.
[editar] Divisão de trabalho
Os tupis se compunham de tribos compostas de unidades menores, as aldeias, que mantinham entre si interesses comuns. Nas aldeias, havia, normalmente, de quinhentas a seiscentas pessoas, que viviam em grandes habitações ou malocas coletivas, cuja estrutura de madeira recebia uma cobertura de folhas de palmeira. Em geral, o número de habitações variava de quatro a sete por aldeia, cada uma delas abrigando um grande grupo familiar. A poligamia era prática comum entre os chefes e entre os guerreiros mais destacados.
A divisão do trabalho era feita de acordo com o sexo e a idade. As mulheres, além dos afazeres domésticos, ocupavam-se da agricultura e da coleta e colaboravam na pesca. Encarregavam-se da preparação do cauim - bebida fermentada à base de mandioca - e de muitas atividades artesanais, como tecer redes, trançar cestos, fazer tapetes etc.
Além da derrubada da mata e da preparação da terra para o plantio, os homens ocupavam-se da caça, da pesca e do fabrico de canoas, armas de guerra e instrumentos de trabalho. Deviam erguer as habitações, defender a aldeia, tomar parte da guerra e executar os prisioneiros, se sua tribo praticava a antropofagia. Também eram os homens que exerciam a função de curandeiros.
As crianças ajudavam os pais em algumas atividades e realizavam tarefas correspondentes à sua idade, como cuidar dos irmãos menores ou espantar os pássaros das plantações no período que antecedia a colheita.
[editar] Influência
Os tupis foram objeto de poesia e prosa no movimento literário romântico do Brasil do século XIX. Sobre isso, veja indianismo.
[editar] Ver também
[editar] Ligações externas
61-3411-1221