Tupis

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Índio tupi do século XVII, por Albert Eckhout.
Índia tupi do século XVII, por Albert Eckhout.

Em etnologia, o termo tupi remete a grupos indígenas cujas línguas pertencem ao tronco tupi. A referência clássica designa os povos que habitavam a estreita faixa da planície litorânea atlântica, desde o estado do Rio Grande do Sul, para o Norte, até o estado da Bahia, ou segundo alguns autores, até o Estado do Pará ou Amazonas.

Em um sentido mais amplo, por suas similitudes culturais e étnicas, foram reunidos aos guaranis que se restringiam ao sul e sudoeste do Brasil, (inclusive Paraguai e Bolívia) no grande grupo étnico e linguístico denominado "Tupi-Guarani".

Embora cultural e etnicamente similares às tribos que habitavam o interior do continente, estes e grande parte dos autores os distinguiam daqueles povos reunidos em outros sub-grupos, o principal o dos jês ou tapuias.

Índice

[editar] Origem recente

Estudos bem fundamentados demonstram que os tupis habitaram originalmente a região do atual estado do Amazonas, tendo permanecido por longo tempo na margem meridional (sul) do rio Amazonas. Estas tribos, que sempre foram nômades, iniciaram uma trajetória em direção à foz do rio Amazonas e de lá pelo litoral para o sul. Supõe-se que esta migração, que teria também ocorrido, em menor grau, pelo continente adentro, no sentido norte-sul, tenha se iniciado há cerca de 1.500 anos.

Alguns autores sustentam que nesta trajetória os tupis enfrentaram-se com os tupinambás que já habitavam o litoral, outros sustentam que apenas se tratava de levas sucessivas do mesmo povo, os posteriores encontrando os anteriores já estabelecidos.

Distribuição dos grupos de língua tupi na costa do Brasil, século XVI.

[editar] Grupos Tupi

[editar] Encontro com portugueses

De 1500, ano do descobrimento do Brasil, até o ano de 1519, os tupinambás mantiveram excelente relacionamento com os portugueses, até quando ficou claro que os lusitanos não lhes retribuíam o menor respeito. Agravados pelos constantes apresamentos e escravidão, passaram a se relacionar com os franceses, devotando-se à guerra contra os portugueses, o que lhes valeu a aniquilação quase total de sua população. O conflito passou à história como Confederação dos Tamoios.

Em 1574, o último foco de resistência indígena em Cabo Frio, no atual estado do Rio de Janeiro, foi vencido pelos portugueses com um número incalculável de mortos e com a captura de cerca de 10 000 escravos indígenas. Os sobreviventes ingressaram continente adentro por mais de duzentas léguas e, por cerca de vinte anos, rumaram para o norte, se juntando àqueles outros que se retiravam de Pernambuco e voltando a se estabelecer no Maranhão e no Pará.

Até hoje, existem, em locais de difícil acesso na Serra do Mar dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, uns poucos tupis que se denominam tupinambás e outros tantos que se denominam tupiniquins. É certo que estes últimos já não falam a língua original e não passavam, em 1995, de 1 200 pessoas.

[editar] Divisão de trabalho

Os tupis se compunham de tribos compostas de unidades menores, as aldeias, que mantinham entre si interesses comuns. Nas aldeias, havia, normalmente, de quinhentas a seiscentas pessoas, que viviam em grandes habitações ou malocas coletivas, cuja estrutura de madeira recebia uma cobertura de folhas de palmeira. Em geral, o número de habitações variava de quatro a sete por aldeia, cada uma delas abrigando um grande grupo familiar. A poligamia era prática comum entre os chefes e entre os guerreiros mais destacados.

A divisão do trabalho era feita de acordo com o sexo e a idade. As mulheres, além dos afazeres domésticos, ocupavam-se da agricultura e da coleta e colaboravam na pesca. Encarregavam-se da preparação do cauim - bebida fermentada à base de mandioca - e de muitas atividades artesanais, como tecer redes, trançar cestos, fazer tapetes etc.

Além da derrubada da mata e da preparação da terra para o plantio, os homens ocupavam-se da caça, da pesca e do fabrico de canoas, armas de guerra e instrumentos de trabalho. Deviam erguer as habitações, defender a aldeia, tomar parte da guerra e executar os prisioneiros, se sua tribo praticava a antropofagia. Também eram os homens que exerciam a função de curandeiros.

As crianças ajudavam os pais em algumas atividades e realizavam tarefas correspondentes à sua idade, como cuidar dos irmãos menores ou espantar os pássaros das plantações no período que antecedia a colheita.

[editar] Influência

Os tupis foram objeto de poesia e prosa no movimento literário romântico do Brasil do século XIX. Sobre isso, veja indianismo.

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

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