Tutmés IV

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Tutmés IV (ou Tutmósis IV) foi o oitavo rei da XVIII dinastia egípcia. Reinou por cerca de dez anos entre 1412-1402 a.C (datas aproximadas), e seu reinado, embora curto, proporcionou um período de longa paz para o Egito. Depois de morto, Tutmés foi colocado na tumba KV43 no Vale dos Reis.

Coroamento[editar | editar código-fonte]

O seu pai, Amenófis II, indicou-o como sucessor do trono, apesar dele não ser o primogênito. Dois irmãos mais velhos haviam falecido antes do pai, e assim ele pôde reinar. Para confirmar o seu reinado, os sacerdotes tebanos do deus Amon elaboraram uma série de predições do oráculo, por meio das quais foi legitimado faraó.

Lenda[editar | editar código-fonte]

De acordo com uma lenda, Tutmés IV devia o trono a Esfinge de Gizé. A lenda dizia que num certo dia, enquanto caçava, Tutmés sentou-se a sombra da esfinge, que nessa época estava coberta de areia. O jovem adormeceu e teve um sonho no qual a Esfinge lhe disse: Dar-te-ei a realeza sobre a Terra como cabeça dos seres vivos; tu levarás a coroa branca e a coroa vermelha sobre o trono de Geb, príncipe dos deuses. É aqui, que agora, a areia do deserto me atormenta, a areia por cima da qual eu estava em outro tempo. Ocupa-te de mim, para que possais realizar tudo que desejo. Eu sei que tu és meu filho e meu protetor. Tutmés mandou retirar a areia e restaurar a Esfinge. Entre as suas patas, mandou erguer uma estela, na qual narra o seu sonho. Em troca, a Esfinge, como representação do deus Harmakhis, converteu-o no faraó Tutmés IV.

Política do reinado[editar | editar código-fonte]

Tal como consta na esfinge de Gizé, Tutmés favoreceu o culto de Heliópolis. Destituiu, do cargo de vizir e de Ministro da Fazenda, o sumo-sacerdote de Amon e, a fim de evitar o poder crescente desse personagem, o Faraó se auto-nomeou sumo-sacerdote de Amon.

Com relação à política externa, sufocou uma rebelião na Núbia com a, digamos, ajuda de Amon, com o qual falou em Konosso. Não são conhecidas as suas campanhas militares na Ásia, mas sabe-se que um de seus feitos foi o de conquistar uma fortaleza síria, destinada a realizar o papel de policiamento da região.

Foi possível conhecer as relações tensas com os seus vizinhos asiáticos graças a correspondência, em escrita cuneiforme, com o reino de Mitanni. A situação no Oriente tornou-se muito perigosa, pois apareceu outra potência muito poderosa, os Hititas. Sendo vizinhos, de índole guerreira , do reino de Mitanni, dispunham-se a conquistar a região. Assim, o Egito e Mittani aliaram-se para combater a nação hitita. Embora fossem inimigos ferrenhos, de longa data, Egito e Mitanni foram obrigados a aliar-se na luta contra os hititas. Graças a essa aliança, os egípcios desfrutaram de um longo período de paz. Por sua vez, Mitanni promoveu sublevações e revoltas, com o propósito de desestabilizar o reino hitita. E, para consolidar ainda mais essa aliança, combinou-se um casamento, quando Tutmés ainda era príncipe, com Mutemuia, uma filha de Aratama I, monarca de Mittani. Dessa união, nasceu o seu herdeiro, Amenófis III.

Tutmés IV, o novo soberano.[editar | editar código-fonte]

Obelisco de Tutmés IV, hoje na Praça de São João de Latrão chamado como "Obelisco Laterano"

A necessidade de construir uma lenda, para legitimar seu direito de sucessão ao trono, indica que Tutmés IV não era o sucessor teórico (e preferido) de Amenófis II. Além disso, enquanto o faraó normalmente recebe o apoio do clero de Amon, Tutmés optou pelos favores do clero heliopolitano, e procurou sua legitimação por meio do deus-sol , do qual a Esfinge era uma de suas manifestações.

O nome do soberano[editar | editar código-fonte]

Ao contrário de outros faraós, Tutmés não se considerava filho de Amon. Não devia o trono ao clero desse deus e, por isso, nem o seu nome de coroação se refere a Amon. Tutmés significa "nascido do deus Tot. O seu nome de coroação, Menkheperuré, significa "eternas são as manifestações de Rá".

Faraó e a rainha mãe[editar | editar código-fonte]

Tutmés IV, filho da rainha Tiâa, foi um rei pacífico. Embora sejam conhecidos os nomes de vários funcionários seus graças aos seus túmulos, quem desempenhou um papel político importante em seu reinado foi a sua mãe, a rainha Tiâa. Um exemplo disso é a existência de algumas escultuturas em Karnak, onde aparecem, esculpidos, Tutmés e sua mãe.

O renascimento de Aton[editar | editar código-fonte]

No reinado de Tutmés IV, começou a reaparecer o culto do antigo deus solar Rá. Não só se adorava o deus-sol unicamente, mas também cultuava-se suas três manifestações: Khepri, Rá e Aton. A restauração da Esfinge de Gizé, manifestação do deus Harmakhis, ocorreu durante o seu reinado. Também erigiu um obelisco, o maior do Egito, que agora está na Praça de São João de Latrão, na Itália. O obelisco era o símbolo solar por excelência. Também se estabeleceram as bases para o culto a Aton, que desembocaria na revolução armaniana de Aquenáton.

Os monumentos de Tutmés IV[editar | editar código-fonte]

Pouco se conhece das muitas obras que mandou construir. Encontraram-se vários restos de um pilone edificado em Karnak. Do templo funerário erigido em Tebas, só restam vestígios. Em Mênfis, no entanto, restaurou o templo de Amenófis II, do qual resta a esfinge de alabastro.

Precedido por
Amenófis II
Faraó
XVIII Dinastia
Sucedido por
Amenófis III