Twelve O'Clock High

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Twelve O'Clock High
Almas em chamas (PT/BR)
 Estados Unidos
1949 • pb • 132 min 
Direção Henry King
Roteiro Romance & roteiro:
Sy Bartlett
Beirne Lay, Jr.
Apenas roteiro:
Henry King
Elenco Gregory Peck
Hugh Marlowe
Gary Merrill
Millard Mitchell
Dean Jagger
Género Guerra
Idioma inglês
Página no IMDb (em inglês)

Twelve O'Clock High (br/pt.: Almas em chamas) é um filme de guerra estadunidense de 1949 dirigido por Henry King para a Twentieth Century Fox Film Corporation. O roteiro de Sy Bartlett, Henry King (não creditado) e Beirne Lay, Jr. adapta o romance 12 O'Clock High de 1948, de Bartlett e Lay. Foram incluídas cenas de combates aéreos reais, filmadas pela Força Aérea Norte-Americana e pela Luftwaffe alemã [1] .

Elenco[editar | editar código-fonte]

Notas
  • O nome do personagem Harvey Stovall derivou-se de William Howard Stovall, um ás da aviação da Primeira Guerra Mundial que serviu no gabinete do General Comandante Carl A. "Tooey" Spaatz durante a Segunda Guerra Mundial. O autor Sy Bartlett serviu como ajudante-de-campo de Spaatz e ficou amigo de Stovall durante a Guerra. Ele presenteou Stovall com uma cópia do livro, fazendo referência ao fato na dedicatória.
  • O personagem do "Doc" Kaiser é creditado nos letreiros como "capitão" mas nas cenas em que aparece usa as insígnias de major, além de ser chamado assim durante o filme [1] .
  • O personagem Stovall do filme é inicialmente um major, promovido a tenente-coronel. Ele se refere a si mesmo como "reciclado" ("retread"), sem qualificações atuais para o combate mas cujas identificações da Primeira Guerra em seu uniforme indicam ter sido piloto. No livro, Stovall era da Infantaria e que contava que seu maior desafio moral fora eliminar um soldado alemão com uma baioneta.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

A história começa em 1949, quando o advogado norte-americano Harvey Stovall está de férias na Grã-Bretanha e começa a se recordar da época em que serviu na Segunda Guerra Mundial, no 918º Grupo de Bombardeiros no setor americano da Base da RAF em Archbury. Por volta de 1942 as coisas não iam bem para os pilotos aliados que iniciaram missões diurnas sobre a França ocupada pelos nazistas, buscando maior precisão, havendo muitas perdas de aviões e tripulantes. O líder do grupo, o respeitado coronel Keith Davenport, atribuia as perdas ao "azar" mas o Comandante Pritchard é alertado e acha que ele se identifica demais com seus comandados. Davenport é afastado e em seu lugar assume o General Frank Savage, disposto a implementar um outro tipo de liderança, bem mais impessoal e rigorosa. Dentre as medidas iniciais está a substituição do Tenente-Coronel Ben Gately do Comando Aéreo, chamado de covarde pelo general que coloca no lugar dele o Major Joe Cobb. Gately é obrigado a pintar em seu avião "Leper Colony" ("Colônia dos leprosos") e são colocados em sua tripulação todos aqueles que deixaram de cumprir missões recentes alegando doenças tais como resfriados ou que demonstraram incompetência. Os pilotos de início ficam revoltados e ameaçam um motim mas a eficiência das missões melhora e Savage consegue o respeito do grupo. Mas ele também começa a sentir os efeitos da pressão e chegará ao limite das suas forças físicas e mentais.

Personagens históricos[editar | editar código-fonte]

General-Brigadeiro Frank Savage (interpretado por Gregory Peck) foi criado como um misto de vários comandantes reais mas a principal inspiração foi o coronel Frank A. Armstrong, comandante do 306º Grupo de Bombardeiros que serviu de modelo para o 918º do filme [2] . O nome "Savage" veio da ascendência Cheroqui de Armstrong. As passagens de treinamento possuem referências ao trabalho similar que o comandante realizou com outro grupo, o 97º Grupo de Bombardeiros. O colapso por fadiga de batalha do General Savage na parte final do filme foi inspirado pelas experiências do General-Brigadeiro Newton Longfellow [2] que, contudo, não teve relação com as causas mostradas no filme que dramatizam o estresse intenso sofrido pelos pilotos durante as batalhas.

General Comandante Pritchard (interpretado por Millard Mitchell) foi modelado no primeiro comandante do VIII Comando de Bombardeiros Maj. Gen. Ira C. Eaker [3] .

Coronel Keith Davenport (interpretado por Gary Merrill) foi baseado no primeiro comandante do 306º Grupo de Bombardeiros, Coronel Charles B. Overacker, apelidado de "Chip" [3] . De todas as personalidades retratadas em Twelve O'Clock High, essa é que se aproxima mais da verificada na vida real. A cena no início em que Davenport confronta Savage sobre uma ordem de combate é uma recriação próxima de um evento real.

Segundo-tenente Jesse Bishop (interpretado por Robert Patten) que faz uma aterrissagem forçada de um B-17 no início do filme e recebe a Medalha de Honra por esse ato, foi inspirado no Segundo-Tenente John C. Morgan [3] . A descrição da luta de Bishop com seu piloto ferido para tomar o controle do avião foi tomada quase inteiramente da citação para a honraria. Robert Patten tinha sido um piloto navegador na Guerra, o único membro do elenco que tivera experiência real como tripulante de bombardeiros.

Sargento McIllhenny (interpretado por Robert Arthur) teve como inspiração um membro do 306º Grupo de Bombardeiros, o sargento Donald Bevan [3] , um artilheiro qualificado que foi recrutado para serviços em terra incluindo o de motorista do comandante do esquadrão. Bevan ganhou publicidade como um artilheiro "clandestino" mas na realidade ele fora convidado para as missões de voo. Como McIllhenny, ele provou ser um "artilheiro nato".

O personagem durão do Major Joe Cobb (interpretado por John Kellogg) foi inspirado no coronel Paul Tibbets que foi companheiro de pilotagem de B-17s do Coronel Armstrong [3] . Ele mais tarde pilotaria o B-29 "Enola Gay" que lançou uma bomba atômica em Hiroshima. Tibbetts fora inicialmente aprovado como consultor técnico do filme mas o trabalho passou para o Coronel John Derussy [4] .

Produção[editar | editar código-fonte]

De acordo com os arquivos, a Twentieth-Century Fox pagou cem mil dólares pelos direitos do livro e outra igual quantia por obrigações com os clubes do livro. Darryl Zanuck foi aparentemente convencido a pagar esse alto preço ao ter ouvido que William Wyler também se interessara pela história e queria filmá-la para a Paramount. Zanuck fechou o negócio em outubro de 1947, apenas quando acertou o apoio da Força Aérea Norte-Americana na produção [1] .

Um bom negócio para a produção foi filmar a Base Britânica num cenário próximo a Praia de Fort Walton, na Flórida [5] .

Veteranos de missões de bombardeiros frequentemente citam Twelve O'Clock High como o único filme de Hollywood que conseguiu ser realista ao mostrar as experiências vividas nesse tipo de combate [6] . Assim como o filme de 1948 Command Decision, marca o ponto de virada do estilo otimista e de elevação da moral dos filmes de guerra até então para um realismo mais duro e preocupado com o custo das perdas humanas no conflito. Ambos os filmes lidam com as realidades dos ataques aéreos diurnos e sem escoltas, a doutrina da Força Aérea no começo da Segunda Guerra Mundial (anterior a inovação da proteção dos caças como o P-51 Mustang). Como produtores, os autores Lay e Bartlett reutilizaram elementos de Twelve O'Clock High em Toward the Unknown e A Gathering of Eagles, respectivamente.

Paul Mantz, lider dos pilotos dublês de Hollywood, recebeu 4.500 dólares pela realização da cena do B-17 que se acidenta no início do filme [7] Frank Tallman, sócio de Mantz na Aviação Tallmantz, escreveu em sua autobiografia que foi a primeira vez que um único piloto sem tripulação alçou voo com um B-17 e que ninguém sabia se isso poderia ser feito, antes dessa cena. Martin Caidin descreveu um voo solo de Gregory Boardman em um B-17 no seu capítulo "The Amazing Mr. Boardman" em Everything But the Flak. Art Lacey também voou sozinho com um B-17 em 1947, embora isso não tenha sido escrito oficialmente [8] . A cena do acidente foi utilizada novamente, no filme de 1962, The War Lover [9] .

Premiação[editar | editar código-fonte]

Óscar[editar | editar código-fonte]

  • Dean Jagger venceu como Melhor Ator Coadjuvante
  • Venceu como melhor mixagem de som
  • Indicados Gregory Peck para melhor ator e para melhor filme

Outros[editar | editar código-fonte]

  • Lista da AFI dos 100 maiores heróis e vilões:
    • General-Brigadeiro Frank Savage – herói indicado

Significado do título[editar | editar código-fonte]

O título original "twelve o'clock high" que significa em português "12 horas em ponto" refere-se ao costume de associar as posições de ataque inimigas a um relógio imaginário, com as aeronaves no centro. O termo alto ("high") (acima do bombardeiro), "nivelado ("level") (na mesma altitude do bombardeiro) e "abaixo" ("low") (abaixo do bombardeiro) precisavam a localização do inimigo. 12 horas em ponto significava que o atacante se aproximava diretamente e acima e a frente. Essa posição era a preferida dos pilotos de guerra alemães até a introdução de variações nas "Fortalezas Voadoras" (Boeing B-17) a partir do modelo B-17G. Os inimigos vinham de cima também porque se tornavam alvos mais difíceis para as metralhadoras do B-17.

A esposa de Bartlett, a atriz Ellen Drew, sugeriu o título da história ao ouvir ele e Lay discutindo sobre as táticas de luta dos pilotos alemães [3] .

Rádio e televisão[editar | editar código-fonte]

  • Gregory Peck repetiu o papel do General Savage em Screen Guild Players, programa de rádio transmitido em 7 de setembro de 1950 [1] .
  • Twelve O'Clock High foi adaptado para ser uma série de TV, com o mesmo título. Estreou pela rede americana ABC em 1964 e permaneceu por três temporadas. Robert Lansing interpretou o General Savage. Ele foi despedido no final da primeira temporada e foi substituído por Paul Burke, que interpretou o Coronel Joseph Anson "Joe" Gallagher, um personagem livremente baseado em Ben Gately do romance.[12] Cenas de combate reais do filme foram reutilizadas na série de TV. A maioria das cenas em solo da série foram filmadas em Chino (Califórnia), num aeroporto que fora usado como campo de treinamento de pilotos militares durante a guerra. Uma réplica da torre de controle vista na base britânica foi construida. O campo de aterrissagem foi usado no período imediato de pós-guerra e apareceu na penúltima cena de The Best Years of Our Lives quando Dana Andrews revive suas experiências de guerra e vai reconstruir sua vida [13] .

Liderança[editar | editar código-fonte]

O filme foi usado como um estudo de caso em vários seminários e treinamentos civis e militares sobre liderança por muitos anos. É frequentemente citado para estimular discussões a respeito de estilos de liderança e eficácia.

Referências

  1. a b c d "Notes." TCM. Recuperado em 21 de outubro de 2009
  2. a b Bowman, Martin. "12 O'Clock High." Osprey Publishing, 1999
  3. a b c d e f Correll, John T. "The Real Twelve O’Clock High." The Air Force Association via airforce-magazine.com, Volume 94, Issue 1, janeiro de 2011
  4. Duffin and Matheis 2005, p. 61.
  5. "Filming locations." IMDb. Recuperado em 21 d outubro de 2009
  6. Duffin and Matheis 2005, p. 87.
  7. "Trivia." TCM. Recuperado em 21 de outubro de 2009.
  8. Cheesman. Shannon. "Boast + adult beverages = a B-17 on the roof." KVAL.com, 16 de junho de 2010. Recuperado em 5 de fevereiro de 2012.
  9. "The War Lover (1962)." aerovintage.com, 28 de outubro de 2007. Recuperado em 15 de dezembro de 2012
  10. "Awards." IMDb. Recuperado em 21 de outubro de 2009.
  11. "Hooray for Hollywood - Librarian Names 25 More Films to National Registry." Biblioteca do Congresso 1998.
  12. Duffin and Matheis
  13. Orriss 1984, p. 122.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Army Air Forces Aid Society. The Official Guide to the Army Air Forces. New York: Simon and Schuster, 1944.
  • Caidin, Martin. Black Thursday. New York: E.P. Dutton & Co., Inc., 1960. ISBN 0-553-26729-9.
  • Caidin, Martin. Everything But the Flak. New York: Duell, Sloan and Pearce, 1964
  • Caidin, Martin. Flying Forts: The B-17 in World War II. New York: Meredith Press, 1968
  • Dolan, Edward F. Jr. Hollywood Goes to War. London: Bison Books, 1985. ISBN 0-86124-229-7.
  • Duffin, Allan T. and Paul Matheis. The 12 O'Clock High Logbook. Albany, Georgia: Bearmanor Media, 2005. ISBN 1-59393-033-X.
  • Hardwick, Jack and Ed Schnepf. "A Viewer's Guide to Aviation Movies." The Making of the Great Aviation Films. General Aviation Series, Volume 2, 1989.
  • Kerrigan, Evans E. American War Medals and Decorations. New York: Viking Press, 1964. ISBN 0-670-12101-0.
  • Lay, Beirne Jr. and Sy Bartlett. 12 O'Clock High. New York: Harper & Brothers, 1948 (Reprint 1989). ISBN 0-942397-16-9.
  • "Medal of Honor Recipients, World War II (M-S)." United States Army Center of Military History.
  • Murphy, Edward F. Heroes of WWII. Novato, California: Presidio Press, 1990. ISBN 0-345-37545-9.
  • Orriss, Bruce. When Hollywood Ruled the Skies: The Aviation Film Classics of World War II. Hawthorn, California: Aero Associates Inc., 1984. ISBN 0-9613088-0-X.
  • Rubin, Steven Jay. "Chapter 3, Twelve O'clock High." Combat Films: American Realism, 1945–2010. Jefferson, North Carolina: McFarland, 2011. ISBN 978-0-7864-5892-9.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]