UHF (banda)

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UHF
António Manuel Ribeiro (vocalista e guitarrista) num concerto dos UHF em 2009.
Informação geral
Origem Almada
País  Portugal
Gênero(s) Pós-punk , Rock
Período em atividade 1978 - atualmente
Editora(s) Metro-Som
EMI - VC
Rádio Triunfo - Orfeu
Edisom
BMG
AM.RA Discos
Road Records
Farol Música
Vidisco
Página oficial Site oficial
Integrantes António Manuel Ribeiro
António Côrte-Real
Cebola
Ivan Cristiano
Nuno Oliveira

UHF é uma banda portuguesa de rock formada em Almada em 1978. [1]

São os principais responsáveis pelo surgimento do chamado boom do rock português no início da década de 1980,[2] [3] movimento que despertou a sociedade para o rock cantado em português.[4] [5] São uma das bandas nacionais mais prestigiadas sendo o grupo rock mais antigo em atividade.[6] [7] A formação inicial era composta por António M. Ribeiro (voz e guitarra), Carlos Peres (baixo), Renato Gomes (guitarra) e Américo Manuel (bateria).[8]

Resultantes do pós punk nos finais dos anos setenta, a sonoridade da banda incorpora o rock direto e espontâneo de características urbanas, produzindo também um som mais acústico e hard rock com alguma influência dos Doors.[9] [10] Foram um dos grupos mais bem sucedidos comercialmente no início da década de 1980 tendo vendido mais de cem mil discos em Portugal, além dos galardões musicais de prata em "Cavalos de Corrida", canção génese do rock português, e "Estou de Passagem" bem como disco de ouro no aclamado álbum "À Flor da Pele" que ocupou a primeira posição do top nacional de vendas durante várias semanas. Ganham o prestigiado prémio da Casa da Imprensa na categoria de «Revelação 1981». Em 2009 os UHF totalizavam a fantástica cifra de mil e seiscentos concertos em Portugal e no mundo vendendo perto de um milhão de discos durante a carreira. Lançaram quinze álbuns de estúdio e estão representados em cerca de oitenta compilações de vários artistas.[11]

Atentos à realidade política e social do país, os UHF são o rosto do rock de intervenção em Portugal. [12] Com alguma influência de José Afonso [13] assumem uma posição ativa em relação a temas sensíveis na vida das pessoas, caso das letras das canções: "De Carrossel", "Porquê (português)" ou "Vernáculo (para um homem comum)" que se tornou num manifesto político contabilizando mais de cem mil visualizações em vídeos disponíveis na internet.[14] A decisão pela independência, assumida desde o início, levou a banda a ter uma menor exposição mediática. [15]

A formação dos UHF foi sofrendo constantes alterações ao longo dos anos. António Manuel Ribeiro fundador, líder e compositor maioritário das canções é o único membro residente desde a fundação. Além de cantor e músico, António M. Ribeiro é escritor e autor regular de várias crónicas para rádios e jornais. [16] Lançou os livros de poesia "Se o Amor Fosse Azul que Faríamos Nós da Noite?" [17] e "O Momento a Seguir" [18] de 2003 e 2006, respetivamente. Sobre a banda que lidera lançou "Todas as Faces de Um Rosto" em 2002 [19] e a antologia "Cavalos de Corrida - A poética dos UHF" em 2005. [20] É também autor do livro em prosa "Por Detrás do Pano-35 histórias contadas na rádio & outras confissões", lançado com o objetivo de corrigir a história da música rock em Portugal. [21] Tornou-se num dos melhores poetas-rock sendo o fundador deste movimento em Portugal. [22] Apesar das edições a solo dos singles "É Hoje - Agora" e "Somos Nós Quem Vai Ganhar" e dos álbuns "Pálidos Olhos Azuis" e "Sierra Maestra", António M. Ribeiro nunca deixou de trabalhar diretamente com antigos e atuais músicos dos UHF. [23]

Participam regularmente com concertos gratuitos em causas filantrópicas, incluíndo a Assistência Médica Internacional,[24] Associação Abraço e Instituto Português de Oncologia.[25] Atualmente a banda é composta por António M. Ribeiro (voz e guitarra), António Côrte-Real (guitarra), Luís Simões «Cebola» (baixo), Ivan Cristiano (bateria) e Nuno Oliveira (teclas).

Biografia e carreira[editar | editar código-fonte]

Formação e primeiros anos (1977–1979)[editar | editar código-fonte]

Em 1977 enquanto o punk rock conquistava Inglaterra e os Estados Unidos, Portugal ainda procurava ajustar-se à liberdade recém conquistada. O rock era visto pelos jovens como um movimento de contracultura, uma fuga aos princípios ditatoriais do regime salazarista. O rock era sinónimo de liberdade, uma linguagem musical sem ligação ao passado. [26] Os UHF foram dos primeiros a saciar uma imensa sede de rock nessa nova realidade social e política. [27]

António M. Ribeiro (voz e guitarra), Carlos Peres (baixo), Alfredo Antunes (bateria) e um guitarrista brasileiro formam em 1977 na Costa da Caparica em Almada os Purple Legion, banda de covers que atuava no circuito de bailes. [28] Circuito, esse, que dominava o panorama musical da época pois o rock não era divulgado. [27] No final de 1977 Américo Manuel (bateria) junta-se a Carlos Peres e a António M. Ribeiro e iniciam as composições de autor. Alteram o nome da banda para À Flor Da Pele e depois, já com Renato Gomes (guitarra), para UHF. [29]

Cquote1.svg "À Flor Da Pele" era um nome demasiado grande, psicadélico e desprovido do sentido dos tempos imediatos que se viviam na música (...) De regresso a casa, quando o cabo da televisão a preto e branco voltou a falhar e eu fui dar o toque mágico, parei na fracção de segundo que faz nascer a ideia quando fixei as duas entradas na traseira do aparelho: VHF e UHF. Cquote2.svg
António M. Ribeiro (1977)[30]

As dificuldades daquela época eram tremendas: não havia salas, não existia um circuito de espetáculos onde os grupos se pudessem mostrar, o país estava a acordar de uma enorme apatia social asfixiado por anos de isolamento. Os media reproduziam algum yé yé e quase de uma forma dominante o nacional cançonetismo. O país não conseguia evoluir, também, culturalmente. [31]

"Éramos vulgarmente corridos de uma sala emprestada por boa vontade ao fim de meia dúzia de ensaios por fazermos barulho, porque os cabelos eram compridos, falávamos alto e ríamos muito. (...) Não tínhamos um adufe ou uma viola burguesa para encantar as elites (...) e esse era um perigoso desvio ideológico, maltratando as conjecturas do borrão dos cigarros, uma afronta à cultura popular obrigacionista."

— António M. Ribeiro em "Por Detrás do Pano", Chiado Editora. [32]

No início do mês de Novembro de 1978 os UHF dão o primeiro concerto no Bar É, nos Capuchos em Lisboa, fazendo a primeira parte dos Faíscas. Neste concerto de estreia a voz principal ainda era ocupada por Vitor Macaco que pouco tempo esteve na banda. António M. Ribeiro fazia de segundo guitarrista e coros. [33] [34] Entretanto conheceram o radialista António Sérgio que achou a banda «interessante». No dia 18 de Novembro de 1978 realizam o seu segundo concerto, fazendo a primeira parte dos Aqui d’el-Rock na discoteca Brown's em Lisboa. [35] Os músicos dos UHF viviam em Almada e as suas deslocações à capital estavam limitadas aos horários do transporte que fazia a travessia do rio Tejo. Para não perderem o último transporte de regresso a casa, a rápida saída depois do concerto era palavra de ordem, ficando conhecidos como «Os gajos de Almada que chegam, tocam e desaparecem». [36]

No dia 3 de Junho de 1979 fazem a estreia em grandes eventos. Participam no "Festival Antinuclear - Pelo Sol" no Parque Eduardo VII em Lisboa juntamente com Rão Kyao, Pedro Barroso, Vitorino, Fausto, Trovante, Minas & Armadilhas, entre outros, naquele que seria o décimo primeiro concerto da banda. O repertório continha os temas: "Tempo Quente", "Os Putos Vieram Divertir-se", "Geraldine", "Voo 004/17 Venezuela", "Jorge Morreu", "Caçada" e "Aquela Maria". [37] A 6 e 7 de Agosto a banda apresenta-se em palco com mais um guitarrista, Alfredo Pereira, que deixara os Aqui d’el-Rock em busca de um projeto mais consistente, mas a sua passagem seria breve. Este concerto realizado em Vila Viçosa contou ainda com os Minas & Armadilhas e Xutos & Pontapés ainda sem projeção mediática. [38]

Conseguem o primeiro contrato discográfico com uma pequena editora de Lisboa, a Metro-Som na primavera de 1979. Gravam o EP "Jorge Morreu" [39] que só viria a ser editado em Outubro, sem sucesso comercial. [8] Os UHF tinham assinado contrato com uma editora que não promovia as suas bandas na rádio nem na imprensa e isso não interessava. O rock cantado em português dava os primeiros passos e precisava de ser divulgado. Descontente com a editora, António M. Ribeiro tenta o contacto com a multinacional PolyGram mas o rumo desta editora na altura não passava pelo rock nacional. [40]

Em 1979 os UHF já percorriam Portugal de norte a sul. A sua reputação consolida-se em múltiplos concertos, primeiro na Grande Lisboa e depois ao longo do país. Era a banda nacional escolhida, pelos grandes empresários do espetáculo, para fazer a primeira parte de bandas de renome internacional, caso dos Dr. Feelgood com dois concertos consecutivos em Setembro e do rei da New Wave Elvis Costello com os Attractions nos dias 15, 17 e 18 de Dezembro de 1979. [8] [9] Os UHF adquirem junto da imprensa o estatuto de «banda ao vivo», mas passavam despercebidos aos responsáveis das grandes editoras pois estes não saíam dos escritórios para ver ao vivo o que se passava nos palcos.[41] A linguagem escrita do rock em português direto e espontâneo chega pela primeira vez a todos os lugares de Portugal. Os UHF faziam uma radiografia real da vida de muitos jovens urbanos falando da marginalidade, das drogas duras, da prostituição, dos fluxos imigratórios e do trabalho árduo na Lisnave. Corporizam a vivência do «estar à margem» e alguma ortodoxia rock inspirada nos Doors. [10] [42]

Sucesso nacional e o boom do rock português (1980–1982)[editar | editar código-fonte]

No início de 1980, Xutos & Pontapés, GNR, IODO, Heróis do Mar, Street Kids, António Variações, entre outros, são lançados na primeira parte dos concertos dos UHF. [43] [44] Com o desaparecimento dos Aqui d’el-Rock, Minas & Armadilhas e dos Faíscas (depois Corpo Diplomático) são os UHF que dirigem o motor do rock português.

"Fomos os primeiros a gravar um disco, “Jorge Morreu” em 1979. E a encetar uma digressão nacional a sério, fora dos bailaricos tradicionais. Mas o slogan (pai do rock português) pertence ao Rui, foi inventado pela editora Valentim de Carvalho e fica-lhe muito bem..."

— António M. Ribeiro, em declarações à Sapo Música / Palco Principal. [13]

Após uma primeira tentativa falhada em Janeiro de 1980, a banda assina contrato de cinco anos com a grande editora EMI-Valentim de Carvalho no início da primavera. A experiência adquirida na «estrada» revelou-se determinante.

Primeiro logotipo da banda em 1980

Gravam em Junho a canção "Cavalos de Corrida" mas ficou guardada durante três meses.[45] Nesta altura Américo Manuel já não ocupava a bateria sendo substituído por Zé Carvalho. Participam no programa de rádio ao vivo Febre de Sábado de Manhã,[46] um dos principais percursores da divulgação do rock cantado em português, onde apresentam pela primeira e única vez ao vivo a maqueta "Cavalos de Corrida" em playback. [47] Os músicos que despontavam com o rock nacional encontraram no programa Rock Em Stock da Rádio Comercial o trampolim para o reconhecimento do seu trabalho. A canção "Cavalos de Corrida" foi o primeiro grande êxito de audiência do programa provocando de imediato o aparecimento de uma série de bandas.[48] Quando Rui Veloso em 1980 lança o seu álbum de estreia com o sucesso "Chico Fininho", já os UHF tinham percorrido praticamente todas as estradas de Portugal num roteiro intenso de concertos. A canção "Cavalos de Corrida" andava a ser tocada pelo país antes de chegar aos estúdios de gravação.[9] Antes de 1980 não há qualquer registo fonográfico de Rui Veloso. [21]

Os UHF aproveitam a participação nos concertos de bandas de renome internacional para mostrar que o rock também se pode cantar com sucesso em português. No dia 7 de Junho de 1980 fazem a primeira parte dos Uriah Heep na Praça de Touros de Cascais. [49] [50] A 10 de Junho o semanário Rock Week [51] publica na capa uma foto com o título "UHF - O Canal Maldito". Na entrevista, conduzida pelo jornalista António Duarte,[52] António M. Ribeiro revela a linha ideológica da banda:

Cquote1.svg Basicamente, consideramo-nos o grupo português de rock mais politizado, assumindo até às últimas consequências o cariz polémico e rebelde da música rock, no sentido das palavras, na expressão cénica, na subversão do ritmo. Situamo-nos no espírito da nova esquerda europeia e as nossas preocupações para a defesa deste pequeno mundo baseiam-se na ecologia, a ciência do futuro. Cquote2.svg
António M. Ribeiro (1980)[53]

Nesta primeira entrevista de exposição nacional torna-se notório a maturidade da banda e do seu líder, contrariando os discursos banais das restantes bandas na época. O cognome "Canal Maldito", criado nesta entrevista, passou a acompanhar o trajeto da banda até aos dias de hoje. Em 2004 foi criado um blogue de debate musical e mais recentemente, em 2014, Nuno Calado produziu e realizou o documentário "UHF Canal Maldito-35 anos" para a RTP. [54] [55]

No dia 16 de Agosto de 1980, participam no 1º Festival Rock na Praça de Touros de Cascais com The Skids, The Tourists, Original Mirrors e 999. [8] Fazem a primeira parte dos três concertos dos Ramones no nosso país nos dias 22, 23 e 24 de Setembro,[8] banda que apresentava um punk americano quente e direto em relação à trapalhada britânica.

Em Outubro é então lançado o explosivo single "Cavalos de Corrida" [56] que atinge em poucos dias o número 1 do top nacional. [57] Torna-se o primeiro single de rock a atingir um galardão musical em Portugal, no caso, disco de prata pelos trinta mil exemplares vendidos. [58] [59] [60] A canção juntamente com "Chico Fininho" de Rui Veloso marcaram o início do boom do rock português. [61] Tocam ainda com os UFO nos dias 12, 13 e 14 de Dezembro.[62] [63] No ano de 1980 os UHF realizam oitenta e um concertos.[64] Com a entrada em cena da geração do boom do rock os músicos e compositores deixam de praticar uma atividade marginal complementar de um emprego. Os UHF são dos primeiros a assumir-se como profissionais do rock em Portugal. [65]

Cquote1.svg De repente todos queriam ser como nós, a locomotiva de Almada (...) Enquanto o produtor Carlos Gomes e o Valentim de Carvalho procuravam trazer Rui Veloso para espectáculo como um todo coerente capaz de reproduzir o disco gravado, os UHF somavam palcos e conquistavam namoradas por este país fora. Sexo, drogas & rock and roll. Também (...) Não se trata de avaliar o ADN da paternidade, trata-se de reconhecer o grito firme e continuado que mexe com tudo, a diferença entre quem era e quem queria ser. Rui Veloso não esteve na génese do rock português, deram-lhe um cognome é certo, mas a locomotiva já ia em andamento quando o "Pai" nasceu. Cquote2.svg
António M. Ribeiro[21]

Antes de iniciarem a gravação do primeiro álbum, os UHF são abordados por representantes de editoras estrangeiras a optarem pela língua inglesa. A Stiff Records, pretendendo dar continuidade às novas tendências musicais da new wave, apresenta a proposta mais convincente abrindo as portas dos seus estúdios na capital inglesa: «Vocês são bons, isto é novo, mas ninguém vos percebe». O receio de trocar o sucesso que despontava internamente pelo desconhecido e exigente plateia inglesa viria a pesar na decisão. A banda recusou abandonar a língua materna. [66]

Em 1981 editam pela EMI-VC o aclamado álbum "À Flor da Pele", [67] obtendo de imediato grande sucesso com as músicas "Rua do Carmo", "Geraldine", "Modelo Fotográfico" e "Rapaz Caleidoscópio". Os primeiros doze mil e quinhentos exemplares incluíam o single extra "Quem irá beber comigo? (Desfigurado)" com "Noite Dentro" no lado B. [68]

Logotipo clássico apresentado em 1981

A canção "Rua do Carmo" foi o primeiro tema a ser conhecido deste álbum e a sua apresentação ao público feita com uma atuação na montra de uma loja do Chiado, [69] com a rádio em direto e a televisão a recolher imagens que o Telejornal exibiria nessa noite. Nunca antes em Portugal se tinha visto nada assim. [31] Este single passa mais de trinta semanas no top nacional. [8]

"Rua do Carmo" com forte sonoridade rock, é uma das músicas mais marcantes do boom do rock português.[70] A canção presta homenagem à rua do Carmo em Lisboa e celebra todo um conjunto de vida no Chiado.[71]

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O álbum atinge o galardão disco de ouro pelos trinta mil exemplares vendidos. [9] [69] "À Flor da Pele" é considerado pela indústria fonográfica como a «Bíblia do rock português», uma referência para todas as bandas rock. [72]

Em 1980 "Cavalos de Corrida" e "Chico Fininho" de Rui Veloso abriram as portas de um novo movimento em Portugal intitulado «Rock Português», mas seria em 1981 com "Rua do Carmo" e "Chiclete" dos Táxi a confirmação que algo mudara na música portuguesa, com novos músicos, autores, público identificado e indústria rock estabelecida. O fenómeno «Rock Português» é o movimento de renovação musical mais importante do pós 25 de Abril. [73]

No dia 19 de Abril de 1981 participam no segundo aniversário do programa de rádio Rock Em Stock, no Pavilhão do Restelo, juntamente com os Street Kids, NZZN, GNR, Jafumega, Roxigénio e Arte & Oficio. Neste ano tocam ainda com Téléphone e Dexys Midnight Runners. [62]

No ano louco de 1981 António M. Ribeiro torna-se «Estrela Rock» nacional. Vida veloz, acidentes de viação em busca do próximo concerto, cabelos compridos, rebeldia, frontalidade e os caminhos solitários, eram semelhanças que o aproximavam a um ícone mundial. Numa das múltiplas entrevistas que o cantor dava, António Macedo, jornalista do semanário Se7e, questionou: "Como te sentes na pele do Jim Morrison português?" [74] [75] No final do ano ganham o prestigiado prémio da Casa da Imprensa na categoria de «Revelação 1981». Nesse ano vendem mais de cem mil discos e realizam cento e trinta e quatro concertos, registo imbatível em Portugal. [76] [11]

Em Fevereiro de 1982 sai o segundo álbum, o mini LP "Estou de Passagem" [77] que atinge o galardão disco de prata. Na digressão atuam no dia 3 de Março no Cine Jardim no Funchal, tornando-se o primeiro grupo de rock a visitar a ilha da Madeira.[78] Descontentes com a pouca atenção que a EMI-VC dava ao protagonismo conquistado, os UHF quebram o contrato de cinco anos com esta editora e mudam-se para a Rádio Triunfo numa transferência que cobriu as manchetes dos jornais na época.

Tensão com a nova editora e primeiro álbum ao vivo (1983–1985)[editar | editar código-fonte]

No final de 1982 os UHF tinham um sistema empresarial envolvente que englobava escritório, relações públicas, equipas técnicas de logística e gestão de sistemas de luz e som que permitia à banda uma autonomia ímpar no panorama do espetáculo em Portugal. As bandas que faziam a primeira parte dos concertos dos UHF tinham pela primeira vez direito a um som profissional. [79] Entre 1980 e 1982 o rock cantado em português dominou as audiências dos programas de rádio no nosso país. As rádios davam um vital contributo pedagógico de auto estima à sociedade portuguesa. Tanto a Rádio Comercial como a Renascença divulgavam a nova música portuguesa na quase totalidade das suas emissões. [80]

A decisão pela mudança de editora não tinha sido tomada por unanimidade e as interrogações instalavam-se. Em Outubro de 1982 é editado o LP "Persona Non Grata", [81] escrito ao longo desse verão quente e agitado dos UHF. O tema "Um Mau rapaz" reflete, a partir do título, o clima psicológico que envolvia o grupo pela mudança de editora e pela fotografia da capa do álbum, em que António M. Ribeiro aparece isolado na capa alimentando a especulação de ser uma foto promocional para uma futura carreira a solo do vocalista. A instabilidade estava instalada no seio da banda.[82] O álbum obtém sucesso nas fabulosas baladas "Dança de Canibais" e "Quebra-me". Na digressão realizam concertos em França e Alemanha. [8] Neste ano totalizam oitenta e seis concertos. [83]

Na primavera de 1983 lançam "Ares e Bares de Fronteira" [84] e a primeira edição esgota rapidamente.[8] O álbum reflete as sombras do Estado da Nação, a austeridade que Portugal vivia com a entrada do FMI. Tudo ficou mais caro, o custo de vida agravou-se e a nova editora discográfica tornou-se um paraíso perdido. As canções mostram também uma fase negativa na vida de António M. Ribeiro.[85] Durante a digressão, Carlos Peres, baixista e fundador, abandona o grupo dando o último concerto em 29 de Outubro na Praça Humberto Delgado no Porto.[86] Entra para o seu lugar José Matos. Era o fim de uma era, a quebra do quarteto maravilha.[87] Os UHF voltam a apostar no segundo guitarrista nos concertos ao vivo à semelhança do que fizeram em 1979. Convidam Francis que entretanto deixara os Xutos & Pontapés mas estaria pouco tempo na banda.[88]

Em 1984 lançam o single de inéditos "Puseste o Diabo em Mim" [89] com o tema "De Um Homem Só" no lado B. Este último é uma canção autobiográfica de António M. Ribeiro que aborda o início das confusões internas na banda. No início da primavera o baterista Zé Carvalho sofre um acidente de viação e é substituído temporariamente por Luís Espírito Santo. Após terminada a convalescença viria a deixar definitivamente os UHF em Setembro desse ano, [90] [91] entrando para o seu lugar Zé da Cadela. [92]

Em Maio de 1985 é editado o álbum "No Jogo da Noite - Ao Vivo em Almada", gravado ao vivo nas noites de 23, 24 e 25 de Novembro de 1984 no Centro Cultural do Alfeite em Almada. É lançado apenas com o intuito de concluir as obrigações contratuais entre a banda e a Rádio Triunfo. Descontentes com a editora os UHF recusam entregar mais canções originais e propõe no último ano de contrato a gravação de um disco ao vivo.[93] Contém três temas inéditos tocados ao vivo: "Três Peixes", "No Jogo da Noite" e "Tu Queres". [94] Entram para a banda dois novos elementos provenientes dos Go Graal Blues Band: o baixista Fernando Delaere e o baterista Manuel Mergulhão «Hippo» que substituí Zé da Cadela. Trata-se do primeiro disco de rock gravado ao vivo em Portugal. [95] Este mantém-se atualmente como o vinil mais raro e caro do mercado de usados. [96] Com a edição deste álbum os UHF cessam o contrato de cinco anos com a Rádio Triunfo, que viria a decretar falência pouco tempo depois. Todo o espólio desta editora foi adquirido pela Movieplay que se tem recusado, desde então, a reeditar os álbuns que os UHF gravaram entre 1982 e 1985, bem como a impedir a introdução dessas canções em coletâneas ou em álbuns ao vivo da banda. [97]

As rádios nacionais responsáveis pelo fenómeno «Rock português» no início da década de oitenta, numa comunhão de auto estima sem precedentes na sociedade portuguesa, perdem a partir dos finais dos anos oitenta a autonomia dos programas de autor. O público afasta-se do rock nacional provocando um retrocesso na evolução com as novas gerações a procurem a música estrangeira. Tudo se torna mais difícil incluindo a promoção e divulgação dos novos discos. Apenas um número reduzido de bandas consegui sobreviver à crise do rock português: GNR, Rui Veloso, Xutos & Pontapés e os UHF são os nomes a reter para a história. [48]

Nova formação e sucesso renovado (1987–1990)[editar | editar código-fonte]

Em 1987 os UHF estão sem editora e António M. Ribeiro tem a sua primeira experiência a solo com a edição de "É Hoje - Agora". [98] Trata-se de um hino de esperança que António M. Ribeiro aceitou escrever, a convite do presidente do Partido Socialista Português para a campanha das eleições legislativas de 1987. Uma canção que exaltasse as pessoas por um ideal.[99] Apesar de ser um trabalho a solo tem a participação dos músicos dos UHF. O guitarrista Renato Gomes é o último elemento da formação inicial a deixar a banda, já não participando nesta edição. A Fernando Delaere (baixo) junta-se Rui Rodrigues (guitarra) e Rui Beat Velez (bateria). Na última quinzena deste ano os UHF regressam à Alemanha para uma série de concertos. [8]

Em 1988 assinam com a Edisom e lançam um Junho "Noites Negras de Azul". [100] Trata-se do álbum mais «negro» da banda influenciado pela ala cinzenta do rock alternativo de Manchester e marcado pela «ressaca» do sucesso vivido por António M. Ribeiro no boom do rock português no início dos anos oitenta. O próprio álbum é uma retrospeção de estórias pessoais do autor, caso das canções: "Nove Anos", "Quero Estoirar", "Na Tua Cama", "Sonhos na Estrada de Sintra" e "Íntimo (regresso do inferno)". [101]

Logotipo renovado em 1988

Durante as gravações o baixista Fernando Delaere e o baterista Rui Beat Velez são substituídos, respetivamente, por Xana Sin e Luís Espírito Santo. Renato Gomes é convidado a participar no tema "Sonhos na Estrada de Sintra" que nos brinda com solos de guitarra. [8]

A canção "Na Tua Cama" é estreada a 20 de Abril de 1988 no velho Estádio da Luz perante cento e vinte mil pessoas numa atuação durante o intervalo de um jogo da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Pela primeira vez um artista lançava uma nova canção fora do espaço radiofónico ou televisivo privilegiando uma plateia de futebol. Este single ocupa o primeiro lugar de vendas durante várias semanas e o álbum atinge o número 4 no top nacional sendo galardoado com disco de ouro. [102] [103] Na digressão os UHF convidam Rui Beat Velez passando o palco a ser ocupado em simultâneo com dois bateristas. [104]

No mês de Novembro de 1988 lançam o mini LP "Em Lugares Incertos". [105] Na digressão os UHF realizam um concerto, em Janeiro de 1989, no mítico clube Rock Rendez-Vous que seria o último grande espetáculo com a sala esgotada, antes do seu encerramento definitivo. Este concerto foi transmitido em direto pela estação de rádio RFM. [106]

Em 1989 é editado o máxi single "Hesitar" com os inéditos "Hesitar" e "Está Mentira à Solta". Fazem uma versão elétrica do tema "(Fogo) Tanto Me Atrais" do álbum "Em Lugares Incertos". O registo discográfico incluí uma entrevista a António M. Ribeiro. [107] Pedro de Faro entra para a banda substituíndo Xana Sin no baixo elétrico. Renato Júnior é convidado a tocar saxofone no tema "Hesitar". [108]

Em Junho de 1990 editam o mini LP "Este Filme - Amélia Recruta", [109] cujos direitos de venda a banda quis oferecer à Associação dos Deficientes das Forças Armadas e que gentilmente foi recusado; «Heranças que o Império tece» segundo António M. Ribeiro. O tema "Amélia Recruta" é uma critica ao serviço militar obrigatório, de dimensão colonial, que teimava permanecer em Portugal e tinha apanhado novamente os músicos dos UHF.[110] O baixista Xana Sin regressa à banda e sai Pedro de Faro. Renato Júnior (teclas e sax) torna-se membro integrante dos UHF.[111]

Em Outubro deste ano lançam o duplo álbum ao vivo "Julho, 13", [112] gravado na noite de 13 de Julho no Salão de Festas da Sociedade Incrível Almadense, [113] O álbum atinge o galardão disco de prata. Por insistência da editora Edisom o concerto reuniu em palco, pela primeira vez depois da separação, os ex membros Carlos Peres, Renato Gomes e Zé Carvalho que marcaram a fase comercial mais alta da carreia da banda. Tocaram os temas "Cavalos de Corrida", "Concerto", "Rapaz Caleidoscópio" e "Geraldine". [114]

Guerras na Europa, curto hiato e primeira coletânea (1991–1996)[editar | editar código-fonte]

Em 1991 assinam contrato com a multinacional BMG e lançam "Comédia Humana", [115] obtendo sucesso nos temas "Brincar No Fogo" e "De Segunda Até Sexta". Trata-se do trabalho dos UHF com sonoridade mais próxima do estilo pop rock e o primeiro com edição em CD. É um disco trovadoresco com a escrita a revelar o olhar e a tomada de consciência existencial, quando uma guerra lá longe no deserto é um acontecimento diário.[116] O tema "Comédia Humana" faz uma abordagem à primeira guerra do Golfo em 1990, relatando a barbaridade entre os homens: «A primeira vez que uma ação militar não é fixa pela foto mas por sequência de imagens de combate em direto pela TV», segundo António M. Ribeiro. [117] [118] O guitarrista Toninho e o baixista Nuno Filipe são os novos elementos da banda. No decorrer da digressão participam no concerto de Joe Cocker e Simple Minds no Estádio José Alvalade em Lisboa no dia 31 de Julho. A atuação dos UHF apenas durou cerca de trinta minutos sendo forçados a sair do palco por imposição dos agentes estrangeiros alheios à organização. Para memória futura fica o registo do mau som e a falta de profissionalismo dos responsáveis pelo festival. [119]

Os UHF realizam concertos especiais nos Coliseus de Lisboa e Porto, respetivamente a 6 e 8 de Fevereiro de 1992. Estes concertos, com base no álbum "Comédia Humana", tiveram as participações de Jorge Palma, Zé Pedro e Lena d'Água. O concerto de Lisboa é gravado pela RTP. [8] [120] É lançado em edição «pirata» o CD single "UHF - Ao Vivo no Coliseu de Lisboa", limitado a quinze exemplares, com os temas "Estou de Passagem" e "Frágil" com a participação de Jorge Palma. [121]

Ainda em 1992 António M. Ribeiro depois da primeira experiência a solo em 1987 edita com o selo da BMG o primeiro álbum em nome próprio "Pálidos Olhos Azuis",[122] obtendo o êxito no tema "Velhos Tamborins". Aborrecido com a banda, António M. Ribeiro dispensa os músicos e encontra o refúgio neste projeto. Tem a participação de antigos membros dos UHF e outras participações que o líder aproveita para renovar a banda. [123] A edição em CD vem com mais dois temas: "Hi John" dedicado ao músico John Lennon e "Velhos Tamborins" em versão longa.[124]

Em 1993 lançam em CD e duplo LP o álbum "Santa Loucura" [125] com várias músicas de sucesso com destaque para a canção popular "Menina Estás à Janela" recriada próximo do estilo punk rock tornando-se num dos maiores êxitos da banda. Trata-se da primeira versão de canções de outros artistas editada pelos UHF.

"Menina Estás à Janela" é uma canção popular recriada pelos UHF em versão próxima do punk rock. Tornou-se num dos maiores sucessos da banda. [126]

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O tema "Sarajevo", outro sucesso que varreu o país, retrata a barbaridade da guerra que renascia na Europa em 1990, consequência da luta pela independência das repúblicas que formavam a Federação da Jugoslávia.[127] A banda sofre nova alteração, saem Toninho (guitarra) e Luís Espírito Santo (bateria) entrando, respetivamente, Rui Dias e Fernando Pinho. O baixista Fernando Delaere regressa aos UHF para o lugar de Nuno Filipe. É um álbum bem recebido pelo público mas com fraco volume de vendas, devido à má gestão promocional da editora. O vídeo de promoção televisiva do tema "Menina Estás à Janela" foi atribuído à compilação de vários artistas "Número 1", [128] que alcançou o primeiro lugar do top de vendas e aí se manteve por várias semanas, em vez de promover o próprio álbum dos UHF. As vendas de "Santa Loucura" não refletiam os múltiplos concertos realizados no ano de 1993 e a banda estava em polvorosa com os responsáveis da BMG. O álbum atinge apenas o galardão disco de prata.[129] No dia 11 de Setembro participam no concerto no Estádio José Alvalade juntamente com Billy Idol e Bon Jovi perante uma plateia de cinquenta mil pessoas. [130]

Segue-se a edição do EP "4 Rave Songs" [131] contendo quatro músicas do último álbum "Santa Loucura" com aproximação sonora ao estilo musical Rave, de grande expansão por toda a Europa na década de 1990. Foram trabalhadas duas novas misturas com sonoridade eletrónica: "Aqui Planeta Terra" e "Esperar Aqui Por Ti". Colocado à venda exclusivamente nas lojas Bimotor e com edição limitada. [8]

Em 1994, na comemoração do vigésimo aniversário da "Revolução dos Cravos", são convidados a participarem na compilação "Filhos da Madrugada" [132] de homenagem a José Afonso interpretando o tema "A Morte Saiu à Rua". Trata-se da primeira versão dos UHF das canções de José Afonso. No dia 30 de Junho é realizado um concerto no Estádio José Alvalade com a participação dos UHF [133] e das restantes bandas presentes nesta compilação integrado na programação de "Lisboa 94 - Capital Europeia da Cultura". [134]

Neste mesmo ano o programa "Idade da Inocência" da Rádio Comercial convida António Manuel Ribeiro, Miguel Ângelo, Viviane e José Cid a gravarem inéditos de Natal. [69]

É lançada a compilação de inéditos de Natal "Espanta Espíritos" [135] pela editora Dínamo em 1995 que reúne alguns duetos entre cantores portugueses de diferentes sensibilidades musicais. O tema de maior destaque é "Podia Ser Natal" da autoria de António M. Ribeiro que canta em dueto com Miguel Ângelo.[136] Trata-se de um poema de António M. Ribeiro publicado em Dezembro de 1994 no Jornal Público a convite do jornalista Luís Maio e que depois foi musicado e gravado para esta compilação de Natal.[137]

Neste ano de 1995 os UHF comemoram quinze anos de carreira e lançam a primeira coletânea "Cheio",[138] com algumas músicas regravadas em ambiente acústico no Convento dos Capuchos em Almada. O tema de apresentação é uma nova versão do clássico "Cavalos de Corrida". Contém cinco temas inéditos entre eles "Quero um Whisky", "Por ti e Por Nós Dois" e "Toca-me". [8] É reeditado no ano seguinte tendo o CD extra mais cinco temas inéditos. [139] Nesta altura os UHF não tinham guitarrista definido. [140]

Numa ação de campanha da luta contar a SIDA em parceria com a Associação Abraço, os UHF recuperam três remas do coletânea "Cheio" e lançam o EP "Toca-me". [141] [25]

É lançado um volume do "Talento Club Mania Show" da autoria de Carlos Caseiro dedicado aos UHF. [8]

Ainda em 1995 a BMG recupera os dois últimos álbuns de estúdio dos UHF "Comédia Humana" e Santa Loucura" e edita a box set "Back 2 Back" constituída por dois CDs. [142]

Em 1996 a editora EMI-VC edita a coletânea "Cavalos de Corrida – Projecto Caravela" com os maiores sucessos da banda entre 1980 e 1982 que marcaram o boom do rock português. [143]

Participam com o inédito "Sábado (nos teus braços)" na compilação "Algarve",[144] lançada em Outubro no formato picture disc da Virgin Megastore de Lisboa com edição da BMG.[145] Com o patrocínio da Swatch a compilação é limitada a seiscentos e sessenta e seis exemplares. Participam ainda os Delfins, Santos & Pecadores e Pólo Norte.[146] [147]

De regresso aos originais lançam o álbum "69 Stereo" [148] em Novembro de 1996. Rui Padinha é o novo guitarrista da banda. A canção "O Povo do Mundo" é um manifesto contra o racismo, xenofobia, intolerância religiosa e a «universal estupidez consciente» que tardam em desaparecer da sociedade .[149] O tema de maior sucesso é "Foge Comigo Maria".[150] A banda convida Né Ladeiras a participar na faixa "Amor Perdi". O álbum é considerado um dos melhores discos deste ano para o Jornal Público. [8]

Também neste ano é lançada a coletânea "Sarajevo - Bósnia 1996" [142] em formato K7 e MMC com tiragem de seiscentos exemplares. Foi expressamente produzido para o contingente militar português que integrava a Missão de Paz na Bósnia numa oferta simbólica dos UHF. Três anos depois, em 1999, a banda é convidada a realizar um concerto de Natal na capital Sarajevo que foi impedido pelo forte nevão que se fez sentir naquela zona. [151]

Independência, nova formação e homenagem ao Benfica (1997–1999)[editar | editar código-fonte]

Saturado com as obrigações contratuais e atento às más experiências vividas no passado, António M. Ribeiro cria em 1998 a editora AM.RA Discos de forma a ter controlo sobre a sua obra, tornando os UHF independentes. Apenas passarão a negociar a distribuição com outras editoras. [1] [152]

Cquote1.svg A independência em Portugal paga-se, porque a independência é um acto de inteligência e neste país não podemos ser inteligentes. Cquote2.svg
António M. Ribeiro (1998) [153]

Lançam o CD "Rock É! Dançando Na Noite" [154] marcando a estreia desta editora. Obtém o êxito "Quando (dentro de ti)", uma canção positiva que fala da força que existe esquecida nas pessoas. A formação da banda é totalmente renovada com músicos mais jovens que António M. Ribeiro. Entram David Rossi (baixo), Marco Costa Cesário (bateria), Jorge Manuel Costa (piano e saxofone) e António Côrte-Real guitarrista e filho do líder da banda. Todos participam como compositores dos temas. [155]

No mês de Agosto deste ano é lançada a compilação "ProMúsica nº 19" da revista com o mesmo nome. Os UHF participam com o inédito "Laura In". [145] [156]

No dia 25 de Junho de 1999 o grupo assinala o vigésimo aniversário do lançamento do primeiro disco com um concerto na Praça Sony do Parque das Nações em Lisboa.[145] O espetáculo teve a edição programada da coletânea em duplo CD "Eternamente" [157] que reúne os principais sucessos da banda com algumas músicas a terem uma nova roupagem. Tornou-se disco de prata só à conta das pré vendas para as lojas e posteriormente disco de ouro.[145] Neste álbum podemos encontrar, por exemplo, a nova versão do clássico "Jorge Morreu", três inéditos e a versão "Angie" dos Rolling Stones com sonoridade disco.[158] Das canções editadas entre 1982 e 1985 não foi possível integrar os cinco temas que tinham sido escolhidas, pois a editora Movieplay que detém o espólio da extinta Rádio Triunfo, mais uma vez, não o permitiu. [8]

Ainda neste ano, a 18 de Agosto, é editado o EP "Sou Benfica" [159] de homenagem ao Sport Lisboa e Benfica. O convite surgiu da claque do clube e foi aceite pelo líder dos UHF. O disco contém dois inéditos e três versões desses temas. A canção "Sou Benfica" é uma prenda que António M. Ribeiro quis dar ao pai no seu último ano de vida. [160] [161] Tornou-se o novo hino da modernidade do clube da Luz, uma canção positiva que não hostiliza os opositores nem promove a guerra no futebol. [162]

Hiato, formação consolidada e primeira ópera rock em Portugal (2000–2003)[editar | editar código-fonte]

Depois de um período conturbado na sua vida pessoal, António M. Ribeiro faz uma pausa na banda (hiato) e dedica-se à composição do segundo álbum a solo. Com o selo da Road Records lança em Julho de 2000 "Sierra Maestra". [163] Trata-se de um trabalho de profunda reflexão, um disco muito sereno não só na música como nos textos, uma acalmia do autor enquanto ser espiritual. [164] São nove novas canções partilhadas por catorze convidados, entre os quais, Renato Gomes ex membro e co-fundador dos UHF, Alexandre Manaia que pertenceu aos GNR e aos Bandemónio de Pedro Abrunhosa e alguns músicos integrantes dos UHF. [165]

Em 2001 a AM.RA Discos edita "À Beira do Tejo",[166] coletânea produzida exclusivamente para exportação não estando disponível no circuito comercial em Portugal. Recupera canções dos dois últimos álbuns da banda: "Rock É! Dançando Na Noite" de 1998 e "Eternamente" de 1999. [167]

Neste ano os UHF apresentam a formação mais sólida: António Manuel Ribeiro (voz e guitarra), António Côrte-Real (guitarra), Fernando Rodrigues (baixo) e Ivan Cristiano (bateria) que permanecerão juntos até 2012.

António M. Ribeiro lança a sua primeira aventura literária "Todas as Faces de um Rosto". Neste livro verificamos a interligação com as notas de viagem, a poesia e as canções escolhidas.[168] Editado pela Garrido Editores em Junho de 2002. [19]

O ano de 2003 é marcado por várias edições:

Balada rock interpretada em dueto com a cantora de jazz Orlanda Guilande.[169] O tema faz parte do enredo da ópera rock dos UHF. Para o líder da banda: «Uma das mais belas canções de amor que escrevi, um milagre de produção em estúdio.»[170]

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"Somos Nós Quem Vai Ganhar" é um CD single que António M. Ribeiro aceitou compor a convite da Federação Portuguesa de Futebol. [171] Trata-se do hino da seleção nacional de futebol de Sub-17 que venceu o campeonato da Europa de 2003, numa prova realizada entre 7 e 17 de Maio nos distritos de Viseu e Vila Real.[172] É a única seleção nacional em todos os escalões a sagrar-se campeã europeia numa organização portuguesa.[173] [174]

"Harley Jack" é um EP dedicado aos adeptos das concentrações de motards e celebra os seus rituais de união e amizade.[175] Contém os inéditos "Harley Jack", "Caloira Bonita" e "Faz de Conta é Um País" e recupera três temas. Distribuído apenas em concentrações de motards e no site oficial da banda. [176] [177]

"Sou Benfica - As Canções da Águia" é a primeira coletânea dos UHF dedicado ao Sport Lisboa e Benfica.[178] Das onze faixas que compõem o álbum destaca-se o hino "Sou Benfica" de 1999 e o inédito "Uma Luz de Paixão" que aborda a despedida do antigo Estádio da Luz em 2003 e dá as boas vindas à nova casa do clube. [179] Os UHF foram a última banda a realizar um concerto no antigo estádio antes de se proceder à demolição. [180] O álbum atinge a 23ª posição na tabela nacional de vendas em 2005 e é galardoado com disco de ouro, [181] consequência do título de campeão nacional conquistado pelo Benfica nesse ano. [182]

"La Pop End Rock" é um CD duplo que celebra os vinte e cinco anos de carreira dos UHF e é a primeira ópera rock autobiográfica feita em Portugal. [169] Para António Manuel Ribeiro: «É uma obra ficcionada sobre a carreira oficial e a vida não documentada dos UHF, enquanto banda, e das personagens que pelo grupo passaram ao longo dos encores de uma vida».[183] Trata-se de um trabalho grandioso, elaborado e maturado produzido para representação de ópera rock. [184] Obtêm os sucessos "A lágrima Caiu" e "Os Putos Vieram Divertir-se" canção que homenageia a determinação da própria banda em afirmar-se no panorama musical e faz uma dedicação especial à fiel legião de fãs. Este álbum marca o regresso do grupo à editora EMI. [185]

Em Outubro deste ano António Manuel Ribeiro lança o seu primeiro livro de poesia "Se o amor fosse azul que faríamos nós da noite?". [186] Editado pela Garrido Editores. [17]

Regresso ao sucesso, arquivo histórico e os trinta anos (2004–2009)[editar | editar código-fonte]

Em 2004 os UHF recebem uma encomenda do Município de Porto Moniz e gravam o EP "Voltei a Porto Moniz" de promoção turística ao concelho. [187] Com exclusividade da Câmara Municipal desta cidade o EP não foi distribuído no circuito comercial. [188]

Ainda em 2004 é lançado o EP "Podia Ser Natal". [189] Trata-se de um novo arranjo da canção editada em 1995 que foi apresentado no programa "As Mais Belas Canções de Natal" transmitido pela SIC em 2004 e que os UHF decidiram editar em CD. Limitado a quinhentos exemplares, a banda entregou à Fundação AMI um euro por cada disco vendido felicitando as nobres causas apoiadas por esta instituição, em mais uma ação de filantropia dos UHF.[24] [190] Contém os inéditos "Quarto 603" de 1999 e "Um Homem à Porta do Céu" de 2001, abrindo-se assim pela primeira vez as portas do arquivo dos UHF. [191]

De regresso aos originais, os UHF lançam a 14 de Março de 2005 o CD "Rock no Cais" [192] obtendo o sucesso imediato com "Matas-me Com o Teu Olhar" em versão eléctrica e outra acústica com a participação de um quarteto de cordas da Orquestra Metropolitana de Lisboa. [193] A canção faz parte da banda sonora da telenovela "Ninguém Como Tu" exibida pela TVI neste ano. [194]

Em Novembro António M. Ribeiro lança o seu terceiro livro "Cavalos de Corrida - A poética dos UHF". [195] Trata-se de uma antologia de todos os poemas que a banda UHF e o próprio autor a solo gravaram entre 1979 e 2005. Editado pela SeteCaminhos. [196] [20]

Em 2006 é reeditado "Há Rock no Cais" em CD duplo e com edição limitada de mil exemplares [197] de promoção aos concertos nos Coliseus de Lisboa e Porto,respetivamente, a 23 de Setembro e 6 de Outubro sendo o de Lisboa gravado para futura edição em DVD. [198] [199] O CD extra contém sete temas, entre os quais a versão ao vivo "Matas-me Com o Teu Olhar", o inédito "Deputado da Nação" e dois videoclips. O tema "Estou-me nas Tintas (primeiro os meus)" faz parte da banda sonora da telenovela "Fala-me de Amor" exibida neste ano pela TVI. [200]

A editora EMI lança a coletânea "UHF - Grandes Êxitos - EMI Gold" recuperando os maiores êxitos da banda e do rock português entre 1980 e 1982. [201]

O ano de 2006 é ainda marcado pela edição do quarto livro de António M. Ribeiro. Neste segundo livro de poemas inéditos intitulado "O Momento a Seguir" verificamos a projeção de uma escrita do autor há muito reconhecida nas suas canções de combate. [18] Editado pela SeteCaminhos. [202]

Os UHF dão início à edição de canções guardadas no seu arquivo histórico e lançam a 16 de Abril de 2007 a coletânea "Canções Prometidas - Raridades Vol.1" [203] com sete inéditos e versões nunca editadas.[204] Teve uma primeira edição exclusiva para o clube de fãs da banda e limitado a quatrocentos exemplares numerados. [205]

A 24 de Novembro do mesmo ano a banda saúda os fãs com a segunda edição "Canções Prometidas - Raridades Vol.2", [206] contendo seis inéditos com destaque para a versão "Grândola, Vila Morena" de José Afonso com a participação de Samuel, Manuel Freire, José Jorge Letria e Vitorino. [207]

Em 2008 os UHF dão início às comemorações do trigésimo aniversário com um concerto na Aula Magna da Universidade de Lisboa no dia 28 de Março. [208] [7] O concerto teve as participações especiais do ex membro e co-fundador da banda Renato Gomes no clássico "Cavalos de Corrida" e do maestro António Vitorino de Almeida que brinda o público com rasgos de improviso ao piano no tema "Sarajevo". [209] Este espetáculo marcou a arranque da digressão "30 anos ligados à corrente". [210] No decorrer da digressão é lançado no dia 5 de Maio a coletânea em duplo CD "UHF - Os Anos Valentim de Carvalho" [211] que reúne a totalidade das músicas gravadas para esta editora entre 1980 e 1982. Incluí os álbuns "À Flor da Pele" e "Estou de Passagem", os singles "Cavalos de Corrida" e "Quem Irá Beber Comigo? (Desfigurado)" bem como uma versão inédita de "Cavalos de Corrida" de 1982 regravada em 24 pistas. [212] A edição surge acompanhada por um depoimento de António M. Ribeiro recolhido pelo jornalista Rui Miguel Abreu.[213] O encerramento da digressão "30 anos ligados à corrente" ocorre na Academia Almadense num concerto realizado a 20 de Dezembro. [214] Contou com as participações especiais de Carlos Peres e novamente de Renato Gomes. [215]

Ainda em 2008 são reeditados em CD, com o selo da AM.RA Discos, os álbuns "Noites Negras de Azul" e "Em Lugares Incertos" ambos de 1988 celebrando os vinte anos do lançamento. [216] [217] No final deste ano Nuno Oliveira (teclas) torna-se membro integrante dos UHF. [218]

A 23 de Março de 2009 é editado "Absolutamente Ao Vivo" que celebra os trinta anos da primeira edição discográfica dos UHF. Trata-se da reprodução fiel de tudo o que aconteceu no palco do Coliseu de Lisboa em concerto realizado a 23 de Setembro de 2006 sem qualquer retoque em estúdio.[219] O álbum atinge a 14ª posição no top nacional de vendas. [220] Para além do formato duplo CD, [221] a banda presenteia os fãs com a edição do primeiro álbum de vídeo. [222] A primeira edição do DVD vem acompanhado pelo single extra "O Tempo é Meu Amigo", [223] um inédito de 2009 que integra a banda sonora da telenovela "Deixa Que Te Leve" [224] exibida neste ano pela TVI. [225]

No mês de Julho a prestigiada compilação de rock norte americana da Quickstar Productions convida os UHF a participarem na edição "Rock4Life - Vol.11" de 2009 com o tema "Alguém (que há de chegar)". Os UHF tornam-se a primeira banda portuguesa a participar nesta compilação. [226]

No dia 10 de Agosto lançam "Eu Sou Benfica", segunda coletânea dedicada ao Sport Lisboa e Benfica [227] pelo título de campeão nacional conquistado em 2009. [228] Tem a participação de artistas afetos ao clube a convite dos UHF. [229]

Em Setembro editam "Caloira Bonita 2009", uma coletânea temática preparada especialmente para a digressão das recepções ao caloiro de 2009 com temas de referência para o mundo universitário. [230]

Na noite de 19 de Setembro realizam um concerto na mítica Rua do Carmo recordando uma das canções mais familiares da memória pública. [231] O espetáculo contou com a presença do primeiro guitarrista dos UHF Renato Gomes e da Tuna Universitária do Instituto Superior Técnico. [232] São condecorados com a «Medalha de Mérito da Cidade» pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa. [11]

A canção "Porque Será Que Amo" do segundo álbum a solo de António M. Ribeiro [233] é escolhida para integrar a banda sonora de "Meu Amor" em exibição a partir de Outubro na TVI. [234] Trata-se da primeira telenovela portuguesa premiada com Emmy. [235]

No fim do ano de 2009 os UHF totalizavam a fantástica cifra de mil e seiscentos concertos em Portugal e no mundo, vendendo perto de um milhão de discos ao longo da carreira. Estão representados em oitenta e duas compilações de vários artistas. [236]

Intervenção social: canções de combate (2010–2013)[editar | editar código-fonte]

Depois da edição de várias coletâneas os UHF regressam aos originais e lançam a 4 de Outubro de 2010 "Porquê?" com o selo da AM.RA Discos.[237] É o álbum mais politizado da banda, «Trata-se de um CD em que, entre o amor e a canção política, o rock intervém» segundo as palavras de António M. Ribeiro.[238] A canção de intervenção "Porquê (Português)" é uma sátira à medíocre classe política responsável pelo critico estado da nação, [239]

Cquote1.svg O porquê fica mesmo como a grande pergunta. Depois de todas as discussões possíveis - económicas, financeiras, sociais, partidárias e não partidárias - há sempre uma pergunta que fica: Porquê? (...) O melhor da nação são os portugueses: os portugueses não são números, não são pedras, não são estradas. São pessoas. Cquote2.svg
António M. Ribeiro[15] (2010)

A faixa "Portugal (somos nós)" é uma canção extremamente positiva, a puxar pelas pessoas, um apelo à consciência nacional. Os políticos medíocres estão de passagem e não afetarão a identidade nobre da nação portuguesa.[15] As canções "Vejam Bem" de José Afonso e "O Vento Mudou" de Eduardo Nascimento são as duas versões incluídas no álbum. O tema "Porquê Só Ela" integra a banda sonora da telenovela "Espírito Indomável" exibida pela TVI neste ano. [240] O álbum atinge a 19ª posição na tabela nacional de vendas em 2010. [241]

"Passo a passo, vamos fazendo aquilo que queremos. E muitas vezes essa independência incomodou. Mas a independência incomoda em Portugal (...) Nós gostamos e precisamos das editoras - se bem que hoje temos a nossa e trabalhamos mais com distribuidoras - mas nunca abdicamos da escolha do rumo. Pagamos com a nossa independência alguma exposição menor."

— António M. Ribeiro, em declarações à IOL Música-TVI 24. [15]

A Quickstar Productions torna a convidar os UHF a participarem na nova compilação "Rock4Life - Vol.12" a editar no mês de Julho com o tema "Matas-me Com o Teu Olhar". [242]

No mesmo ano é emitido pelos CTT uma edição especial de selos de correio sobre a história do rock em Portugal, [243] da qual faz parte um selo com a capa do álbum dos UHF "À Flor da Pele" de 1981. [244] [245]

Em 2011 é reeditado em duplo CD o álbum "Porquê?". [246] O CD extra contém o inédito "Fingir, Não Sei Fingir", três temas em versão acústica e recupera o tema do single "O Tempo é Meu Amigo" que acompanhou a primeira edição do álbum de vídeo "Absolutamente Ao Vivo" em 2009. [247] [248]

O clássico "Rua do Carmo" de 1981 integra a banda sonora da telenovela "Anjo Meu" exibida pela TVI em 2011. [249]

A editora Tugaland em parceria com o Diário de Notícias retoma o projeto, iniciado em 2008, da coleção em quinze volumes que conta a história das melhores bandas do pop e rock português, desenhadas pelos mais prestigiados ilustradores portugueses e acompanhado por uma coletânea com os temas mais marcantes.[250] A edição dedicada aos UHF, "BD Pop Rock Português - UHF", é lançada 20 de Maio de 2011 [251] em formato BD+CD com argumento e ilustração de Pedro Brito.[252] A coletânea é editada pela AM.RA Discos e reúne canções gravadas desde 1998.

A 23 de Julho é lançada a coletânea "UHF - Bandas Míticas Vol. 04". [253] Trata-se de uma coleção do jornal Correio da Manhã sobre vinte bandas que marcaram os últimos cinquenta anos da história da música portuguesa. A coleção é composta por um CD com os temas mais emblemáticos, livro com fotos, depoimentos inéditos, discografia e árvore genealógica. [254] O volume 4 é dedicado aos UHF e reúne as canções mais marcantes do boom do rock português. Os textos são da autoria de David Ferreira. [255]

O ano de 2011 é ainda assinalado pela edição do CD single de intervenção social "Por Portugal Eu Dou". Para António M. Ribeiro: «É uma tomada de posição ativa a favor da coesão e da identidade cívica da nação». Uma mensagem positiva de união dos cidadãos em prol da nação portuguesa. [256] Este single foi oferecido na compra do bilhete para assistir ao concerto de gravação do álbum ao vivo nos dias 26 e 27 de Novembro na cidade de Fafe. [257]

Em 2012 os UHF lançam o quarto álbum ao vivo "Ao Norte - unplugged" em duplo CD, [258] gravado no Teatro Cinema de Fafe em formato acústico. [259] Para António M. Ribeiro: «É uma celebração ao Norte e a todos os fãs anónimos que entraram e continuam a entrar para a grande família que o tempo e as canções ofereceram ao grupo». [260] O single de apresentação é o clássico "Cavalos de Corrida" tocado ao piano, sendo um enorme sucesso. [261] O álbum atinge a 21ª posição na tabela de vendas em 2012. [262]

No mês de Novembro deste ano é editada a coletânea "Canções Prometidas - Raridades Vol.3" [263] limitada a mil exemplares e que marca o início dos festejos dos trinta e cinco anos de carreira dos UHF. Contém cinco inéditos, versões nunca antes editadas e duas músicas gravadas ao vivo. [264]

Em 2013 os UHF celebram o trigésimo quinto aniversário [265] com o lançamento a 25 de Junho do álbum " A Minha Geração". [266] De destacar os temas de intervenção social "A Minha Geração" e "Vernáculo (para um homem comum)" com grande impacto na sociedade portuguesa, são fortes críticas a vários aspetos políticos e sociais com especial relevo para a falta de ética e seriedade dos governantes portugueses e de toda a classe política. [267] A canção "Vernáculo" contabilizou mais de cem mil visualizações em vídeos disponíveis na internet. [14] Trata-se de um poema de António M. Ribeiro publicado no livro "O Momento a Seguir" em 2006. [268]

Envolvente declamação musicada dos UHF. A canção tornou-se um manifesto político.[267] Recorre a adjetivos «agressivos» mas inseridos num contexto de linguagem: «A confissão de um homem comum (...) aquilo que se diz na rua e que os políticos não ouvem», segundo o autor. [269]

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Cquote1.svg Há anónimos que me travam o passo na rua para elogiar a coragem dos UHF. Banida da rádio, é como um rio silencioso que engorda o caudal imparavelmente (...) É um disco de um cidadão inquieto, de um compositor e de um escritor de canções atento ao país e ao momento que vivemos. Um disco de alguém que está muito cansado por todas as promessas que têm sido feitas ao longo dos tempos e por este declínio constante. Portugal parece um barco a afundar que nunca mais se afunda. Cquote2.svg
António M. Ribeiro (2013)[270]

Este trabalho marca o regresso ao formato vinil vinte anos depois da última edição. O LP apresenta nova imagem na capa, [271] com uma pintura de António M. Ribeiro simbolizando os verdes anos vividos pela geração de 1970 que acreditavam que o mundo lhes pertencia. [272] [273] Fernando Rodrigues, baixista desde 2001, deixa os UHF no decorrer das gravações sendo substituído por Luís Simões «Cebola». O álbum "A Minha Geração" atinge a 14ª posição na tabela nacional de vendas em 2013. [274]

Em Novembro de 2013 os UHF celebram os trinta e cinco anos do primeiro concerto e para assinalar esta data a banda disponibilizou no seu facebook o download digital e gratuito da canção "Amores de Estudante" em versão rock. Esta música (tango-canção) foi composta em 1937 com letra de Aureliano da Fonseca e música de Paulo Pombo e, desde então, passou a fazer parte do reportório das Tunas Académicas. [275]

Nos dias 7 e 18 de Dezembro realizam concertos especiais no Centro Cultural de Belém e na Casa da Música para futura edição discográfica. [276] Estes dois espetáculos marcam o encerramento da digressão “UHF 35 Anos – A Minha Geração”. [277]

A 8 de Dezembro de 2013 a RTP, com produção da Stopline Films, estreia a série "Os Filhos do Rock" que recorda a década de 1980 e o surgimento do movimento rock cantado em português. [278] Trata-se de uma série de ficção baseada em alguns factos verídicos. Os UHF são uma das bandas retratadas ao longo dos vinte e seis episódios. [279]

Estreia digital e quinto álbum ao vivo (2014–presente)[editar | editar código-fonte]

A 6 de Janeiro é apresentado em estreia absoluta na Rádio Renascença o inédito "Nação Benfica" no dia em que o mundo se despediu de Eusébio. O tema só deveria ser revelado no final da época futebolística, mas António M. Ribeiro quis homenagear Eusébio neste dia de pesar. [280] Com imagens e fotografias trabalhadas pela Rádio Renascença o vídeo propaga-se pela internet com inúmeras visualizações. [281] A canção viria a ser editada no mercado meses mais tarde.

A Warner Music relança no mercado a coleção "Grandes Êxitos" composta por quinze artistas consagrados da música portuguesa. Depois do sucesso das cento e vinte e cinco mil unidades vendidas a coleção volta ao mercado com um novo conceito gráfico e moderno. [282] A edição dedicada à banda de António M. Ribeiro "Grandes Êxitos - UHF" é lançada no dia 20 de Janeiro e reúne os temas mais marcantes do chamado boom do rock português entre 1980 e 1982. [283]

No dia 5 de Maio os UHF entram no mercado digital com duas edições:

"Era de Noite e Levaram" é um single editado pela AM.RA Discos com exclusividade da Meo Music. [284] A canção, em versão rock, fora estreada no dia 17 de Abril no auditório da Antena 1 na celebração dos quarenta anos da Revolução dos Cravos. Com música de José Afonso e letra de Luís de Andrade esta canção de 1969 transmite a emoção de um tempo que partiu, a noite arbitrária do fascismo, «Para dizer aos mais novos que o 25 de Abril não foi assim há tanto tempo, apesar do tempo que passou, maior que a sua idade. Por que cada feriado nacional tem uma história», segundo António M. Ribeiro. [285]

"EP Benfica" é um EP também distribuído pela Meo Music. [286] Contém o inédito "Nação Benfica" apresentado na Rádio Renascença na homenagem a Eusébio no dia do seu falecimento. [280] Mais uma canção positiva dos UHF que não hostiliza os opositores nem promove a guerra no desporto. Recupera os temas "Águias de Fogo" de 1999 e "Uma Luz de Paixão" de 2003. [287] [288]

Na continuação da homenagem ao mestre José Afonso lançam no dia 2 de Agosto o single digital "Os Vampiros" [289] e é a quinta versão rock dos UHF das canções deste poeta de intervenção. Trata-se de um tema editado em 1963 no álbum "Baladas de Coimbra II" de José Afonso, uma poderosa chamada de atenção para que nos recordemos que seremos sempre capazes de vencer os «vampiros» de hoje, os governantes que nos exauriram com austeridade ilegítima e forçada, e que ficam impunes às ilegalidades praticadas. É uma canção intemporal. [290]

A distribuidora discográfica Valentim de Carvalho lança a coleção "Essencial" constituída pelos mais consagrados artistas que gravaram para esta editora durante a parceria com a multinacional EMI. [291] A coletânea "UHF - Essencial" retrata os primeiros e os mais rentáveis anos da carreira dos UHF reunindo as mais emblemáticas canções que marcaram o boom do rock português entre 1980 e 1982. Os UHF representam a afirmação pública duma geração que provou a viabilidade do rock cantado em português. [292]

No dia 24 de Novembro de 2014 é lançado o quinto álbum ao vivo intitulado "Duas Noites Em Dezembro". [293] Trata-se do registo dos concertos realizados no Centro Cultural de Belém e na Casa da Música, respetivamente, a 7 e 18 de Dezembro de 2013 que marcaram o encerramento da digressão comemorativa dos trinta e cinco anos dos UHF. [294] O duplo CD comporta vinte e oito temas com algumas canções emblemáticas que não eram tocadas ao vivo há trinta anos. [295] Destaque para o empenho patriótico de António M. Ribeiro na interpretação de "Sonhos na Estrada de Sintra" em versão dramática,[296] canção que serviu de amostra do álbum e editada em single digital. [297]

O ano de 2015 arranca com o lançamento do novo livro e o primeiro em prosa de António M. Ribeiro intitulado "Por Detrás do Pano - 35 histórias contadas na rádio & outras confissões". [298] Na origem deste trabalho, editado pela Chiado Editora em 29 de Janeiro, [21] estão as trinta e cinco histórias que o músico escreveu para a Antena 1, de Novembro a Dezembro de 2013, durante as comemorações do trigésimo quinto aniversário da banda. [299] A principal razão deste livro foi a necessidade de corrigir a história da música rock em Portugal: «As histórias foram mal contadas e passaram a ser verdade» segundo o autor. [300]

A 27 de Fevereiro de 2015 lançam "Uma História Secreta Dos UHF" [301] com selo da AM.RA Discos e exclusividade de distribuição da revista Blitz. Esta coletânea dá seguimento às raridades editadas pela banda. São dez pérolas do arquivo histórico dos UHF onde se incluí quatro maquetas do início da carreira, três temas registados ao vivo e recupera uma versão de José Afonso que tinha sido editada em single digital. Contém ainda os inéditos "Amores de Estudante" de 2013 e "Um MMS Teu" de 2015. [302]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio[editar | editar código-fonte]

António Manuel Ribeiro a solo


Membros da banda[editar | editar código-fonte]

Integrantes[editar | editar código-fonte]


Linha do tempo[editar | editar código-fonte]


Convidados[editar | editar código-fonte]


Referências

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  154. Rock É! Dançando na Noite (CD) Spirit Of Rock. Visitado em 15 de abril de 2015.
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  156. Promúsica (vários) Fonoteca C.M. Lisboa. Visitado em 29 de outubro de 2014.
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  278. Ana Margarida Leite (7 de dezembro de 2013). "Os Filhos do Rock" chegam este fim-de-semana à RTP1 Jornal de Notícias. Visitado em 21 de maio de 2014.
  279. Rui Lavrador. RTP estreia "Os Filhos do Rock" retratando a década de 80 Jornal HardMusica. Visitado em 21 de maio de 2014.
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  298. Por Detrás do Pano Fnac. Visitado em 13 de fevereiro de 2015.
  299. Mariana Pereira (1 de fevereiro de 2015). Corrigir a história do rock com estórias dos UHF Diário de Notícias. Visitado em 13 de fevereiro de 2015.
  300. Tiago Varzim (30 de janeiro de 2015). Rui Veloso não esteve no início do rock português Arte Sonora. Visitado em 13 de fevereiro de 2015.
  301. Uma História Secreta Dos UHF (CD) Discogs. Visitado em 14 de março de 2015.
  302. CD dos UHF, com raridades e inéditos, grátis com a BLITZ de março Blitz. Visitado em 14 de março de 2015.

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