Ubiratan Guimarães

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Ubiratan Guimarães, conhecido como Coronel Ubiratan, (São Paulo, 19 de abril de 1943 — São Paulo, 10 de setembro de 2006) foi um coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo e político brasileiro. Foi o responsável pela invasão da Polícia Militar de São Paulo ao Complexo Penitenciário do Carandiru, em 1992. O coronel foi morto em seu apartamento em São Paulo num crime ainda não esclarecido.

Coronel[editar | editar código-fonte]

Coronel da reserva da Polícia Militar, onde permaneceu por 32 anos, Ubiratan Guimarães comandou o policiamento metropolitano, o policiamento de choque e o regimento de cavalaria 9 de Julho. Entrou para as fileiras da Força Pública em 15 de fevereiro de 1960. Foi declarado Aspirante a Oficial em 7 de março de 1964. PROMOÇÕES: 2º Tenente – 15 de dezembro de 1964; 1º Tenente – 25 de agosto de 1967; Capitão – 25 de agosto de 1973; Major – 24 de maio de 1980; Tenente-Coronel – 24 de maio de 1985; CORONEL em 11 de março de 1988.

Em 1989, foi designado para comandar o CPM. Como Comandante do Policiamento Metropolitano, foi responsável pela contenção da rebelião na Casa de Detenção, em 2 de outubro de 1992, resultando na morte de 111 presos. Foi afastado do cargo pelo governador LUIZ ANTÔNIO FLEURY FILHO. Em razão desse acontecimento, pediu passagem para a reserva. Candidatou-se a deputado estadual em 1994, recebendo cerca de 26 mil votos e consegue uma cadeira de suplente.

Carandiru[editar | editar código-fonte]

Uma briga entre membros de facções rivais no Pavilhão 9 que deveria terminar como mais um tumulto da Casa de Detenção, no complexo do Carandiru, zona norte de São Paulo, acabou se tornando uma rebelião . Uma intervenção policial, que a promotoria do caso classificou como "desastrosa e mal-preparada",[1] comandada inicialmente pelo Coronel Ubiratan que ao adentar alguns metros no pavilhão, sofreu um ataque vindo das escadas e logo foi socorrido (os policiais presentes dizem que o que atingiu o coronel foi uma televisão ou um botijão de gás, em chamas), resultou na morte de 111 detentos. O episódio ficou conhecido como Massacre do Carandiru como a mídia e as organizações dos direitos humanos classificaram.

O coronel foi acusado de homicídio e condenado, em junho de 2001, a 632 anos por 102 das 111 mortes (seis anos por cada homicídio e vinte anos por cinco tentativas de homicídio). No ano seguinte, foi eleito deputado estadual por São Paulo, após a sentença condenatória, durante o trâmite do recurso da setença de 2001. Por este motivo, o julgamento do recurso foi realizado pelo Órgão Especial do TJ, ou seja, pelos 25 desembargadores mais antigos do estado de São Paulo, em 15 de fevereiro de 2006. O Órgão reconheceu, por vinte votos a dois, que a sentença condenatória, proferida em julgamento pelo Tribunal do Júri, continha um equívoco. já que o coronel havia sido atingido e teve que ser hospitalizado durante a retomada do presídio. Essa revisão acabou absolvendo o réu.

Observou-se o paralelismo (simetria) entre as regras previstas na Constituição Federal e na Constituição do Estado de São Paulo e, por este motivo, o foro especial ao deputado estadual é considerado constitucional.

Vida política[editar | editar código-fonte]

Ubiratan fazia parte da bancada da bala (que trabalha pela valorização do policial e punições severas à criminosos) da Assembléia Legislativa de São Paulo.

Transformado num nome conhecido do grande público após o massacre, Ubiratan entrou na política. Ele tomou posse como suplente de deputado estadual pelo PSD, por duas vezes: de janeiro de 1997 a abril de 1998 e de janeiro a março de 1999, sendo eleito posteriormente (com o número 14111) deputado estadual por São Paulo com 56.155 votos, em 2002.

Foi membro das CPIs do Crime Organizado e da Favela Naval. Estava em seu segundo mandato e era membro das Comissões de Segurança Pública e Administração Pública e presidia a Comissão de Assuntos Municipais. Considerado como uma figura importante na defesa da venda de armas aos cidadãos, no referendo sobre o desarmamento de 2005. Ubiratan também era visto por dirigentes de seu partido como grande "puxador" de votos para a bancada da bala.

Na Assembléia Legislativa de São Paulo, o coronel atuou em defesa da valorização do policial e seu discurso ganhou ainda mais força depois das ondas de ataques do crime organizado em São Paulo, orquestrados pelo Primeiro Comando da Capital.

No lugar do coronel, assumiu a suplente na chapa, Edir Sales, do PL, partido coligado ao PTB em São Paulo.

Morte[editar | editar código-fonte]

Por volta das 22h30min, num domingo, dia 10 de setembro de 2006, um dos assessores de Ubiratan o encontrou morto, com um tiro, em seu apartamento nos Jardins, em São Paulo. Aparentemente não havia sinais de luta corporal no local, e a porta dos fundos estava apenas encostada.

O corpo do coronel estava deitado de barriga para cima, coberto apenas por uma toalha. O tiro acertou a parte debaixo do mamilo direito e saiu pelas costas.

o corpo de Ubiratan foi enterrado na tarde do dia 11 de setembro, no Cemitério do Horto Florestal, na zona norte de São Paulo. O cortejo chegou ao cemitério por volta das 17h. Estava prevista a parada na capela, mas a família optou por cancelá-la porque o local não comportaria o número de pessoas que acompanhava a cerimônia.[2]

No muro do prédio onde morava foi pichado "aqui se faz, aqui se paga", com referência ao Massacre do Carandiru no qual o Coronel foi o comandante da operação.

Investigações[editar | editar código-fonte]

O homicídio foi investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), sob o comando do delegado Armando de Oliveira Costa Filho . O crime segue sem solução.

111[editar | editar código-fonte]

O Coronel Ubiratan sempre esteve ligado ao número 111, mas sempre garantiu que o número nada tinha a ver com os 111 mortos do Massacre do Carandiru como ainda se acredita. O coronel defendia que 111 era o número do cavalo que montava nos seus tempos de Regimento de Cavalaria.[3] Nas Eleições 2006, seu número era 14 111, por conta disso, o partido pretende "conservá-lo" como homenagem ao coronel. Coincidentemente, Ubiratan foi sepultado no nº 111 da Rua Luís Nunes, na zona norte da capital paulista (no dia 11).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Terra.com.br Sob ameaça de anulação, julgamento do Carandiru acaba hoje de sexta, 29 de junho de 2001
  2. Folha Online Corpo do coronel Ubiratan é enterrado em São Paulo de segunda-feira, 11 de setembro de 2006
  3. Folha Online Coronel Ubiratan usava o número 111 em campanhas políticas de segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Ligações externas[editar | editar código-fonte]