Uganda

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Republic of Uganda
Jamhuri ya Uganda

República do Uganda
Bandeira de Uganda
Brasão de armas de Uganda
Bandeira Brasão
Lema: "For God and My Country" ("Por Deus e Meu País")
Hino nacional: "Oh Uganda, Land of Beauty" ("Oh Uganda, Terra da Beleza")
Gentílico: ugandense, ugandês(a)[1]

Localização  República de Uganda

Capital Kampala
0° 19' N 32° 35' E
Cidade mais populosa Kampala
Língua oficial Inglês e suaíli
Governo República
 - Presidente Yoweri Museveni
 - Primeiro-ministro Amama Mbabazi
Independência do Reino Unido 
 - Data 9 de outubro de 1962 
Área  
 - Total 241 038 km² (78.º)
 - Água (%) 15,39
 Fronteira Sudão do Sul (N), Quênia (L), Tanzânia, Ruanda (S), e República Democrática do Congo (O)
População  
 - Estimativa de 2013[2] 34 758 809 hab. (37.º)
 - Densidade 115 hab./km² (65.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2012
 - Total US$ : 51,270 bilhões (96.º)
 - Per capita US$ : 939 (163.º)
IDH (2012) 0,456 (161.º) – baixo[3]
Gini (2002) 45,7[4]
Moeda Xelim do Uganda (UGX)
Fuso horário (UTC+3)
 - Verão (DST) não observado (UTC+3)
Clima Tropical
Org. internacionais ONU, UA, COMESA, IGAD, Comunidade das Nações
Cód. ISO UGA
Cód. Internet .ug
Cód. telef. +256
Website governamental http://www.myuganda.co.ug/govt/

Mapa  República de Uganda

Uganda, oficialmente República de Uganda (português brasileiro) ou do Uganda (português europeu), é um país sem ligação com o mar no leste da africa. Faz fronteira a leste com o Quénia, a norte com o Sudão do Sul, a oeste com a República Democrática do Congo, a sudoeste com Ruanda e a sul com a Tanzânia. Uganda é o segundo país sem litoral mais populoso no continente africano. A parte sul do país inclui uma parcela substancial do Lago Vitória, compartilhado com o Quênia e Tanzânia, situando o país na região dos Grandes Lagos Africanos. Uganda também se encontra dentro da bacia do Nilo, e tem um clima variado, mas geralmente equatorial.

O nome Uganda deriva do reino do Buganda, que ainda hoje é considerado administrativamente como uma entidade semi-autónoma, compreendendo toda a Região Central do país, incluindo a capital, Kampala. Os túmulos dos Reis do Buganda em Kasubi (uma colina em Kampala) são considerados património da humanidade. Os primeiros habitantes da região eram caçadores-coletores até 1.700 a 2.300 anos atrás, quando populações de língua bantas migraram para as regiões do sul do país.

A partir de 1800, a área foi governada como uma colônia pelos britânicos, que estabeleceram o direito administrativo em todo o território. Uganda ganhou a independência do Reino Unido em 9 de outubro de 1962. O período, desde então, tem sido marcado por conflitos intermitentes, mais recentemente, uma longa guerra civil contra o Exército de Resistência do Senhor, que resultou em milhares de vítimas e deslocou mais de um milhão de pessoas.

As línguas oficiais são o inglês e o suaíli. O luganda, uma língua bantu, é falada em boa parte do país, principalmente na região de Buganda. O atual presidente de Uganda é Yoweri Kaguta Museveni, que chegou ao poder em um golpe em 1986.

História[editar | editar código-fonte]

O rico planalto entre os dois ramos do Vale do Rift foi habitado por bantus e nilotas desde tempos imemoriais e, quando os árabes e europeus ali chegaram, no século XIX, encontraram vários reinos, aparentemente fundados no século XVI, o maior e mais importante dos quais era o ainda existente Buganda. Esta área foi, em 1888, concedida à Companhia Britânica da África Oriental e, em 1894, o reino do Buganda tornou-se um protectorado do Reino Unido.

Realizaram-se eleições a 1 de Março de 1961 e Benedicto Kiwanuka tornou-se Ministro-Chefe (similar ao Primeiro Ministro Britânico, porém, totalmente dependente da Coroa) de Uganda, ainda como uma commonwealth e tornou-se independente em 9 de Outubro de 1962.

Nos anos seguintes, verificou-se uma luta política entre os apoiantes de um estado centralizado, em vez da federação vigente baseada nos reinos. Como resultado, em Fevereiro de 1966, o então Primeiro Ministro Apollo Milton Obote suspendeu a constituição, assumiu todos os poderes e depôs o Presidente e o Vice-Presidente. Em Setembro de 1967, uma nova constituição proclamou o Uganda como uma república, deu ao presidente poderes adicionais e aboliu os reinos tradicionais.

Em 1971, Idi Amin tomou o poder num golpe de estado e dirigiu o país como um ditador durante quase uma década, expulsou os residentes de origem indiana e promoveu o assassinato de um número estimado em cerca de 300 000 ugandeses. O seu regime terminou com a invasão de um exército de rebeldes, apoiados pela Tanzânia em 1979 e multidões de ugandeses jubilantes, encheram as ruas para comemorar.

Depois deste contra-golpe, a Frente Nacional de Libertação de Uganda formou um governo interino, com Yusuf Lule como presidente, que adoptou um sistema ministerial de administração e criou um órgão quase parlamentar, a Comissão Consultiva Nacional (NCC), mas este órgão e o gabinete de Lule tinham visões políticas diferentes e, em Junho de 1979, o NCC substituiu Lule por Godfrey Binaisa. A disputa continuou sobre os poderes do presidente interino, Binaisa foi afastado em maio de 1980 e Uganda passou a ser governado por uma comissão militar dirigida por Paulo Muwanga.

Em Dezembro de 1980, foram realizadas eleições, que levaram de novo à presidência Obote, que era vice-presidente de Muwanga. No período que se seguiu, as forças de segurança estabeleceram um dos piores recordes de violações direitos humanos do mundo. Nos seus esforços para terminar com uma rebelião liderada por Yoweri Museveni e o seu Exército de Resistência Nacional (“National Resistance Army” ou NRA), eles praticamente destruíram uma parte substancial do país, especialmente na área de Luwero, a norte de Kampala.

Em 27 de Julho de 1985, uma brigada do exército composta por acholi (uma das etnias do Uganda) e comandada pelo Brigadeiro Bazilio Olara Okello e o General-de-Exército Tito Okello (não são parentes) tomou Kampala e proclamou novamente um governo militar.

Obote exilou-se na Zâmbia e o novo regime, dirigido pelo anterior comandante das forças de defesa, o General Tito Okello, iniciou negociações com Museveni, prometendo melhorar o respeito pelos direitos humanos, acabar com os conflitos entre tribos e organizar eleições livres e justas. No entanto, os massacres continuaram, uma vez que Okello tentava destruir o NRA e seus apoiantes.

Apesar de negociações em Nairobi, sob a mediação do Presidente queniano Daniel Arap Moi, terem chegado a um acordo de cessar-fogo, o NRA continuou a lutar e, em Janeiro de 1986, capturou Kampala, forcando as forças de Okello a fugirem para o Sudão e colocando Museveni como presidente. Este acabou com os abusos aos direitos humanos, iniciou uma política de liberalização e de liberdade de imprensa e estabeleceu acordos com o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e com vários países.

Museveni foi democraticamente eleito em 1996, quando concorreu contra Paul Ssemogere, líder do Partido Democrático, tendo recebido 75% dos votos.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Mapa hidrográfico de Uganda.

Uganda é um país localizado na região dos grandes lagos africanos e também é o principal refúgio do gorila-das-montanhas. Território coberto por savanas e selvas equatoriais de altitude, com grande número de rios e lagos, localizado em uma região de planaltos e montanhas no centro-leste do continente africano.

Uganda está dividida em duas regiões de montanhas entre os ramos ocidental e oriental do Vale do Rift. No centro, segue-se o vale do Alto Nilo, saindo do Lago Victoria, formando o Lago Kyoga desaguando no Lago Alberto, a noroeste. Desse lago, o rio segue para o norte em direção à fronteira com o Sudão do Sul, onde passa a ser denominado Nilo Branco.

Nas montanhas a oeste, dividindo a fronteira com a República Democrática do Congo, erguem-se os Montes Ruwenzori, um maciço montanhoso de vários picos nevados, com 5109 metros de altitude no Monte Stanley ou Monte Margarida, o ponto mais alto do país e o terceiro de toda África. Ao sudoeste, na divisa com Rwanda e também com a República Democrática do Congo, encontram-se os Montes Virunga, com picos de mais de 3000 metros de altitude e formações vulcânicas ativas. Estes dois perfis geológicos são consequência da atividade tectônica do Vale do Rift.

A leste, na fronteira com o Quênia, localiza-se o Monte Elgon com 4321 metros em seu ponto mais alto. É um vulcão extinto em um maciço vulcânico, com outros sub-cones numa área aproximada de 3500 km², ramificado da cadeia marginal do Vale do Rift Oriental.

Por ser uma região de relevo acidentado e vales profundos e extensos no centro e sul, a pluviosidade é abundante, por consequência da umidade das florestas equatoriais. Períodos de estiagem regulares acontecem mais ao norte e nordeste, onde predominam as savanas.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Uganda tem cerca de 24 milhões de habitantes, vivendo principalmente à beira dos Grandes Lagos Africanos que este país partilha. Estão listadas 39 línguas africanas, dos grupos bantu e nilóticas, entre as quais, a mais falada (por cerca de 16% da população) é a língua "ganda" ou luganda, relativa ao principal grupo étnico deste país, os baganda.[5] Outras línguas faladas pelos residentes no Uganda são o inglês (língua oficial), o kiSwahili e línguas indianas.

Religião[editar | editar código-fonte]

Uganda é um país maioritariamente cristão, em que 83,9% da população segue esta doutrina. De acordo com os censos realizados em 2002, a população divide-se ao nível religioso da seguinte forma:[6]

Percentagem da população do Uganda por afiliação religiosa:
Total de cristãos Protestantes Católicos Muçulmanos Outra religião Sem religião
83,9 % 42 % 41,9 % 12,1 % 3,1 % 0,9 %

Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

O Uganda é dividido em distritos, distribuídos por quatro regiões administrativas: Norte, Leste, Central e ocidental. A maior parte dos distritos são nomeados após suas principais cidades comerciais e administrativas.

Uganda districts 2010.png

Política[editar | editar código-fonte]

A política do Uganda tem lugar num quadro de uma república democrática representativa presidencial, segundo a qual o Presidente do Uganda é simultaneamente chefe de Estado e chefe de Governo, e de um sistema multipartidário. O poder executivo é exercido pelo governo. O poder legislativo é investido tanto no governo como no parlamento, a Assembleia Nacional.

O sufrágio é universal, para os cidadãos maiores de 18 anos. Entre 1986 e 2005 houve uma proibição de política multipardária.

Economia[editar | editar código-fonte]

Kampala, capital do país.

A economia de Uganda tem como principais exportações o café, chá, pescado e outros produtos.[7] O país iniciou reformas econômicas e o crescimento tem sido robusto. Em 2008, Uganda registou um crescimento de 7%, apesar da crise mundial e da instabilidade regional.[8] Apesar do crescimento econômico notável, o país ainda é considerado um dos mais pobres do mundo, principalmente devido a décadas de guerras e corrupção que assolaram a nação.

Uganda tem recursos naturais substanciais, incluindo solos férteis, chuvas regulares e depósitos minerais consideráveis ​​de cobre e cobalto. O país tem reservas, em grande parte inexploradas, de petróleo bruto e gás natural.[9] Embora a agricultura tenha sido responsável por 56% da economia em 1986, com o café como seu principal produto de exportação, o setor foi superado pelo de serviços, que respondeu por 52% do PIB em 2007.[10] Desde 1986, o governo (com o apoio de países estrangeiros e agências internacionais) tem agido para reabilitar uma economia devastada durante o regime de Idi Amin e a guerra civil subsequente.[11] A inflação correu a 240% em 1987 e 42% em junho de 1992, registrando 5,1% em 2003.

Entre 1990 e 2001, a economia cresceu devido ao contínuo investimento na reabilitação de infraestrutura, melhores incentivos para a produção e as exportações, a inflação reduziu-se e melhorou gradualmente a segurança interna. O envolvimento de Uganda na Segunda Guerra do Congo, a corrupção no governo e a ausência de reformas econômicas levantam dúvidas sobre a continuação de um forte crescimento da economia. Em 2000 Uganda qualificou-se para o programa de ajuda aos países pobres altamente endividados, recebendo o perdão de US$ 1,3 bilhões de sua dívida externa, e do Clube de Paris o perdão de outros 145 milhões de dólares.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Festas e feriados
Data Nome em português Nome local Notas
1 de janeiro Ano-Novo New Year's Day
26 de janeiro Dia da Liberdade Release day
8 de março Dia Internacional da Mulher
março-abril Segunda e sexta-feira de páscoa
1 de maio Dia do Trabalho
maio Pentecostes Whitsuntide
3 de junho Dia dos mártires Martyr day
9 de junho Dia dos heróis nacionais Day of the national héroes
9 de outubro Dia da independência Independence day
25 de dezembro Natal Christmas
Festa do Sacrifício Eid ul-Adha Festa muçulmana
Festa do fim do ramadão Eid ul-Fitr Indica o fim do ramadão

Referências

  1. Portal da Língua Portuguesa, Dicionário de Gentílicos e Topónimos de Uganda
  2. Uganda - Population (em português: Uganda - População (em inglês). CIA - The World Factbook (2013). Página visitada em 21 de novembro de 2013.
  3. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Relatório de Desenvolvimento Humano 2013 – Ascensão do Sul: progresso humano num mundo diversificado (14 de março de 2013). Página visitada em 15 de março de 2013.
  4. CIA World Factbook, Lista de Países por Coeficiente de Gini (em inglês)
  5. Ethnologue – Languages of Uganda
  6. Uganda, The World Factbook.
  7. 2012 - Statistical Abstract (em inglês). Uganda Bureau of Statistics (2012). Página visitada em 13 de abril de 2014.
  8. Uganda (em inglês). African Economic Outlook. Página visitada em 13 de abril de 2014.
  9. Derricks in the darkness (em inglês). The Economist (6 de agosto de 2009). Página visitada em 14 de abril de 2014.
  10. Uganda at a glance (PDF) (em inglês). Banco Mundial (2007). Página visitada em 14 de abril de 2014.
  11. Uganda (em inglês). The World Factbook. Página visitada em 14 de abril de 2014.

Ver também[editar | editar código-fonte]