Um Curso em Milagres

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Um Curso em Milagres (também conhecido como UCEM ou O Curso)

Helen Schucman por Brian Whelan
Kenneth Wapnick
William Thetford


Um Curso em Milagres - UCEM (ACIM em inglês), é um livro considerado por seus alunos como um "caminho espiritual".[1] Escrito originalmente em inglês entre 1965 e 1972 pela psicóloga clínica Helen Schucman em Nova Iorque, nos Estados Unidos. De acordo com Helen, ela e o psicólogo William Thetford "escreveram" o livro por meio de um processo proveniente de canalização que Schucman chamou de "ditado interior".[2] [3] [4] [5] [6] Helen Schucman disse que a fonte da sua canalização foi Jesus.Os ensinamentos do curso foram comparados com as premissas fundamentais da religião oriental. No entanto, ele utiliza a terminologia tradicional cristã.[5] J. Gordon Melton constata que ele é mais popular entre aqueles que estão desiludidos pelo cristianismo tradicional.[5] Desde a primeira vez em que ficou disponível para venda em 1976, teve mais de 2,5 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro em 23 idiomas diferentes.[7] [8] No curso você irá se deparar com vários termos que são de domínio da área da psicologia, tais como: projeção, separação, sistema delusório, sonhos, alucinação, negação, defesas, insanidade, ego, fantasia, culpa, e percepção.Todos esses termos que foram utilizados no livro fazem parte de um vasto sistema inter-relacionado. O Curso é composto de três livros: o Texto de 721 páginas, o Livro de Exercícios para estudantes de 512 páginas e o Manual de Professores de 94 páginas.

É um currículo de auto-estudo que tem como objetivo ajudar os leitores a alcançar a transformação espiritual. De acordo com a introdução da seção do Livro de Exercícios, o livro Texto é necessário já que "Um fundamento teórico tal como o Texto provê é necessário como uma estrutura para fazer com que as lições no livro de exercícios sejam significativas", onde o propósito desses exercícios é "de treinar a tua mente para pensar segundo as linhas propostas pelo Texto e para percepção diferente de todos e de tudo no mundo". UCEM nos diz que tem o propósito de "remover os bloqueios á consciência da presença do amor, que é a sua herança". O livro tem sido descrito por alguns como uma filosofia não-dualística, e por outros como Terceiro Testamento, com muitos estudantes não aceitando essas categorizações. A introdução do livro contem o seguinte resumo: "Nada real pode ser ameaçado. Nada irreal existe. Nisso está a paz de Deus."

Como o budismo, a intenção e a estrutura de Um Curso em Milagres é profundamente psicológica. Uma palavra ainda melhor, embora não seja normalmente usada, seria "psicoespiritual". O curso utiliza os conceitos da psicologia desenvolvidos por Freud: os mecanismos psicológicos de defesa, de negação e projeção, a mente consciente e inconsciente e a psique. No entanto, o termo ego, como usado em Um Curso em Milagres, tem um significado diferente de ego em Sigmund Freud (De sua trindade de Id, Ego e Superego). Dr. Kenneth Wapnick, o estudioso mais importante do curso, define o ego como:a crença na realidade do eu separado ou falso, feito como substituto para o eu que Deus criou; o pensamento de separação que dá origem ao pecado, culpa e medo; a parte da mente que acredita que é separada da Mente de Cristo.

Um Curso em Milagres e o Vedanta apresentam uma visão não-dualista: Deus / Céu / Brahman é tudo o que é, e tudo o mais é ilusão. Tudo o que é impermanente é ilusão. Tempo e espaço, quente e frio, para cima e para baixo, o mundo como nós o conhecemos, são todas as manifestações da mente que nos mantem inconscientes de nossa verdadeira natureza - que somos um com Deus, que sempre fomos e sempre seremos. Nada real pode ser ameaçado. Nada irreal existe.

O equivalente Vedanta do ego é Maya - o poder ilusório de Brahman, que constituiria uma qualidade do universo. Dada a natureza psicológica do Curso, não é por acaso que as figuras proeminentes envolvidas na edição inicial do Curso, Helen Schucman, Bill Thetford e Kenneth Wapnick, foram todos respeitados psicólogos clínicos - sua familiaridade com esses conceitos foi essencial à mensagem do Curso vir com precisão. O objetivo do livro é treinar a sua mente de uma forma sistemática a uma percepção diferente de tudo e todos no mundo.[9]


Dois mecanismos de defesa são enfatizados:


Primeiro - Negação (semelhante a repressão segundo Kenneth Wapnick): A negação talvez possa ser considerada o mecanismo de defesa mais ineficaz, pois se baseia em simplesmente negar os fatos acontecidos à base de mentiras que acabam se confundido e na maioria das vezes contrariando uma à outra. Um bom exemplo de negação - Uma mulher foi levada à Corte a pedido de seu vizinho. Esse vizinho acusava a mulher de ter pego e danificado um valioso vaso. Quando chegou a hora da mulher de se defender, sua defesa foi tripla: ‘Em primeiro lugar, nunca tomei o vaso emprestado. Em segundo lugar,estava lascado quando eu peguei. Finalmente, sua Excelência, eu o devolvi em perfeito estado.’

Recusa em aceitar a realidade externa , pois é muito ameaçadora; argumentar contra um estímulo provoca ansiedade, afirmando que ele não existe; resolução de conflitos emocionais por se recusar a perceber ou reconhecer conscientemente os aspectos desagradáveis da realidade externa.

Repressão:O fato de um indivíduo possuir grande dificuldade em reconhecer seus impulsos que produzem angústia ou lembrar-se de acontecimentos passados traumáticos é o que chamamos de repressão, que também é chamada de “esquecimento motivado”. A omissão forçada e deliberada de recordações ou sentimentos é repressão. Em casos extremos (um acontecimento extremamente doloroso), a repressão pode apagar não só a lembrança do acontecimento, mas também tudo que diz respeito ao mesmo, inclusive seu próprio nome e sua identidade, criando uma profunda amnésia.


Segundo – Projeção: é o processo mental pelo qual as características que estão ligadas ao eu são gradativamente afastadas deste em direção a outros objetos e pessoas. Essas projeções tendem a deslocar-se em direção a objetos e pessoas cujas qualidades e características são mais adequadas para encaixar o material deslocado. Muitas vezes nos defendemos da angústia gerada por fracasso, culpa ou nossos defeitos projetando a responsabilidade por esse fato em alguém ou em algo. Um exemplo seria o fato de tratarmos uma pessoa com hostilidade, justificando a nós mesmos que ela é uma pessoa hostil, mas na verdade o único agente cometendo hostilidade somos nós, a outra pessoa está agindo normalmente; e o último exemplo pode ser o marido feio que exige que sua mulher seja bela, mas na verdade ele pode estar projetando o desejo de ser belo na mulher, já que foi incapaz de cumpri-lo. Possuir um sentimento socialmente inaceitável e, em vez de enfrentá-lo, é visto nas ações de outras pessoas. A negação flagrante de uma deficiência moral ou psicológica, que é percebida como uma deficiência de outro indivíduo ou grupo. Antes da projeção sempre há uma negação. É uma lei da mente dividida, que quando projetamos, esquecemos.


Ensinamentos[editar | editar código-fonte]

É um sistema de pensamento diferenciado que, quando levado ao último entendimento, permite a conquista de um estado perene de paz, onde a certeza habita na vivência do reconhecimento da unidade em si mesmo e com Deus, onde o amor a tudo abrange e não deixa espaço para opostos, onde nada real pode ser ameaçado, e onde o medo não tem significado diante da eterna condição de impecabilidade de um ser divino e eternamente perfeito, visto que é herdeiro incondicional de todos os atributos do seu criador. É extremamente diferenciado porquê sua prática não tinha referência neste mundo na condição humana, mas que, hoje já pode ser anunciado como uma real pragmática e objetiva forma de transitar dentro deste contexto virtual chamado mundo aparentemente tangível, até que a verdade alcance todas crenças equivocadas que, na ilusória dimensão chamada tempo, ainda podem ser percebidas, gerando estados desconfortáveis e sofríveis para aqueles que, equivocadamente se vêem como indivíduos e tentam dar realidade para ideias que admitem a possibilidade da separação ou de elementos separados, o que é totalmente impossível diante da lei imutável da unicidade da realidade. É enfim um modo de pensar onde perguntas como: de onde vim, para onde vou, o que estou fazendo aqui, onde estou, assim como todas as questões de caráter existencial já podem ser respondidas, visto tratar-se de um sistema de pensamento onde mistério é algo impossível para todos que sinceramente queiram ver a verdade.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Perry, Robert. Path of Light. [S.l.]: Circle Publishing, 2004. ISBN 1-886602-23-9 Visitado em 2006-08-03..
  2. The Scribing of A Course in Miracles Foundation for Inner Peace. Visitado em 2007-04-29.
  3. A COURSE IN MIRACLES with JUDITH SKUTCH WHITSON The Intuition Network,. Visitado em 2007-04-30.
  4. Skutch, Robert. Journey Without Distance - The story behind A Course in Miracles. [S.l.]: Celestial Arts, 1984. ISBN 1-58761-108-7 Visitado em 2007-04-30..
  5. a b c Melton, Gordon J.. New Age Encyclopedia, 1st ed.. [S.l.]: Gale Research, Inc., 1990. pg. 93. pp. ISBN 0-8103-7159-6.
  6. Hanegraaff, Wouter J.. New Age Religion and Western Culture. [S.l.]: State University of New York Press, 1996. pp. 37-38. pp. ISBN 0-7914-3854-6.
  7. FIP (March, 2007). Catalog- Language Editions (HTML). Visitado em 2007-04-26.
  8. Kenneth Bok. A Course In Miracles Explained.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]