Umbigada

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde Fevereiro de 2008). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Trechos sem fontes poderão ser removidos.
Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoYahoo!Bing.

Umbigada é uma dança afro-brasileira criada em meados do século XIX.[1]

História[editar | editar código-fonte]

A umbigada é de origem africana, trazida para o Brasil através de escravos, e era praticada em quilombos. O simples fato de se chamar umbigada ja explica a dança, os escravos que possuiam roupas curtas ficavam de umbigo prara fora, os escravos mais adultos (os quais tinham as roupas mais apertadas) eram os que mais sabiam dançar, logo os que dançavam estavam sempre de umbigo de fora.

A Umbigada é uma dança que chegou ao o Brasil a partir do Século XVII, junto com os negros africanos, "trazidos" com escravos pelos Colonizadores portugueses. Nessa época, os portugueses aplicavam o termo batuque qualquer tipo de música percussiva ou dança praticada pela comunidade negra. No estado de São Paulo é dança comemorativa ou Tributo de terreiro, praticada pelos remanescentes das "Assombrosas" Senzalas Paulistas.

Organizados em duas fileiras, frontalmente separadas por cerca de 8 a 10 metros, os dançadores de ambos os sexos evoluem em reverência, até o contato físico.

A coreografia apresenta passos com nomes específicos: "visagens" ou "micagens", "peão parado" ou "corrupio", "garranchê", "vênia", "leva-e-traz" ou "cã-cã". Os passos são executados por pares soltos que, saindo em fileiras, circulam livremente pelo terreiro. Mas, o elemento principal da coreografia é a "umbigada", ou seja, quando o ventre da mulher bate à altura do ventre do homem. Os dançadores dão passos laterais arrastados, depois levantam os braços e, batendo palmas acima da cabeça, inclinam o corpo para trás e dão vigorosas batidas com os ventres. Esse gesto é repetido ao fim de todos os passos. No batuque não há batidas de pés e um batuqueiro não dança sempre com a mesma batuqueira. Segundo a tradição, Após três umbigadas ele deve dançar com outra. Os batuqueiros primeiramente dão três umbigadas, e voltão aos seus lugares primitivos, depois são as mulheres que vão até os homens para dar umbigadas. Um ponto ou "moda" é cantado e dançado durante 10 a 20 minutos. Como é uma dança ritual de procriação, tradicionalmente não é permitido que o pai dance com a filha. Também não é aconselhável se dançar: - pai com filha, padrinho com afilhada, compadre com comadre, madrinha com afilhado, avó com neto ou batuqueiro jovem. Se, por descuido, um batuqueiro bate uma umbigada na afilhada, essa lhe diz: "Sua bênção padrinho!".

Neste caso, o batuqueiro "parente" da as mãos alternadamente para a parente, até perto da fileira onde estão os batuqueiros, sem batucar. O encerramento ou último parte da dança é chamada de "leva-e-traz". O casal de batuqueiros evolui de uma fileira a outra (ida e volta) até a mudança de par.

Um batuqueiro solista que também e chamado de "modista" faz "poesia" ou "décima". Outras vezes, cantando em determinada "linha", em dado momento quanto os demais começam a repetir aquela quadra ou "linhada dupla de versos". A fileira de dançadores homens é levado pelo "modista" até onde estão as mulheres. Essas aprendem logo a melodia e palavras. Quando "afirmam o ponto", ou seja, decoram, repetindo texto e música, o primeiro a dar umbigada é o "modista'. Os demais batuqueiros começam a dançar. Dão umbigadas sempre presos ao ritmo dos instrumentos de percussão que acompanha a cantoria: O tambu, Quinjengue e matraca que são tocados freneticamente. O Modista empunha um instrumento, espécie de chocalho chamado "Guaiá" que marca o rítimo das trovas.

Semba - Origem do Samba

Segundo a descrição de Alfredo Sarmento, em Luanda e outros distritos de Angola, "o batuque consiste também num círculo formado pelos dançadores, indo para o meio um homem ou uma mulher, que, depois de executar vários passos, vão dar uma umbigada, a que chamam de "semba", na pessoa que escolhe, a qual vai para o meio do círculo, substituindo-o". Foi essa umbigada ou "semba" de onde provavelmente se originou o termo "samba", de início tomado como sinônimo de batuque. Nos primeiros tempos da escravidão, a dança profana dos negros escravos era o similar perfeito do primitivo batuque africano, descrito pelos viajantes e pesquisadores. Batuque e samba tornaram-se dois termos generalizados para designar a dança profana dos negros, no Brasil. Mas, em outros pontos, tomavam designações regionais, por influência desta ou daquela tribo negra, que forneceu um maior contingente de escravos a esses pontos.

Ainda nos dias atuais podemos encontrar o Batuque Paulista ou Batuque de Umbigada com mais intensidade nas cidades da região Campineira do Estado de São Paulo: Tietê, capivari e Piracicaba, e na Grande São Paulo em Barueri, que resgatou recentemente esta manifestação que era praticada pelo Mestre Aggêo Pires (1908-1977)nos anos de 1970 no município.

Fontes pesquisadas[editar | editar código-fonte]

Textos de pesquisas – Rosane Volpatto Folguedos Tradicionais - Edson Carneiro O Folclore negro do Brasil - Arthur Ramos Folclore Nacional II - Alceu Maynard Araújo Do batuque as Escolas de Samba – J. Muniz Jr. Folclore de São Paulo - Rossini Tavares de Lima[2]

Referências

  1. A UMBIGADA EM FILEIRA
  2. www.edgardsantomoretti.com