União Internacional Católica Esperantista

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Internacia Katolika Unuiĝo Esperantista (IKUE) (União Internacional Católica Esperantista) é uma associação de esperantistas católicos. Foi fundada em 1910 e tem sua sede em Roma.

Objetivos da IKUE[editar | editar código-fonte]

A IKUE deseja divulgar o uso da língua neutra e fácil de se aprender Esperanto entre católicos para dessa maneira contribui para a compreensão, unidade e paz. Ela além disso tem como finalidade tornar conhecida a fé cristã e funcionar como comunidade internacional dos fiéis. Para realizar estes objetivos, a associação edita publicações e organiza reuniões internacionais e eventos espirituais. Sacerdotes da IKUE sempre ofertam Missas em Esperanto no roteiro dos eventos do Movimento Esperantista em geral.

No estatuto da IKUE, a associção formulou seus objetivos desse jeito:

A IKUE objetiva por meio do Esperanto:
a) cumprir a ordem de Jesus Cristo: “Vão pelo mundo inteiro e preguem o Evangelho a toda a criatura” (S.Marcos 16,15);
b) mostrar a unidade da Igreja usando a língua internacional em sua liturgia e ação apostólica;
c) contribuir para a realização da intercompreensão, fraternidade e paz humanas no mundo contemporâneo;
d) se esforçar “para que todos sejam um” (S.João 17,21).

Ação[editar | editar código-fonte]

Encontros e Cultos[editar | editar código-fonte]

A IKUE organiza um congresso anual com palestras, celebrações, orações e um roteiro de diversões abundante. Atualmente a cada dois anos o Congresso da IKUE é organizado em colaboração com a Kristana Esperantista Ligo Internacia (KELI - Liga Internacional Esperantista Cristã) como um Congresso Ecumênico de Esperanto.

Além disso a IKUE ou suas ligas nacionais organizam muitos outros eventos nacionais, por exemplo Acampamentos Católicos de Esperanto (a cada verão durante uma semana na República Checa), Acampamentos Juvenis Ecumênicos de Esperanto, finais de semana bíblicos e peregrinações.

Celebrações em Esperanto ocorrem regularmente em algumas igrejas, por exemplo a cada dois meses na Catedral de Speyer (Alemanha) sob a direção do padre Albrecht Kronenberger, e além disso nos Congressos Universais de Esperanto e muitos outros eventos de Esperanto.

Revista Espero Katolika[editar | editar código-fonte]

A revista da IKUE, Espero Katolika, aparece desde 1903 e é o mais antigo periódico em Esperanto que continua aparecendo. Atualmente ela aparece a cada dois meses e é vista como um dos periódicos de melhor qualidade segundo o aspecto e conteúdo. Na internet se acham muitos artigos dos números mais novos e as coleções anuais completas de 1978 a 1985.

Livros e outras publicações[editar | editar código-fonte]

Já em 1912 apareceu o Novo testamento em tradução em Esperanto, e em 1926 seguiu a Bíblia completa. Atualmente a IKUE se ocupa (sob a direção dos padres Bernhard Eichkorn e Albrecht Kronenberger, em colaboração com a KELI) da nova e completamente recomposta edição da Bíblia, que aparecerá em 2007 segundo se prevê.

Em 2001 apareceu, editado pela IKUE e KELI, o livro ecumênico de cantos e orações com 1472 páginas ADORU.

A IKUE publica - ora em suas páginas eletrônicas, ora impressas - muitas publicações do Vaticano, ou colabora com tais edições. Por exemplo em abril de 2006 apareceu em forma de brochura de 43 páginas a encíclica "Deus caritas est" do Papa Bento XVI.

No total a literatura cristã em Esperanto soma alguns milhares de volumes.

Rádio e internet[editar | editar código-fonte]

Desde janeiro de 1977 a Rádio Vaticano emite regularmente em Esperanto, no começo uma vez, desde 1981 duas vezes e desde outubro de 1998 três vezes por semana. As emissões podem ser escutadas também na internet na página eletrônica da Rádio Vaticano.

Ação de bondade[editar | editar código-fonte]

Assim como quase todas as organizações cristãs, também a IKUE age com caridade. Exemplos são a ação para cegos feitos pelo ex-presidente da IKUE Jacques Tuinder, e os projetos de ajuda na África feitos pelo atual presidente de honra da IKUE, padre Duilio Magnani.

Ação nacional e do episcopado[editar | editar código-fonte]

A IKUE tem mais de 10 associações nacionais. Na página da IKUE se acha uma lista de representantes nacionais em cerca de 35 países. Algumas das associações nacionais regularmente organizam congresso nacional ou editam a própria revista. Exemplos de tais revistas são Dio Benu da seção checa, Katolika Sento da seção italiana e Brazila Katoliko. Além disso existem algumas ligas episcopais (como nos episcopados alemães Freiburg e Speyer, ambos reconhecidos pelo respectivo bispo).

História[editar | editar código-fonte]

Surgimento e evolução da IKUE[editar | editar código-fonte]

Em 1902 o padre francês Emile Peltier (1870-1909) fundou, juntamente com Henri Auroux e a permissão do bispo de Tours, a sociedade Espero Katolika. Pela falta de colaboradores Peltier e Auroux não conseguiram registrar a associação conforme a lei francesa e decidiram primeiramente fundar uma revista com o mesmo nome Espero Katolika, que aparece desde 1903. Apenas após a morte de Peltier, em 1910, ocorreu em Paris o primeiro Congresso Católico de Esperanto. Durante o mesmo se fundou a IKUE.

Em 1951 a IKUE começou a ter relações de colaboração com a Associação Universal de Esperanto (UEA). Entretanto, como uma organização religiosa, ela não tem direito de se afiliar a UEA como uma associação específica.

Outras associações católicas de Esperanto[editar | editar código-fonte]

Durante os cerca de 100 anos de história da IKUE, apareceram também outras organizações de esperantistas católicos. As mais importantes delas são Internacional Católica, que existiu de 1920 até a Segunda Guerra Mundial, e Centro Internacional Católico de Informações (IKI), que esteve ativa de 1936 até 1974 na Holanda.

Presidentes da IKUE[editar | editar código-fonte]

  1. Austin François Richardson Taylor (1843-1913), 1910-1913
  2. Patrick Parker (1869-1948), 1913-1920
  3. Lambert Johan Joseph Marie Poell (1872-1937), 1920-1921
  4. Paulus Antonius Schendeler (1878-?), 1921-1924
  5. Francisko de Paul Meštan (1865-?), 1924-1927
  6. Juan Font y Giralt (1899-1936), 1927-1935
  7. Marie Larroche (1854-1940), vice-presidente atuando como presidente, 1934-1935
  8. Petrus Heilker (1883-1964), 1935-1950
  9. Alfons Beckers (1908-1994), 1950-1966
  10. Jacques Tuinder (*1933), 1966-1971
  11. Ferdinando Longoni (1916-1975), 1971-1975
  12. Czesław Biedulski (*1936), 1976-1979
  13. Duilio Magnani (1928-2010), 1979-1995
  14. Antonio De Salvo (*1942), 1995-2003
  15. Miloslav Šváček (*1941), desde 4 de setembro de 2003

Juventude IKUE[editar | editar código-fonte]

Já desde 1920 até cerca de 1935 existiu Juventude Mundial Católica (MOKA), que, entretanto, não estava ligada à IKUE, mas à Internacional Católica.

A primeira organização juvenil da IKUE, La Alta Flugo, existiu desde cerca de 1960 até cerca de 1965. Ela editou a revista Birdo.

A atual Juventude IKUE (IKUEJ) foi fundada em 1996 dentro do Acampamento Católico de Esperanto em Sebranice (República Checa).

Reconhecimento por parte da Igreja[editar | editar código-fonte]

Esperanto como língua litúrgica[editar | editar código-fonte]

No dia 8 de novembro de 1990 a Congregação sobre o Culto Divino e a disciplina dos sacramentos do Vaticano aprovou os textos da missa em Esperanto. Dessa maneira o Esperanto definitivamente se tornou uma língua litúrgica. Desde o verão de 1995 o "Missal e Lecionário para domingos e festas" está disponível na forma de dois volumes luxuosamente encadernados.

Reconhecimento do Conselho Pontifício para os Leigos[editar | editar código-fonte]

No dia 11 de janeiro de 1992 a IKUE foi reconhecida através do decreto do Conselho Pontifício para os Leigos como uma associação internacional de fiéis conforme o direito pontifício. Por meio do decreto o Conselho Pontifício para os Leigos aprecia os objetivos estatutários da IKUE assim como "as várias atividades cumpridas pela União em seus programas e serviços (formação cristã, publicações e comunicação, ação de bondade e ecumênica)".

Papas[editar | editar código-fonte]

Todos os papas desde Pio X (ou seja, 9 papas no total) mostraram algum tipo de favorecimento à ação dos esperantistas católicos.

Papa João Paulo II em duas vezes (em 1991 e 1997) falou às reuniões diretamente em Esperanto e desde 1994 regularmente usou o Esperanto, entre muitas outras línguas, nos seus discursos de saudação pascal e natalino.

Durante a Páscoa de 2006, Papa Bento XVI continuou a tradição do seu antecessor e saudou em Esperanto através das palavras "Felicxan Paskon en Kristo Resurektinta" (Feliz Páscoa em Cristo Ressuscitado).

Cardeais e bispos[editar | editar código-fonte]

Ao menos 56 cardeais de algum modo apóiam o Esperanto, como mostra a detalhada lista na edição em língua francesa do livro "Esperanto - o novo latim da Igreja".

O arcebispo de Praga, Cardeal Miloslav Vlk, aprendeu o Esperanto como estudante e colaborou como jovem padre nos Acampamentos Católicos de Esperanto. Em 1995 Vlk celebrou no Congresso da IKUE uma missa em Esperanto e aceitou ser padrinho da IKUE.

O arcebispo Alba Iulia (Romênia), Györgyi Jakubinyi, fala Esperanto fluentemente e em duas ocasiões, em 1991 e 1999, advogou nos Sínodos da Europa a favor do Esperanto como solução do problema lingüístico na Igreja. Em várias vezes, como nas Feiras Alemãs Católicas de 1994, 1998 e 2000, Jakubinyi celebrou uma missa em Esperanto e repetiu sua solicitação pelo Esperanto.

IKUE e ecumenismo[editar | editar código-fonte]

Até mesmo o iniciador do Esperanto, Zamenhof se engajou pela fraternidade entre pessoas de diferentes religiões ou confissões. O "pai" da IKUE, Emile Peltier, advogava na sua revista Espero Katolika a favor da união de religiões cristãs, e fortemente desejava a colaboração com esperantistas protestantes.

Muitos outros ativistas da IKUE seguiram estes impulsos. Pedras fundamentais do caminho do ecumenismo entre esperantistas cristãos forma o primeiro Congresso Ecumênico de Esperanto em 1968 e o surgimento do Livro de Celebrações Ecumênicas ADORU em 2001.

Atualmente IKUE e KELI fraterna e intensamente colaboram em espírito de ecumenismo. Enquanto em meios católicos e protestantes em língua nacional ainda se costuma usar cantos e livros de preces diferentes, no Movimento Esperantista se usa principalmente o mesmo livro.

Esperanto como "novo latim da Igreja"[editar | editar código-fonte]

Esperantistas católicos com freqüência chamam o Esperanto de "o novo latim da Igreja". Entretanto, normalmente eles não objetivam reduzir o papel da língua latina na Igreja Católica (cuja importância na comunicação internacional em todo o caso já há muito tempo diminuiu bastante), mas dar novos impulsos em favor da compreensão, unidade e paz.

Apoiou este último esforço também o Papa João Paulo II, que na sua carta de saudação ao Congresso Universal em 1993 em Valência encorajou os esperantistas a "continuar seu estimável esforço para tornar realidade um mundo no qual reinem a intercompreensão e a unidade".

Veja também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]