União do Povo Galego

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União do Povo Galego ("Unión do Povo Galego", UPG)
Presidente Vacante
secretário geral: Francisco Rodríguez
Fundação 1963
Sede Avda. de Lugo, 219 -1º 15703 Santiago de Compostela
Ideologia Comunismo
Nacionalismo galego
Publicação Terra e Tempo
Afiliação internacional Aliança Livre Européia
(Como membro do BNG)
Site www.uniondopovogalego.org

A União do Povo Galego (UPG) é um partido autodefinido como "comunista patriótico, porque assume a luta de libertação nacional".[1] É o partido fundador do Bloco Nacionalista Galego; em torno a ele foram-se aglutinando durante a década de 1970 os setores que logo confluiriam no BNG. Tem 1.300 militantes e publica o jornal Terra e Tempo desde 1965.

O seu secretário geral é Francisco Rodríguez e desde o XII Congresso Nacional, o cargo da presidência da UPG ficou vacante após a decisão de Bautista Álvarez de não voltar a se candidatar à presidência, após ostentar este cargo desde 1977, sendo também co-fundador da UPG

A União da Mocidade Galega que se constituiu em 1977 é a organização juvenil do partido.

História[editar | editar código-fonte]

Primeira fundação[editar | editar código-fonte]

Em Novembro de 1963 Xosé Luís Méndez Ferrín, Bautista Álvarez, Reimundo Patiño, Luís Gonçales Blasco "foz" e Xosé Antonio Arjona, integrantes do grupo Brais Pinto de Madrid fundaram a União do Povo Galego como partido marxista e nacionalista que se integra no Conselho da Mocidade no que acabaria por se diluir.

Refundação[editar | editar código-fonte]

Em 1964 o grupo majoritário do Conselho da Mocidade, afim a Ramón Piñeiro, expulsa ao setor esquerdista,[2] que refunda a UPG em Compostela a 25 de Julho de 1964 integrando no grupo Brais Pinto, antigos militantes da Federação de Mocidades Galeguistas (Celso Emilio Ferreiro), do PCE (Luís Soto) e nacionalistas de esquerda, ao todo não mais de 25 pessoas. Nos primeiros dois anos as atividades do partido ficam reduzidas a contatos esporádicos dos seus membros e à publicação da revista Terra e Tempo,[3] na qual aparece no primeiro número em 1965 o seu primeiro ideário:

Cquote1.svg U.P.G.

União do Povo Galego
Um frente que propõe a tudo os galegos que azeitem os seguintes 10 princípios mínimos:
1. Galiza é uma nação, e como tal tem direito à sua autodeterminação.
2. O povo galego exercerá o poder na Galiza.
3. Os meios de produção, distribuição e crédito pertencem ao povo.
4. A coletivização do agro começará com uma etapa cooperativa, como fase prévia a formas mais desenvolvidas de socialização.
5. A pequena empresa e a indústria artesã serão concentradas em unidades produtivas superiores.
6. A grande empresa capitalista será socializada de um jeito imediato.
7. A organização administrativa do campo galego terá por núcleos as agrupações tipo Paróquia, que se integrarão na Comarca. O território urbano será administrado por Concelhos, compostos de Distritos.
8. A educação estará ao serviço do povo.
9. O idioma oficial da Galiza será o galego, de ensinamento obrigatório.
10. A libertação nacional galega não desbota a ligação federativa da Galiza com os demais povos da península.

Cquote2.svg

Num primeiro momento mantém linhas de colaboração com o PCE, mas não durou muito tempo, tornando-se em rivalidade e acusando os comunistas de espanholismo. A oposição à construção da barragem de Castrelo de Miño (1966) constituía a primeira atuação pública importante da UPG. Nestes primeiros anos a UPG contava com três núcleos de militantes, o de Vigo no qual Xosé Luís Méndez Ferrín era a figura principal, o de Madrid no que salientava Bautista Álvarez e o americano com Luís Soto como a sua principal figura.[4] Também se foi articulando a partir de 1966 um grupo de estudantes na Universidade de Santiago de Compostela encabeçado por Xesús Sanxoás que conseguiu ter certa presença nos acontecimentos de 1968 na universidade galega.[5] Em 1967 aumentam as ações da UPG, com pintadas na rua, distribuição de adesivos com lemas como Liberdade para a Galiza e Por uma Galiza livre e socialista e a convocatória para a 25 de Julho de 1968 do Dia da Pátria Galega pela primeira vez desde a Guerra Civil[6] . Ao tempo, a UPG consegue uma forte influência no seio das associações culturais que proliferam por todo o país após da entrada em vigor da lei de associações em 1966.

Em 1971 a expulsão de Xosé Torres e os seus seguidores, que se uniram ao Movimento Comunista, deixou a organização quase sem militantes em Ferrol e Santiago. Vigo tornou-se o principal núcleo de uma organização que nesse momento não ultrapassava os 50 militantes, reforçando a sua primazia quando Galiza Socialista, na qual estava Camilo Nogueira, se integrou na UPG. A partir de 1971 aumentam as tentativas de espalhar a organização no meio rural, Ramón Muñiz membro do comitê central será chave nesta estratégia que dará origem mais adiante às Comissões Lavregas[7]

Expansão[editar | editar código-fonte]

Não será até a formação de ERGA (Estudantes Revolucionários Galegos) por parte de Manuel Mera em 1972 que a UPG comece a aumentar a sua base social, ao que segue na Primavera de 1973 a formação da Frente Obreira da UPG dirigida por Moncho Reboiras e ao ano seguinte Comissões Lavregas.

No quadro das relações que estabelece com outros partidos nacionalistas europeus assina em Fevereiro de 1974 com a União Democrática Bretã e o Movimento Republicano Irlandês (do qual formavam parte o IRA e o Sinn Fein) a Carta de Brest, no que se defendia o direito à autodeterminação dos povos europeus para formar uma futura Europa Socialista dos Povos, ao documento somaram-se posteriormente Herriko Alberdi Sozialista, Cymru Goch, PSAN(p), Esquerra Catalana dels Traballadors, Su Populu Sardu e Luta Occitana. Também desenvolve os contatos que vinha mantendo após 25 de Abril de 1974 com forças da extrema esquerda portuguesa favoráveis à toma armada do poder como a LUAR, Partido Revolucionário do Proletariado ou o Movimento das Forças Armadas. Como conseqüência da política de pactos que seguia a UPG, um setor encabeçado por Manuel Mera e que tinha detrás ao comitê local de Santiago deixa o partido, embora a maioria voltará pouco depois.

Desde 1970 havia vozes dentro do partido que falavam da necessidade de uma fase armada no quadro da revolução nacional-popular e com o apóio de ETA a UPG formou uma Frente Armada (de não mais de 10 pessoas) com o que realizou alguns assaltos, mas em Agosto de 1975 a polícia mata a Moncho Reboiras e detém quatro membros do grupo armado.

Transição[editar | editar código-fonte]

A direção do partido passou provisoriamente a Portugal e, embora se realizassem ainda alguns atos conjuntos com ETA, a UPG parou as ações armadas dando prioridade à ação política para o qual apóia à AN-PG que se apresenta publicamente em Janeiro de 1976 e que tinha objetivo a formação de um governo galego provisório após conseguir o poder. Ao tempo, também em Janeiro de 1976 pela iniciativa da UPG é formado o Conselho de Forças Políticas Galegas, no que estavam o PSG, PGSD e a UPG, em Abril de 1976 publicam as Bases constitucionais, no que se recolhia o direito à autodeterminação da Galiza, e tarde entram o Partido Carlista e o MCG. Em Novembro o CFPG entra em crise após a inclusão do Movimento Comunista que recusava que os seus membros deixassem CCOO para ingressar no Sindicato Obreiro Galego como pedia a UPG, pelo qual esta e o PGSD marcham do Conselho.

Para concorrer às primeiras eleições democráticas, em 1977, a UPG articulou uma frente nacionalista, BN-PG, que integravam a UPG e a AN-PG, que ainda estavam sem legalizar. Após as eleições cinde-se o setor encabeçado por Camilo Nogueira que formou o Partido Obreiro Galego, antes saíra o setor que deu origem à UPG-linha proletária. Em Agosto de 1977 a UPG celebrou o seu I Congresso que definiu os seus estatutos e escolheu a Elvira Souto secretária geral e Bautista Álvarez presidente. Em Julho de 1978 após a demissão da secretária geral assumiu o cargo Pedro Luaces.

Entre Abril e Maio de 1981 a UPG vive uma crise interna entre os partidários de profissionalizar e dar mais peso ao BN-PG, o setor minoritário, e aqueles que se opunham, o setor majoritário. A crise terminou com a expulsão do setor minoritário, mas majoritário em Vigo, encabeçado por Francisco García Montes, secretário geral da INTG; Bernardo Fernández, secretário geral de CCLL e Agustín Malvido, pouco depois, em Julho, demite o secretário geral, Pedro Luaces, substituído de jeito provisório por Francisco Rodríguez. Logo destes confrontos, a UPG virou para a esquerda e deu apóio a campanhas em favor dos presos de ETA, aumentou as suas relações com HB e protagonizou atos conjuntos com o Partido Comunista-Reconstituído, mas ao tempo abandonou as teses de partido único para a Galiza. Em Fevereiro de 1982 marchou o setor mais à direita da UPG encabeçado por Pedro Luaces (ex-secretário geral) e forte em Lugo. Após a vitória do PSOE nas eleições gerais de 1982, a UPG mostrou-se contrária a qualquer colaboração, já que via o governo socialista como a face amável do capitalismo, neste ambiente em Dezembro de 1983 Mariano Abalo foi eleito secretário geral da UPG.

Aceitação das instituições[editar | editar código-fonte]

Em 1986 a UPG e o BNG aceitaram participar nas instituições, levando a Xosé Manuel Beiras ao parlamento, e prometer a Constituição, o que levou à cisão em Julho de 1986 de 13 membros do Comitê Central e umas dúzias de militantes que fundam o PCLN, entre os cindidos estavam Mariano Abalo, Xan Carballo e Ramiro Oubiña.

Referências

  1. Artigo 1 dos Estatutos da UPG
  2. Fermín Rubiralta, De Castelao a Mao. Laiovento, 1998. p. 88
  3. Manuel Anxo Fernández Baz, A formación do nacionalismo contemporáneo (1963-1984), Santiago, 2003, p. 47 n. 44
  4. Fermín Rubiralta, De Castelao a Mao. Ed. Laiovento, 1998. p. 106
  5. Justo Beramendi e Xosé Manoel Núñez Seixas. O nacionalismo galego. A Nosa Terra. Vigo, 2ª ed. 1996, p. 214
  6. Fermín Rubiralta, De Castelao a Mao. Ed. Laiovento, 1998. p. 114-116
  7. Ramón Muñiz, Historia das Comisións Labregas, A Nosa Historia 5. A Nosa Terra, 1988 p. 48

Ligações externas[editar | editar código-fonte]