United Fruit Company

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Fachada da entrada do antigo edifício da United Fruit em St. Charles Avenue, New Orleans, Louisiana.

A United Fruit Company (UFC) (1899-1970) era uma multinacional norte-americana que se destacou na produção e no comércio de frutas tropicais (especialmente bananas e abacaxis) em plantações no terceiro mundo, principalmente na América Latina, Estados Unidos e Europa. Seus interesses comerciais abrangeram grandes extensões na América Central e no Caribe onde a empresa era conhecida como "Mamá Yunay".

Tinha muito poder nos países centroamericanos já que, com a colaboração do governo dos EUA, ajudava na derrubada de governos democráticos e a implantação de ditaduras repressoras nos países que hostilizavam sua atuação empresarial. Dando lugar para que esses países e seus governos fossem chamados "república das bananas", já que a empresa estabeleceu líderes locais para favorecer seus interesses econômicos.1

História[editar | editar código-fonte]

Diversas atuações ilegais foram marcadas em sua história, como na Colômbia, em 1928, que diante dos protestos dos trabalhadores agrícolas exigindo melhorias nos trabalho, a companhia ordenou às autoridades locais a reprimir a manifestação a tiros, assassinando truculenta e impunemente muitos manifestantes. É o que hoje é conhecido como Massacre das Bananeiras.

Em 1954, na Guatemala, quando Jacobo Arbenz Guzmán tentou aplicar uma lei moderada a favor da expropriação das grandes propriedades, e depois as indenizaria com bônus a longo prazo, foi deposto por Carlos Castillo Armas, graças a colaboração do governo de Washington. Se deu um conflito brutal já que Allen Dulles, diretor da CIA, era advogado da United Fruit Company. Muitos dos empregados governamentais tinham interesses privados na empresa.

Em Cuba era uma das empresas que controlavam a produção de açucar e foram expulsos em 1959, por trás da revolução cubana que um ano mais tarde, em 1 de janeiro de 1960, nacionalizaria todas as suas possessões.

Em 1969 foi comprada por Zapata Corporation, empresa relacionada com George H. W. Bush. A empresa modificou sua razão social para Chiquita Brands e até hoje opera com esse nome.

Em 2007, Chiquita Brands enfrentou um julgamento nos EUA por haver financiado grupos paramilitares na Colômbia que foram responsáveis pelo massacre de sindicalistas e camponeses. A companhia teve que pagar multa às autoridades de seu país, agoras as autoridades colombianas buscam cooperação dos EUA para que extraditem os funcionários responsáveis por esses delitos e sejam julgados no país.

Repercussão literária[editar | editar código-fonte]

Em 1941, o escritor costarriquenho Carlos Luis Fallas escreveu a novela Mamita Yunai que não foi publicada de maneira comercial, mas circulou entre os grupos de trabalhadores das plantações bananeiras através de edições caseiras financiadas pelo próprio autor. Neste texto, que não foi escrito com a intenção de ser uma história de ficção, o autor denunciava a exploração que os empregados e funcionários da companhia (costarriquenhos e norte-americanos) faziam com os trabalhadores bananeiros. Uma das denúncias mais fortes se relaciona com o tratamento que os capatazes da companhia davam aos trabalhadores que faleciam durante o trabalho: em vez de enterrar os corpos no cemitério onde faleciam, obrigavam os demais a enterrar os corpos lá mesmo na plantação, para que "servisse de adubo para a bananeira".

O impacto da United Fruit Company era tanto que Pablo Neruda se inspirou nela para criar um poema com o título da companhia, "La United Fruit Co.". Esse poema está em Canto General, mais especificamente em V. La arena traicionada, II. Las oligarquías.

Do mesmo modo as práticas da United Fruit Company foram retratadas na novela Cien Años de Soledad, de Garcia Márquez, que a associa com a negação de direitos sindicais e o clientelismo político.

Referências

  1. GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas da América Latina